sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Presidentes latinoamericanos no FSM

PRESIDENTES LATINOAMERICANOS NO FSM 
 
Emir Sader
 

      O momento mais importante do FSM de Belém do Pará terminará sendo o ato do dia 29, no Hangar, que contará com a presença de Evo Morales, Fernando Lugo, Rafael Correa, Hugo Chavez e Lula – presidentes latinoamericanos que constroem, de distintas maneiras, modelos alternativos ao neoliberalismo. É uma presença inevitável, que marca como a América Latina se transformou, de "paraíso do neoliberalismo" a seu elo mais fraco, onde se começou a construir, efetivamente, o "outro mundo possível" pelo que luta o Fórum Social Mundial.

      No seu inicio, o FSM se delimitava expressamente em relação a governantes – assim como a partidos. A presença de presidentes como Lula e Hugo Chavez, por exemplo, era feita mediante atividades paralelas. Era ainda o momento de protagonismo dos movimentos sociais na luta de resistência ao neoliberalismo. O primeiro FSM se realizou em janeiro de 2001, em Porto Alegre. O primeiro governo progressista latinoamericano, o de Hugo Chavez, tinha sido eleito em 1998 e sobrevivia, solitariamente, sob forte ofensiva direitista. Foi ao longo desta década que foram eleitos Lula, Tabaré, Kirchner, Evo, Rafael Correa, Lugo – que representaram a passagem da luta antineoliberal a seu período atual, de luta por uma hegemonia alternativa, pela construção de modelos de superação do neoliberalismo..

      A fundação do Movimento ao Socialismo (MAS) boliviano foi um momento determinante na luta por "um outro mundo possível", porque revelava, de forma explicita, a compreensão de que somente rearticulando a luta social com a luta política, seria possível dar inicio à construção de alternativas ao neoliberalismo. As forças sociais que tiveram essa compreensão, cada uma à sua maneira, puderam passar à fase atual, enquanto as outras perderam peso, se isolaram, ao permanecer numa atitude apenas de resistência.

      Desde o último FSM realizado no Brasil, em 2005, os processos de integração regional avançaram, surgiram novos governos progressistas, enquanto o FSM foi ficando reduzido à realização dos Foros mundiais e regionais, sem propostas diante da crise neoliberal, diante das guerras imperiais, sem vincular-se aos processos – como os latinoamericanos – que efetivamente começaram a construção de alternativas ao neoliberalismo.

      A presença dos cinco presidentes em Belém expressa o estágio atual de luta antineoliberal e é um chamado ao FSM para que volte a articular forças de resistência social à esfera política, aquela da disputa hegemônica, que se torna central partir da crise contemporânea, do fim do governo Bush e dos avanços – concentrados hoje na América Latina – do posneoliberalismo.

      O ato do dia 29 expressa a força atual da luta por "um outro mundo possível" no plano político, que junto à luta dos movimentos sociais e das outras forças políticas e culturais, são chamadas a desempenhar um papel permanente e decisivo na luta antineoliberal. Coloca-se para o FSM e as forças que o compõem um dilema essencial: permanecer na intranscendência do intercâmbio de experiências a cada ano ou dois anos ou avançar na construção de alternativas. A luta antineoliberal seguirá adiante e será tanto mais forte, quanto mais o FSM se acoplar às formas realmente existentes de construção do "outro mundo possível".




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COPON 2009

BC REDUZ TAXA DE JUROS: 1% É POUCO
 
Flávio Loureiro

Malgrado para muitos, não é claro para o setor financeiro e para investidores que faturam alto com a taxa de furos praticada no Brasil, foi uma grata surpresa o Banco Central reduzir em um ponto percentual a Taxa Selic, agora em 12,75%. As apostas giravam em torno de uma queda entre 0,5% e 0,75%, daí a repercussão positiva.

Em certa medida, lembra aquela situação do "bode na sala". A sala é pequena e desconfortável, todos que fazem uso dela reclamam, aí o dono da sala resolve por um bode dentro dela e ela fica insuportável. Ninguém agüenta sequer respirar dentro dela e todos passam a reclamar do bode. Passado algum tempo, o dono retira o bode, e aquela sala pequena e desconfortável fica maravilhosa. ..

Portanto, tal semelhança não é mera coincidência, sobretudo por que o Brasil se mantém na condição de país onde se pratica a maior taxa de juros líquida, descontada a inflação, do mundo. Alguns países como Rússia, Venezuela e Turquia possuem taxas maiores que as brasileiras, mas em contrapartida taxas inflacionárias bem maiores também, enquanto a nossa inflação, segundo as informações disponíveis, está em queda. O que torna os juros líquidos praticados naqueles países inferiores ao nosso..

Segundo estudos do Ipea (veja em http://www.ipea.gov.br/), recentemente divulgados pelo presidente do instituto, o economista Márcio Pochmann , cuja repercussão foi prejudicada pela cobertura da cerimônia do posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, "a taxa poderia ser reduzida em mais três ou quatro pontos, sem risco inflacionário. Isto porque, mesmo assim, a taxa líquida (abatendo a inflação) ficaria em torno de 4%, o que ainda é muito alto, comparado com os demais países", em particular numa conjuntura internacional de recessão.

É em tal conjuntura que a tradicional Grã-Bretanha pratica taxa de 1,5%, a menor desde meados do século XVII. Nos EUA, atolado até o pescoço pela crise, a taxa é negativa, pois está em 1% perante inflação de 3,5% a 4%. E o mundo inteiro segue o mesmo caminho, logo a decisão do BC além de tardia é tímida, pouco contribui para os esforços do governo federal no combate a crise e, salvo uma convocação extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão ligado ao BC que define o percentual da Taxa Selic, só daqui a 45 dias, que é a periodicidade das reuniões do Copom, que vai se tratar dos juros nativos novamente. Falta agora combinar com a recessão e com as empresas que estão demitindo.

O tesouro nacional, principalmente em tal conjuntura, na qual precisa garantir crédito e aquecer a economia, não pode prescindir para investimentos em agricultura familiar, pré-sal, PAC etc, etc, dos dez bilhões de reais que, segundo estudos do Ipea, economiza com cada queda em um ponto percentual da taxa de juros.
 
 



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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Os volteios da teoria económica

por Rick Wolff

A maior parte dos economistas estado-unidenses são professores em faculdades e universidades. As suas posições académicas permitem-lhes investigar e ensinar, supostamente de modo independente dos interesses corporativos. Eles podiam, pelo menos hipoteticamente, proporcionar as visões críticas dos problemas económicos que são necessárias para a sua solução. Os economistas podem ajudar a propor, avaliar e debater o vasto leque de soluções possíveis – desde aquelas que mudam minimamente o status quo até as que implicam mudança social fundamental.. Contudo, a história mostra que a maior parte dos economistas profissionais tem sido subserviente aos interesses corporativos ao invés de críticos construtivos. Eles celebraram o capitalismo, ignoraram ou puseram de lado sistemas económicos alternativos e só argumentam sobre como melhor administrar os enormes custos sociais da recorrente instabilidade do capitalismo. A vergonhosa subserviência corporativa dos economistas tem sido a ruína do país.

O establishment profissional das Ciências Económicas nos EUA – seus membros auto-intitulam- se "corrente principal" ("mainstream") – nunca conduz. Ele sempre segue. Antes da Grande Depressão, os economistas da corrente principal abraçavam respeitosamente o que denominavam "teoria económica neoclássica". Esta "ciência" económica mostrava, diziam eles, que o que dava lucros para os negócios beneficiava toda a sociedade. Nesta perspectiva da corrente principal, a empresa privada e os mercados funcionavam melhor para toda a gente quando deixados livres da regulamentação ou interferência governamental. Os grandes negócios dirigiam e promoviam publicamente esta celebração do capitalismo. Faculdades e universidades procuravam contribuições financeiras dos negócios, dos seus proprietários e dos seus líderes. Eles precisavam inscrever os filhos destas pessoas (poucas outras podiam permitir-se arcar com os custos da educação superior). As administrações académicas nem queriam nem apoiavam professores que criticassem os interesses dos negócios privados ou de alguma forma os desagradassem (através, por exemplo, do desafio à corrente principal da ciência económica).

