quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

 
 

CPT-AL completa 25 anos de luta e serviços para as famílias camponesas

De 17 a 19 de fevereiro, trabalhadores e agentes participarão da 20ª Assembleia Estadual da Comissão da Pastoral da Terra de Alagoas, para debater sobre os avanços e desafios da instituição

 

 

Por: Helciane Angélica

Jornalista – MTE/AL 1102

 

 

            Direitos à terra, água e dignidade humana são os eixos de trabalho e bandeiras de luta da Comissão Pastoral da Terra, que atua desde 1975 e possui 21 regionais em todo o país. O estado de Alagoas aderiu ao movimento em 1984, investindo na formação política e técnica, além de contribuir para o desenvolvimento das famílias camponesas. Para comemorar e refletir sobre as ações executadas nos 25 anos da CPT-AL, acontecerá no período de 17 a 19 de fevereiro a 20ª Assembleia Estadual, na Barra de São Miguel, localizada a 36 km da capital alagoana.

            O encontro tem como tema "25 anos de serviço as famílias camponesas" e será realizado no Centro Catequético dos Irmãos Marista. Estarão presentes cerca de 130 trabalhadores oriundos do sertão, litoral, zona da mata e agreste alagoano, além de agentes e equipe técnica. De acordo com Carlos Lima, coordenador estadual da CPT-AL, a atividade servirá para a reflexão política e deliberativa, além de celebrar as bodas de prata da entidade. "É um momento importante para fazermos uma análise de conjuntura e construir as metas políticas. Desenvolveremos ao longo deste ano vários momentos celebrativos, na Feria Camponesa em junho e com atividades políticas principalmente nos municípios que temos forte atuação", declarou.

No primeiro dia (17), terá pela manhã uma Missa de Ação de Graças direcionada ao aniversário e trabalhos desenvolvidos pela CPT-AL, que será presidida por Dom Antônio Muniz. Com a abertura da assembleia às 14h, será entregue o prêmio Dom Hélder Câmara, criado em 2002 para homenagear personalidades que apóiam a luta em defesa da reforma agrária no Estado, este ano a professora e líder sindical Lenilda Lima será agraciada. Posteriormente, terá uma mesa redonda sobre "Os desafios e as perspectivas da luta camponesa em Alagoas, a partir de uma leitura dos movimentos sociais do campo", com a participação das lideranças Débora Nunes (MST) e Josival Oliveira (MLST), e será mediada por Carlos Lima.

Os participantes terão a oportunidade de trocar experiências e expor suas opiniões nos trabalhos em grupos, debates, plenárias, ao assistir documentários e na participação de um estudo bíblico e teológico sobre "O serviço evangélico, o testemunho e a missão da CPT", que será ministrado por Thiago Torby, conselheiro da CPT-NE. Também acontecerá uma avaliação crítica sobre as ações do ano passado, e no final das atividades, será redigida e aprovada uma carta compromisso que norteará os trabalhos em 2009.

 

            Histórico

            A Comissão Pastoral da Terra em Alagoas faz parte da Regional Nordeste II (AL-PE-PB-RN) da CPT-Rede Nacional, é uma entidade sem fins lucrativos e de caráter ecumênica. Busca a transformação sócio-política, preza pelo respeito e a garantia dos direitos para os trabalhadores rurais.

A CPT de Alagoas iniciou suas primeiras assessorias e atividades com os cortadores de cana nas paróquias de Novo Lino, Colônia Leopoldina e União dos Palmares. No sertão, os trabalhos começaram com os posseiros na cidade de Água Branca.

Na década de 90 a CPT-AL começou a coordenar as ocupações de terras improdutivas e atualmente acompanha 15 assentamentos, 23 ocupações e 03 áreas de posseiros. Dentre as ações no Estado, destacam-se: o Natal dos camponeses; Feiras Camponesas; Romarias da Terra e das Águas; e o jejum de solidariedade.

Para fortalecer a luta, a instituição conta com parcerias importantes, como: Central Única dos Trabalhadores (CUT); Tribunal Regional do Trabalho (TRT); Movimentos camponeses; Comunidades Eclesiais de Base; Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP); dentre outros.

 

SERVIÇO

 

20ª Assembleia Estadual - Comissão Pastoral da Terra de Alagoas

Tema: 25 anos de serviço às famílias camponesas

Local: Centro Catequético dos Irmãos Marista – Barra de São Miguel/AL

Data: 17 a 19 de fevereiro de 2009

Contatos: (82) 9127-5773

 

 

CPT-AL

Endereço: Av. Dom Antônio Brandão, 559, Farol. CEP: 57021-190. Maceió/AL

Fone / Fax: (82) 3221.8600 / E-mail: pastoraldaterra@veloxmail.com.br

Blog: www.cptalagoas.blogspot.com 




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

A 'barriga' da Globo quase compromete o Brasil

A 'barriga' da Globo quase compromete o Brasil

Por Rui Martins - de Berna

A moça brasileira tinha seus problemas e provavelmente se autoflagelou. É triste.

Mais triste é o quadro da nossa imprensa irresponsável que mobilizou o país, levou o ministro das relações exteriores Celso Amorim a criticar um país amigo e Lula a quase criar um caso diplomático. É hora de denunciar a nossa grande imprensa sem deontologia, sem investigação, que afirma e desafirma sem qualquer cuidado e sem checar as notícias.

A agressão racista contra Paula Oliveira não foi um noticiario iniciado em Zurique, local da suposta agressão. Estourou no Brasil, detonada por um pai – e isso é muito compreensível – preocupado com sua filha distante. E a maior rede de televisão do Brasil, a Globo, vista por mais de uma centena de milhões de brasileiros, não teve dúvidas em transformar o caso na grande manchete do dia, fazendo com que outros milhões de brasileiros, no exterior, já acuados pela Diretiva do Retorno, se solidarizassem e imaginassem passeatas e manifestações.

Essa é a maior 'barriga' (divulgação de fato inexistente) da história do nosso jornalismo, que revela o descalabro a que chegamos em termos de informação ou desinformação. Equivale ao conto do vigário do Madoff, ou das subprimes do mercado imobiliário norte-americano. Só que o Madoff está preso, mesmo sendo prisão domiciliar e vivemos uma crise econômica, em consequência dos desmandos dos bancos americanos. Mas o que vai acontecer com a televisão Globo e todos quantos foram atrás? Nada, vai ficar por isso mesmo.

Como um órgão de imprensa de tanta penetração pode se permitir divulgar com estardalhaço um noticiário de muitos minutos, reproduzido online, repicado por jornais, rádios e copiado por outras televisões sem primeiro checar no local? Que jornalismo é esse que se faz sem qualquer investigação, sem se ouvir as partes envolvidas? Sem deslocar antes um reporter para Zurique e entrevistar também o policial responsável pela ocorrência? Sem ouvir a própria envolvida, fiando-se apenas no relato de um pai desesperado? Sem pedir a opinião de um especialista em ferimentos e escoriações?

Quem vai pagar o dano moral causado a essa jovem, que sem querer se tornou primeira página nos jornais? Quem vai desfazer o ridículo a que se submeteu o nosso ministro Celso Amorim, que, baseado num noticiário de foca em jornalismo, sem ouvir acusação e acusado, ofendeu um país amigo exigindo que prestasse contas em Brasília por um noticiário tipo cheque sem fundo? Quem assume o fato de quase levar nosso presidente a ficar vermelho de vergonha por se basear em noticiário sem crédito, com o mesmo valor de uma ação do banco Lehmann?

E mais – o dano sofrido pela Suíça, em termos de imagem, justamente quando seu povo tinha justamente votado em favor dos imigrantes, quem vai reparar ?

