quinta-feira, 5 de março de 2009

Mulheres; Somos nós por nós mesmas.
Por: Fabiana Franco

O mês de março é considerado um marco na luta pela emancipação das Mulheres. Nós do Movimento Feminista Brasileiro, da América Latina do Caribe e da Diáspora a anos estamos trilhando uma intensa luta para que as políticas para as mulheres se caracterizem no viés da prevenção da violência, e no empoderamento de todas as Mulheres, e não da repressão como alguns setores equivocadamente fazem.

Quando falamos de empoderamento trazemos um debate político da necessidade das mulheres estarem ocupando e resistindo nos espaços de decisões políticas. Pois somente com a representação política e que setores historicamente marginalizados da sociedade conseguiram ter suas vozes ouvidas. Não existe democracia enquanto vozes cotidianamente continuam a serem silenciadas e negligenciadas.

Os inimigos estão por todos os lados rodeando, com discussões falaciosos para tirarem de vez, direitos já conquistados. É inadmissível, por exemplo, que continuem a nos obrigarem a sermos mães. Fatos como o da menina de nove anos estuprada pelo padrasto em Alagoinha, Pernambuco, e grávida de gêmeos cujo aborto em caso de estupro é legal mais uma fez enfrentou a resistência da igreja católica como principal adversário tentando inclusive tentando impedir o aborto e ameaçando ir à Justiça, mesmo tento conhecimento dos riscos enfrentados por essa menina se continuasse à gravidez, a mesma não tento ainda seus órgãos formados, sendo que essa gravidez não passaria de mais um castigo e uma oposição para aquela vitima de violências e abusos por criminosos que violou a inocência e destruir a infância de uma refém de um sistema violador e desumano.

Em momento algum quiseram ajudar essas e muitas outras crianças, adolescentes e mulheres que são vitimadas dentro de seus próprios lares, espaços esses onde as mesmas poderiam está seguras. A sociedade como um todo enxerga a mulher como um objeto e se sente autorizada a falar e continuar obrigando a seguir o que em especial os homens acham que pode ou não ser melhor para nos.

Esse fato da menina de Recife não é um fato isolado. A mãe foi favorável e autorizou o aborto enquanto que o pai queria que a menina que tem 1,33m, e pesa 36 kg e mantive a gravidez de alto risco.

As igrejas que em sua maioria são formadas por homens cujo pensamento machista, androcêntrico e fundamentalista, é um pensamento dominado por todos os fundamentalistas, um exemplo nítido é a palhaçada da CPI contra o ABORTO, com tantas coisas para esses supostos políticos se preocuparem como, por exemplo, as suas praticas corruptas que vitimam bilhões de brasileiras e brasileiros eles se sentem com liberdade para continuar escravizando e martirizando mulheres.

Temos que lutar mais incisivamente a cada dia pela LAICIDADE do ESTADO, pois é inadmissível que praticas religiosa continuem a serem postas como modelo único para a sociedade.

O mais interessante é o discurso que esses setores conservadores e fundamentalistas utilizam: “Em defesa da vida”, mas é em defesa da vida de quem? Todos os dias meninas, adolescentes e mulheres morrem nas filas dos hospitais públicos decorrente de abortos clandestinos, o ministro da saúde em parceria com o presidente Lula declararam que: “O Aborto é uma questão de saúde pública”. A igreja se posiciona contraria a distribuição dos preservativos e da pílula do dia seguinte. O que ta posto não é a banalização do sexo, mas também a liberdade e autonomia para cada um e uma fazer o que bem queria e entenda de seus corpos e de suas vidas.

Nesse oito de março para além de caminhar sem rumo e de festejar, é necessário refletir os avanços e os retrocessos das políticas públicas para as mulheres.

Os avanços somente aconteceram se forem feitos de baixo pra cima, é preciso um sentimento coletivo de enfrentamento político e revolucionário. Essa data é uma data especial para gritarmos não! Não as violações contra todas as Mulheres!

O estupro, a pedofilia, o aliciamento e todas as outras formas e praticas de violações devem ser considerados crimes hediondos.

Queremos um mundo livre e humano para todas e todos, e que nenhum setor com suas praticas e ações conservadoras se intrometam e queiram impor suas praticas e condutas religiosas para a sociedade.

Queremos uma sociedade justa, humana e verdadeira. E temos o dever e a obrigação de discutir e construir um outro mundo possível e libertário.

Fabiana Franco.

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