quinta-feira, 16 de abril de 2009

Crise Econômica e o combate ao Racismo

Helbson de Avila

Desde o ultimo mês do terceiro trimestre do ano de 2008, lideres e autoridades empresariais e governamentais tratam o momento e conjuntura econômica mundial como a pior crise econômica desde a de 1929. Esta, precedida pela bolha imobiliária norte-americana e escassez da liquidez monetária.

De fato trata-se de uma crise, entretanto, limitar um momento e uma conjuntura econômica a uma crise financeira é negar toda uma estrutura excludente de um sistema caótico desde o início de sua vigência, chegando várias vezes ao ápice com duas guerras mundiais, diversas crises estruturais, acirramento das concentrações de renda e riqueza e precarização das relações trabalhistas.

Em recente entrevista no encontro dos países mais ricos do mundo, o chamado G-20, o presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva afirmou que esta crise foi provocada por brancas e olhos azuis. Para os racialistas, essa afirmação vem carregada de um teor racista, porém deve-se levar em consideração a conjuntura histórica desta afirmativa. Ele (o presidente) conclui dizendo: “antes achavam que sabiam tudo e hoje vêem que não sabem nada”.

Para aquele que sofre na pele e derrama de forma incomum o suor de seu rosto compreenderá que durante toda esta Era desde a I Revolução Industrial nos fins do século XVIII, deu-se início a uma transição socioeconômica estrutural onde começava a sobrevalorizar o capital financeiro em detrimento dos demais fatores necessários a produção, a terra e trabalho. O que chamamos de capitalismo exacerbado. Tudo e todos têm preço e podem ser comprados, inclusive a dignidade do homem e da mulher.

A concentração e voraz saga em favor dessa devassa teoria do desenvolvimento trouxeram já nessa época um elevado número de desafortunados e despossuidores de sua própria vida. Dedicava compulsoriamente nada menos que 15 e 16 horas de trabalhos diários, causando um ciclo vicioso de causa/efeito da criação e concentração de conglomerados habitacionais sem a mínima infraestrutura básica. A chamada massa reserva que estariam e estão à disposição dos capitalistas para executarem os diversos trabalhos nas condições por eles estabelecidos, evidentemente, visando favorecer o lucro em detrimento das condições mínimas de segurança e saúde do trabalhador.

O mercantilismo, fase de transição entre o regime feudal e sistema capitalista, dá lugar ao chamado imperialismo. Esse atravessou os mares na busca de, entre outras coisas, mercado consumidor e terras. A migração dessas pessoas se deu, também, por outro motivo distinto. Estabelecer residência em terras pacíficas, em fuga das intensas guerras no continente de origem (Europa).

É passível de análise a postura da nova fase do imperialismo que nos dias atuais atende pela denominação de neoliberalismo. Impulsionado por um numero reduzido de países entendidos como desenvolvidos, acreditavam que podiam ditar as regras dos jogos para que os conhecidos como subdesenvolvidos e/ou não desenvolvidos seguissem a risca, por meio do FMI e Banco Mundial que colocavam a sua disposição recursos limitado. Juros relevantes e desregulação de seus mercados financeiros em favor das industriais multinacionais e transnacionais, o que beneficiavam e beneficiam os países desenvolvidos. Onde se justifica a fala do presidente brasileiro quando afirmou que não conhecia nenhum banqueiro negro e índio.

Em verdade, não devemos racializar as expressões, mas entender que a maioria das investidas contra a dignidade humana partiu quase sempre dos paises do hemisfério norte – Europa e EUA, contra os países do hemisfério sul – África e América Latina.

Uma constatação de grandes pensadores e pesquisadores da área econômica titulava o Brasil e outros países emergentes como país do terceiro mundo, o que na teoria significava e ainda hoje é bem relevante e pertinente tal situação que, este país optou por aderi às teorias capitalista em um tempo tardio.

Caracterizado pela dependência externa e a falta de estrutura básica interna, esses países até antes da constituição da CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, que desenvolveu estudo de viabilidade econômica a partir de si mesmo, era caracterizado como subdesenvolvido, sendo esta uma fase de transição e crescimento econômico. Porém, depois dos estudos ficou comprovado que, não se tratava de uma fase, mas de um estágio permanente sendo condição para que outros permanecessem em um patamar mais elevado, ou seja, desenvolvido e se beneficiando desta condição.

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