terça-feira, 31 de março de 2009

Aos que fingem não entender a metáfora “gente branca de olhos azuis”

“Essa crise não foi gerada por nenhum negro, índio ou pobre. Essa crise foi feita por gente branca, de olhos azuis”. Estas 21 palavras foram pronunciadas pausadamente pelo presidente Lula em coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown. Todo mundo viu pela televisão.

Colunistas alvoroçados trataram de enxergar nelas uma ponta de preconceito ou discriminação racial às avessas. Nada disso. A grande imprensa local e internacional tratou de difundir que as expressões de Lula causaram constrangimento às autoridades britânicas. É bem provável. E que diante de tão altos dignitários mancharam a honra e a credibilidade do país além de cobrir o governo brasileiro de vergonha. É o que eles especulam.

Na verdade, a metáfora de Lula, de ínfimos 21 vocábulos, vale mais que um daqueles grandiloquentes e loquazes manifestos. Vou mais além: é a síntese moderna de um tratado de sociologia e política que as massas entendem e que define claramente os lados em disputa no atual cenário internacional.

Hipérbole? A imprensa internacional deste domingo, 29 de março, traduziu à perfeição a “gente branca de olhos azuis”. O conceituado The New York Times, nos dias que antecedem o G-20 de Londres, abriu manchete para a sua longa análise: ‘Capitalismo anglo-americano em julgamento’ Alertou que Obama vai enfrentar um mundo desafiador. “Os americanos viajavam por Brasil, India, China dando lição de moral sobre a necessidade de abrir e desregular mercados. Agora essas políticas são vistas como os réus do colapso”. Por sua vez o Huffington Post, o mais importante jornal da Internet, escancarou: “Lula: nós rejeitamos a fé cega nos mercados”. acrescentando: “Brazil’s president: White, Blue-eyed Bankers have brought world economy to the knees”, ou, “Presidente do Brasil: Banqueiros de olhos azuis fizeram a economia mundial dobrar os joelhos”. O Financial Times, catecismo dos economistas de todos os quadrantes, estampou: “O comentário de Lula diante de Gordon Brown “ressalta o risco de confronto entre os emergentes e os países mais ricos.” E para que não reste dúvidas, o prestigioso jornal inglês, The Observer trombeteou em título de página dupla: “’Blue-Eyed Bankers prompt G20 divide’”, ou seja, “’Banqueiros de olhos azuis’ levam o G20 à divisão’”.

Não precisaria explicar, mas Lula foi explícito na Cúpula de Líderes Progressistas reunida em Viña Del Mar, Chile, no dia seguinte, diante de personalidades como Joseph Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, Gordon Brown, Michele Bachelet, Jose Luiz Zapatero, Cristina Fernández de Kirchner, Tabaré Vázquez e Jens Stoltenberg, premiê da Noruega. O nosso presidente ao ler seu discurso incomodou, constrangeu como gostam de dizer nossos ínclitos comentaristas, o senhor Biden e outra vez o prime minister Brown, defendendo vigorosamente um Estado forte, aduzindo que o mundo está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia mundial em um gigantesco cassino. “Desemprego, pobreza, migração, desequilíbrios demográficos e ambientais, são problemas que requerem respostas economicamente coerentes, mas sobretudo responsáveis. Isto não é possível sem Estado forte”. Em outro momento, abandonando o texto escrito e. tendo abraçado o improviso, abriu coração e mente. Registrou a mudança de época vivida em nossa região, fazendo enfática defesa dos governos de esquerda: “A América Latina passa por uma poderosa onda de democracia popular, encabeçada por segmentos historicamente deserdados e marginalizados que encontram lugar em uma sociedade mais solidária. Muitos de nossos países [como a Venezuela, a Bolívia e o Equador] precisaram ser praticamente refundados institucionalmente com a aprovação popular de novas Constituições.”

A grande mídia internacional e local, repercutindo os interesses e os valores da ‘gente branca de olhos azuis’, pode ter reagido incomodada, constrangida, molestada, irritada com a metáfora de Lula. Mas os povos da Ásia, da África, da América Latina e os próprios trabalhadores dos países desenvolvidos da Europa e América do Norte, se e quando tomarem conhecimento da frase, se sentirão contemplados ao sentir no fundo da alma a verdade que ela encerra, porque sofreram e sofrem da exploração, da humilhação, da injustiça social, do desemprego, da pobreza, da miséria.

Estou exagerando? Tomo emprestado trecho da reportagem do jornalista Clovis Rossi da Folha de S. Paulo presente na marcha de protesto contra a crise deste domingo, 29 de março, em Londres, às vésperas da cúpula do G20, sob o lema central “put people first”, as pessoas em primeiro lugar. “O menino negro de olhos negros veste andrajos, segura a pasta executiva símbolo do Tesouro britânico e reclama: “Eles ajudaram a salvar os bancos e o ‘big business’. Agora é hora de que ajudem a salvar a vida de crianças”.

Max Altman
30 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense

 

CONVITE

 

Ao _______________________________________________________________________

 

Região Sul Fluminense, 14 de março de 2009

 

Prezados(as),

 

O presidente Lula anunciou, no Fórum Social Mundial, a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, uma antiga luta do Movimento pela Democratização da Comunicação. O decreto presidencial oficializando a convocação da Conferência é esperado para breve. Ele deverá ser seguido por portaria regulamentadora do Ministério das Comunicações, que detalhará calendário, etapas, organização e critérios de participação na Conferência. Entretanto, há uma proposta de calendário indicando que as etapas municipais e/ou regionais deverão acontecer até 22/06/2009, as estaduais até 15 de setembro e a nacional em dezembro (1, 2 e 3/12/2009).

 

A Conferência deverá ter caráter amplo e democrático, abrangendo representações do governo, da sociedade civil e empresários. Ela será nacional, mas deverá contemplar, no mínimo, etapas regionais e estaduais, quando haverá discussão do tema, apresentação de propostas e eleição de delegados. Os objetivos do evento são, dentre outros, identificar os principais desafios relativos ao setor da comunicação no Brasil, fazer um balanço das ações do Poder Público na área e propor diretrizes para as políticas públicas de comunicação.

 

Extremamente concentrada e tratada como mercadoria, na imensa maioria das vezes a serviço da ideologia dominante, a comunicação de massa tem sido utilizada freqüentemente como instrumento de criminalização dos movimentos sociais.  Cresce, entretanto, a defesa da Comunicação como direito humano, principalmente no tocante à soberania nacional, liberdade de expressão, inclusão social, diversidade cultural e religiosa, questões de gênero, raça e opção sexual, convergência tecnológica e a regionalização da produção.