Após 1929, quando as empresas privadas e os mercados livres capitularam diante da Grande Depressão, os negócios em grande medida passaram a advogar intervenções maciças do governo para "consertar" a economia rompida (tal como faz hoje, outra vez). Excepto por uns poucos teimosos, os economistas profissionais rapidamente seguiram-nos e reverteram a sua "ciência". Eles descobriram um novo guru em John Maynard Keynes que exaltou as virtudes e clarificou os mecanismos das intervenções económicas governamentais. A corrente principal da ciência económica tornou-se keynesiana desde o fim da década de 1930 até a década de 1970. Por toda a parte os cursos de económicas nas faculdades ensinavam acerca de ciclos de negócios (a expressão polida para designar a instabilidade crónica do capitalismo) . Os manuais instruíram uma geração de que políticas monetárias e fiscais do governo eram necessárias e meios eficazes de limitar, compensar e finalmente eliminar os ciclos de negócios.

Na década de 1970, a corrente principal reverteu o seu curso mais uma vez. A teoria económica keynesiana havia falhado para a ultrapassagem ou mesmo a prevenção dos ciclos de negócios capitalistas nos EUA. As políticas monetárias e fiscais não haviam proporcionado a prosperidade, crescimento e estabilidade prometidos pelos keynesianos. Enquanto isso, as corporações estado-unidenses haviam-se tornado bastante ricas e poderosas – ao passo que as memórias da Grande Depressão haviam-se desvanecido bastante – para minar as regulamentações e controles do governo provocados pela Grande Depressão. Porque os negócios ressentiam-se com as intervenções governamentais que limitavam lucros, os interesses corporativos promoveram a candidatura Reagan à presidência. A sua vida ao serviço dos interesses corporativos qualificava- o para reverter o New Deal. Cortes fiscais, especialmente para os negócios e os ricos, e desregulamentaçã o tornaram-se fórmulas encantatórias para os líderes políticos de ambos os partidos. A América corporativa retomou a celebração anterior a 1929 da empresa privada e dos mercados livres.

Os economistas académicos também seguiram. Todos os curricula, manuais e conferências foram mudados. A teoria económica keynesiana foi afastada, a teoria económica neoclássica estava de volta e Milton Friedman era o novo guru. Ele fora um teimoso que se mantivera a celebrar a empresa privada e os mercados livres ao longo do período em que a corrente principal era keynesiana. Então, quando os negócios progressivamente decidiram que "a nossa economia não precisa mais da intervenção do governo" que constrangia os lucros, Friedman obteve o seu apoio para o departamento de ciências económicas da Universidade de Chicago. Assim, na nova América de Reagan, a profissão económica respeitosamente considerou que a teoria económica de Friedman era agora "correcta" e "científica". Ele e os seus apoiantes assumiram o comando da corrente principal. Eles marginalizaram os keynesianos e ardorosamente re-endossaram a velha teoria económica "neoclássica" anterior a 1929 que exaltava a empresa privada e os livres mercados como garantes da prosperidade.

Foi tão completa a adopção da teoria económica neoclássica pela corrente principal académica que muito poucos estudantes aprenderam acerca da instabilidade do capitalismo. Os cursos sobre ciclos de negócios, outrora obrigatórios no curriculum de económicas, em grande medida desapareceram. Os economistas do governo Bush eram produtos de educações económicas que os incapacitavam para lidar com o maciço crash capitalista de hoje. Portanto, eles (1) deixaram de ver, muito menos impedir, o crash; (2) esperaram demasiado para actuar quando o crash se desenrolava no fim de 2007 e durante 2008, e (3) propuseram mal planeadas e pouco eficazes políticas governamentais, após a outra, desde meados de 2008. Os economistas reunidos por Obama são exemplos da mesma geração incapacitada.

A vergonhosa história de oportunismo desta profissão pode ser melhor ilustrada pela reunião anual de Janeiro de 2009 da suprema American Economics Association (AEA). O fim de 2008 assistiu os grandes negócios obterem milhões de milhões em salvamentos do governo. Destacados economistas da corrente principal na reunião da AEA covardemente anunciaram os erros dos seus antigos caminhos e advogaram o retorno à teoria económica keynesiana. Os economistas neoclássicos viam as suas carreiras em perigo e actuaram rapidamente. O repórter Louis Uchitelle, do New York Times, utilizou mesmo a expressão religiosa "conversão" para a comunicação apresentada por Martin Feldstein, de Harvard. Contudo, como muitos cristãos renascidos, os keynesianos renascidos não terão dúvidas em retroceder ao primeiro sinal de estabilização do sector financeiro.

Para resumir, as repetidas oscilações entre a teoria económica neoclássica e a keynesiana na definição da corrente principal revela a subserviência oportunista da profissão às necessidades dos negócios. A mesma subserviência explica porque ela se recusa firmemente a contratar os economistas que respondem à instabilidade do capitalismo advogando a mudança social para sistemas económicos alternativos. Na esteira de mais outro maciço colapso capitalista, entretanto, as nossas escolhas reais não precisam e não deveriam ser limitadas à teoria económica neoclássica ou keynesiana, para uma mera comutação entre formas de capitalismo privado e administrado pelo Estado. As razões para argumentar a favor de movimentos para além do capitalismo nunca foram tão fortes. A agora considerável literatura teórica sobre economias pós-capitalistas (por exemplo, S. Resnick e R. Wolff,
Class Theory and History: Capitalism and Communism in the USSR ) e a acumulação de experiências locais e nacional com as mesmas proporciona amplos recursos e lições a fim de efectuar tais movimentos.

O original encontra-se em http://mrzine. monthlyreview. org/wolff180109. html

Este artigo encontra-se em http://resistir. info/



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Leia a íntegra do discurso de Obama, em português

Leia abaixo a íntegra do discurso de posse do presidente dos EUA, Barack Obama.

Meus caros concidadãos

Estou aqui hoje humildemente diante da tarefa que temos pela frente,
grato pela confiança que vocês depositaram em mim, ciente dos
sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente
Bush pelos serviços que prestou à nação, assim como pela generosidade
e a cooperação que ele demonstrou durante esta transição.
Quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. As
palavras foram pronunciadas durante marés ascendentes de prosperidade
e nas águas plácidas da paz. Mas de vez em quando o juramento é feito
entre nuvens carregadas e tempestades violentas. Nesses momentos, a
América seguiu em frente não apenas por causa da visão ou da
habilidade dos que ocupavam os altos cargos, mas porque nós, o povo,
permanecemos fiéis aos ideais de nossos antepassados e leais aos
nossos documentos fundamentais.

Assim foi. Assim deve ser para esta geração de americanos.

Que estamos em meio a uma crise hoje é bem sabido. Nossa nação está em
guerra, contra uma ampla rede de violência e ódio. Nossa economia está
gravemente enfraquecida, uma consequência da cobiça e da
irresponsabilidade de alguns, mas também de nosso fracasso coletivo em
fazer escolhas difíceis e preparar o país para uma nova era. Lares
foram perdidos; empregos, cortados; empresas, fechadas. Nosso sistema
de saúde é caro demais; nossas escolas falham para muitos; e cada dia
traz novas evidências de que os modos como usamos a energia reforçam
nossos adversários e ameaçam nosso planeta.

Esses são indicadores de crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos
mensurável, mas não menos profundo, é o desgaste da confiança em todo
o nosso país -- um temor persistente de que o declínio da América é
inevitável, e que a próxima geração deve reduzir suas perspectivas.

Hoje eu lhes digo que os desafios que enfrentamos são reais. São
sérios e são muitos. Eles não serão resolvidos facilmente ou em um
curto período de tempo. Mas saiba disto, América -- eles serão
resolvidos.

Neste dia, estamos reunidos porque escolhemos a esperança acima do
medo, a unidade de objetivos acima do conflito e da discórdia.

Neste dia, viemos proclamar o fim dos sentimentos mesquinhos e das
falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que por
tanto tempo estrangularam nossa política.

Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras da escritura, chegou o
tempo de pôr de lado as coisas infantis. Chegou o tempo de reafirmar
nosso espírito resistente; de escolher nossa melhor história; de levar
adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, transmitida de geração em
geração: a promessa dada por Deus de que todos são iguais, todos são
livres e todos merecem a oportunidade de perseguir sua plena medida de
felicidade.

Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza
nunca é um fato consumado. Deve ser merecida. Nossa jornada nunca foi
de tomar atalhos ou de nos conformar com menos. Não foi um caminho
para os fracos de espírito -- para os que preferem o lazer ao
trabalho, ou buscam apenas os prazeres da riqueza e da fama. Foram,
sobretudo, os que assumem riscos, os que fazem coisas -- alguns
célebres, mas com maior frequência homens e mulheres obscuros em seu
labor, que nos levaram pelo longo e acidentado caminho rumo à
prosperidade e à liberdade.

