domingo, 30 de novembro de 2008

O velho Marx tinha razão

O velho Marx tinha razão
“Em um sistema de produção onde toda a continuidade do processo de reprodução depende do crédito, quando este acaba subitamente e somente transações com dinheiro passam a ser aceitas, é inevitável que ocorra uma crise, uma tremenda demanda por meios de pagamento. É por isso que, à primeira vista, a crise inteira parece ser somente uma crise de crédito e de moeda. E de fato trata-se apenas da conversibilidade de letras de câmbio em dinheiro. No entanto, a maioria destes papéis representam compras e vendas reais, cuja extensão – para muito além das necessidades da sociedade – é, afinal, a base de toda a crise. Ao mesmo tempo, há uma quantidade enorme destas letras de câmbio que representam mera especulação, que agora revela sua face e colapsa; especulação fracassada com o capital de outras pessoas, com o capital-mercadoria depreciado ou invendável, ou com ganhos que nunca mais poderão ser realizados. Todo esse sistema artificial de expansão forçada do processo de reprodução evidentemente não pode ser resolvido com um banco, por exemplo, o Banco da Inglaterra, entregando a todos esses especuladores o capital que lhes falta através de seus títulos, comprando mercadorias depreciadas a seus antigos valores nominais. Aliás, é nesse momento que tudo começa a parecer distorcido, já que nesse mundo de papel, o preço real e seus fatores reais desaparecem, deixando visível somente metais, moedas, cédulas, letras de câmbio e títulos.”

Karl Marx, O Capital, vol. 3, cap. XXX.

Pobreza, Chuvas... "Desastre Natural"?

Pobreza, Chuvas... "Desastre Natural"?

A tragédia causada pelas chuvas, que atingiu a população do vale do Itajaí, Florianópolis,e outros municípios litorâneos de Santa Catarina, nos últimos 10 dias, poderia ter sido evitada?

Todos os anos ocorrem inundações e desabamentos no período das chuvas, às vezes com maior intensidade, como agora, mas em todo o País sempre se repetem as cenas de ruas e casas alagadas (soterradas), milhares de famílias desabrigadas, e muito sofrimento.

(Encostas resultantes de cortes para a construção de estradas se dissolvem, por falta de contenção adequada e bem-feita. Estradas também se dissolvem, revelando de uma só vez a má qualidade de construção, a falta de fiscalização dos governos e da sociedade e a falta de manutenção).

A mídia mostra as cenas da tragédia, a atuação solidária de voluntários e as providências da Defesa Civil, e em geral omite o fato de que a grande maioria das pessoas atingidas é pobre, que por falta de habitação decente foi morar em encostas ou fundo de vales, ocupando áreas públicas consideradas de risco.

Pessoas pobres que ficam mais pobres, porque perdem tudo o que possuem, estragado ou levado pelas chuvas, ou soterrado por lama e pedras. Muitas morrem afogadas, outras sob os deslizamentos, ou por contaminação pelas águas.

Vivenciei isso diretamente, pela primeira vez, quando trabalhava na Emergência da Regional do Campo Limpo, da Prefeitura de São Paulo(SP), em 1981, no atendendimento a centenas de famílias pobres, que da noite pro dia ficavam sem o pouco que tinham, sem ter onde morar ou pra onde ir.

Nesses quase 30 anos, a situação nas cidades, sob esse aspecto, piorou muito, por falta de ações vigorosas das populações e dos governos, para reduzir os danos causados pelas chuvas (previsíveis). Sabe-se o que fazer, da contenção de encostas à limpeza de bocas de lobo e galerias, passando pelo monitoramento do nível dos rios e das chuvas. Essa é a parte mais fácil, digamos assim. Apesar disso, em geral não é feita, não pelo menos da maneira e época corretas e em todo o município.