 

Há quase dois anos funciona a Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação, com representantes de várias entidades e movimentos nacionais da sociedade civil organizada.  Aqui no RJ, funciona desde o primeiro semestre de 2008 uma Comissão RJ Pró-Conferência, composta por entidades e movimentos fluminenses. É urgente e necessária a criação de uma Comissão Pró-Conferência da Região Sul Fluminense.

 

Até a realização das etapas da Conferência, caberá aos movimentos sociais organizados conscientizar e mobilizar a população sobre a sua importância. Esse processo, para ter sucesso, deverá envolver muito além dos profissionais e entidades ligadas à Comunicação.  Ele precisará contar com a participação efetiva do conjunto da sociedade civil organizada, a maior interessada na democratização da Comunicação no país.

 

É com esse objetivo que convidamos a sua entidade a participar e apoiar a divulgação da reunião, promovida pelo Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense, que pretende reunir profissionais de Comunicação, rádios e outros veículos de comunicação comunitários e alternativos, representantes de movimentos populares, sindicais, estudantis, culturais e sociedade civil em geral da Região Sul Fluminense, e acontecerá no próximo dia 28 de março de 2009, sábado, das 14 às 18 horas, no Plenário da Câmara Municipal de Volta Redonda, sito à Avenida Lucas Evangelista, Aterrado.

 

Programação:

14 h - Recepção e credenciamento

14h30 - Painel: Conferência Nacional de Comunicação: o que é, quem participa e importância
Expositores: Membros da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação do RJ
15h30 - Esclarecimentos e debate

16h15 – Café
16h30 - Plenária:
Mobilização dos movimentos sociais, calendário de atividades, Conferência Regional e organização da Comissão Pró-Conferência de Comunicação do Sul Fluminense
18h00 - Encerramento

 

Cordialmente,

Fórum de Mídia Livre do Sul Fluminense

Contatos e mais informações pelo e-mail midiainsana@gmail.com  ou pelos telefones (24) 8802-5565 - José Roberto (Maninho); (24) – 9976-7742 - Leslie; (24) 9828-1840  - Lívia; (24) 9918-2329 – Alvaro Britto.




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A Teologia da Libertação se propaga, apesar do veto do Vaticano

Roma incorre na profunda ilusão de acreditar que com seus documentos doutrinários emitidos por burocracias frias e distantes da vida concreta dos fiéis conseguirá frear a Teologia da Libertação. Ela nasceu ouvindo o grito dos pobres e hoje a comove o grito da Terra.


* Leonardo Boff

Desde seu início, ao final dos anos 60, a Teologia da Libertação adotou uma perspectiva global, focada na condição dos pobres e oprimidos no mundo inteiro, vítimas de um sistema que vive da exploração do trabalho e da depredação da natureza. Esse sistema explora as classes trabalhadoras e as nações mais fracas. Além disso, reprime aqueles que oprimem e, portanto, contrariam seus próprios sentimentos humanitários. Em uma palavra, todos devem ser libertados de um sistema que perdura há pelo menos três séculos e foi imposto a todo o planeta.

A Teologia da Libertação é a primeira teologia moderna que assumiu este objetivo global: pensar o destino da humanidade desde a condição das vítimas. Em consequência, sua primeira opção é comprometer-se com os pobres, a vida e a liberdade para todos. Surgiu na periferia das Igrejas centrais, não nos centros metropolitanos do pensamento consagrado. Por essa origem, sempre foi considera como suspeita pelos teólogos acadêmicos e principalmente pelas burocracias eclesiásticas e especialmente pela da Igreja mais importante, a católica-romana.

A partir de sua cunha na América latina, a Teologia da Libertação passou para a África e se estendeu para a Ásia e também a setores do primeiro mundo identificados com os direitos humanos e a solidariedade aos despossuídos. A pobreza entendida como opressão revela muitos rostos: o dos indígenas que desde sua sabedoria ancestral conceberam uma fecunda teologia da libertação indígena, o da teologia negra da libertação que ressente as marcas dolorosas deixadas nas nações que foram escravagistas, o das mulheres submetidas desde a era neolítica à dominação patriarcal, dos trabalhadores utilizados como combustível da maquinaria produtiva. A cada opressão concreta corresponde uma libertação concreta.

A questão teológica de base que até agora não terminamos de responder é: como anunciar um Deus que é um pai bondoso em um mundo repleto de miseráveis? Só tem sentido se implica a transformação deste mundo, de maneira que os miseráveis deixem de gritar. Para que uma mudança semelhante tenha lugar eles próprios têm que tomar consciência, organizar-se e começar uma prática política de transformação e libertação social. Como a grande maioria dos pobres em nossos países era formada por cristãos, tratava-se de fazer da fé um fator de libertação. As igrejas que sentem herdeiras de Jesus, que foi um pobre e que não morreu de velho, mas sim na cruz como consequência de seu compromisso com Deus e com sua justiça, seriam as aliadas naturais deste movimento de cristãos pobres.

Esse apoio ocorreu de fato em muitas igrejas nas quais houve bispos e cardeais proféticos como Helder Câmara e Paulo Evaristo Arns no Brasil, Arnulfo Romero em El Salvador e muitos outros, assim como numerosos sacerdotes, religiosas e religiosas e laicos comprometidos politicamente.

Em razão de sua causa universal, já no início dos anos 70 a Teologia da Libertação era um movimento internacional e convocava verdadeiros fóruns teológicos mundiais. Estabeleceu-se um conselho editorial integrado por mais de cem teólogos latinoamericanos para compilar uma sistematização teológica em 53 volumes, desde a perspectiva da libertação. Já tinham sido publicados 13 volumes quando o Vaticano interveio para abortar o projeto. O então cardeal Joseph Ratzinger foi rigoroso. Cortou pela raiz um trabalho promissor e benéfico para todas as igrejas periféricas e especialmente para os pobres. Passará à história como o cardeal – e depois Papa – inimigo da inteligência dos pobres.

A Teologia da Libertação criou uma cultura política, Ajudou a formar organizações sociais como o Movimento dos Sem Terra, a Pastoral Indígena, o Movimento Negro e foi fundamental na criação do Partido dos Trabalhadores no Brasil, cujo líder, o presidente Lula, sempre se reconheceu na Teologia da Libertação.

Hoje em dia, essa teologia transcendeu os limites confessionais das Igrejas e se converteu em uma força político-social. Além de Lula, identificam-se publicamente com a Teologia da Libertação o presidente Rafael Correa, do Equador, o presidente (e ex-bispo) Fernando Lugo, do Paraguai, o presidente Daniel Ortega, da Nicarágua, o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, e o atual presidente da Assembléia das Nações Unidas, o sacerdote nicaragüense Miguel de Escoto. Sua força maior não reside na cátedra dos teólogos, mas sim nas inumeráveis comunidades eclesiais de base (só no Brasil existem cerca de cem mil), nos milhares e milhares de círculos nos quais se lê a Bíblia no contexto da opressão social e nas chamadas pastorais sociais.