Por nós, eles empacotaram seus poucos bens terrenos e viajaram através
de oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, eles suaram nas oficinas e colonizaram o Oeste; suportaram
chicotadas cortantes e lavraram a terra dura.

Por nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e
Gettysburg, na Normandia e em Khe Sahn.

Incansavelmente, esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e
trabalharam até ralar as mãos para que pudéssemos ter uma vida melhor.
Eles viam a América como algo maior que a soma de nossas ambições
individuais; maior que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou
facção.

Esta é a jornada que continuamos hoje. Ainda somos a nação mais
próspera e poderosa da Terra. Nossos trabalhadores não são menos
produtivos do que quando esta crise começou. Nossas mentes não são
menos criativas, nossos produtos e serviços não menos necessários do
que foram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa
capacidade continua grande. Mas nosso tempo de repudiar mudanças, de
proteger interesses limitados e de protelar decisões desagradáveis --
esse tempo certamente já passou. A partir de hoje, devemos nos
reerguer, sacudir a poeira e começar novamente o trabalho de refazer a
América.

Para todo lugar aonde olharmos há trabalho a ser feito. A situação da
economia pede ação ousada e rápida, e vamos agir -- não apenas para
criar novos empregos, mas depositar novas bases para o crescimento.
Vamos construir estradas e pontes, as redes elétricas e linhas
digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Vamos restabelecer a
ciência a seu devido lugar e utilizar as maravilhas da tecnologia para
melhorar a qualidade dos serviços de saúde e reduzir seus custos.
Vamos domar o sol, os ventos e o solo para movimentar nossos carros e
fábricas. E vamos transformar nossas escolas, colégios e universidades
para suprir as demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer.
E tudo isso faremos.Os passos da posse

MEMÓRIA

Em 5 de novembro de 2008, Obama faz seu 1º discurso após ser eleito
presidente dos EUA

Relembre como Obama foi eleito
Barack Obama: vida e campanha
Assista ao discurso de Obama
ao ser eleito presidente dos EUA

Agora, há alguns que questionam a escala de nossas ambições -- que
sugerem que nosso sistema não pode tolerar um excesso de grandes
planos. Suas memórias são curtas. Pois eles esqueceram o que este país
já fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a
imaginação se une ao objetivo comum, e a necessidade à coragem.

O que os cínicos não entendem é que o chão se moveu sob eles -- que as
discussões políticas mofadas que nos consumiram por tanto tempo não
servem mais. A pergunta que fazemos hoje não é se nosso governo é
grande demais ou pequeno demais, mas se ele funciona -- se ele ajuda
as famílias a encontrar empregos com salários decentes, tratamentos
que possam pagar, uma aposentadoria digna. Quando a resposta for sim,
pretendemos seguir adiante. Quando a resposta for não, os programas
terminarão. E aqueles de nós que administram os dólares públicos terão
de prestar contas -- gastar sabiamente, reformar os maus hábitos e
fazer nossos negócios à luz do dia -- porque somente então poderemos
restaurar a confiança vital entre uma população e seu governo.

Tampouco enfrentamos a questão de se o mercado é uma força do bem ou
do mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é
inigualável, mas esta crise nos lembrou de que sem um olhar vigilante
o mercado pode sair do controle -- e que uma nação não pode prosperar
por muito tempo quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de
nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho de nosso Produto
Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa
capacidade de estender oportunidades a todos os corações dispostos --
não por caridade, mas porque é o caminho mais certeiro para o nosso
bem comum.

Quanto a nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a opção entre nossa
segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos
que mal podemos imaginar, redigiram uma carta para garantir o regime
da lei e os direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de
gerações. Aqueles ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos
abandoná-los em nome da conveniência. E assim, para todos os outros
povos e governos que nos observam hoje, das maiores capitais à pequena
aldeia onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de toda nação
e de todo homem, mulher e criança que busque um futuro de paz e
dignidade, e que estamos prontos para liderar novamente.

Lembrem que as gerações passadas enfrentaram o fascismo e o comunismo
não apenas com mísseis e tanques, mas com sólidas alianças e
convicções duradouras. Elas compreenderam que somente nossa força não
é capaz de nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que
quisermos. Pelo contrário, elas sabiam que nosso poder aumenta através
de seu uso prudente; nossa segurança emana da justeza de nossa causa,
da força de nosso exemplo, das qualidades moderadoras da humildade e
da contenção.

Somos os mantenedores desse legado. Conduzidos por esses princípios
mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem um
esforço ainda maior -- maior cooperação e compreensão entre as nações.
Vamos começar de maneira responsável a deixar o Iraque para sua
população, e forjar uma paz duramente conquistada no Afeganistão. Com
antigos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para
reduzir a ameaça nuclear e reverter o espectro do aquecimento do
planeta. Não pediremos desculpas por nosso modo de vida, nem
vacilaremos em sua defesa, e aos que buscam impor seus objetivos
provocando o terror e assassinando inocentes dizemos hoje que nosso
espírito está mais forte e não pode ser dobrado; vocês não podem nos
superar, e nós os derrotaremos.

Pois sabemos que nossa herança de colcha de retalhos é uma força, e
não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e
hindus -- e de descrentes. Somos formados por todas as línguas e
culturas, saídos de todos os cantos desta Terra; e como provamos o
sabor amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos daquele
capítulo escuro mais fortes e mais unidos, só podemos acreditar que os
antigos ódios um dia passarão; que as linhas divisórias logo se
dissolverão; que, conforme o mundo se tornar menor, nossa humanidade
comum se revelará; e que a América deve exercer seu papel trazendo uma
nova era de paz.

Ao mundo muçulmano, buscamos um novo caminho à frente, baseado no
interesse mútuo e no respeito mútuo. Para os líderes de todo o mundo
que buscam semear conflito, ou culpam o Ocidente pelos males de sua
sociedade -- saibam que seu povo os julgará pelo que vocês podem
construir, e não pelo que vocês destroem. Para os que se agarram ao
poder através da corrupção e da fraude e do silenciamento dos
dissidentes, saibam que vocês estão no lado errado da história; mas
que lhes estenderemos a mão se quiserem abrir seu punho cerrado.

Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar ao seu lado para
fazer suas fazendas florescer e deixar fluir águas limpas; alimentar
corpos famintos e nutrir mentes famintas. E para as nações como a
nossa, que gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais
suportar a indiferença pelos que sofrem fora de nossas fronteiras; nem
podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nas consequências.
Pois o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Ao considerar o caminho que se desdobra a nossa frente, lembramos com
humilde gratidão daqueles bravos americanos que, nesta mesma hora,
patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a
nos dizer hoje, assim como os heróis caídos que repousam em Arlington
sussurram através dos tempos. Nós os honramos não só porque são os
guardiões de nossa liberdade, mas porque eles personificam o espírito
de servir; a disposição para encontrar significado em algo maior que
eles mesmos. No entanto, neste momento -- um momento que definirá uma
geração -- é exatamente esse espírito que deve habitar em todos nós.

Pois por mais que o governo possa fazer e deva fazer, afinal é com a
fé e a determinação do povo americano que a nação conta. É a bondade
de hospedar um estranho quando os diques se rompem, o altruísmo de
trabalhadores que preferem reduzir seus horários a ver um amigo perder
o emprego, que nos fazem atravessar as horas mais sombrias. É a
coragem do bombeiro para subir uma escada cheia de fumaça, mas também
a disposição de um pai a alimentar seu filho, o que finalmente decide
nosso destino.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os
enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende nosso
sucesso -- trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância
e curiosidade, lealdade e patriotismo -- essas são coisas antigas. São
coisas verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso
durante toda a nossa história. O que é exigido de nós hoje é uma nova
era de responsabilidade -- um reconhecimento, por parte de todos os
americanos, de que temos deveres para nós mesmos, nossa nação e o
mundo, deveres que não aceitamos resmungando, mas sim agarramos
alegremente, firmes no conhecimento de que não há nada tão
satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que
dar tudo o que podemos em uma tarefa difícil.

Esse é o preço e a promessa da cidadania.

Essa é a fonte de nossa confiança -- o conhecimento de que Deus nos
chama para moldar um destino incerto.

Esse é o significado de nossa liberdade e nosso credo -- a razão por
que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as fés
podem se unir em comemoração neste magnífico espaço, e por que um
homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, talvez não fosse atendido em
um restaurante local hoje pode se colocar diante de vocês para fazer o
juramento mais sagrado.