Essa barriga da Globo, secundada pela grande imprensa, é prova do que se vem dizendo há algum tempo – não há credibilidade nessa mídia. Publica-se, transmite-se qualquer coisa, e quanto mais sensacionalista melhor. Não há responsabilidde no caso de erros, de noticiário mentiroso, vale tudo, o papel aceita tudo, a televisão transmite qualquer coisa, desde que dê Ibope – e existe melhor coisa que nacionalismo ofendido? É o que os franceses chamam de "presse de boulevard", mentirosa, tendenciosa, com a opinião ao sabor das publicidades. Sem jornalismo investigadivo, sem confirmar as fontes, sem ouvir as opiniões divergentes.

Vão pedir a cabeça do redador-chefe? Não, assim que se recuperarem da barriga, da irresponsabilidade cometida, da vergonha diante dos colegas, vão jogar tudo em cima da pobre jovem, que deve ter seus problemas e que a nós não compete saber, isso é vida privada, não é Big Brother.

É essa mesma imprensa marrom, que induz nossos dirigentes ao erro, que também publica qualquer coisa contra o quer chamam de "assassino desalmado" Cesare Battisti. A irresponsabilidade da imprensa é o pior inimigo da liberdade de imprensa, porque pode provocar reações legislativas limitando os descalabros cometidos.

Escrever num jornal, falar numa rádio ou numa televisão e mesmo manter um blog constitui uma responsbilidade social. Não se pode valer dessa posição para se difundir boatos, nem inverdades, nem ouvir-dizer, é preciso ir checar, levantar o fato, mencionar ou desfazer as dúvidas e suspeitas existentes. É também preciso se garantir o direito de ser mencionada a versão da parte acusada para evitar a notícia tendenciosa.

A barriga da Globo vai ficar na história do nosso jornalismo, será sempre lembrada nos cursos de comunicação, tornou-se antológica, e nela estão entalhadas, por autoflagelação, as palvras que a norteiam – sensacionalismo, irresponsabilidade e abuso do seu poder.

Existem, sim, problemas contra nossos emigrantes em diversos países, principalmente depois da criação da Diretiva do Retorno pelo italiano Silvio Berlusconi. Diariamente brasileiros são presos e mandados de volta, na Espanha, mas isso não mobiliza a nossa imprensa, não dá Ibope.
 

Rui Martins é jornalista.


Publicado pelo Correio do Brasil (http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=149819) e pelo Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=524JDB010)



>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

EL FORO SOCIAL MUNDIAL, DE 2001 A 2009. Por NIKO SCHVARZ

El otro mundo posible en la mira
 
EL FORO SOCIAL MUNDIAL, DE 2001 A 2009
 
Por NIKO SCHVARZ
 
Quienes asistimos desde las primeras ediciones del Foro Social Mundial en Porto Alegre, empezando por la inaugural de 2001 y luego por las de 2002, 2003 y 2005, y a su contrapunto permanente con el Foro Económico Mundial de Davos, pudimos apreciar que esta octava edición en Belém do Pará en los días finales de enero (que sigue a las efectuadas en la India en 2004, en forma descentralizada en Malí, Pakistán y Venezuela en 2006 y al año siguiente en Kenia) significó la  consolidación y ampliación del este diversificado movimiento mundial, al tiempo que exhibe también sus contradicciones y debilidades. Sobre todo, en ambos aspectos, a la luz de la nueva realidad esperanzadora que se ha abierto paso en América Latina.
 
U
no de los episodios relevantes, que se ubicó en el corazón del Foro y contó con una audiencia multitudinaria de parte del abigarrado conjunto de movimientos sociales y organizaciones del más diverso tipo, fue el acto conjunto de los cinco presidentes sudamericanos: Lula, Evo, Chávez, Correa y Lugo (aclaramos desde ya que el presidente brasileño invitó también a Tabaré, Michelle Bachelet y Cristina Fernández,  que se excusaron). Un acto de este tipo era impensable en anteriores instancias del Foro, y su concreción debió superar trabas y dificultades de diverso orden. Pero en el fondo expresa la nueva realidad de América Latina, marcada por el ascenso al gobierno de fuerzas progresistas y de izquierda que cuentan con el  respaldo de movimientos sociales fuertemente arraigados en sus sociedades y han venido implementando programas de cambios a favor de los sectores populares. Uno de los méritos mayores del FSM es el de haber afirmado la consigna: "Otro mundo es posible", que estimula la movilización y contribuye a esclarecer las conciencias. Pues bien: como anota un agudo comentarista (Emir Sader) en su artículo "Presidentes latinoamericanos en el FSM", "los procesos latinoamericanos comenzaron efectivamente la construcción de alternativas al neoliberalismo". Otro analista, que también se expresa en Carta Maior (Marco Aurelio Weissheimer) dice que "aunque hubo quien criticó la presencia de cinco presidentes latinoamericanos, eso fue lo más parecido al 'otro mundo posible' que se vio en Belém".  Y agrega: "Esa presencia fue el momento más importante del FSM pues materializó los cambios políticos en el continente. Los movimientos sociales latinoamericanos sostienen, con razón, que es en América Latina donde se están verificando los cambios sociales más significativos de los últimos años. Todos ellos,  importa señalarlo, marcados por el acceso al poder. Y es a partir de ese poder político, construido y alimentado por la intensa movilización social, que se vuelve posible construir políticas públicas universales".
      Eso es poner el dedo en la llaga. En ese sentido se critican actitudes de los grupos que dirigen la organización del FSM o de algunas ONGs, sobre todo europeas, adversas a la participación de los partidos políticos y de los gobernantes en estos eventos, en forma conjunta con los movimientos y organizaciones sociales de todo tipo. En este caso se registraron 133 mil participantes inscritos provenientes de 142 países, muchos de los cuales dotaron a los numerosos actos, conferencias y coloquios de un colorido especial, como los indios amazónicos que llegaron con sus caras pintadas, arcos y flechas (y sacando fotos con cámaras digitales). Otra de las organizaciones, que participó en varios encuentros sobre educación (el Foro Latinoamericano de Políticas Educativas, FLAPE) adhiere al concepto de que "otro  mundo no sólo es posible, sino que está empezando justamente aquí, en América Latina" y de que "las propuestas de superar al neoliberalismo simplemente desde lo social, sin la política, están sobrepasadas".
      Quienes adherían a dichas concepciones criticaron también el hecho de que el próximo encuentro del FSM se fijara recién para el año 2011 (en África), obviando una instancia más cercana cuando está candente la situación internacional por la crisis que abarca todo el planeta; y que se dispersaran los debates en centenares de encuentros, en lugar de concentrarlos en los puntos clave para transformarlos en directivas y acciones a nivel planetario, a fin de incidir directamente en la solución de los problemas de la humanidad. Y que en ese camino se debe armonizar la acción de pueblos y gobiernos, de movimientos sociales y partidos, de todo el conglomerado de fuerzas populares impulsados a la acción en forma mancomunada.
     Esto quedó meridianamente claro en los discursos de los cinco presidentes en el hangar de la Universidad de Belém, presidido por un cartel que decía: "Diálogo sobre la integración popular de nuestra América". Lula señaló que "el dios mercado quebró", que "es necesario e imprescindible construir un nuevo orden" y ridiculizó a los oráculos de Davos, que pretendían dictar normas a todos y sumieron al mundo en una crisis de magnitud desconocida. Reivindicó el papel del Estado y de la política, defendió las realizaciones de su gobierno y las medidas que está adoptando ahora para enfrentar la crisis, mantener el empleo y continuar los procesos productivos, entre ellas la creación de un millón de viviendas. Esto se une a sus señalamientos a Obama sobre la responsabilidad de los países altamente industrializados en la crisis, cuyas consecuencias no deben ser pagadas por  los países en desarrollo, a lo cual hay que agregar su advertencia al presidente de EEUU en el sentido de que su paquete de rescate contiene perjudiciales medidas proteccionistas (por ejemplo respecto a la importación de acero), susceptibles de una denuncia ante la OMC.. En cuanto a los otros cuatro oradores (Correa, Lugo, Evo y Chávez, en ese orden) "cada uno a su manera coincidieron en que otro mundo no sólo es posible sino que ya está naciendo de la mano de los procesos democráticos que tienen lugar en la región, y coincidieron en reconocerse herederos  del foro social. Hablaron frente a integrantes de los movimientos sociales de la región, a quienes agradecieron  que con sus luchas allanaron el camino hacia el gobierno" (versión de Sandra Russo en Página/12).
     Por cierto que habría mucho que decir sobre los infinitos temas abordados en las conferencias y coloquios (entre ellos los ambientales, el calentamiento global y el específico de la Amazonia). Algunos, como el del monopolio mediático, han sido abordados en anteriores ediciones de BITÁCORA. Pero esto me pareció lo medular del debate, y la contradicción que debe resolverse para que el FSM pase a ser una fuerza real y gravitante en la solución de los problemas mundiales y contribuya efectivamente a transformar la sociedad de acuerdo a su lema fundacional. No olvidemos, por otra parte, la ayuda del gobierno local, presidido por la gobernadora de Pará, Ana Julia Carepa, del PT, a todo el montaje de la infraestructura del Foro, como había ocurrido en su inicio con Olivio Dutra en Porto Alegre. Pero quiero concluir con una pequeña nota de entrecasa, muy ilustrativa.
      Entre los miles de participantes estaba el intendente sanducero Julio "Nino" Pintos. Invitado por la red FAL (Foro de Autoridades Locales), participó en dos eventos, en los que expuso las experiencias del presupuesto participativo en su departamento. Su síntesis valoriza esta peculiar forma de democracia participativa que en Paysandú recibe apoyo creciente de la gente (y que se inició con el primer gobierno del PT en Porto Alegre y se ha extendido por el mundo).. Concluye que "es un ejemplo de democracia, sobre todo para los más jóvenes". Esto revela que el FSM tiene abierto un gran porvenir para debatir y concientizar sobre los problemas globales, pero a la vez sobre las experiencias de ejercicio de la democracia en el plano local, para extenderla y profundizarla.
 