Roma incorre na profunda ilusão de acreditar que com seus documentos doutrinários emitidos por burocracias frias e distantes da vida concreta dos fiéis conseguirá frear a Teologia da Libertação. Ela nasceu ouvindo o grito dos pobres e hoje a comove o grito da Terra. Enquanto os pobres continuarem lamentando-se e a Terra gemendo sob a virulência produtivista e consumista, haverá mil razões para sentir o chamado de uma interpretação libertária e revolucionária dos evangelhos. A Teologia da Libertação é a resposta a uma realidade injusta e salva a Igreja central de sua alienação e de um certo cinismo.


* Leonardo Boff é teólogo e escritor.




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Crise e novidade

A juventude latino-americana no cenário internacional

 

A crise internacional será o centro das atenções em 2009 e nos próximos anos. Duas constatações iniciais são fundamentais para iniciar as discussões sobre o assunto.

A primeira é de que a crise atual já é a mais profunda e mais extensa desde a crise de 1929, afinal ocorre em um momento histórico sem paralelo de máxima expansão e hegemonia do modo de produção capitalista, o que, junto com o fato de ter surgido no centro do sistema capitalista, contribui para que seus impactos sejam sentidos – de diferentes formas – em todo o planeta. A segunda é de que será de longa duração, uma vez que não há, nem haverá no curto prazo, um poder político capaz de manejar deus desdobramentos e alcançar soluções – pelo contrário, assistimos ao esgotamento das instituições de Bretton Woods, o declínio da hegemonia estadunidense e a desmoralização do neoliberalismo. A crise acelera essa tendência de um mundo em transição, da hegemonia unipolar para a multipolaridade.

Trata-se de uma crise sistêmica do capitalismo, não apenas do mercado financeiro. Ou seja, ainda que a farra e o parasitismo especulativo tenham contribuído para gerar esta crise e determinar algumas de suas características, isto é apenas uma parte do problema. É uma crise clássica de realização do capital, que evidencia a contradição entre a capacidade cada vez maior de produção social e a capacidade cada vez menor de consumo da sociedade. Uma contradição intrínseca de um sistema cuja tendência é aumentar a exploração e diminuir o emprego de força de trabalho. Deste modo, amplia-se a produção de mercadorias, mas a mais-valia nelas contida é contraída. A estabilidade econômica do sistema dependeria da compra massificada destes produtos para a realização dos lucros e da acumulação capitalista, o que não é alcançado justamente porque centenas de milhões de pessoas não têm condições de contribuir com este consumo, nem mesmo para atender suas necessidades básicas cotidianas.

Esta crise não somente desmascara a ideologia neoliberal como também evidencia que o modo de produção capitalista gera crises periódicas e sua vigência é resultado de uma opção política e social movida por interesses de classe, e que, portanto, pode ser transformado. A disputa sobre quem pagará a conta da crise é um bom exemplo de que a evolução e os desdobramentos da crise dependerão da luta de classes em cada país, bem como do confronto de interesses entre diferentes Estados e blocos de países – aqueles que saírem mais rápido e em melhores condições estarão mais bem posicionados para influenciar o novo sistema de poder mundial e o seu caráter.

Deste duplo movimento dependerá a arquitetura do mundo pós-crise e o futuro do capitalismo: a natureza de classes de um possível ciclo de crescimento e desenvolvimento em países periféricos, o modelo do rearranjo da ordem internacional (conservador ou progressista), a possibilidade das contradições políticas evoluírem para rupturas e novas tentativas de construção do socialismo em alguns países etc.

Cabe lembrar, no entanto, que a burguesia, em que pese o abalo político que sofreu e a (pequena) diminuição em suas taxas de lucro, permanece forte, hegemônica e dominante. Nos países centrais, tem conseguido orientar as ações de Estado para que salvem suas propriedades privadas e investimentos (ainda que com pouco sucesso). Nos países periféricos, tem obtido êxito em ocupar espaços, preenchendo lacunas deixadas pelos países centrais profundamente abalados pela crise para alcançar uma posição mais cômoda na futura ordem pós-neoliberal.

A reestruturação produtiva do ciclo de expansão neoliberal do capitalismo globalizado induziu a uma imensa desagregação dos trabalhadores – jovens em sua maioria –, em que enormes contingentes passaram da condição de assalariamento ao desemprego, à informalidade e, inclusive, à margem do processo de reprodução do capital. Neste cenário, a entrada dificultada no mercado de trabalho, cuja influência na juventude é reforçada pelo ciclo vicioso da inexperiência – não conseguem emprego por conta da inexperiência e sem conseguir trabalhar não adquirirem experiência –, impacta sobre um enorme contingente de jovens que iniciam sua inserção profissional.

Os impactos das demissões em massa que já estão em curso serão sentidos com mais intensidade entre os jovens, uma vez que nas relações de trabalho são os que menos têm garantia de direitos e cuja demissão é menos onerosa aos empresários, tanto do ponto de vista econômico quanto político: os jovens geralmente são os que têm menos tempo de trabalho nas empresas e, em alguns casos, menos responsabilidades no sustento familiar em comparação com adultos.

Como resultado, pode se avizinhar um período de ondas migratórias de jovens desempregados dentro de cada país e entre países em busca de oportunidades, somando-se à intensificação do êxodo rural devido à falta de perspectivas dos jovens do campo, impactados pela expansão do agronegócio sobre as unidades familiares de produção.

No que se refere à educação, os impactos da crise já podem ser sentidos pelos jovens, seja com o corte de gastos públicos com o setor seja com as demissões e atrasos salariais de professores na rede privada. Assim, até mesmo a famigerada falta de qualificação dos jovens – responsabilizados individualmente por um problema estrutural de desemprego – sofre abalos diretos.

Quanto à cultura, além dos possíveis contingenciamentos dos orçamentos dos governos para garantir sua produção, acesso e fruição, a crise mantém intacta a influência dos monopólios de comunicação, propagadores da cultura de massas de dominação ideológica das classes dominantes: a competição capitalista e a necessidade de manter o consumo em níveis satisfatórios obrigam as empresas a continuar investindo em propaganda, que, em última análise, sustenta a receita da grande mídia.