Por isso vamos marcar este dia com lembranças, de quem somos e do
longo caminho que percorremos. No ano do nascimento da América, no mês
mais frio, um pequeno bando de patriotas se amontoava junto a débeis
fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. O
inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que
o resultado de nossa revolução era mais duvidoso, o pai de nossa nação
ordenou que estas palavras fossem lidas para o povo:

"Que seja dito ao mundo futuro ... que na profundidade do inverno,
quando nada exceto esperança e virtude poderiam sobreviver ... que a
cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, avançaram para
enfrentá-lo".

A América, diante de nossos perigos comuns, neste inverno de nossa
dificuldade, vamos nos lembrar dessas palavras atemporais. Com
esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes
geladas, e suportar o que vier. Que seja dito pelos filhos de nossos
filhos que quando fomos testados nos recusamos a deixar esta jornada
terminar, não viramos as costas nem vacilamos; e com os olhos fixos no
horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande
dom da liberdade e o entregamos em segurança às futuras gerações.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Texto sobre Rosa - - Recordar é viver!

                A ROSA VERMELHA DO SOCIALISMO* 

 

            Neste mês completou-se 85 (hoje 90) anos do assassinato da revolucionária comunista Rosa Luxemburgo. Ela foi uma das pioneiras na luta contra o revisionismo teórico que irrompeu no interior da social-democracia alemã através dos textos de Eduard Bernstein. Combateu duramente o oportunismo de direita que ganhou corpo nas direções dos sindicatos alemães e defendeu ardorosamente a experiência da revolução russa de 1905. Quando da traição da Segunda Internacional, em agosto de 1914, se colocou ao lado de Lênin contra a guerra imperialista e na defesa do socialismo. No discurso de abertura do Congresso de Fundação da Terceira Internacional, em março de 1919, o próprio Lênin homenageou esta heroína do proletariado mundial: a águia polonesa.

           

            O ATO FINAL

 

            Era dia 15 de janeiro, as ruas de Berlim estavam tensas, por toda parte viam-se os vestígios dos combates dos dias anteriores. As tropas do exército alemão e os grupos para-militares, os "corpos livres", desfilavam imponentes pelas ruas.

            Uma batalha havia sido perdida, mas não a guerra. Assim pensavam Rosa e Karl Liebknecht, quando foram seqüestrados e levados ao Hotel Éden para averiguações. De lá deveriam seguir para a prisão, onde já se encontravam centenas de operários revolucionários. Mas o cortejo faria um outro caminho, que não era o da prisão nem do exílio. A burguesia e os generais alemães já haviam decretado a sua sentença. Os dois foram conduzidos ao zoológico municipal de Berlim onde acabaram sendo brutalmente assassinados. Decerto, alguém se perguntava: "Quantos tiros seriam necessários para matar o sonho da revolução alemã? No zoológico de Berlim quem seriam os animais?".

            Pouco mais tarde dois corpos, sem identificação, foram jogados nas águas frias do canal Landwehr. A reação não queria deixar provas do horrendo crime que cometera; no entanto, todos sabiam quem eram os seus autores. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht estavam mortos, mas a história que eles construíram se manteria viva na consciência dos trabalhadores socialistas de todo o mundo.

           

OS PRIMEIROS PASSOS

 

            Quem se prendesse apenas na sua origem social, decerto, não poderia entender como aquela menina, nascida em 5 de março de 1871, filha de uma abastada família de judeus poloneses, pode se transformar na Rosa, rosa vermelha, destacada dirigente do movimento comunista internacional. Mas o ambiente efervescente reinante na Polônia, então dominada pela Rússia tzarista, levava a que  muitos jovens, como Rosa, se engajassem nos movimentos contestatórios, primeiro aderindo ao ativo movimento estudantil contra as estruturas repressivas mantidas pelo governo russo nas escolas polonesas e depois nas lutas mais gerais do movimento operário e socialista. Esta também foi o caminho que Rosa escolheu.

            Em 1889, com apenas 19 anos, vê-se obrigada a deixar a Polônia exilar-se em Zurique, onde concluiu os seus estudos, doutorando-se em Economia. No exílio, em 1894, juntamente com seu companheiro Leo Jogiches, ajuda fundar no exílio o Partido Social-Democrata da Polônia. Pouco a pouco Zurique se tornava calma e pequena demais para os grandes planos e para a personalidade agitada de Rosa, por isso resolve em 1898, se transferir para o centro da luta de classes do momento, o coração da revolução européia: a Alemanha.

           

REFORMA E REVOLUÇÃO

 

Chegando a Alemanha, ingressa imediatamente no Partido Social-Democrata Alemão (PSDA), o maior partido operário do ocidente, e logo se veria envolvida no centro de numa grande polêmica, que agitava todo partido. Uma polêmica que podia ser traduzida em um único e decisivo dilema: Reforma ou Revolução?

            O crescimento relativamente pacífico do capitalismo alemão e europeu e a conquista de maiores liberdades democráticas propiciaram um avanço eleitoral sem precedente para a social-democracia. Isto levou a que muitos dirigentes acalentassem  a esperança de que houvesse outra alternativa para a conquista do socialismo que não fosse a via revolucionária. O principal teórico dessa via reformista foi Bernstein, dirigente do PSDA e, até então, considerado herdeiro de Engels do qual havia sido amigo.

            Bernstein apregoava que o desenvolvimento do capitalismo não levava a monopolização crescente da economia, como afirmava Marx, mas a sua democratização, através do aumento do número de proprietários, graças a introdução das sociedades por ações. Esta tendência levaria a um fortalecimento das classes médias e não a sua redução, eliminando assim as previsões "catastróficas" de Marx sobre o choque inevitável entre burgueses e proletários. O desenvolvimento do capitalismo não levaria a crise, pois ele mesmo desenvolveria meios de controle através da melhor organização da produção e do planejamento. O socialismo deixava de ser uma necessidade histórica para se transformar em uma possibilidade, cada vez mais remota.

            Este tipo de concepção leva Bernstein a elaborar uma nova tática, que privilegiava a luta parlamentar e sindical. Segundo ele seria através do voto que o trabalhador se elevaria "da condição social de proletário para àquela de cidadão". A luta sindical por melhores condições de trabalho e salários seria o instrumento privilegiado para conduzir a sociedade capitalista, através das reformas econômicas, para o socialismo. Na verdade estas reformas já seriam a própria realização molecular da nova sociedade socialista. É de Bernstein a famosa frase: "o movimento é tudo e o fim nada significa".

            Rosa foi uma das primeiras a se insurgir contra tais teses, que contradiziam a essência do marxismo revolucionário, escrevendo, em 1899, uma das mais belas obras contra o revisionismo de Bernstein: "Reforma Social ou Revolução?". Nesta obra ela desmantela, com maestria, uma a uma as teses reformistas contribuindo assim para que elas fossem rejeitadas pela maioria do partido, embora continuassem a exercer grande influência sobre vários de seus dirigentes, que as retomariam em outras ocasiões.

            O objetivo final do socialismo, afirma Rosa, "é o único elemento decisivo na distinção entre o socialista e o radical burguês". A política apregoada por Bernstein "visava uma única coisa: conduzir-nos ao abandono do objetivo último, a revolução social, e, inversamente, fazer da reforma social, de simples meio de luta de classes, em seu fim". Rosa, portanto, não negava o papel das reformas, mas acreditava que "entre a reforma e a revolução devia haver um elo indissolúvel" no qual "a luta pela reforma é o meio e a revolução social é o fim". E quanto a possibilidade de chegarmos gradualmente ao socialismo através de uma legislação social aprovada pelo parlamento burguês, ela diria ironicamente:

            "Quanto Bernstein põe a questão de saber se esta ou aquela lei de proteção operária é mais ou menos socialista, podemos responder-lhe que: a melhor das leis (...) tem mais ou menos tanto socialismo como as disposições municipais sobre a limpeza  de ruas". As leis sociais aprovadas no parlamento burguês eram importantes apenas na medida em que contribuíam para elevar o nível da consciência da classe operária e criavam assim as melhores condições para que ela avança-se na sua luta pelo objetivo final que era a conquista do socialismo.

            As críticas contundentes e mordazes da pequena Rosa mostram muito bem a sua coragem e o seu espírito revolucionário. Poucos no partido naquele momento ousariam a desafiar a autoridade de Bernstein, muito menos compará-lo a um radical burguês. Era uma disputa desigual, mas novamente a história se repetiria e o pequeno Davi venceria o gigante Golias.

