quinta-feira, 25 de setembro de 2008

AS Re-parar-ações históricas

  1. Objetivo colimado por grande parte das entidades de combate ao racismo no Brasil e também no Mundo, a reparações dos feitos históricos exigem um entendimento das ações táticas, bem como estratégica em vista da superação de uma sociedade capitulada por grandes atrocidades que persiste até nossos dias.
  2. Faz-se necessário um aprofundamento do significado da palavra reparação que vai além do sentido literário. Raça e classe se entrelaçam agregando ai o gênero e a geraciadade com o fim de cessar todo um histórico de exploração e sub-aproveitamento da capacidade do ser humano em toda a sua dimensão.
  3. Quando mencionamos a palavra reparação, nos vem à cabeça um enigmático mundo e decifra-lo não apenas no sentido literal da palavra, será de suma importância para elaborarmos o projeto político da população negra para o Brasil, tendo este como estratégico para a construção de uma nova sociedade. Coloca-lo em prática vai ainda mais longe. Exigirá um entendimento e colaboração pós absorvido superado qualquer divergencia ideológica para a vital necessária implantação do mesmo. Tendo como meio tático o envolvimento conjunto das várias entidades do movimento de combate ao racismo com programas conjunto com outras entidades que vise superar o atual modelo que rege esta nossa sociedade.
  4. Em uma concisa análise verificaremos que literariamente a expressão se divide em re, onde podemos entender como repetição de determinada coisa ou ação; parar, verbo que indica fixa, congelar; e ação, que nos lembra algo em movimento. Grosso modo teremos congelar o movimento novamente. Mas quando é que ele foi parado e por nós retomado? A história não pára, é como um trem em ferrovia reta, segue o curso pré destinado. Será mesmo condição do destino toda esta disparidade e acirramento entre os seres humanos?
  5. Uma vez congelada a história para uma “avaliação”, entendendo, pois que ninguém mergulha em um mesmo rio por duas vezes na vida. A releitura não será a mesma depois desta avaliação. Devemos a partir de então mudar o curso da história, tomar a direção e fazer nossa própria história. Como se estivéssemos assistindo um filme e não entendendo uma parte ou outra, teclamos no controle remoto a tecla parar, não para reeditamos, mas rescrevemos o final do ponto presente ao fim.
  6. Ao tomarmos a decisão de solicitar com a autoridade que nos compete esta pausa ao trem da história e fazermos esta reflexão, nos mostra o quão importante e temos autonomia para a construção desta história. O Rap Brown em Black Panters Party, ousa nos convocar para esta ousada tarefa: “... Se fazemos parte do problema, queremos fazer parte da solução”. E fazer parte da solução requer muita mobilização, discussão e acúmulo político.
  7. O CONNEB se dispôs a fazer esta ponte, ser este meio. No entanto é preciso encarar os desafios impostos por esta história idealizada e narrada por uma histórica sociedade elitizada e elitista. Não devemos repetir os mesmo erros. Mas buscar soluções à partir de nosso anseios.
  8. O regime democrático que vivemos nos permite escolher como exercer nossa cidadania. Ao fazer vale o direito de escolha, temos a democracia deliberativa a qual indicamos outra pessoa para desempenhar determinada tarefa sem se quer interferirmos para tomar conhecimentos dos fato por "enes" motivos; temos a democracia representativa, a qual indicamos alguém em que nos identificamos ora com a proposta, ora apenas por que é uma “boa pessoa”; e também temos a participativa, aquela que a todo momento temos prestações de contas e diretamente participamos fazemos realmente nossa história.
  9. No tange o CONNEB, que mais uma vez toma novo fôlego com a convocação de uma reunião da coordenação política nacional para outubro próximo no Estado sede da próxima etapa nacional - Rio Grande do Sul, seu construtores, negros e negras organizados em grupos, entidade ou mesmo individualmente devemos a partir de então retomar ao seu objetivo inicial que era elaborar o projeto político do povo negro para o Brasil. Visualizando a sociedade que vivemos num congelar da ação que historicamente oprime e acirra as relações humanas, e propor uma alternativa seguida de um esforço conjunto para implementação deste projeto sócio político.
  10. É preciso levar em conta que, a disparidade entre pobres e ricos, sendo composta a base desta piramide social de 70% de negros e negras, deve-se a falta de soberania pessoal. O pobre não é dono de si por ser desprovido de recursos necessários para saciar suas necessidades básicas. E se temos de um lado alguém que consegue manipular “legalmente” a vida de dezenas de milhões de trabalhadores através de uma negociata de ações vindo de capital especulativo, precariazando condições de trabalho, encontramos do lado oposto aquele que sustenta com suor e lágrima todo este sistema.
  11. Segundo a PNAD apresentado recentemente, entre a fatia dos 10% mais pobres da população, a participação de pretos e pardos no rendimento total das famílias é imensamente superior à dos brancos: 73,9% contra 25,5%. Já entre o 1% mais rico, a tendência se inverte: 86,3% de brancos, 12% de pretos e pardos.
  12. Na distribuição da população por cor ou raça segundo o rendimento, há uma diminuição sistemática do percentual de pretos e pardos à medida que aumenta a faixa salarial. No estrato mais pobre da população, aparecem 14,6% de pretos ou pardos, contra 5,4%. Já na camada mais rica, os brancos representam 15,8%, contra 4,1% de pretos e pardos.
  13. Isso somente poderá ser invertido quando definitivamente conquistarmos melhores rendas para os mais pobres, vindo acompanhada de uma mudança nas relações de poder. Onde não há democracia econômica, nunca haverá democracia política e irá para o ralo toda e qualquer tentativa de reparação social. O pobre, em particular os negros e negras e todos que pensam diferente, apenas são tolerados nesta sociedade hipócrita basiada na primazia do capital e continuaram se não mudar a metodologia de produção e distribuição das riquezas desta sociedade. Um socialização radical dos fatores e meios de produção.
  14. Uma democracia meramente formaliza e limitada ao exercício do voto eleitoral não assegura, por si só, a eqüidade, da mesma forma como a liberdade de mercado e o crescimento econômico, por si só, não promovem a distribuição da renda. O Brasil somente desfrutará de uma melhor condição de vida à seus filhos e filhas à medida que se fizer à democracia participativa avançar, de modo a assegurar mediante que reafirme maior participação de todos nos processos de tomada de decisão.
  15. Cabe ao CONNEB esta tarefa de reafirmar as reais motivações para toda esta articulação assegurada pela legitimidade da população negra e apoio da instancia governamental através da SEPPIR que se faz parceira nesta empreitada. Enfim, ousemos escrever nossa história!!!

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