Entendendo o trabalho, a educação e a cultura como pilares fundamentais no processo de busca da emancipação e autonomia que caracteriza a condição juvenil, estamos diante da possibilidade – caso a conta da crise recaia sobre a classe trabalhadora – de nos deparar com uma geração de jovens ainda mais marcada pelo pessimismo, em que a falta de horizontes é uma constante e a tendência de condições de vida piores que seus pais ser cada vez mais real.

Todo este cenário nos leva à conclusão de que a juventude ocupa uma posição estratégica na luta pelo socialismo. Primeiramente, como principal afetada tanto pelo modelo neoliberal de reprodução do capital que proporcionou esta crise quanto pelos seus impactos imediatos, este segmento da população é submetido a condições objetivas que podem se desdobrar no interesse em transformar suas próprias realidades.

Em segundo lugar, como alternativas a uma crise sistêmica devem ser igualmente sistêmicas, será necessária a superação das debilidades teóricas e políticas da esquerda e dos socialistas, ainda em defensiva estratégica e impactados pela crise do campo socialista do último quartel do século XX. Não podemos pensar neste desafio sem considerar o papel da juventude hoje e amanhã. Lembremos que a atual geração de jovens militantes foi forjada em um período de duro questionamento do socialismo como alternativa concreta ao capitalismo, rebaixamento programático da maioria da esquerda, perda de referencial teórico entre os socialistas e muita confusão ideológica. O multiculturalismo – ideologia do neoliberalismo – não dei alternativas para a juventude, pregou o fim da história e o fim da possibilidade de construção de uma alternativa. Fragmentou a juventude e dissipou valores individualistas, imediatistas e espontaneístas. Colocou a emacipação individual como única capaz de superar sua atual condição de vida. Superar nossas debilidades exige, portanto, entre outras medidas, uma atenção redobrada à questão geracional e à juventude e que a renovação de quadros se dê sobre as melhores tradições do movimento socialista internacional, do socialismo cientifico e no calor das lutas sociais.

Soma-se a questão da juventude, a posição estratégica ocupada pela América Latina no cenário mundial, que se deve, sobremaneira, ao acúmulo de forças político, social e institucional que a esquerda obteve no último período, como resultado das fortes lutas antiimperialistas e anti-neoliberais. Concretamente, este avanço possibilitou a indução, em alguns países, de modelos de desenvolvimento das forças produtivas distinto do tipo neoliberal. Ocorre que, apesar da crise recolocar no horizonte estratégico a ruptura como caminho ao socialismo, essa posição inédita que a esquerda latino-americana ocupa não confere, de imediato, aos socialistas a capacidade de apresentar e implementar alternativas sistêmicas ao capitalismo.

A integração entre os povos, nações e Estados latino-americanos se coloca como pilar fundamental tanto para o enfrentamento imediato à crise econômica quanto para a construção de uma nova arquitetura da ordem internacional que não se limite a uma recomposição neokeynesiana do capitalismo, mas se paute por construir um novo modo de produção orientado pelo atendimento das necessidades humanas, que respeite os limites e os recursos naturais do planeta e de defesa da soberania dos povos e nações.

Para cumprir com esta tarefa, é de grande contribuição a participação ativa da juventude como atores políticos. Pensar e refletir sobre o papel das juventudes latino-americanas no processo de integração continental e construção de alternativas à crise internacional é o principal desafio que se coloca para os movimentos sociais, partidos políticos e governos progressistas e de esquerda da região.

Ao apontar a realização do I Encontro da Juventude do Foro de São Paulo, em agosto, na Cidade do México, os partidos de esquerda latino-americanos acertam e abrem a possibilidade para que a posição estratégica que os jovens ocupam no tabuleiro possa ser aproveitada na construção do socialismo frente a tantos desafios e adversidades.

Sobretudo, o período de crise se destaca pela abertura de possibilidades e oportunidades. Se é certo que não podemos falar de juventude como sinônimo de novidade, tampouco poderemos construir uma nova sociedade sem a juventude.

 

 Rodrigo Cesar é coordenador de relações internacionais da JPT

Ticiana Álvares é diretora de solidariedade internacional da UJS




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sexta-feira, 13 de março de 2009

Pesquisa divulgada pelo IBGE demonstra discriminação racial no Brasil

Dados da Pnad mostram que pretos e pardos têm piores condições de educação, renda e expectativa de vida

redação Época

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou, nesta sexta-feira (28), a Síntese dos Indicadores Sociais no período entre 1996 e 2006. Elaborada, em sua maior parte, com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a pesquisa traz dados sobre aspectos demográficos, estado civil, infância e cor no país.

Uma das revelações mais importantes do estudo demonstra o preconceito vigente no país. Apesar dos avanços na educação – maior presença da população em escolas de ensino fundamental e médio –, o analfabetismo entre pretos e pardos é o dobro do que entre brancos.

Em 2006, entre cerca de 14,4 milhões de analfabetos brasileiros, mais de 10 milhões eram pretos e pardos. As taxas de analfabetismo para a população de 15 anos ou mais de idade foram de 6,5% para brancos e de mais que o dobro, 14%, para pretos e pardos. A taxa de analfabetismo funcional segue a mesma diferença: entre brancos, 16,4%, para pretos, 27,5%, e para pardos, 28,6%.

O mercado de trabalho também reflete o problema da discriminação racial no Brasil. Segundo dados do IBGE, brancos ganham, em média, 40% a mais do que pardos e pretos com a mesma escolaridade. Os pretos e pardos representam 73% da população mais pobre do país e 12% entre os mais ricos – os brancos representam 26% entre os mais pobres e 86% entre os de maior renda.

As condições de vida refletem-se na expectativa de vida de pretos e pardos. Entre brancos, 11,7% das pessoas ultrapassam os 60 anos de idade. Entre os pretos e pardos, o percentual cai para 8,6%.

Número de filhos por mulher cai, mas taxa de gravidez entre adolescentes sobeEmbora a taxa de fecundidade das mulheres continue diminuindo, na média nacional, a pesquisa traz um dado preocupante. Entre as adolescentes de 15 a 17 anos, aumentou a ocorrência de gravidez. Em 1996, eram 6,9% da população. No ano passado, o índice era de 7,6%.

Mais mulheres são chefes de famíliaEntre as principais revelações do estudo está o número de mulheres que se declararam chefes de família. De dez anos para cá, elas passaram de 10,3 para 18,5 milhões em todo o país. Cerca de 31% das famílias em que a mulher era a pessoa de referência viviam com rendimento mensal até meio salário mínimo per capita. Nas famílias com “chefia” masculina, esse percentual era de 26,8%.

Nas famílias sustentadas por mulheres, a taxa de ocupação dos filhos é maior: 44,1% contra 40,3% nas chefiadas por homens.