A parte mais difícil é a execução do Planejamento Urbano, aí incluída a Habitação Popular, em áreas sem risco e com construções de qualidade. Esse é o drama estrutural, diário, de quantidades cada vez maiores de pessoas. Um aspecto doloroso é a reivindicação dessas populações por asfalto, e a eleição (e reeleição) de governos medíocres que "asfaltam tudo" e fazem dessa atividade sua principal bandeira eleitoral, a exemplo do atual prefeito de Florianópolis, eleito com a bandeira do "tapete preto" no Sul da Ilha.

Há bairros pobres que não poderiam existir onde estão, nas várzeas de córregos ou rios, ou em encostas de morros sabidamente perigosas. Há cidades inteiras que estão localizadas em áreas de risco permanente, e a dúvida real é "quando" e não "se". Esses são os casos, por exemplo, de União da Vitória(PR), Blumenau e Itajaí(SC), cidades regularmente atingidas por inundações, e de tempos em tempos, por inundações maiores que rapidamente se transformam em tragédias, com dezenas de mortes e milhares de desabrigados.

Muitos governos municipais petistas enfrentaram esse desafio, em Angra dos Reis(RJ), Diadema e Santos(SP), Belo Horizonte, Porto Alegre, etc, etc. Entretanto, apesar da existência do Ministério das Cidades, não há um movimento nacional, uma campanha permanente, combinando programas habitacionais que atendam parte expressiva da demanda (sete milhões de moradias?), com a remoção de famílias das áreas de risco e a sua interdição permanente, limpeza da tubulação de águas pluviais, recolhimento do lixo (incluindo a massificação da coleta seletiva), e Planejamento Urbano que respeite as áreas de expansão de córregos e rios, arborizando-as e transformando-as em áreas de lazer.

Muitos novos governos tomarão posse em 1º de janeiro com seus municípios em estado de emergência, e passarão os dois a três primeiros meses do ano totalmente ocupados com os estragos causados pelas chuvas. Infelizmente, para a maioria, essa "prova de fogo" não servirá de estímulo para que tomem providências visando reduzir os danos em seus municípios, na próxima temporada de chuvas.

Muitas pessoas morrem, muitas mais sofrem, prejuízos são calculados em bilhões, mas alguns meses depois tudo continua como dantes. As pessoas conformam-se com a mentira do "desastre natural", e em pouco tempo voltam à sua rotina. Fora as chuvas "excessivas", nada do que ocorre em decorrência do "excesso de água" é natural, posto que construído (ou destruído) pelo ser humano. A maior parte das cidades afetadas precisa alterar radicalmente a ocupação dos espaços, e isso implica em realizar verdadeiras revoluções urbanísticas.

O Orçamento Participativo e o Congresso das Cidades são dois instrumentos excelentes para os governos municipais petistas debaterem com a sociedade o Planejamento Urbano em 2009, a massificação da Habitação Popular, do recolhimento do lixo e da Coleta Seletiva, e do saneamento ambiental.

Quem sabe assim, esse novembro trágico possa ajudar a solucionar a problemática urbana no Brasil.

Milton Pomar, geógrafo, militante do PT-SC

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Morre na Itália a cantora sul-africa

ROMA, 10 Nov 2008 (AFP) - A cantora sul-africana Miriam Makeba, 76 anos, conhecida em todo o mundo como "Mama África" e famosa no Brasil pela música "Pata Pata", morreu na madrugada de domingo para segunda-feira vítima de uma parada cardíaca depois de ter participado em um concerto a favor do escritor Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia, na região de Nápoles (Sicília).

Voz lendária do continente africano e um símbolo da luta contra o regime do apartheid, Miriam Makeba passou mal depois de ter cantado por 30 minutos em um show dedicado ao jovem autor do livro "Gomorra" em Castel Volturno.

Mandela afirma que Miriam Makeba foi a mãe da África do Sul

"Foi a última a sair do palco, depois de outros cantores. Houve um bis e neste momento alguém perguntou se havia algum médico entre o público. Miriam Makeba havia desmaiado e estava no chão", afirma um fotógrafo da AFP presente ao evento.

Levada rapidamente para uma clínica de Castel Volturno, ela morreu pouco mais tarde em conseqüência de uma parada cardíaca.