Publicado en BITÁCORA, suplemento de La República, 15 de febrero 2009, pág. 10



>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/
As aves de mau-agouro da Oposição e 2010

 

O ex-presidente FHC, que manteve a Economia brasileira estagnada durante o seu período à frente do governo federal, dilapidou o patrimônio público com privatizações a preços de "bacia das almas", e levou à falência as finanças públicas em 1999, reapareceu pomposamente há alguns dias orientando os partidos de Oposição ao governo Lula a aumentarem os ataques, no estilo "quanto pior, melhor".

 

A lógica do seu discurso é primária: se a Economia brasileira conseguir passar ao largo do pior da crise do Capitalismo mundial, e o governo Lula realizar pelo menos metade do que está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a probabilidade da Oposição ganhar as eleições em 2010 vira fumaça. Por isso, torna-se necessário dinamitar o PAC e estimular o empresariado a puxar o "freio de mão", contribuindo assim para jogar também o Brasil na recessão.

 

Essa estratégia cínica considera como um "preço a ser pago" (principalmente pela população pobre, mas também a classe média) a queda do crescimento do PIB no Brasil em 2009, para os 2% da Era FHC, com conseqüente aumento do desemprego, caso a situação fique desastrosa no Brasil, como está no restante do mundo. O pragmatismo dessa gente, do ex- PFL e do PSDB, visa tão-somente seus "lucros" (vitórias eleitorais em 2010). Partem do princípio de que se essa lógica valeu contra eles em 2002, quando a crise resultante dos oito anos do medíocre governo FHC apresentou a conta nas eleições, valerá também em 2010, se a Economia no Brasil entrar em parafuso.

 

Os discursos de várias lideranças desses partidos nos dias seguintes, e até o editorial de um grande jornal, foram todos nessa mesma direção, confirmando que a Oposição está se movimentando para criar dificuldades também no campo econômico, através de ataques sistemáticos às obras realizadas pelo PAC e às ações do governo federal no sentido de estimular investimentos em todas as áreas. E, provavelmente, desenvolvendo intensa cooptação de parcelas do empresariado para suas idéias.

 

Caso a articulação desses políticos junto a setores reacionários do empresariado dê certo, obtendo deles uma postura de "retranca" (traduzida na prática por demissões, suspensão de investimentos, redução de compras etc), poderá ocorrer de "o feitiço virar contra o feiticeiro", através de fenômeno muito interessante: graças aos investimentos do Estado em todo o País (via governos nos três níveis), muitas empresas pequenas e/ou de médio portes, antes alijadas por outras maiores das obras e serviços públicos, ocuparem esse espaço, crescerem e deslocarem para escanteio quem se aliou às aves agourentas da Oposição. Poderá surgir assim uma nova parcela da burguesia, de fato comprometida com o desenvolvimento econômico e social da população brasileira.

 

Tudo é possível acontecer, desde que a Oposição acordou para a terrível realidade atual (para ela) da Economia brasileira, diametralmente oposta ao caos recebido pelo governo Lula em janeiro de 2003. Hoje, a sua situação "estrutural" é significativamente melhor, assim como das finanças do governo federal. O que não nos livra, infelizmente, da possibilidade de contágio das economias em recessão, grandes compradoras dos produtos brasileiros e maiores investidoras no País.

 

Justo agora, quando se faz necessário um esforço extraordinário para manter as atividades em ritmo pelo menos igual ao de 2008, surge esse movimento público da Oposição, tentando impedir que as ações dos governos para aquecer a Economia dêem certo. Graças a essa ofensiva, está em jogo desde o início do ano não apenas quem comandará os governos estaduais e federal a partir de 2011, mas o bem-estar da imensa maioria do povo brasileiro, esse ano e nos próximos.

 

O PSDB e o ex-PFL foram poupados até hoje pelo crime de parar o Brasil, na Era FHC. Impuseram ao País crescimento econômico medíocre, não investiram o necessário em Infraestrutura de Energia e Logística, deixaram o Brasil com baixa competitividade no Comércio Internacional. Prejudicaram a imensa parcela de pobres da Juventude brasileira. E agora, com a maior desfaçatez, aparecem com esse discurso em público, como se tivessem moral para propor um outro rumo para a Economia, que não o colocado em prática pelo governo Lula, de Aceleração do Crescimento.

O povo brasileiro precisa que a Economia do País continue crescendo, pelo menos 4%. O Brasil precisa, como nunca, de mais portos fluviais e marítimos, ferrovias, rodovias em bom estado, hidreelétricas, termelétricas, biocombustíveis, e de muitos investimentos em energia eólica, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Educação, Saneamento, Saúde...

 

Chegou a hora de mostrar ao Brasil quem está a favor e quem está contra o enfrentamento, liderado pelo governo federal, da crise mundial do Capitalismo. Quem é a favor do Estado investir para manter a Economia em crescimento, e quem aposta no pior, como as aves de mau-agouro da Oposição e os bancos, financeiras e cartões de crédito, que ainda praticam no Brasil taxas de juros de até 400% ao ano, em tempos de 5% ou menos, no restante do mundo.

 

Alguns especialistas, há poucos meses, estimavam em até 5 trilhões de dólares o tamanho do estrago na Economia dos EUA. Hoje essa quantia virou troco, com a Crise atingindo as grandes montadoras norte-americanas e empresas de outros segmentos, ameaçando de falência centenas de bancos pequenos e médios, e reduzindo até – pasmem! – o consumo de alimentos no país. A recessão bateu nos 27 países da União Européia, na segunda maior economia do mundo (Japão), e ameaça seriamente a terceira maior (China). Tudo isso pode significar que será superada a estimativa de um desemprego global de 50 milhões de pessoas, feita há alguns meses.

 

Sabe-se que grande parte dos efeitos das crises econômicas são resultado muito mais do medo da Crise, do que dela própria. Ao acreditarem na Crise, parcelas crescentes da população acabam sem saber transformando-a em algo muito maior do que era inicialmente. As aves agourentas da Oposição no Brasil apostam nessa "psique" da coisa, por incrível que pareça (não se dão conta de quão criminosa é essa sua estratégia?). Portanto, não há tempo a perder: temos que entrar pesado na disputa pela opinião pública nacional, para ganhar essa "guerra" dita psicológica.