Apesar disso, diminuiu em 1 milhão o número de crianças trabalhando. Na faixa de 10 a 15 anos, a queda foi de 3,6 para 2,5 milhões. Ainda assim, a pesquisa mostrou que, no ano passado 235 mil adolescentes entre 10 e 17 anos trabalhavam nas ruas.

Saneamento não chega a 40% da populaçãoSegundo a pesquisa do OBGE, 61,5% dos domicílios brasileiros têm saneamento completo, com abastecimento de água, rede de esgoto e serviço de coleta de lixo. Na região Norte do país está o pior índice, de 10,5%.

Confira aqui a íntegra da pesquisa do IBGE.

domingo, 8 de março de 2009

 
8 de março: jovens mulheres em luta!

 

Thalita Coelho*

 

            Apesar da participação das mulheres em importantes momentos da história da humanidade, as nossas lutas ainda são marcadas por uma quase invisibilidade na história oficial. Mesmo assim, o 8 de março é um dia para celebrar a luta das operárias têxteis de Nova Iorque em greve por melhores condições de trabalho em 1909/1910, as mulheres russas que lutavam por paz, pão e terra - e inauguraram a revolução de 1917, além de tantas outras batalhas e lutas mais recentes que contam com a participação das jovens feministas.

 

         Nos últimos tempos, o movimento de mulheres, através de muitas lutas e reflexões, conseguiu introduzir o debate sobre a meta da igualdade de gênero nos debates políticos do país, com avanços mais claros nos debates sobre políticas públicas específicas. Mas quando fazemos essa análise com um recorte geracional, percebemos que não houve grandes avanços.

 

        A discussão para políticas públicas e até mesmo das especificidades das jovens mulheres ainda é muito recente e não obteve êxito na construção de uma singularidade entre a condição da mulher e a condição juvenil. E por ser um debate ainda muito incipiente, ainda está muito restrito a construção de políticas públicas específicas e dentro destas, voltadas a políticas de saúde, como a prevenção à gravidez na adolescência.

 

         Esse avanço tornou-se cada vez mais necessário e visível com o crescimento do debate a respeito da condição juvenil. O reconhecimento da importância desse segmento, a juventude, para a construção de outro modelo de nação e para contribuir como sujeitos de direitos nas soluções de problemas enfrentados pelo país, tal como um segmento que precisa de políticas específicas, contribui sobremaneira para tirar da invisibilidade o recorte geracional no debate de gênero.

 

       Da população juvenil no país, de acordo com os dados do IBGE, dos/as jovens de 15 a 29 anos, 50,2% são do sexo feminino. O Censo Demográfico de 2000 revela ainda, que, na média, desde 1991, as mulheres continuam em vantagem sobre os homens no que diz respeito à escolarização. E essa vantagem é ainda maior entre as jovens, pois enquanto os homens de 15 a 24 anos têm em média 6,7 anos de estudo, as mulheres têm 7,4 anos. Além disso, já somos a maioria nas universidades e representamos 51,6% da População Economicamente Ativa (PEA).

 

         Outro importante avanço é percebido na atuação política das mulheres jovens. Cada vez mais é possível perceber a participação de jovens atuando em movimentos sociais, organizações juvenis, movimento estudantil, partidos políticos e em outras formas organizações.

 

        Mas esses avanços da participação e das lutas das jovens mulheres ainda são fortemente marcados pela forte presença histórica do machismo e de preconceitos na sociedade brasileira. No contexto geral, as mulheres ainda se encontram em uma situação econômica menos privilegiada no país e sendo vítimas de grandes violações que perpetuam a ideologia machista e fortalecem a existência no Brasil das desigualdades com origem nas relações estruturadas nas diferenças de gênero.

 

       A prova disso é que mesmo com mais anos de estudo que os homens e compondo mais da metade da PEA, ainda são as mulheres a receberem os menores salários; a percentagem de mulheres jovens que declaram não estudar e não trabalhar é maior que a dos homens jovens; as mulheres jovens ainda encontram-se mais confinadas em suas casas, tendo menos acesso à escola e ao trabalho. De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo,entre as jovens de 18 a 24 anos, 42% declararam já ter sofrido alguma forma de violência; além da maior incidência de aborto inseguro ser realizado por mulheres com idade entre 20 e 35 anos; e segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, as maiores vítimas do tráfico para fins de exploração sexual são as jovens, predominantemente as negras de 17 (15%) e de 23 anos(9%).

 

         Esses dados demonstram a necessidade real e urgente de travar um debate de gênero considerando o recorte geracional, essencial para compreensão dessa população, que carrega consigo a carga pesada de sofrer preconceitos, acentuados quando são mulheres jovens negras, lésbicas, moradoras do campo ou pobres.

 

        O 8 de março, construído muito antes da atual geração de jovens feministas, precisa ser um momento de fortalecer essa reflexão,tanto quanto sobre a necessidade de avanço nesse recorte geracional no debate de gênero e no entendimento das suas especificidades, quanto, e para mim prioritariamente, avançar na auto-organização das mulheres jovens, de forma que possamos avançar na compreensão desse novo momento que vivenciamos e das nossas tarefas atuais.

 

        Compreender que as relações de gênero não são meramente uma questão biológica, como não é o debate sobre a condição juvenil, mas que se dá por uma construção social que determina a masculinidade e a feminilidade e , a partir daí, estabelece papéis na sociedade, deve ser uma das grandes tarefas para avançar no sentido da superação da desigualdades presentes atualmente nas nossas relações.

 

        Portanto, jovens mulheres, bandeiras em punho, que o 8 de março marcado por lutas em defesa de um mundo com justiça e igualdade entre homens e mulheres nos espera.

 

 

*Thalita Coelho é militante da Juventude do PT, membro da Direção Nacional da Articulação de Esquerda/PT e atualmente é assessora da Coordenadoria de Promoção dos Direitos da Juventude no Governo do Pará.
 

 Thalita Coelho
(91)8139-7406/9130-0654



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Pastoral da Terra pede a Deus que nos livre de Gilmar Mendes

"Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos" (MT 23,24)
 

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

 

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses.

 

No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que "invadem" propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

 

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.

 

Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, "faltam só dois anos para o fim do governo Lula"... e não se pode esperar, "pois estamos falando de mortes" nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

 

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

 

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

 

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o "progresso", embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo.

 

Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

 

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: "Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo" (MT 23,23-24).

 

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

 

Goiânia, 6 de março de 2009.

 

Dom Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges, Presidente da Comissão Pastoral da Terra




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Rosa Luxemburg: judia, polonesa, socialista, revolucionária... também feminista?