            As teses de Bernstein são criticadas nos congresso da social democracia alemã em Hannover (1899), em Lubeck (1901). No congresso de Dresden, em 1903, o dirigente social-democrata Bebel apresentaria uma dura moção contra Bernstein: "O Congresso condena de maneira mais decidida o intento revisionista de alterar a nossa tática, posta a prova várias vezes e vitoriosa, baseada na luta de classes (...) Se adotássemos a política revisionista nos constituiríamos em um partido que se conformaria apenas com a reforma da sociedade burguesa."

            O Congresso da Segunda Internacional de 1904, em Amsterdã, foi marcado por este debate e novamente as teses de Bernstein foram derrotadas. Mas ele e seus adeptos continuaram no partido e na Internacional, inclusive na sua direção, e ali esperariam nova oportunidade para retomar ofensiva contra o marxismo-revolucionário.

 

            ROSA E A POLÊMICA NA SOCIAL-DEMOCARACIA RUSSA

 

            Em 1904, intervindo numa polêmica russa, faz várias criticas as posições de Lênin sobre a organização do partido social-democrata russo. Rosa julgava as propostas de Lênin tendo como ponto de referência a Alemanha e não a Rússia czarista. A fórmula organizativa de Lênin – partido de revolucionários profissionais – correspondia à situação política vivida na Rússia onde todas as organizações operárias e socialistas eram obrigadas a trabalhar na mais irrestrita ilegalidade (inclusive para os sindicatos classistas). Portanto a realidade russa impunha uma organização clandestina e centralizada. Para Lênin os métodos de organização e a abrangência da democracia partidária não poderiam ser considerados abstratamente, fora das condições históricas nas quais o partido deveria atuar. 

Apesar da crítica feita a política organizativa de Lênin, um ano depois estava ao lado dele na defesa da revolução russa de 1905, que mostrava ao proletariado mundial a única via possível para a sua emancipação. Rosa passa então a estruturar a ala esquerda do PSDA.

 

            CONTRA A BUROCRACIA SINDICAL

 

            A social-democracia alemã já havia desenvolvido a compreensão de que o partido revolucionário era uma forma superior de organização da classe operária. Era o partido, como vanguarda da classe, que deveria dar a direção política às organizações sindicais e populares.

            Bebel, um dos principais dirigentes da social-democracia alemã, já havia dito: "Não é da ação sindical que devemos esperar a tomada de possessões dos meios de produção. É preciso, antes de tudo, tomar o governo que monta guarda ao redor da classe capitalista".  Isto só poderia ser conseguido através da luta política revolucionária, dirigida pelo partido social-democrata.

            Mas o rápido crescimento dos sindicatos iria criar distorções na relação entre os dirigentes partidários e sindicais. Em 1904 o número de sindicalizados ultrapassava a marca do um milhão. Os filiados ao partido social-democrata não chegava aos 400 mil.

O crescimento do número de sindicalizados, o maior desenvolvimento da economia capitalista, que lhe possibilitava aos patrões fazerem maiores concessões aos trabalhadores organizados, permitiram a construção de poderosas máquinas sindicais (sedes, gráficas, editoras, clubes e inúmeros funcionários) e acumulação de vultosos fundos financeiros.

            Neste período aparece, com força, o fenômeno do burocratismo. Não é sem razão que as direções dos sindicatos alemães foram tomadas de verdadeiro pavor quando a revolução russa de 1905 veio abalar o curso do desenvolvimento "pacífico" do capitalismo alemão. O órgão oficial da central sindical social-democrata afirmaria: "Não somos de nenhum modo partidário das demonstrações de rua". O congresso sindical realizado em Colônia chegou mesmo a aprovar uma resolução contrária a utilização da greve geral como instrumento de pressão operária contra o Estado e os patrões. Para os burocratas sindicais qualquer ação mais ampla e radical das massas operárias levaria necessariamente a uma desorganização dos sindicatos e ao fim da sua hegemonia.

            Rosa faz então uma dura crítica aos dirigentes sindicais, apontando as causas do seu reformismo. "Os funcionários sindicais, afirma ela, tornaram-se vítimas da burocracia e de uma certa estreiteza de perspectiva devido a especialização da sua atividade profissional e mesquinhez dos seus horizontes, resultado de um fracionamento das lutas econômicas em período de calmaria. Esses dois defeitos manifestam-se em diversas tendências que podem ser fatais para o futuro do movimento sindical. Uma delas consiste em sobre-valorizar a organização transformando-a, pouco a pouco, num fim em si mesmo e considerando-a um bem supremo a que os interesses da luta devem ser subordinados. Assim se explica (....) essa hesitação ante o fim incerto das realizações de massas e enfim a sobrevalorização da própria luta sindical (...) E, no fim das contas, o hábito de silenciar sobre os limites objetivos impostos pela ordem burguesa à luta sindical, transforma-se  numa guerra aberta a qualquer crítica teórica que acentue esses limites e lembre o fim último do movimento operário."

            Quando o Congresso do PSDA realizado em Jena aprova, em tese, a importância da greve geral e a possibilidade de sua utilização em casos excepcionais, os líderes sindicais não perderam tempo e formularam a tese sobre a necessidade da independência dos sindicatos em relação ao Partido e ratificam sua posição antigreve. Legien, o principal dirigente sindical da social-democracia na Alemanha, afirmaria: "para os sindicatos o que conta não é a resolução tomada no Congresso de Jena, mas a tomada em Colônia".

            Rosa seria uma das principais críticas desse oportunismo sindicalista. "Os sindicatos, afirmaria ela, representam os interesses de grupos particulares (...) a social-democracia representa a classe operária e os interesses gerais de sua emancipação (...) As ligações dos sindicatos com partido socialista são as de uma parte com o todo". A chamada "igualdade de direito" entre sindicatos e o partido socialista não seria "um simples mal entendido, uma simples confusão teórica, mas exprimiria uma tendência bem conhecida da ala oportunista".

            Defendendo o ponto de vista predominante até então no seio da social-democracia  ela se coloca contra o fato "monstruoso" de que nos congressos do partido e dos sindicatos os militantes socialista estivessem fazendo aprovar resoluções não apenas diferentes como opostas. Para solucionar o impasse ela propõe "subordinar de novo os sindicatos ao partido, para o interesse próprio das duas organizações. Não se trata de destruir a estrutura sindical no partido, trata-se de estabelecer entre as direções do partido e os sindicatos (...) uma relação entre o movimento operário em seu conjunto e o fenômeno particular e parcial chamado sindicato".

            A contradição entre as direções dos sindicatos e do partido só existiu enquanto a maioria da direção sindical se manteve à direita da direção partidária. Com o passar do tempo e a vitória das teses revisionistas e reformistas no interior do próprio partido as posições destas duas instâncias tenderam a se harmonizar.  

         

A FALÊNCIA DA II INTERNACIONAL

 

            A história da luta de classe trilha caminhos tortuosos e contraditórios: as vitórias eleitorais e sindicais do PSDA, somente reforçavam as posições reformistas no seu interior. Em 1912 o partido obteve mais de 4 milhões de votos, elegendo 110 deputados, tornando-se a maior bancada no parlamento alemão.

            Em 1914, quando do início da Primeira Guerra Mundial, as posições de direita já haviam conquistado a maioria da direção da social-democracia alemã e européia, que acabou rasgando todas as suas resoluções anteriores, colocando uma pedra no seu passado revolucionário, ao votar favoravelmente aos créditos para a guerra imperialista. "Desde 4 de agosto de 1914, afirma Rosa, a social democracia alemã é um cadáver putrefato."

Rosa seria presa ainda em 1915 devido ao pronunciamento de um violento discurso contra a guerra e o imperialismo. Na prisão, ela escreveria a sua obra clássica "A crise da social-democracia", que ficaria conhecida como "Folheto Junius". Esta seria saudada por Lênin como sendo um "esplêndido trabalho marxista".

No mesmo período ela também escreveria "Teses sobre as tarefas da social-democracia internacional", que deveria ser uma contribuição da esquerda social-democrata alemã para a Conferência internacional de Zimmerwald.  Neste folheto Rosa afirma: "A guerra esmagou a Segunda Internacional (...) os representantes oficiais dos partidos socialistas dos principais países traíram os objetivos e interesses da classe operária (...) passaram para o campo do imperialismo, constitui uma necessidade vital para o socialismo criar uma nova internacional operária, que tome em suas mãos a direção e coordenação das lutas revolucionárias de classe contra o imperialismo internacional".  Libertada no inicio de 1916 ela continuaria seu trabalho revolucionário o que lhe custaria nova prisão menos  de seis meses depois de sua libertação.