 

Os governos podem fazer muita propaganda para estimular a Economia, inclusive contrapondo suas ações às propostas da Oposição, visando propiciar o debate público em grande escala. Movimentos sociais e os parlamentares municipais, estaduais e federais da base aliada também. Aves de mau-agouro temem a luz. Chega de trabalharmos em silêncio, porque a crise internacional é muito séria, e avança com incrível rapidez: anteontem ela destruiu trilhões de dólares virtuais do sistema financeiro alavancado, ontem empresas alavancadas, hoje empresas que vendiam para aquelas, amanhã...

 

 

Milton Pomar, 50, empresário, geógrafo, ex-Secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Chapecó(SC) 




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

domingo, 15 de fevereiro de 2009

  A CRISE  SERÁ  PROFUNDA  E PROLONGADA..

 

Passaram-se alguns meses do desencadear da crise do capitalismo a nível internacional, tendo seu epicentro no capital financeiro e na economia dos Estados Unidos. Agora já temos mais elementos para compreender de que ela será prolongada, profunda e atingirá a todas economias periféricas.  Inclusive o Brasil.

 

Muitas análises já se publicaram na academia e nos meios de comunicação.  Há posições de todas as matizes e correntes ideológicas.   E todas convergem no diagnóstico.  É uma crise profunda, pior do que a crise de 29.  Atingirá a toda economia mundial, cada vez mais internacionalizada e controlada por menos de 500 empresas. Será pior, por que combina uma crise econômica, financeira (de credibilidade das moedas), ambiental, ideológica, pela falência do neoliberalismo, e política, pela falta de alternativas apresentadas pela classe dominante, no centro ou pelos governos da periferia.

 

Na história das crises do capitalismo, as classes dominantes, proprietárias do capital,  e seus governos , adotaram um  mesmo receituário para sair delas.  

Primeiro, precisam destruir parte do capital (super-acumulado e sem demanda)  para abrir espaço a outro processo de acumulação.   Nos últimos meses já foram torrados mais de 4 trilhões de dólares, em papel moeda.

Segundo, apelam para as guerras.  Como forma de destruir mercadorias (armas, munições, bens materiais, instalações) e como forma de eliminar a tensão social dos trabalhadores. E, de certa forma eliminam também o exercito industrial de reserva.   Foi assim, na primeira e a segunda guerra mundial.   E depois na guerra fria.   Agora, com medo da bomba atômica, estimulam conflitos regionais.  Os ataques de Israel ao povo palestino, as provocações na Índia, as ameaças ao Iran, estão dentro dessa estratégia, também.  Aumentar os gastos militares e a destruição de bens.

Terceiro.  Aumentar a exploração dos trabalhadores.  Ou seja, nas crises, baixam os salários médios, rebaixam as condições de vida e por tanto de reprodução da força de trabalho, para recuperar as taxas de mais-valia e de acumulação.  Daí também, o desemprego ampliado, que mantêm multidões sobrevivendo apenas com cestas básicas, etc..

Quarto: Há uma maior transferência de capital da periferia para o centro do sistema.  Isso é feito pela transferência direta das empresas para suas matrizes.  Através da manipulação da taxa de cambio do dólar, do pagamento de juros e da manipulação de preços das mercadorias vendidas e compradas na periferia.

Quinto. O capital volta a usar o estado, como o gestor da poupança da população para deslocar esses recursos em beneficio do capital.  Por tanto, os capitalistas voltam a valorizar o estado, não como zelador dos interesses da sociedade.  Mas como capataz do seus interesses , para usar p poder compulsório e assim recolher o dinheiro de todo mundo, através de impostos e da poupança depositada nos bancos, para financiar a saída da crise.

 

Estamos assistindo a aplicação dessas medidas clássicas todos os dias, registradas na imprensa.   Aqui no Brasil, no centro do capitalismo e em todo mundo.

 

Mas, como em tudo na vida, sempre há contradições.   Para cada ação do capital, do governo, etc. haverá contradição, que a sociedade e os trabalhadores sentem e podem se aproveitar delas, para mudar a situação.

 

Os períodos históricos de crises são também períodos de mudanças.  Para o bem ou para o mal.  Mas haverá mudanças!   As crises abrem brechas  e recolocam o posicionamento das classes na sociedade.   No Brasil, ainda estamos apáticos, amorfos, desanimados, assistindo pela televisão a descrição dos sintomas da crise chegando aqui.   Quase não houve reação ou comentários aos quase 800 mil trabalhadores que perderam seus empregos somente em dezembro de 2008.   Não há comentários para a pesquisa do IPEA  que identificou entre as 17 milhões de famílias pobres do Brasil do cadastro geral de benefíciários do governo,  79% deles estão desempregados!  E por receberam algum beneficio não procuram mais empregos, e saem até das estatísticas.

 

É fundamental que os setores organizados da sociedade, em todas as formas existentes, seja nas igrejas, nos sindicatos, nos colégios, escolas, universidades, na imprensa e movimentos sociais, partidos, tomemos uma atitude.   E a primeira atitude é debater a natureza e as saídas para a crise, do ponto de vista dos trabalhadores e da maioria.   É urgente estimularmos todo tipo de debate, em todos  espaços.   É louvável a iniciativa da TV educativa Paraná, de estimular esse tipo de debate público. Mas ainda é insuficiente.    A crise será longa e profunda.   Precisamos envolver o maior numero possível de militantes, homens e mulheres conscientes, para que debatam a situação e possamos construir coletivamente alternativas populares.    E sem a mobilização e a luta social, não haverá saída para o povo.  Somente para  o capital.

 

João Pedro Stedile,  membro da coordenação nacional do MST e da via campesina.




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Por um Fórum Social Latino-americano em 2010
 
Realizar novo Fórum apenas em 2011 significa deixar dois anos potencialmente para que a "alva melancolia" (na fina expressão do poeta Pedro Tierra) de Davos fique falando sem contraponto, e exatamente quando a aura do Fórum Econômico Mundial está em franco declínio.
 

A decisão do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial de realizar a próxima edição do Fórum Social Mundial apenas em janeiro de 2011 contém um grande equívoco de julgamento sobre o papel do próprio Fórum. O estado de crise em que se encontra o sistema capitalista em sua versão neoliberal, para dizer o mínimo, exige reflexão e respostas contínuas. Inclusive é necessário discutir sua natureza.

Nas entrevistas que realizei para a TV Carta Maior, pontificaram duas visões matriciais, não necessariamente opostas nem excludentes, mas talvez complementares em termos de análise. A primeira foi pontificada por Ignácio Ramonet.. Esta seria a "crise das crises", uma espécie de "crise-mãe" de todas as crises, protagonizada pelo conjunto do sistema. Sem implicar compromisso com as demais idéias dos pensadores citados a seguir, essa visão contém analogias com as de Eric Hobsbawm, Giovanni Arrighi e Immanuel Wallerstein, para quem, em diferentes graus, essa crise apontaria para uma falência sistêmica cuja qualificação passaria por adjetivos como "terminal" e "final", ou substantivos como"fracasso" e "falência", evidenciando também um gradual "declínio do império norte-americano", para plagiar/parodiar título de conhecido filme canadense.