Por que homenagear Rosa Luxemburg no Dia Internacional da Mulher, uma vez que é notório seu desprezo pela questão feminina, e não sua amiga Clara Zetkin, a feminista de carteirinha da esquerda alemã? Enquanto esta, na linha dos marxistas clássicos, pensava que o fim da desigualdade entre os gêneros só ocorreria com o advento do socialismo que emanciparia todos os oprimidos, inclusive as mulheres, Rosa Luxemburg, que não se deteve na questão feminina, foi poupada das críticas que as feministas endereçaram à esquerda tradicional. Algumas feministas alemãs chegaram mesmo a inspirar-se na sua teoria da acumulação do capital para desenvolver uma concepção original a respeito da opressão das mulheres. Desse ponto de vista, Rosa Luxemburg teria uma contribuição teórica a dar ao movimento feminista. Mas, para além desse aspecto, existe, a meu ver, uma outra dimensão que também leva Rosa a ter voz no capítulo. Sua luta incansável para se construir como mulher livre no plano pessoal e político, exposta em detalhes na vasta correspondência com os amigos e namorados, é um exemplo que ainda hoje nos sensibiliza e faz pensar.
 Rosa tem 27 anos quando chega a Berlim em 1898 para trabalhar no Partido Social-Democrata Alemão, a mais importante organização de trabalhadores daquela época. O que queria a jovem judia polonesa, cuja carta de apresentação era tão-somente uma tese de doutorado defendida em Zurique sobre o desenvolvimento industrial na Polônia? A resposta é simples: nada menos do que fazer política em pé de igualdade com os maiores teóricos do partido. Essa meta ela alcança em pouco tempo. Dotada de uma inteligência fulgurante e de uma energia sem limites, Rosa torna-se rapidamente conhecida na socialdemocracia alemã ao investir contra o velho e respeitado teórico do partido, Eduard Bernstein, que, embora amigo dos fundadores do marxismo, não hesita em fazer uma revisão da teoria marxista que despencava no mais puro reformismo. A jovem estudiosa e seguidora ortodoxa da obra de Marx não teme enfrentar a hierarquia da organização, dando assim o primeiro passo no caminho a que se tinha proposto: construir-se como mulher independente, tanto no plano político, quanto pessoal.
 Mas aqui as coisas eram um pouco mais difíceis. Para começo de conversa, Rosa não era bonita: um metro e 50 de altura, cabeça desproporcional, nariz grande e um problema no quadril que a fazia mancar. Numa época em que o andar elegante era um dos principais atributos femininos, ela quase sempre conseguia disfarçar essa deficiência por meio do autocontrole e da roupa feita sob medida. Rosa, que certamente sofria com isso, se protegia na medida do possível com a auto-ironia, dizendo preferir empregadas altas e fortes, com medo de que quem fosse visitá-la acreditasse ter chegado a uma casa de anões. Segundo a biógrafa Elzbieta Ettinger (Rosa Luxemburgo, Zahar, 1986), esse defeito físico foi determinante em sua vida, levando-a a forjar uma excepcional força de vontade e a tornar-se, a título de compensação, primeiro, aluna modelo, depois, oradora, polemista, jornalista e intelectual brilhante.
 As razões para que a fundadora e líder da socialdemocracia polonesa e líder da ala esquerda da socialdemocracia alemã ainda exerça tamanho fascínio sobre nós não são apenas suas idéias políticas libertárias, mas também o fato de que, sendo mulher – o que faz toda a diferença –, e mulher mergulhada na vida política, ela se recusa a sacrificar a felicidade individual à carreira. Porém, neste ponto, acabou se frustrando. Na juventude insistia com Leo Jogiches (também fundador da socialdemocracia polonesa e o grande amor de sua vida durante 15 anos) para ter uma vida "normal": casar, ter filhos etc. E, junto com isso, dedicar-se à política. Mas Leo era o revolucionário típico, "durão", acostumado à luta política clandestina e à conspiração. Unir prazer e dever era algo que não estava nos seus planos, se acreditarmos nas eternas reclamações de Rosa, que o censurava por só pensar na "causa". De temperamentos muito diferentes, a relação entre os dois, depois dos primeiros meses, foi uma fonte contínua de tensões e desavenças, e ela sentia-se infeliz. Segundo Charles Rapoport, que conhecia bem os dois, "Rosa era sentimental e apaixonada, romântica e sensível ao extremo. Talvez Jogiches, no fundo do coração, se parecesse com ela, mas, grande conspirador, soube tão bem esconder sua sensibilidade que mal podia encontrá-la para manifestá-la exteriormente".
 A ruptura veio em 1906. Sobre as razões exatas que levaram a isso só nos resta conjeturar. A versão mais divulgada (inclusive pelo filme de Margarethe von Trotta) é que durante a Revolução Russa de 1905, quando Leo estava em Varsóvia e Rosa, em Berlim, ele teria tido um caso com uma militante. Na versão de Ettinger, que parece a mais plausível quando acompanhamos a evolução do relacionamento pela correspondência, foi Rosa quem rompeu ao apaixonar-se por Costia Zetkin, o filho mais novo de sua amiga Clara Zetkin. Apaixonou-se porque internamente já estava afastada de Leo, o homem unilateralmente consagrado à causa. Entretanto, o contato político entre eles durou até o fim da vida. Durante os quatro anos de guerra, quando Rosa ficou presa, Jogiches teve um papel importante na organização do movimento spartakista e, posteriormente, na Revolução Alemã de novembro de 1918, sempre na sombra. Quando Rosa foi assassinada, com o apoio (pelo menos passivo) da socialdemocracia no poder, em 15 de janeiro de 1919, Jogiches, "fiel e sólido como a rocha", assumiu como tarefa descobrir os culpados. Isso não durou muito: também ele seria brutalmente assassinado no dia 10 de março.
 Rosa, diferentemente de Leo, não tinha nenhuma inclinação especial para a clandestinidade, as seitas revolucionárias, o segredo; grande oradora e jornalista, o seu era um combate público contra todas as formas de opressão, tanto social quanto individual. E é como militante política, como combatente na arena pública, que Rosa enfrenta – e vence intelectualmente – os preconceitos arraigados na socialdemocracia alemã. Nessa medida, ela rompe com o tradicional papel feminino de esposa e mãe, ou mesmo, num outro patamar, de secretária do marido. Não podemos esquecer que ela sofre de vários handicaps para a ultraconservadora Alemanha da época – é mulher, judia, polonesa e revolucionária.
 Rosa era de fato uma figura singular na sociedade imperial alemã, dominada pelo autoritarismo e o patriarcalismo que contaminavam a própria socialdemocracia, razão para que fosse extremamente discreta sobre sua vida privada. Tanto que Leo Jogiches nunca apareceu publicamente como seu companheiro; muito menos Costia Zetkin, com quem manteve um relacionamento amoroso cuidadosamente escondido de seus convencionais companheiros de partido; e menos ainda a relação com Paul Levi, que só se tornou conhecida em 1983, muito tempo depois da morte de ambos, quando a família dele tornou pública a correspondência com Rosa Luxemburg. E havia motivos para tanta discrição.
 Os ataques contra a mulher começaram cedo no ambiente machista da esquerda da época, que temia sua independência de espírito e sua língua mordaz: o socialista austríaco Victor Adler chamou-a de "idiota venenosa"; quando ela foi nomeada redatora-chefe de um importante jornal socialdemocrata e enfrentou quase uma rebelião dos colegas jornalistas que duvidavam de sua competência pelo fato de ser mulher; seus companheiros de partido ao se referirem a ela falavam em "materialismo histérico"; para Lênin, Rosa era uma águia que ocasionalmente voava mais baixo que uma galinha. Seus assassinos fizeram questão de vilipendiá-la como mulher: depois de espancada, levou um tiro na cabeça, foi enrolada em arame farpado e jogada nas águas do canal Landwehr. Só pôde ser enterrada meses mais tarde, numa cerimônia acompanhada por milhares de pessoas, quando o corpo, quase irreconhecível, foi identificado a duras penas por sua secretária Mathilde Jacob. Recentemente na Alemanha, quando o governo de esquerda de Berlim propôs construir um monumento em sua homenagem, entre críticas de todos os tipos, voltaram à cena os ataques contra a mulher, desta vez mais sutis: Rosa nunca recebeu uma proposta de casamento dos amantes, nem realizou o desejo de ter filhos. Quem questionaria um homem dessa maneira, apelando para sua vida privada?
 Para concluir, uma rápida menção às feministas alemãs inspiradas em Rosa.1 Segundo essa leitura, em suas obras de economia política, A acumulação do capital e Introdução à economia política, Rosa não compartilha da crença no progresso, comum na socialdemocracia do seu tempo, mas, ao contrário, enfatiza o lado violento da expansão capitalista que leva à destruição das culturas primitivas, distinguindo-se assim de seus companheiros homens, Marx, bolcheviques, socialdemocratas. Es¬tes encaram como positivo o desenvolvimento capitalista com seus aliados naturais, a grande indústria e o desenvolvimento técnico, vendo tal processo como uma etapa necessária no caminho da humanidade em direção ao socialismo. Para Rosa, em contrapartida, cuja tese sobre o imperialismo tem no centro a idéia de que o capitalismo só pode desenvolver-se anexando – com violência – as formações sociais não-capitalistas, o capitalismo traz apenas destruição. Estas formações sociais não-capitalistas, que antes eram as colônias, abarcam hoje setores como a saúde, a educação, a criatividade intelectual, os recursos ambientais, a cultura, e, segundo as feministas, o trabalho das mulheres no âmbito doméstico.
 Com toda certeza, Rosa ficaria feliz por ter deixado uma obra mais brilhante e duradoura que a da grande maioria de seus companheiros homens. Mas, para nós mulheres, o mais estimulante ainda hoje é o fato de ela ser uma intelectual revolucionária que vê a sociedade do ponto de vista feminino; e, além disso, a preservação dos registros pessoais em que ela, no decorrer dos anos, relata sua penosa construção como mulher independente contribui para nosso próprio autoconhecimento, dando-nos força para lutar contra os limites que continuam nos sendo impostos e que acabamos por introjetar. F
 
