terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Juventude Negra Fluminense pede passagem...

Por Helbson de Avila

Em mais ou menos um ano de articulação a juventude negra do estado do Rio de Janeiro se prepara para o lançamento do Fórum Estadual de Juventude Negra/RJ, este que vem marcado pela recente atrocidade cometida pelo Estado através das mãos do exercito brasileiro. A bem da verdade, tal atrocidade tem como alvo uma população que de certa forma convive diária mente com este tipo de tratamento por parte das forças policiais estaduais.

Ou seja, as vítimas são as mesma, os moradores das favelas, classe menos favorecidas; os executores são os mesmos, os marginalizados que em busca de voz formam o chamado poder paralelo; mudando os interlocutores, ao invés do caveirão, BOPE e companhia, o exercito brasileiro. Ah! Não esquecendo que o Sistema e os gestores deste são os mesmos de sempre também, o capitalismo e os capitalistas.

Quem destes moradores nunca ouviu ou presenciou um caso de agressão por parte de quem os deveriam proteger. E por falar proteção, quem protege quem ou de quem protege quem? Nas terríveis noites de insônia, este questionamento provavelmente deve tornar-se companheira desta população que busca apenas um meio de sobreviver com dignidade e fé num futuro próximo para si e para seus filhos.

Pois bem, é bom lembrar que a corte ao desembarca no Brasil, trouxe consigo uma guarda, chamada guarda imperial. No entanto, com o passar do tempo os negócios aqui desenvolvidos pelos imigrantes da Europa subsidiados pela coroa sofriam constantes ataques de quem só queriam sobreviver, isto num tempo e sistema não muito diferente do que vivemos hoje.
Vendo que não era possível deter os recém alforriados por sua agilidade e destreza na arte capoeira resolveu então D. João contratar alguns desse mesmo negro para fazer parte da guarda a fim de proteger os negócios (capital-estado) dos que nada ou pouco possuíam, a exemplo dos tão conhecidos capitães do mato. Um trabalho indigno por trair os próprios pares por uma migalha, porém que dava status e rendia uma quantia, podendo o optante desta classe prover melhores condições de vida para seus entes.

Pois bem a pergunta que não me cala: Qual é a origem desse sujeito que se dedicam a protege o ‘Estado de Direito’ algo que nos parece tão? Intangível? Penso que esta conceituação de Estado de Direito e até mesmo Instituição de segurança Pública é feita com base em suas origens, acima citado. Tais origens que rendeu tamanha disparidade entre as classes e aumento o fosso entre ricos e pobres. De forma que o racismo colabora para manutenção e agravamento da barbárie do sistema capitalista. Que prima pelo lucro a qualquer custo.

O FONERJ aponta no terreiro, na avenida pedindo passagem, esta que há muito tempo nos negaram, e a Juventude negra fluminense ousa buscar esta passagem ao realizar com recurso e força de vontade própria. Abrir este diálogo entre os jovens nos diversos espaços em que estão presentes certamente obteremos uma nova perspectiva para militância juvenil negra e respondendo o questionamento acima abrirá a possibilidade de inverte valores que há mais de trezentos anos assola toda a população negra e que tirou e tira todo o sonho e o ideal de uma juventude que só quer seu espaço.

Vai juventude negra! Desperte sua negritude! Ouse vive, faça acontecer, escreva sua história!

Nas escolas, universidade, faculdades, igrejas, terreiros, centros, cidades, roças, quilombos, fábricas, lojas, comércios, feiras, camelôs onde houver um sorriso e um sonho juvenil negro, faça neles brilhar uma esperança e desperte nele a mais bela negritude!

Axé!!!!!

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