A segunda foi pontificada pela entrevista de Bernardo Kucinski, colega e colunista da Carta Maior. Para Bernardo a crise não é sistêmica, mas ela tem origem num setor mais frágil desse sistema (o do subsistema de financiamento imobiliário norte-americano e suas conexões), mas o novo desenvolvimento da rede financeira mundial acoplado ao centralismo da economia norte-americana, atraente até para a nova China, fez com que essa crise setorializada tivesse efeitos em escala global. Também sem compromisso com as implicações e alicerces do pensamento de José Luis Fiori, Carlos Medeiros e Fraklin Serrano, essa visão tem analogia com suas idéias expostas no livro "O mito do colapso do poder americano" (Editora Record, 2008), para as quais o que ocorre não é uma crise terminal do poder dos EUA, mas um reordenamento da competição imperialista, na qual Washington continua a ter papel central. Também leva à consideração de que, se nada de diferente ocorrer, as cartas de solução e saídas para a crise continuarão a vir do baralho norte-americano e de seus aliados da União Européia mais o Japão, ao lado dos neo-competidores China e nova Rússia.

De qualquer modo, as visões em sua pluralidade convergem para a constatação de que a crise, seus efeitos e as conseqüências das medidas tomadas para contorna-la são de longo prazo. Complementando essas visões com a de Michel Löwy, também exposta em entrevista na TV Carta Maior, de que o Fórum "é o que temos", quando mais não seja, quer dizer, que o Fórum é a grande arena para onde ocorrem e entram em debate as idéias alternativas à proposta de hegemonia neoliberal em escala mundial, a ocorrência do G-Fórum é o que há de fundamental para se contrapor ao uni-lateralismo do G-8, além dos demais grupos centrados em redes internacionais governamentais, como o G-20. A centralidade do Fórum decorre exatamente de seu caráter não-governamental, embora, em todas essas visões, ao contrário de outras que também campeiam pelo Fórum, não haja uma oposição de "natura" entre as esferas dos movimentos sociais e as governamentais. Pode haver sim uma diferença entre os pontos de vista de onde suas narrativas sejam montadas.

Portanto, realizar novo Fórum apenas em 2011 significa deixar dois anos potencialmente para que a "alva melancolia" (na fina expressão do poeta Pedro Tierra, também na TV Carta Maior) de Davos fique falando sem contraponto, e exatamente quando a aura do Fórum Econômico Mundial está em franco declínio.

Além deste equívoco, a decisão do Conselho tem mais um ingrediente problemático. Segundo ela, o Fórum seguinte deverá se realizar na África, provavelmente na África do Sul ou no Senegal. Nada contra. É impossível ser contra a África. Mas é possível sim ser contra o mal-estar de onde vêm fortes pressões para que o Fórum NÃO (assim com maiúsculas) se realize na América Latina. Essas pressões vêm de representantes de algumas Ongues européias em grande parte, mas secundados por outros de outras plagas, inclusive as nossas, que se sentem incomodados, e não pela primeira vez, pelo protagonismo da política e dos políticos da América Latina.

Para essas vozes foi insuportável ver cinco presidentes reunidos no âmbito do Fórum anunciando decisões da maior importância para combater a crise mundial de um outro ponto de vista que não o de Davos. Essa ojeriza vem da desconfiança, de velha raiz liberal na verdade, que opõe radicalmente "governo" e "sociedade civil", como se fossem reinos divididos por uma cortina de ferro, e não esferas permeáveis de ação e confusão, ops, quero dizer, reação. Mas agora a desconfiança se espraia para uma clivagem algo ridícula de natureza continental (Europa x América Latina) ou hemisférica (Norte x Sul), que nos momentos mais extremados chega ao despautério de reclamar que a língua dominante no Fórum não seja o inglês. Realizar um Fórum nos Estados Unidos é problemático, ainda que tentador, pois submeteria a participação nele aos ditames discriminatórios do Departamento de Estado; o mesmo pode-se dizer da Europa, ainda que em grau menor. Os participantes do Fórum que chegassem, por exemplo, por Madri, para falar o mínimo, poderiam se ver diante das exigências vexatórias que a polícia local tem feito a turistas e visitantes em particular de países do Sul.. A Ásia? "Muito longe" e ainda sem acesso à China. A Oceania também "fica muito longe". Resta a África.

O continente africano também apresenta, como atrativo para esse pensamento disfarçadamente eurocêntrico, um tempero a mais. O território africano, como ficou evidente na edição em Nairobi, é visto por ele como uma espécie de "reserva de mercado", pois as ongues africanas são umbilical e financeiramente dependentes da Europa. No Quênia, onde os movimentos africanos se interessaram demais pelo que acontecia na América Latina com suas revoluções republicanas (o termo é meu), a "rivalidade" eclodiu em comentários freqüentes sobre "o quê", afinal, esses "latino-americanos" estavam fazendo "no nosso" território. Nada como circular nas entrelinhas do Fórum e das declarações oficiais!

Considerações como essas levam a uma consolidação, ainda que por linhas tortas, da visão de mundo onde, diante dos desafios mundiais, protagonismo e decisões cabem ao Norte; para o Sul, ou em direção ao Sul, restam o exercício da caridade, do assistencialismo, ou ainda da 'preservação', desde que as decisões a respeito fiquem no âmbito daquele Norte, cujos padrões de consumo não devem ser imitados, mas também não devem ser questionados pelos "outsiders" da prosperidade mundial.

Diante de tais desafios e de tal contradança, fica a sugestão de que se realize um Fórum Social Latino-Americano, em janeiro de 2010, para não deixar Davos se alimentar da ausência de contra-vozes, entoando na sua "alva melancolia" o novo canto-chão das soluções-remendo de um sistema que, em falência ou em crise setorial, se prova cada vez mais predatório do futuro e do passado, para não dizer dos recursos ambientais, sociais e culturais do presente. Se um outro mundo é possível, agora se comprovou que este mundo, tal qual está, é impossível, e exige respostas contínuas. Um Fórum Social Latino-Americano, aberto ao mundo todo, sem novas centralidades excludentes, ao contrário, com um amplo arco includente de todos os matizes e de todas as línguas e linguagens, seja onde for realizado, é um passo nessa direção. É uma exigência da história. Fica a palavra com os conselhos e entidades que têm o poder legítimo da consideração de uma proposta dessas e de sua convocação, com o comentário indispensável de que empalmar essa idéia não implica empalmar os argumentos deste escriba da Carta Maior.


Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

Mészàros : Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasias



"Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasias"

Em entrevista à revista inglesa Socialist Review, István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. "É uma fantasia que uma solução neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais", defende Mészàros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na história humana, em todos os sentidos.

Data: 07/02/2009

Em 1971 István Mészàros ganhou o Prêmio Deutscher pelo seu livro A Teoria da Alienação em Marx e desde então tem escrito sobre o marxismo. Em janeiro deste ano, ele conversou com Judith Orr e Patrick Ward, da Socialist Review, sobre a atual crise econômica.

Socialist Review: A classe dominante sempre é surpreendida por crises econômicas e fala delas como fossem aberrações. Por que você acha que as crises são inerentes ao capitalismo?

István Mészàros – Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 2006. Phelps é um tipo de neokeynesiano. Ele estava, é claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que "tudo o que devemos fazer é trazer de volta as idéias keynesianas e a regulação."

John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regulação. Phelps estava reproduzindo a idéia grotesca de que o sistema é como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais não pode produzir tão bem, mas se você olhar no todo verá que ele é maravilhoso! Pense apenas em Mozart – ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim é o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabeça examinada. Mas, no lugar de ter sua cabeça examinada, ele ganhou um prêmio.

Se nossos adversários têm esse nível de pensamento – o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um período de 50 anos, não é apenas um escorregão acidental de economista vencedor de prêmio – poderíamos dizer, "alegre-se, esse é o nível baixo do nosso adversário". Mas com esse tipo de concepção você termina no desastre de que temos experiência todos os dias.. Nós afundamos numa dívida astronômica. As dívidas reais neste país (Inglaterra) devem ser contadas em trilhões.

Mas o ponto importante é que eles vêm praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. Não é um acidente que a moeda tenha inundado de modo tão adventista o setor financeiro. A acumulação de capital não poderia funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva.

Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se extende por toda parte e viola nossa relação com a natureza, minando as condições fundamentais da sobrevivência humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a poluição. Temos até um ministro da energia e da mudança climática, que na verdade é um ministro do lero lero, porque nada faz além de anunciar uma meta. Só que essa meta nunca é sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso é uma parte integral da crise estrutural do sistema e só soluções estruturais podem nos tirar desta situação terrível.

SR - Você descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cartão de crédito. O que você quer dizer com isso?

IM – Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietnã. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietnã num cartão de crédito. O recente endividamento dos EUA está azedando agora. Esse tipo de economia só avança enquanto o resto do mundo pode sustentar sua dívida.

Os EUA estão numa posição única porque tem sido o país dominante desde o acordo de Bretton Woods. É uma fantasia que uma solução neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A dominação dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posição muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as instituições econômicas internacionais vitais com base no privilégio dos EUA. O privilégio do dólar, o privilégio aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional, pelas organizações comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a dominação dos EUA, e ainda permanece assim hoje.

Não se pode fazer de conta que isso não existe. Você não pode fantasiar reformas e regulações leves aqui e acolá. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posição dominante de que os EUA dispõe, nesse sentido – apoiada pela dominação militar – é um erro.

SRKarl Marx chamou a classe dominante de "bando de irmãos guerreiros". Você acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solução?

IM – No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo às custas de duas horrendas guerras mundiais no século XX. Guerras parciais, não importa o quão horrendas são, não podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.

Mas imaginar uma nova guerra mundial é impossível. É claro que ainda há alguns lunáticos no campo miliar que não negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destruição total da humanidade.

Temos de pensar as implicações disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma força não pudesse ser assegurada pela dominação econômica você recorreria à guerra.

O imperialismo global hegemônico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema é permanente? É concebível que nele não surjam contradições, no futuro?

Algumas pistas vem sendo dadas pela China de que esse tipo de dominação econômica não pode avançar indefinidamente. A China não será capaz de seguir financiando isso. As implicações e consequencias para a China já são bastante significantes. Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato – seja ele capitalista ou socialista – não importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da caçada feliz do rato se termine numa horrenda infestação de ratos de desemprego massivo? Isso está acontecendo agora na China.

Essas coisas são inerentes nas contradições e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolvê-los de uma maneira radicalmente diferente, e a única maneira é uma genuína transformação socialista do sistema.

SR - Não há em parte alguma do mundo econômico desacoplamento dessa situação?

IM- Impossível! A globalização é uma condição necessária do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente visível Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que há muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma "integração jurisdicional", em outras palavras, uma completa integração imperialista – um conceito fantasia. Trata-se de uma expressão das contradições e antagonismos insolúveis da globalização capitalista. A globalização é uma necessidade, mas a forma em que é exequível e sustentável é a de uma globalização socialista, com base nos princípios socialistas da igualdade substantiva.

Ainda que não haja desacoplamento na história do mundo, é concebível que isso não signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes estão se desenvolvendo na América Latina, em comparação com a Europa, para não mencionar o que eu já assinalei sobre a China, o Sudeste Asiático e o Japão, que está mergulhado em problemas mais profundos.

Vamos pensar no que aconteceu há pouco tempo. Quantos milagres tivemos no período do pós-guerra? O Milagre Alemão, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japonês, o Milagre dos cinco Tigres Asiáticos? Engraçado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terrível realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades é o endividamento desastroso e a fraude.

Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilhões de dólares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilhões de dólares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilhões. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilhões, eles devem chegar a todos os fundos possíveis.

Um sistema que opera nesse modo moralmente podre não pode provavelmente sobreviver, porque é incontrolável. As pessoas chegam a admitir que não sabem como isso funciona. A solução não é desesperar-se, mas controlá-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transformação da sociedade.

SRA tendência inerente do capitalismo é exigir dos trabalhadores o máximo possível, e isso é claramente o que os governos estão tentando fazer na Grã Bretanha e nos EUA.

IM – A única coisa que eles podem fazer é advogar pelos salários dos trabalhadores. A razão principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilhões de dólares nas três maiores companhias de automóveis é que não puderam obter acordo sobre a drástica redução dos salários. Pense no efeito disso e nos tipos de obrigações que esses trabalhadores têm – por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus salários geraria outros tipos de problemas na economia – de novo, a contradição.

Capital e contradições são inseparáveis. Temos de ir além das manifestações superficiais dessas contradições e de suas raízes. Você consegue manipulá-las aqui e ali, mas elas voltarão com uma vingança. Contradições não podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, está se tornando uma montanha.

SRVocê estudou com Georg Lukács, um marxista que retomou o período da Revolução Russa e foi além.

IM – Eu trabalhei com Lukács sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956 e nos tornamos amigos muito próximos até a sua morte, em 1971. Sempre nos olhamos nos olhos – é por isso que eu queria estudar com ele. Então aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em público. Eu não aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complicações. Logo que deixei a Hungria, fui designado sucessor, na universidade, ensinando estética. A razão pela qual deixei o país foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema não poderia resolver.

Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde então. Em particular em "A Teoria Alienação em Marx" e "Para Além do Capital" (*). Lukács costumava dizer, com bastante razão, que sem estratégia não se pode ter tática. Sem uma perspectiva estratégica desses problemas você não pode ter soluções do dia-a-dia. Então eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles não podem ser simplesmente tratados no nível de um artigo que apenas relata o que está acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tentação de fazê-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva histórica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num periódico literário na Hungria e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde então. À medida de nossos modestos meios, damos nossa contribuição em direção da mudança. Isso é o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.

SR- O que você pensa das possibilidades de mudança neste momento?

IM – Os socialistas são os últimos a minimizar as dificuldades da solução. Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de soluções simplistas. Eu não penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado. A crise atual é profunda. O diretor substituto do Banco da Inglaterra adimitiu que esta é a maior crise econômica na história da humanidade. Eu apenas acrescentaria que esta não é apenas a maior crise na história humana, mas a maior crise em todos os sentidos. Crises econômicas não podem ser separadas do resto do sistema.

A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre. Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle. Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital. Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema. Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas. Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo.

Os problemas que a sociedade está enfrentando não surgiram apenas nos últimos anos. Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e não, como o vencedor do Prêmio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A única solução possível é encontrar a reprodução social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a idéia do socialismo.

Nós alcançamos os limites históricos da capacidade do capital controlar a sociedade. Eu não quero dizer apenas bancos e instituições financeiras, ainda que eles não possam controlá-las, mas o resto. Quando as coisas dão errado ninguém é responsável. De tempos em tempos os políticos dizem: "Eu aceito total responsabilidade", e o que acontece? Eles são glorificados. A única alternativa exequível é a classe trabalhadora, que é a produtora de tudo o que é necessário em nossa vida. Por que eles não deveriam controlar o que produzem? Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer não é relativamente fácil, mas temos de encontrar a dimensão positiva.

István Mészàros é o autor do recentemente publicado "The challenge and burden of Historical Time", "Os Desafios e o Fardo do Tempo Histórico", publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, 2007.

(*) Ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.

Artigo originalmente publicado na Socialist Review

Tradução: Katarina Peixoto




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Balanço do Fórum e do outro mundo possível


Os que acreditam que o fim do Fórum Social Mundial é o intercâmbio de experiências devem estar contentes. Para os que chegaram a Belém angustiados com a necessidade de respostas urgentes aos grandes problemas que o mundo enfrenta, ficou a frustração, o sentimento de que a forma atual do FSM está esgotada, que se o FSM não quer se diluir na intranscendência, tem que mudar de forma e passar a direção para os movimentos sociais. A análise é de Emir Sader.


Um balanço do FSM de Belém não deve ser feito em função de si mesmo. Ele não nasceu como um fim em si mesmo, mas como um instrumento de luta para a construção do "outro mundo possível". Nesse sentido, qual o balanço que pode ser feito do FSM de Belém, do ponto de vista da construção desse "outro mundo", que não é outro senão o de superação do neoliberalismo, de um mundo pósneoliberal?