 

Por Isabel Loureiro




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sexta-feira, 6 de março de 2009

II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial será lançada em Brasília
A II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR) será lançada na próxima quinta-feira (12/03) em cerimônia no Salão Oeste do Palácio do Planalto. A solenidade vai marcar o início da grande mobilização que precederá a Conferência. Na ocasião serão distribuídos exemplares do Caderno de Subsídios, produzido pela SEPPIR, e do Regimento Interno da II CONAPIR. Os documentos são fundamentais para a realização das conferências estaduais e regionais responsáveis pela eleição dos delegados à Conferência Nacional, que acontecerá entre os dias 25 e 28 de junho, em Brasília.

Estas publicações estão disponíveis na página da SEPPIR na internet. Para visualizar clique no banner da II CONAPIR.

Após o lançamento, ainda na quinta-feira, serão realizados encontros setoriais com representações nacionais de quilombolas, mulheres, juventude e religiosos de matrizes africanas.

Conferência – A II CONAPIR será uma oportunidade para ampliar o diálogo e a cooperação entre órgãos e entidades governamentais e não governamentais de promoção da igualdade racial, na qual deverão ser apontados possíveis ajustes nas políticas de igualdade ora em curso, e fortalecidas as relações das mesmas com as políticas sociais e econômicas em vigor.   A expectativa é que participem mais de mil e quinhentos delegados.

 

"A única coisa que temos a dizer é: Todo o poder aos SOVIETS!".

Tirai vossas mãos deste poder, vossas mãos tingidas com o sangue dos mártires da liberdade que lutaram contra os guardas brancos,

latifundiários e a burguesia.

 

 Izvestia de Kronstadt nº 6, 7 de março 1921

 




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quinta-feira, 5 de março de 2009

Mulheres; Somos nós por nós mesmas.
Por: Fabiana Franco

O mês de março é considerado um marco na luta pela emancipação das Mulheres. Nós do Movimento Feminista Brasileiro, da América Latina do Caribe e da Diáspora a anos estamos trilhando uma intensa luta para que as políticas para as mulheres se caracterizem no viés da prevenção da violência, e no empoderamento de todas as Mulheres, e não da repressão como alguns setores equivocadamente fazem.

Quando falamos de empoderamento trazemos um debate político da necessidade das mulheres estarem ocupando e resistindo nos espaços de decisões políticas. Pois somente com a representação política e que setores historicamente marginalizados da sociedade conseguiram ter suas vozes ouvidas. Não existe democracia enquanto vozes cotidianamente continuam a serem silenciadas e negligenciadas.

Os inimigos estão por todos os lados rodeando, com discussões falaciosos para tirarem de vez, direitos já conquistados. É inadmissível, por exemplo, que continuem a nos obrigarem a sermos mães. Fatos como o da menina de nove anos estuprada pelo padrasto em Alagoinha, Pernambuco, e grávida de gêmeos cujo aborto em caso de estupro é legal mais uma fez enfrentou a resistência da igreja católica como principal adversário tentando inclusive tentando impedir o aborto e ameaçando ir à Justiça, mesmo tento conhecimento dos riscos enfrentados por essa menina se continuasse à gravidez, a mesma não tento ainda seus órgãos formados, sendo que essa gravidez não passaria de mais um castigo e uma oposição para aquela vitima de violências e abusos por criminosos que violou a inocência e destruir a infância de uma refém de um sistema violador e desumano.