Mais de mil pessoas compareceram ao concerto antimáfia, em uma área considerada um reduto da Camorra, a máfia napolitana, onde seis imigrantes africanos e um italiano foram assassinados em setembro passado em circunstâncias não esclarecidas.

Em "Gomorra", Roberto Saviano submerge o leitor no império da Camorra. O livro, traduzido para 40 idiomas, foi adaptado para o cinema e recebeu o prêmio do júri no último festival de Cannes e foi escolhido para representar a Itália no Oscar.

Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johannesburgo. Ela começou a cantar nos anos 50 com o grupo "Manhattan Brothers" e em 1956 compôs "Pata, Pata", a canção que seria seu maior sucesso.

A cantora viu seu país mudar com a chegada ao poder, em 1947, dos nacionalistas africaners. Aos 27 anos deixou a África do Sul pela carreira e teve a entrada proibida no país pelo compromisso com a luta antiapartheid, incluindo a participação no filme "Come back, Africa".

O exílio durou 31 anos, em diversos países. A cantora fazia muito sucesso, mas seu casamento em 1969 com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael, do qual se separou em 1973, não agradou as autoridades americanas, que a forçaram a emigrar para Guiné.

Abertas inscrições no Rio de Janeiro para ida ao Tribunal Popular

Abertas inscrições no Rio de Janeiro para ida ao Tribunal Popular
Sáb, 01 de Novembro de 2008 14:40 tribunal


O coletivo de organizações que no Rio de Janeiro participam doTribunal Popular: o Estado Brasileiro no Banco dos Réus, abriu as inscrições no estado para participação no mesmo.
O Tribunal Popular acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de dezembro em São Paulo, na Faculdade de Direito (USP) do Largo São Francisco. A convocatória, manifestos e outros documentos sobre o Tribunal podem ser encontrados no site http://www.tribunalpopular.org. Para assistir as sessões do Tribunal, ou para realizar atividades nos intervalos entre as sessões (noites de 4 e 5/12), é necessário se inscrever. Aqui no Rio, estamos procurando viabilizar a ida de dois ônibus para São Paulo, e a inscrição também serve para reservar vaga nos ônibus.


Para se inscrever para assistir às sessões do Tribunal:

- Informar nome completo, número de um documento de identidade que tenha foto (inclusive passaporte), CPF (é necessário para as empresas de ônibus). Se for menor de idade informar responsável que irá acompanhar no ônibus.

- De que comunidade/grupo/instituição faz parte.

- Um meio de contato (telefone e/ou e-mail)

- Informar se irá nos ônibus que estamos organizando (parte no dia 03/12 e volta no dia 06/12 à noite), ou por contra própria.

- Indicar quais sessões irá assistir (ver detalhamento das sessões em http://www.tribunalpopular.org/index.php?option=com_content&view=article&id=53:-tribunal-popular-o-estado-brasileiro-no-banco-dos-reus)



- As informações devem ser remetidas para tribunalpopular-rj@riseup.net Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. , ou por telefone no Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH, tel. 2215-0590, falar com Lidiane) ou no Grupo Tortura Nunca Mais (tel. 2286-8762, falar com Zélia)



Para inscrever atividades:

- As atividades podem ser reuniões, oficinas, exposições e apresentações culturais. Deve-se descrever brevemente o conteúdo e forma da atividade.

- Indicar quantas pessoas estarão envolvidas e qual equipamento será necessário.

- Indicar o nome e contato de uma pessoa responsável pelo menos.

- As informações devem ser remetidas ao mesmo endereço de e-mail e telefones acima


O prazo para os dois tipos de inscrição é até o dia 25 de Novembro de 2008!!!

A mesma pessoa pode fazer os dois tipos de inscrição, já que as atividades acontecerão fora do horário das sessões.

Serão emitidos certificados de participação nas sessões para todos os inscritos, mesmo que a lotação dos auditórios se esgote e alguém inscrito não possa assistir à sessão desejada.

Os inscritos do Rio que forem nos ônibus terão o lugar nos auditórios garantidos.



Comissão de Organização do Tribunal Popular no Rio de Janeiro

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