Duas fotos são significativas dos dilemas do FSM: uma, a dos 5 presidentes que compareceram ao FSM – Evo, Rafael Correa, Hugo Chavez, Lugo e Lula -, de mãos dadas no alto; a outra, a fria e burocrática de representantes de ONGs brasileiras em entrevista anunciando o FSM. Na primeira, governos que, em distintos níveis, colocam em prática políticas que identificaram, desde o seu nascimento, o FSM: a Alba, o Banco do Sul, a prioridade das políticas sociais, a regulamentação da circulação do capital financeiro, a Operação Milagre, as campanhas que terminaram com analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, a formação das primeiras gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Segurança, o gasoduto continental, a Telesul – entre outras. A cara nova e vitoriosa do FSM, nos avanços da construção do posneoliberalismo na América Latina.

Na outra, ONGs, entidades cuja natureza é fortemente questionada, pelo seu caráter ambíguo de "não-governamentais", pelo caráter nem sempre transparente dos seus financiamentos, das suas "parcerias", dos mecanismos de ingresso e de escolha dos seus dirigentes – a ponto que, em países como a Bolivia e a Venezuela, entre outros, as ONGs se agrupam majoritamente na oposição de direita aos governos. Sua própria atuação no espaço que definem como "sociedade civil" só aumenta essas ambigüidades. Entidades que tiveram um papel importante no inicio do FSM, mas que monopolizaram sua direção, constituindo-se, de forma totalmente não democrática, como maioria no Secretariado original, deixando os movimentos sociais, amplamente representativos, como a CUT e o MST, em minoria.

A partir do momento em que a luta antineoliberal passou de sua fase defensiva à de disputa de hegemonia e construção de alternativas de governo, o FSM passou enfrentar o desafio de se manter ainda sob a direção de ONGs ou passar finalmente ao protagonismo dos movimentos sociais. No FSM de Belém tivemos a primeira alternativa, no momento daquela fria e burocrática entrevista coletiva das ONGs. E tivemos, como contrapartida, sua formidável cara real, com os povos indígenas e o Forum PanAmazonico, com os movimentos camponeses e a Via Campesina, com os sindicatos e o Mundo do Trabalho, com os movimentos feministas e a Marcha Mundial das Mulheres, os movimentos negros, os movimentos de estudantes, os de jovens – com estes confirmando que são a grande maioria dos protagonistas do FSM.

O FSM transcorreu entre os dois, entre a riqueza, a diversidade e a liberdade dos seus espaços de debate, e as marcas das ONGS, refletidas na atomização absoluta dos temas, na inexistência de prioridades – terra, água, energia, regulação do capital financeiro, guerra e paz, papel do Estado, democratização da mídia, por exemplo. À questão: o que o FSM tem a dizer e a propor de alternativas diante da crise econômica global e diante dos epicentros de guerra – Palestina, Iraque, Afeganistão, Colômbia -, que propostas de construção de um modelo superados do neoliberalismo e de alternativas políticas e de paz para os conflitos, a resposta é um grande silêncio. Houve várias mesas sobre a crise, nem sequer articuladas entre si. As atividades, "autogestionadas", significam que os que detêm recursos – ONGs normalmente entre eles – conseguem programar suas atividades, enquanto os movimentos sociais se vêem tolhidos de fazer na dimensão que poderiam fazê-lo, para projetar-se definitivamente como os protagonistas fundamentais do FSM.

Para os que acreditam que o fim do FSM é o intercâmbio de experiências, devem estar contentes. Para os que chegaram angustiados com a necessidade de respostas urgentes aos grandes problemas que o mundo enfrenta, a frustração, o sentimento de que a forma atual do FSM está esgotada, que se o FSM não quer se diluir na intranscendência, tem que mudar de forma e passar a direção para os movimentos sociais.

Surpreendente a quantidade e a diversidade de origem dos participantes, notáveis as participações dos movimentos indígenas e dos jovens, em particular, momento mais importante do FSM a presença dos presidentes – cujas políticas deveriam ter sido objeto de exposição e debate com os movimentos sociais de maneira muito mais ampla e profunda. Triste que todo esse caudal não fosse ouvido, nem sequer por internet, a respeito do próprio FSM, das duas formas de funcionamento, da sua continuidade – outro sintoma do envelhecimento das conduções burocráticas dadas ao FSM. No dia seguinte ao final do FSM, reuniu-se o Conselho Internacional, de maneira fria e desconectada do que foi efetivamente o FSM, em que cada um – seja desconhecida ONG ou importante movimento social – tinha direito a dois minutos para intervir.

O "Outro mundo possível" vai bem, obrigado. Enfrenta enormes desafios diante dos efeitos da crise, gestada no centro do capitalismo e para a qual se defendem bastante melhor os que participam dos processos de integração regional do que os que assinaram Tratados de Livre Comercio. Enfrentam a hegemonia do capital financeiro, a reorganização da direita na região, tendo no monopólio da mídia privada sua direção política e ideológica. Mas avança e deve-se se estender, sempre na América Latina, para El Salvado, com a provável vitória de Mauricio Funes, candidato favorito, da Frente Farabundo Marti à presidência, em 15 de março próximo..

Já não se pode dizer o mesmo do FSM, que parece girar em falso, não se colocar à altura da construção das alternativas com que se enfrentam governos latinoamericanos e da luta de outras forças para passar da resistência à disputa hegemônica. Para isso as ONGs e seus representantes tem, definitivamente, que passar a um papel menos protagônico no FSM, deixando que os movimentos sociais dêem e tônica. Que nunca mais existam conferências como aquela de Belém, que nunca mais ONGs se pronunciem em nome do FSM, que os movimentos sociais – trata-se do Forum Social Mundial – assumam a direção formal e real do FSM, para que a luta antineoliberal trilhe os caminhos da luta efetiva por "outro mundo possivel" – de que a América Latina é o berço privilegiado.



>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

PROPOSTAS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA NO FSM 2009

Frente à crise econômica internacional afirmamos que a economia social e solidária é uma das estrátegias que vem permitindo e crescimento econômico sustentável, parte da construção de um novo modelo de desenvolvimento que é centrado no bem estar das pessoas nos 5 continentes.

Nós, trabalhadoras, trabalhadores e militantes do movimento de Economia Solidária, fazemos as seguintes propostas:

1 - No contexto de crise mundial, mais que nunca as práticas econômicas alternativas respondem através de suas experiências com novos instrumentos de finanças sociais e solidárias. É portanto fundamental reconhecer e apoiar a criação de laços cada vez mais fortes entre a economia, sustentabilidade e as finanças solidárias.

2 - É necessário resgatar o papel da FAO dentro do sistema ONU de garantir o direito a alimentação  através  de recomendação de incremento da produção de alimentos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária também como forma de promoção de outro modelo de desenvolvimento, com trabalho e justiça frente ao aumento do desemprego no mundo.

3 - Temos que dar maior importância política e  coerência prática na  construção material do Fórum Social Mundial, garantindo cada vez maior participação de empreendimentos solidários, de agricultura familiar local, de materiais de baixo impacto ambiental, entre outros, na infra-estrutura das  edições futuras  do FSM..

4 - Recomendamos a criação de uma articulação de organizações que atuam com tecnologias da informação / mídias livres para elaborar uma solução tecnológica via web que permita intercâmbios econômicos solidários locais e internacionais com base em sistemas já existentes.

5 - Na construção das futuras edições do FSM, reconhecendo o aporte da Economia Social e Solidária no seio desta globalização da solidariedade, recomendamos que o território da Economia Social e Solidária fique próximo geograficamente às grandes temáticas, na construção dos territórios através das afinidades.

6 - Defendemos o apoio e mobilização pelo projeto de Lei da Merenda Escolar Brasileiro, que garante que pelo menos 30% da merenda seja comprada de empreendimentos locais da agricultura familiar e de Economia Solidária, o que implica numa ação estratégica na defesa da segurança alimentar e nutricional, e de outro modelo de desenvolvimento: local, solidário, sustentável e culturalmente diverso.