Em momento algum quiseram ajudar essas e muitas outras crianças, adolescentes e mulheres que são vitimadas dentro de seus próprios lares, espaços esses onde as mesmas poderiam está seguras. A sociedade como um todo enxerga a mulher como um objeto e se sente autorizada a falar e continuar obrigando a seguir o que em especial os homens acham que pode ou não ser melhor para nos.

Esse fato da menina de Recife não é um fato isolado. A mãe foi favorável e autorizou o aborto enquanto que o pai queria que a menina que tem 1,33m, e pesa 36 kg e mantive a gravidez de alto risco.

As igrejas que em sua maioria são formadas por homens cujo pensamento machista, androcêntrico e fundamentalista, é um pensamento dominado por todos os fundamentalistas, um exemplo nítido é a palhaçada da CPI contra o ABORTO, com tantas coisas para esses supostos políticos se preocuparem como, por exemplo, as suas praticas corruptas que vitimam bilhões de brasileiras e brasileiros eles se sentem com liberdade para continuar escravizando e martirizando mulheres.

Temos que lutar mais incisivamente a cada dia pela LAICIDADE do ESTADO, pois é inadmissível que praticas religiosa continuem a serem postas como modelo único para a sociedade.

O mais interessante é o discurso que esses setores conservadores e fundamentalistas utilizam: “Em defesa da vida”, mas é em defesa da vida de quem? Todos os dias meninas, adolescentes e mulheres morrem nas filas dos hospitais públicos decorrente de abortos clandestinos, o ministro da saúde em parceria com o presidente Lula declararam que: “O Aborto é uma questão de saúde pública”. A igreja se posiciona contraria a distribuição dos preservativos e da pílula do dia seguinte. O que ta posto não é a banalização do sexo, mas também a liberdade e autonomia para cada um e uma fazer o que bem queria e entenda de seus corpos e de suas vidas.

Nesse oito de março para além de caminhar sem rumo e de festejar, é necessário refletir os avanços e os retrocessos das políticas públicas para as mulheres.

Os avanços somente aconteceram se forem feitos de baixo pra cima, é preciso um sentimento coletivo de enfrentamento político e revolucionário. Essa data é uma data especial para gritarmos não! Não as violações contra todas as Mulheres!

O estupro, a pedofilia, o aliciamento e todas as outras formas e praticas de violações devem ser considerados crimes hediondos.

Queremos um mundo livre e humano para todas e todos, e que nenhum setor com suas praticas e ações conservadoras se intrometam e queiram impor suas praticas e condutas religiosas para a sociedade.

Queremos uma sociedade justa, humana e verdadeira. E temos o dever e a obrigação de discutir e construir um outro mundo possível e libertário.

Fabiana Franco.
A proposta de ruptura      
Escrito por Wladimir Pomar   
02-Mar-2009

 

Em princípio, esta é uma proposta sedutora, principalmente se voltada para superar o modelo de produção capitalista. O ideal, para sua realização, seria que o capital houvesse esgotado, tanto nos países centrais quanto no Brasil e demais países em desenvolvimento, sua capacidade de reprodução, que as burguesias já não mais tivessem a capacidade de continuar hegemonizando e dominando seus povos e que as grandes massas trabalhadoras não se dispusessem mais a viver como até então. Teríamos aí aquilo que alguns teóricos do passado chamavam de "situação revolucionária".

 

Porém, uma análise séria da crise atual ainda não consegue comprovar que o capital tenha esgotado sua capacidade de reprodução. O maremoto causado pela atual crise, cujo epicentro está localizado no Atlântico Norte (EUA e UE), vai atingir e fazer estragos em outros países dessa parte do Atlântico, assim como ao Sul (México, Américas Central e do Sul e África Ocidental), e suas ondas de choque chegarão ao Pacífico e Índico (Américas do Sul e Central, África Oriental e Ásia).

 

No entanto, muitos dos países dessas áreas periféricas estão com uma capacidade de recuperação que não existia na grande crise de 1929, nem na de 1999. Por um lado, desenvolveram sua musculatura industrial e seu mercado interno. Por outro, seus governos, assim como as próprias corporações estrangeiras que atuam em seus territórios, possuem uma capacidade de pressão, inexistente alguns anos atrás, para furar o protecionismo e tirar partido dos programas de recuperação econômica dos países centrais. Portanto, em termos estritamente econômicos, o capital ainda tem espaços consideráveis de reprodução.

 

Uma análise, também séria, sobre a capacidade de as burguesias ainda hegemonizarem e dominarem seus povos não mostra, pelo menos por enquanto, que elas tenham perdido tal capacidade. Apesar das dificuldades para enfrentar a "filosofia" de que o mercado é capaz de resolver todos os problemas, e para adotar até mesmo as medidas capitalistas keynesianas, mais eficazes para recompor os empregos e os mercados domésticos, as burguesias estão manobrando com certa eficácia para descarregar a culpa sobre seus operadores financeiros e salvar os demais setores, contando para isso com o apoio de muitos setores dos trabalhadores.

 

Também não há sinais evidentes de que as massas trabalhadoras e populares já tenham chegado ao ponto em que se convenceram de que não há mais nada a perder e tudo a ganhar. Na grande maioria dos países mais afetados pela crise ainda não há mobilizações sociais massivas, nem mesmo para reivindicar empregos. Numa situação como essa, não é por acaso que o Fórum Social Mundial pareça ainda estar passando momentos idênticos aos preliminares de formação da I Internacional.

 

Assim, a ruptura deverá se apresentar como constrangimento, em algum estágio da história. Afinal, o capital está cada vez mais criando seus próprios limites. No entanto, tal necessidade ainda não explodiu como inadiável. Por outro lado, a crise atual recoloca a ruptura como perspectiva estratégica. Joga por terra certas teorias em voga, de que o capital e seu mercado haviam se tornado capazes de gerenciar seu desenvolvimento e impedir a erupção de crises devastadoras.

 

Tendo em conta o desenvolvimento das contradições das sociedades capitalistas dos EUA e da UE, assim como dos novos países capitalistas emergentes, o problema consiste em estimar quanto tempo a crise atual levará para ser superada, e a que custo, e quando será a próxima, e qual seu grau. A não ser, é dialético, que a história, como já ocorreu no passado, resolva aprontar alguma de suas peças.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.




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