            Em 1916 realiza-se uma conferência da esquerda social-democrata que decide pela publicação de um periódico com o nome Spartacus, nome pelo qual ficaria conhecido o grupo liderado por Rosa e Karl. Em seguida Liebknecht é expulso do grupo parlamentar social-democrata, que autoriza as autoridades alemãs abrir processo contra ele.

No primeiro de maio o grupo Spartakus organiza uma grande manifestação contra a guerra imperialista. O resultado imediato é a prisão de Karl, acusado de traição a pátria. Os dois revolucionários alemães ficariam presos até que a revolução de 1918 viesse libertá-los.

            A capitulação da direção diante da onda nacionalista e belicista leva a uma fissura profunda no seio do partido; formava-se, assim, dois grupos de oposição: os "centristas" liderados por Kautsky e os "espartaquistas", que acabariam por se fundir em 1917 no Partido Social-Democrata Independente, um partido que apesar de possuir um programa internacionalista e antibelicista, graças aos centristas, atuava de forma vacilante e defensivo diante da traição da direção do PSDA. Os espartaquistas continuavam a manter sua autonomia política dentro da nova organização.

 

            ROSA E A REVOLUÇÃO RUSSA

 

            Em 1918 Rosa escreveria uma série de artigos nos quais defendia a revolução socialista na Rússia que estava sobe ataque cerrado da direita e do centro social-democrata, inclusive de Kautsky.

A capacidade bolchevique de vencer todas as dificuldades impostas pela contra-revolução empolgava Rosa: "Os bolcheviques têm demonstrado que podem fazer tudo o que um partido verdadeiramente revolucionário pode fazer nos limites das possibilidades históricas. Não procuram fazer milagres. E seria um milagre uma revolução proletária modelar impecável num país isolado, esgotado pela guerra, premido pelo imperialismo, traído pelo proletariado internacional (...) E é nesse sentido que o futuro pertence em toda parte ao 'bolchevismo'".

O apoio irrestrito a revolução não impediu que ela fizesse várias críticas as medidas revolucionárias adotadas pelos bolcheviques. Uma parte da crítica estava impregnada por certo esquerdismo. Ela, por exemplo, menosprezava a necessidade da aliança com os camponeses pobres e não compreendia a proposta dos revolucionários russos em relação às nacionalidades oprimidas, ela negava a necessidade de incluir no programa revolucionário o direito a autodeterminação dos povos que estavam sob o domínio do império czarista. Considerava estas propostas como concessões perigosas a burguesia. A maior parte das críticas seria revista no ano seguinte quando ela saiu da prisão e pode ter maior contato com experiência revolucionária russa.

Mas uma crítica merece maior atenção, é aquela que trata do processo de construção da ditadura do proletário, que segundo ela era sinônimo de democracia socialista. Ela se preocupava com algumas medidas tomadas pelo governo soviético contra membros de organizações que ela considerava ainda socialistas.

Afirma Rosa: "abafando a vida política em todo país, é fatal que a vida no próprio soviete seja cada vez mais paralisada. Sem eleições gerais, sem liberdade ilimitada de imprensa e de reunião, sem luta livre de opiniões, a vida morre em todas as instituições públicas, torna-se uma vida aparente, onde a burocracia resta como único elemento ativo (...) Algumas dezenas de chefe de uma energia infatigável e de um idealismo sem limites dirigem o governo e, entre eles, o que governam de fato são uma dezena de cabeças eminentes, enquanto uma elite da classe operária é convocada de tempos em tempos para reuniões com o fim de aplaudir os discursos dos chefes e de votar unanimemente as resoluções que lhes são apresentadas (...) Ainda mais: um tal estado de coisas deve provocar necessariamente uma 'barbarização' da vida pública, atentados, fuzilamentos de presos, etc".

Rosa não conhecia as particularidades do desenvolvimento da luta de classes na Rússia pós-revolução, por isso ela tendia a desconsiderar o papel desempenhado pelas forças contra-revolucionárias, em muitos casos, apoiadas por partidos ligados a Segunda Internacional, que ainda se diziam socialistas. Mas as medidas restritivas a democracia operária, tomadas pelos bolcheviques, deveriam também ser debitadas as difíceis condições em que vivia a jovem Rússia soviética entre 1918 e 1921, condições que ela tão bem descreveu nos seus  textos escritos na prisão em 1918.

A verdadeira tragédia está no fato de que as medidas discricionárias que deveriam ser provisórias, necessárias numa fase de consolidação do socialismo contra a reação armada interna e externa, se transformaram em políticas de Estado permanentes, realizando assim as previsões mais sombrias de Rosa sobre o futuro da democracia socialista na Rússia. Se a crítica de Rosa se encontrava desfocada naqueles primeiros anos da revolução russa ela cairia como uma luva nas novas condições que se formaram na segunda metade da década de 30.

 

A REVOLUÇÃO ALEMÃ DE 1918

 

            Na Alemanha, pouco a pouco, o sentimento nacionalista dos primeiros dias da guerra era substituído pela revolta. Nas fábricas os operários se agitavam diante do alistamento militar forçado, os constantes cortes nos salários e o racionamento. O descontentamento chega as tropas, principais vítimas da carnificina imperialista. Em junho de 1917, os marinheiros se rebelam e são violentamente reprimidos, com aval do PSDA.

            Da prisão os espartaquistas conclamam "não há senão um meio de deter a carnificina dos povos e alcançar a paz: é desencadear uma luta de massas que paralise toda a economia e a indústria bélica, é instaurar através da revolução, liderada pela classe operária, uma República popular na Alemanha".

            A revolução de outubro na Rússia apenas serviria para acirrar os ânimos. Nas frentes de batalha os soldados se confraternizavam, nas cidades as greves cresciam, formavam-se conselhos de operários e soldados. O governo e a monarquia eram colocados em cheque pelas massas. Em  9 de novembro de 1918, irrompe uma rebelião em Berlim e o próprio PSDA é obrigado, pela pressão dos operários, a aderir ao movimento. Os soldados recusam-se a cumprir as ordem oficiais e confraternizam-se com o povo. A revolução vencera.

            O governo desaba como um castelo de carta.. O Imperador Guilherme III abdica e entrega o poder ao chanceler Max Baden que por sua vez entrega a Ebert, dirigente máximo do PSDA. Para muitos a revolução parecia ter chegado ao fim. Ebert lança uma conclamação: "Cidadãos, peço-lhes que abandonem as ruas, cuidem da tranqüilidade e da ordem". Ao mesmo tempo, contra a vontade de Ebert, outro membro de seu partido, Scheidemann, proclama a República. A poucos metros dali uma multidão de operários se concentra para ouvir Karl Liebknecht, recém libertado da prisão, que proclama a necessidade de uma república, mas não uma república burguesa disfarçada de república social, como queriam Scheidenann e Ebert, mas uma república socialista baseada nos conselhos de operários e soldados.

            Ebert então se apressa para formar um novo governo do qual participam o PSDA e a ala direita do Partido Social-Democrata Independente. A pressão popular impede a participação de membros dos partidos burgueses. Liebknecht é convocado a participar do novo governo, mas impõe uma condição: que todo poder fosse entregue aos conselhos operários, o que não é aceito. Então os espartaquistas, fora do governo, resolvem continuar nos seus preparativos de insurreição.

            "Nós pedimos, pelo contrário, que ninguém abandone as ruas e que todos permaneçam armados. A conclamação do novo chanceler, que substituiu o derrotado imperador, procura enviar as massas para os seus lares para melhor poder estabelecer a velha ordem das coisas. Operários e soldados: permanecei alerta!"

            A luta atinge outro patamar, a burguesia se escondia por detrás de um "partido operário", justamente o partido que havia pertencido Marx e Engels. O inimigo agora se disfarçava sob o manto respeitoso de um partido socialista.

            No dia 16 de dezembro, o Conselho Nacional, que congregava todos os conselhos operários, dominados pelo PSDA, decide entregar todo o poder a Assembléia Nacional Constituinte a ser eleita em janeiro. Novamente as direções operárias capitulavam diante da burguesia.