7 – Propomos o lançamento de uma campanha mundial por compras públicas e pelo consumo ético e responsável de produtos e serviços da Economia Solidária e Agricultura Familiar, além de denunciar os danos e impactos que advém do consumo de produtos das empresas capitalistas e corporações multinacionais.

8 – Nos somamos aos demais movimentos sociais de todo o mundo em suas lutas pela dignidade humana, o bem-viver, a emancipação dos povos e a transformação do atual modelo de desenvolvimento.




>¡Sé el Bello 51 de People en Español!
¡Es tu oportunidad de Brillar! br>Sube tus fotos ya http://www.51bello.com/

CARTA ABERTA: ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NÃO É MERCADORIA


CARTA ABERTA

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NÃO É MERCADORIA

SOBERANIA ALIMENTAR

Foi com grande indignação que nós, Camponeses e Camponesas, Agricultores e Agricultoras Familiares, Assentados e Assentadas da Reforma Agrária, Quilombolas, Indígenas, Educadores e Educadoras, Profissionais e Pesquisadores de Saúde e Nutrição, Organizações da Sociedade Civil dos mais diferentes setores, Cidadãos e Cidadãs, comprometidos(as) com a luta pela SOBERANIA e SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL em nosso país, recebemos a publicação no dia 28 de janeiro de 2009 da Medida Provisória no 455 que "Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica"

O PL sobre Alimentação Escolar, encaminhado em 2008 pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional e aprovado sem alterações pela Câmara Federal, foi fruto de um amplo debate na sociedade civil, desde setores da Agricultura Camponesa e Familiar até setores que envolvem merendeiras, professores, pais e alunos, profissionais e pesquisadores de saúde e nutrição e integrantes de instâncias do controle social que em um esforço democrático e coletivo construíram uma proposta que representa um passo decisivo no fortalecimento da Agricultura Camponesa e Familiar, na geração de trabalho e renda no meio rural e na melhoria da qualidade da alimentação escolar em todo o país. O texto original previa que do total dos recursos financeiros do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) repassados pelo FNDE, no mínimo 30% (trinta por cento) deveria ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios DIRETAMENTE da Agricultura Familiar e do empreendedor familiar, priorizando os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais Indígenas e comunidades Quilombolas. O texto também apresentava limites, claramente definidos, contra a terceirização da Alimentação Escolar a favor de empresas privadas. A terceirização da alimentação escolar conforme é desejo de alguns governantes virá propiciar a monopolização deste mercado pelas grandes empresas que hoje controlam o abastecimento agroalimentar, a aquisição, o fornecimento e o preparo de refeições coletivas em nosso país.

À revelia de todo esse esforço coletivo e participativo, o governo assinou uma Medida Provisória, encaminhada pelo Ministério da Educação com alterações que violam a essência do texto anterior, colocando no centro da proposta apenas a disponibilidade da alimentação escolar, desconsiderando questões muito caras a sociedade como qualidade, processamento e origem do alimento.

Foi excluído o parágrafo que impede a terceirização e que assegurava que "A aquisição, o preparo e a distribuição da alimentação escolar deverão ser realizados por ente público". Essa atitude traduz o compromisso expresso que o governo tem com setores das empresas de distribuição de refeições que empurram goela abaixo todas as porcarias imagináveis aos nossos jovens e crianças. A Alimentação Escolar como parte integrante do processo pedagógico da escola pública não pode ser objeto de comércio. Terceirizar a Alimentação Escolar é abrir portas para a privatização do ensino público. Além disso, não podemos permitir retrocessos na legislação permitindo que sejam cometidas, no presente, as aberrações que aconteciam no passado, quando alimentos formulados de baixa aceitação pelos alunos e alheios aos seus hábitos alimentares eram predominantes nos cardápios da merenda escolar.

Embora garanta a possibilidade de aquisição de, no mínimo, 30% da Agricultura Camponesa e Familiar, o texto da MP condiciona essa aquisição a:

- Apresentação do documento fiscal pelo fornecedor – no caso os Agricultores e Agricultoras

- Fornecimento regular e constante dos gêneros alimentícios

- Não ter nenhum problema de logística para fornecer os produtos

Todas as condições acima deveriam ser consideradas como o início de um processo, uma vez aprovada a Lei, a ser desencadeado entre os gestores do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) e a Agricultura Camponesa e Familiar, visando à construção de capacidades para a entrada neste importante mercado institucional. E não o contrário, ou seja, que tais condições sejam colocadas como critérios de exclusão ao programa. É notória a dificuldade que estes produtores têm para a comercialização de sua produção. Essas condições representam a contradição com o anúncio de políticas que esse governo tem feito para a Agricultura Camponesa e Familiar, pois inviabiliza a participação desse segmento na maioria dos municípios. Desconsidera também que nesse país os Agricultores não tem acesso ao Bloco do Produtor(a), sendo restrito a alguns estados. Em muitas regiões não se tem disponibilidade de produção o ano todo como na região Nordeste, onde não se tem estradas ou transportes em condições adequadas. Portanto essa Medida Provisória nº 455 exclui, mais uma vez, a grande maioria dos Agricultores (as), Assentados, Indígenas e Quilombolas desse país e reafirma o pacto e o compromisso do Governo Federal com o Agronegócio Brasileiro.

Com estas mudanças, praticamente todos os setores envolvidos saem prejudicados:

- Os estudantes, que deixarão de receber uma alimentação saudável baseada em alimentos básicos, variados e frescos, como frutas, legumes e verduras produzidos localmente. Com a diminuição da qualidade a alimentação tenderá a priorizar alimentos industrializados, de baixo teor nutricional, ricos em gordura, sal e açúcar e com cardápios descolados dos hábitos alimentares regionais.

- A comunidade escolar, uma vez que a incorporação de alimentos localmente produzidos e fornecidos diretamente pela Agricultura Camponesa e Familiar aos cardápios das escolas, ajuda a fortalecer as relações da escola com as comunidades de seu entorno, constituindo-se, também, em um componente de uma ação pedagógica voltada à educação alimentar.

- Os Camponeses e Camponesas, Agricultores e Agricultoras Familiares, Indígenas e Quilombolas que enfrentarão inúmeras dificuldades no acesso a este mercado institucional através de suas organizações, correndo ainda o risco de se tornar fornecedores como integrados das grandes empresas.

- A população que vive nos territórios rurais, pois, conforme tem sido amplamente demonstrado nas experiências que vêm sendo desenvolvidas em todo o país pelo Programa de Aquisição de Alimentos(PAA), o mercado institucional configura-se como um mecanismo estruturador e dinamizador de sistemas locais de abastecimento, melhorando as condições de acesso aos alimentos pelo conjunto da população.

- Os Governos Municipais, pois a aquisição de alimentos localmente produzidos pela Agricultura Camponesa e Familiar contribui para o desenvolvimento dos municípios e para a melhoria da arrecadação.

Pelo exposto os signatários deste manifesto conclamam a todos os que lutam pela SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL bem como os setores organizados da sociedade brasileira a mobilizarem-se, urgentemente, contra as medidas legislativas que dificultam o fortalecimento da Agricultura Camponesa e Familiar ao mercado institucional do Programa Nacional da Alimentação Escolar.

Subscrevemos:

ABRANDH – AÇÃO BRASILEIRA PELA NUTRIÇÃO E DIREITOS HUMANOS

ANA – ARTICULAÇÃO NACIONAL DE AGROECOLOGIA

FASE – FEDERAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA A ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCACIONAL

FBSAN – FORUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

MAB – MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS

MMC BRASIL – MOVIMENTO DAS MULHERES COMPONESAS

MPA BRASIL -MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES

MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA

SASOP – SERVIÇO DE ASSESSORIAS A ORGANIZAÇÕES POPULARES RURAIS

APNS – AGENTES DE PASTORAL NEGROS DO BRASIL.


AFRO-BLOG'S