            Em 29 de dezembro de 1918, diante das vacilações do Partido Social-Democrata Independente, que aceitara participar do governo, os espartaquistas rompem e fundam o Partido Comunista da Alemanha. Neste congresso aprova-se a tese de não participação nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte e a continuação dos preparativos para a insurreição armada. Tais posições não correspondiam ainda a real correlação de forças do movimento social na Alemanha, por isso tanto Rosa como Karl foram reticentes quanto a sua aprovação.

            No início de 1919 um ato de provocação do governo precipita os acontecimentos. Marinheiros amotinados são brutalmente reprimidos pelo exército, os operários saem as ruas em solidariedade. O chefe da polícia, ligado a esquerda do PSI, recusa-se a reprimir as manifestações e é demitido do cargo. O PCA e a esquerda do PSI se unem e convocam manifestações de protestos contra Ebert-Scheidemann e a sua camarilha, "estes representante disfarçados dos interesses burgueses".

Uma multidão invade o distrito da imprensa, onde se encontravam os jornais reacionários. Naquela mesma noite, o PCA decide-se pela insurreição geral. No dia 9 de janeiro, num ato inesperado, os operários espartaquistas tomam o parlamento alemão, o Reichstag, mas são rapidamente desalojados pelo exército. Depois de cinco dias de violentos combates a insurreição era derrotada. No dia 13, os operários começavam a voltar ao trabalho. No dia 15, em meio a avaliação do movimento, Rosa e Karl Liebknecht, os principais líderes do levante, são seqüestrados e assassinados.

            Nas últimas linhas do seu último artigo Rosa escreve: "'A ordem reina em Berlim', Esbirros estúpidos! Vossa 'ordem' é um castelo de areia. Amanhã a revolução se levantará de novo clamorosamente, e para espanto vosso proclamará: Era, sou e serei".

           

EPÍLOGO

 

Após a sua morte, Rosa passa a ser o centro de violentas críticas, em especial, por parte dos renegados do marxismo, reformistas de toda ordem. Em sua defesa viriam as palavras firmes de Lênin:

            "A esses (críticos) responderemos com um velho ditado russo:

             Às vezes as águias descem

             e voam entre as aves do quintal,          

             mas as aves do quintal jamais

             se elevarão até as nuvens'

            Rosa equivocou-se em muitas coisas, a respeito da independência da Polônia, na análise dos mencheviques em 1903, na sua teoria da acumulação de capital (...) equivocou-se no que escreveu na prisão de 1918 (corrigiu a maioria desses erros no final de 1918 e início de 1919, quando voltou à liberdade). Mas, apesar de seus erros, foi para nós e continua sendo uma águia".     

 

* Este artigo foi publicado originalmente na revista Debate Sindical nº30,  jul/ago/1999

 

                                                           Augusto César Buonicore




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Emir Sader sobre a América Latina

2009: DESTINO DA AMERICA LATINA NAS MÃOS DA AMERICA LATINA 
 
Emir Sader
 


      Embora condicionada por dois novos fatores externos – a recessão econômica e o novo governo dos EUA – a evolução da América Latina depende, sobre tudo, das suas próprias formas de reagir à crise e, principalmente, se o fizer fortalecendo os processos de integração regional e a construção de alternativas ao neoliberalismo.

      2009 será, para a América Latina, assim como para o mundo inteiro, dominado pelos efeitos da crise econômica internacional. Desta vez nascida no centro do capitalismo, terá efeitos diferenciados nos países do continente, conforme a capacidade de resistência de cada país, o que, por sua vez, está diretamente vinculada às políticas adotadas por cada país nos anos de crescimento, prévios á crise.

      Ao mesmo tempo, uma série de eleições podem consolidar e até mesmo estender o quadro político dominado por governos progressistas ou afetá-lo em direções novas. Bolívia, Equador, El Salvador, Chile, Panamá, Honduras, Uruguai – terão eleições presidenciais, enquanto Argentina,  México,  terão eleições parlamentares, e a Venezuela terá consulta de reforma constitucional. Provavelmente Evo Morales, Rafael Correa, Hugo Chavez, sairão vitoriosos dos testes eleitorais, enquanto a lista de governos progressistas deve se estender com a provável vitória da Frente Farabundo Marti em El Salvador. As eleições no Uruguai e no Chile têm um quadro mais aberto, no caso uruguaio mais pela disputa interna na Frente Ampla sobre quem será o candidato presidencial e suas possibilidades de unificar a Frente e conseguir granjear o apoio que tem o governo de Tabaré Vasquez. No caso chileno, a direita neopinochetista aparece como favorita, mas a decisão de voltar a ter um candidato democrata-cristão pode angariar votos do centro de dar um novo mandato à debilitada aliança com os socialistas, embora com um tom ainda mais moderado, caso cheguem a manter-se no governo.

      As eleições parlamentares serão um teste para a capacidade do governo Kirchner de se recuperar do enfraquecimento sofrido com a crise agrária do primeiro ano do governo de Cristina. De qualquer forma, como nos outros países da região, as alternativas se situam à direita no espectro político, sem que nenhuma força mais radical tenha crescido. No México, o PRI deve capitalizar o enfraquecido governo de Calderón, diante da crise interna do PRD.

      No seu conjunto, a crise não chegará a afetar os resultados eleitorais da esquerda, ainda que o apoio interno de governos que fundamentaram sua legitimidade em políticas sociais, pode diminuir.

      A crise recessiva chega à América Latina interrompendo anos de expansão econômica, com alguns países em melhores condições para enfrentar seus efeitos, por ter participado dos processos de integração regional, ter intensificado o comercio regional, ter diversificado seus mercados externos e ter desenvolvido significativamente seus mercados internos. Nesta situação estão Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Uruguai, Venezuela. No outro pólo estão os que centraram suas políticas no livre comércio e em relações privilegiadas com os mercados do norte do mundo – de que o México é o caso paradigmático, tornando-se a principal vítima da crise induzida do norte para o sul do mundo.

      Pode-se prever efeitos relativamente diferenciados dentro de cada grupo. A direita aposta na recessão e, com ela, no retorno dos seus temas preferidos – ajuste fiscal, aumento do desemprego, etc. Os países que dependem mais das exportações e dos preços das commodities tenderão a sofrer impactos maiores – como é o caso das exportações de petróleo, de gás, de soja -, no entanto, vale para todos a necessidade de intensificar o poder aquisitivo do mercado interno, como substituto relativo, tendo que enfrentar o desafio de não impor políticas restritivas no plano salarial e do nível de emprego, que só aumentariam o efeito da crise internacional.

      Porém, a variável central sobre a evolução da situação latinoamericana está na capacidade de avanços conjuntos dos governos a partir dos processos de integração. Atualmente as respostas tem se dado de forma separada – Brasil, Argentina, Uruguai, cada um com sua reação, a Alba, por outro. A proposta do Banco do Sul, por exemplo, que deveria ser substancialmente fortalecida, junto com seu desdobramento natural – a moeda única -, ao invés de estar entre as preocupações centrais, não tem avançado na conjuntura atual. Falta uma grande reunião da Unausul sobre a crise e as respostas conjuntas da região a ela, para que a crise seja, mais do que risco, oportunidade aproveitada para avançar na superação do esgotado modelo neoliberal.




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Emir sader sobre sra. HC

                  O MAU COMEÇO DA SRA CLINTON
Emir Sader 
 

                   Na sua apresentação  diante do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, a nova Secretaria de Estado desse país emitiu suas primeiras declarações em relação à America Latina. Se propõe a uma "diplomacia direta", que pretende basear-se em um  suposto "poder inteligente". Fala do continente como se fosse um espaço vazio em que vai se projetar.

           Mas seus discurso pretensamente voltado paera o diálogo não pode deixar de esconder suas garras, revelando que o "poder inteligente" pode ser uma nova versão para a conhecida combinação do "porrete e da cenoura, alternada ou simultaneamente utilizados sempre pelo poeer imperial na América Latina e pelo mundo afora.

         Se quer ter uma relação de diálogo positivo, a sra. Clinton deveria, antes de tudo, fazer autocrítica da política que os Clinton desenvolveram no continente e daquela de Bush. Ao invés disso, vejam ao que se propõe a nova Secretaria de Estado:

"Deveremos ter uma agenda positiva no hemisfério como resposta ao tráfico de temor propagado por Chávez e Evo Morales."

         Falar de temor em nome da potência que recentemente mandou sua V Frota circular pelas costas do continente, como se isso ainda produzisse medo nos governantes latinoaericanos, quando se reunia o Conselho Sulamericano de Defesa, sem a presença dos EUA, pela primeira vez na história. No momento em que novas reservas de petróleo eram descobertas no Brasil. Quando a Bolívia exerce sua soberania expulsando o embaixador dos EUA, pelas reiteras intromissões na política interna desse país, incentivando os planos golpistas da oposição direitista.

         Falar em temor antes de normalizar as relações com Cuba, terminando com o criminoso bloqueio de mais de 40 anos. Antes de retirar de forma imediata com a base de terror de Guantanamo e devolver esse território usurpado pelo império há mais de um século a Cuba.

         O que a sra.. chama de temor, nós, os latinoamericanos chamamos de solidariedade – palavra que vocês desconhecem. Porque o que a Venezuela e a Bolívia propagam é a política que, com o decisivo apoio de Cuba, terminou com o analfabetismo nesses dois países. Pergunte-se que pais, apoiado há tantas décadas pelos EUA, pode exibir essa conquista, apesar dos milhões de dólares despejados pelo império para fortalecer seus aliados direitistas?

         O que a sra. chama de temor, nós conhecemos como Operação Milagre, que já permitiu a mais de um milhão de latinoamericanos recuperar sua capacidade de visão, com hospitais em Cuba, Venezuela e Bolivia, de forma totalmente grátis. Enquanto que o império contribui cotidianamente a cegar a milhões de pessoas fomentando, com, recursos e noticiários falsos, a mídia monopolista privada no continente – aliado fundamental do império na região.

         O que a sra. chama de temor, nós conhecemos como Escola Latinoamericana de Medicina, que com suas sedes em Cuba e na Venezuela, forma as primeira gerações de médicos pobres na América Latina, para fortalecer as políticas de saúde pública no continente.

         Enfim, sra. Clinton, se querem ter uma política de diálogo com o continente, primeiro tem que se dar conta que este não é o mesmo continente de quando seu marido governava e o neoliberalismo e a Alca reinavam. Assuma modestamente que não conhece o continente, venha visitar os nossos países, sem declarações, para aprender como se constroem processos de integração regional, como se superam as políticas de livre mercado que seu país propaga há décadas como a solução e que se tornou o principal problema a enfrentar.

         Venha conhecer os novos governos, as novas políticas, mas antes resolva os problemas pendentes – Cuba, Guantanamo, Operação Colômbia, entre outros -, para não correr o risco de, delicadamente, moralmente, ser recebida não com flores, mas com sapataços.




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sábado, 17 de janeiro de 2009

carta ao Presidente, enviada pela Frente de Defesa do Povo Palestino


Ao: Exmo. Sr. Presidente Luis Inácio Lula da Silva

Fax +55 61 3411-2222

Fax2 +55 61 3411-1274

CC: Ministro Luis Dulci, Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil

Marco Aurélio Garcia, Assessor de Relações Internacionais

Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário Geral do Itamaraty

Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT

                                                     

 

 

 

São Paulo, 16 de Janeiro de 2009

 

Prezado Presidente,

Em nome da Frente de Defesa do Povo Palestino, e todas as organizações da sociedade brasileira abaixo assinantes, gostaríamos de manifestar nosso apoio à condenação, por parte do governo brasileiro, da carnificina promovida pelo Estado de Israel em Gaza. Saudamos o envio de ajuda humanitária à população massacrada de Gaza, que hoje agoniza entre as bombas de um lado, a falta de víveres, recursos, e direitos humanos de outro. Finalmente, prestigiamos os esforços diplomáticos pelo fim imediato do ataque israelense à Faixa de Gaza.

Ao mesmo tempo, chamamos atenção para o fato de que após 60 anos de massacres contra o povo palestino (desde a limpeza étnica de 1947-48), e 41 anos de ocupação militar dos territórios de Gaza e Cisjordânia, incluindo Jerusalém Leste, devemos agir, enquanto povo brasileiro soberano e autônomo, de maneira firme, eficaz, e não-violenta, em defesa do povo palestino brutalmente massacrado. Sua justa e reconhecida reivindicação de um Estado palestino até hoje não foi atendida e é a raiz de todos os sangrentos conflitos e sofrimentos desse povo.

Acreditamos que a melhor forma de fazer isso hoje é apoiar o apelo que nos chega do conjunto da sociedade palestina, representado pelo Comitê BNC formado por centenas de organizações de massa, com tradição e grande importância local, para que o Brasil não implemente o Tratado de Livre Comércio firmado em 2007 entre o Mercosul e o Estado de Israel (TLC Mercosul-Israel).

O Brasil não pode garantir o privilégio da isenção de impostos e livre circulação de mercadorias a um Estado ocupante, que viola sistematicamente a Lei Internacional e a Lei Humanitária Internacional, e massacra reiteradamente os povos árabes vivendo dentro e fora de seus domínios territoriais.

Se em julho de 2006 a brutalidade do ataque israelense ao Líbano levou nosso governo a adotar a postura ética de suspender as negociações pela assinatura do TLC Mercosul-Israel, agora, em janeiro de 2009, quando o ataque não terminou mas o saldo de mortos, feridos e mutilados já ultrapassou aquele da guerra contra o Líbano, é hora de suspendermos novamente o TLC Mercosul-Israel, desta vez, até que Israel acate a Lei Internacional e as resoluções da ONU que lhe dizem respeito.

 

Atenciosamente,

FRENTE DE DEFESA DO POVO PALESTINO

Abib - Associação Beneficente Islâmica do Brasil

Adims - Associação dos docentes do Instituto Metodista de Ensino Superior

Afubesp - Associação dos Funcionários do Banespa

Apta - Associação para Prevenção e Tratamento da Aids

Apeoesp - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Associação Islâmica de São Paulo

Caal - Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade

Cebrapaz - Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz

Centro Cultural Árabe-Sírio

CMI - Centro de Mídia Independente

CMS - Coordenação dos Movimentos Sociais

Comitê de Solidariedade a Cuba

Comitê de Solidariedade aos Povos Árabes

Conam - Confederação Nacional das Associações de Moradores  

Conlutas - Coordenação Nacional de Lutas

Conselho Mundial da Paz

Coplac - Confederação Palestina da América Latina e Caribe

Conselho Superior dos Teólogos Muçulmanos do Brasil

CPT - Comissão Pastoral da Terra 

CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CUT - Central Única dos Trabalhadores

Elac - Encontro Latino Americano e Caribenho de Trabalhadores

Evangélicos pela Justiça

Facesp - Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo

FDIM – Frente Democrática Internacional das Mulheres

Fearab-SP - Federação das Entidades Árabe-Brasileiras de São Paulo

Fearab/Américas

Fepal - Federação Palestina do Brasil

Fórum Paulista LBGT

Instituto Jerusalém do Brasil

ICArabe - Instituto da Cultura Árabe

Igreja Ortodoxa Antioquina do Brasil

Igreja Presbiteriana 

Instituto Futuro 

Intersindical

Jornal Al Baian

Jornal "Hora do Povo"

Juventude Novos Palmares

Juventude Revolução - IRJ

LER-QI - Liga Estratégia Revolucionária

Liga da Juventude Islâmica

Marcha Mundial de Mulheres

Movimento pelo Passe Livre

MLT - Movimento de Luta pela Terra 

MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

Mopat - Movimento Palestina para Todos

Mulheres pela P@z

ONG CTA/Projeto Bece - Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais

PCdoB - Partido Comunista do Brasil

PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

Portal Vermelho 

PSOL – Partido Socialismo e Liberdade

Rede para Difusão da Cultura Árabe-Brasileira Samba do Ventre

Revolutas

Sinpro-ABC - Sindicato dos Professores do ABC

Sinsesp - Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo

SBM - Sociedade Beneficente Muçulmana

Sociedade de Preservação do Patrimonio Cultural e do Meio Ambiente Memória Viva, de Sorocaba-SP

Sociedade Islâmica de Jundiaí

Sociedade Beneficente Muçulmana de Santo Amaro

Sociedade Palestina de São Paulo

União Nacional Islâmica

PCB - Partido Comunista Brasileiro

UJC - União da Juventude Comunista

UBM - União Brasileira de Mulheres 

Ujaal - União da Juventude Árabe para a América Latina 

Unegro - União de Negros pela Igualdade 

UNI - União Nacional de Entidades Islâmicas 

Uemb - União dos Estudantes Muçulmanos do Brasil 

UNE - União Nacional dos Estudantes 

Ubes - União Brasileira de Estudantes Secundaristas 

Upes - União Paulista dos Estudantes Secundaristas 

DCE da USP - Universidade de São Paulo 

UJS - União da Juventude Socialista





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