quarta-feira, 22 de julho de 2009

Teorias
Escrito por Wladimir Pomar
20-Jul-2009

A respeito da análise do socialismo com características chinesas, ou vietnamitas, alguns setores da esquerda aceitam as teorias a granel dos pensadores liberais. Segundo elas, a China e o Vietnã já teriam se tornado capitalistas, só faltando liquidar ou transformar seus partidos comunistas, assim como os Estados que eles comandam.


Essas teorias não aceitam que seja socialista um país que, em seu processo de desenvolvimento, utilize mercado, propriedade privada e integração ao mercado mundial capitalista, mesmo em combinação com planejamento estatal, propriedade estatal, propriedade coletiva, industrialização e agricultura familiar. Afirmam que essas aparências de socialismo estão, na verdade, subordinadas ao processo de expansão capitalista.


Se a China e o Vietnã houvessem afundado sob essa sopa aparentemente eclética, se seus partidos comunistas e seus Estados nacionais não continuassem afirmando estarem na fase inicial da construção socialista, e fizessem como os russos e europeus do leste, que admitiram o capitalismo como sua salvação, talvez não se devesse perder tempo com suas experiências.


No entanto, ao contrário dos países que seguiram a cartilha do Consenso de Washington, tanto a China quanto o Vietnã estão se transformando de países atrasados, durante boa parte do século 20, em países avançados e desenvolvidos. A China, em especial, que iniciou mais cedo as reformas em seu socialismo, está ingressando paulatinamente num estágio de país desenvolvido, enquanto o Vietnã evolui para se tornar um novo "tigre" asiático.


Além disso, para evitar que o uso dos mecanismos de mercado crie pobreza e miséria, os Estados chinês e vietnamita intervêm na economia e na sociedade, realizando os ajustes necessários para reequilibrar a distribuição da renda e proporcionar um crescente acesso de sua população aos bens materiais e culturais. Temos, então, um problema que afeta aos pensadores, tanto liberais quanto socialistas.


Aos primeiros, porque pode demonstrar a possível existência de uma economia de mercado não dominada pelo capital, embora com este presente. Isso explica, em grande parte, o sucesso da China e do Vietnã no enfrentamento da atual crise mundial, em especial em sua capacidade de criação de novos postos de trabalho e realocação dos desempregados. Mas deixa as teorias liberais em frangalhos.


Aos segundos, porque pode demonstrar que o socialismo é realmente um processo de transição para a superação do capitalismo. Suas funções básicas seriam: a) desenvolver as forças produtivas, inclusive com a utilização de formas de propriedade capitalistas; b) desenvolver mecanismos de redistribuição permanente da renda, de modo que o enriquecimento se estenda paulatinamente a toda a população; c) desenvolver a democratização política em consonância com a democratização educacional, cultural, econômica e social, de modo que o saber, a renda e a propriedade sejam de acesso universal.


Tudo isso deixa em transe certas teorias de socialismo igualitário, mas também do liberalismo.


Wladimir Pomar é escritor e analista político.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um novo mundo é possivel? Para Schirmmer não!!!!

Brasil. RS. Santa Maria. Capital da Economia solidária, Santa Maria prova que a reinvenção da economia tem mudado a vida de todos os seus habitantes, em poucos anos a solidariedade santamariense mostrou a beleza de um novo modelo de associativismo: a Economia Solidária.
A economia solidária em nossa cidade fez com que a comunidade repenssa-se as formas de combate a fome e encontrasse novas formas de inclusão social, as feiras solidárias, os catadores reciclando, não apenas materiais jogado fora, mas reciclando a cidadania, são alguns dos exemplos da efetividade deste tipo de economia.

Segundo Dom Hélio Hubert bispo diocesano de Santa Maria a economia solidária tem como finalidade promover, divulgar e fortalecer a rede de empreendimentos solidários e também autogestionários, atingindo a pessoa, a familia a comunidade e toda a sociedade. É importante pois abre para o aspecto comunitário, possibilitando mudanças de mentalidade o posicionamento perante a economia e um desenvolvimento que integra mais pessoas e grupos de modo especial os mais pobres e que de certa forma são marginalizados pela sociedade.

Para a irmã Lourdes Dill do Projeto esperança e cooesperança, a economia solidária é um movimento de construção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável e contrapõe o capitalismo, a globalização, a concentração de renda e a exclusão social.

A economia solidária é hoje devido ao governo LULA uma politica, através das SENAIs secretária nacional de economia solidária uma alternativa contra o desemprego estrutural, já que a economia solidária hoje organiza o trabalho e não o emprego, dentro deste viés o importante é produzir coletivamente, fazer a auto gestão de seu trabalho e dividir o fruto deste, diferente do capitalismo que concentra o lucro.

A feira da Economia solidária para o nosso ex prefeito da Cidade Valdeci Oliveira que sempre apoiou por entender que esta feira é a consolidação do cooperativismo ,é a consolidação de que é possivel a organização dos trabalhadores urbanos e rurais e que acredita que somente organizados de forma coletiva os trabalhadores poderão construir um novo mundo uma nova sociedade.

Nos dias, 10, 11, e 12 de Julho a Feira da economia solidária estava na agenda do mundo inteiro, já que Santa Maria recebe mais de 200 mil pessoas para participar deste evento.
A nova administração municipal, Schirmmer e Farret de posse de suas atribuições e utilizando a desculpa da Gripe H1n1, cancelou este evento, sendo que já tinham até mesmo autorizado legalmente a feira.

Vejo isto como um tiro no próprio no pé dessa direita fascista, já que nosso municipio atestou não dar conta de possiveis casos desta doença na cidade, os povos do mercosul já haviam sido desconvidados e comprenderam o receio da cidade em receber povos onde está doença já fez bastante vitimas. Mesmo assim a administração municipal boicotou a feira!
Um absurdo ja que este evento movimenta muita gente e projeta nossa cidade para o cenario mundial.

Se a administração barra a FEICOOP deveria barrar todos os outros eventos que terão acumulo de gente na cidade, a gripe é um fato consumado e de algum jeito estamos expostos a ela, mas ao municipio cabe dar conta deste problema de saúde já que ele vem se alastrando diaramente.
Sabemos que esta intervenção e o cancelamento da feira é uma jogada politica do prefeito atual, pois ele não respeita a organização do povo, não respeita os pequenos ele simplesmente passa por cima de um projeto que ja estava consolidado em nossa cidade.

O que vai acontecer? O minimo é a Feira da economia solidária rumar para outro municipio, muitos ja até convidaram por ser simpaticos a este projeto e esta nova visão de mundo, é a administração municipal tentando desfazer tudo de bom que a administração do PT construiu para o povo santamariense ao longo dos oito ultimos anos de governo do PT na nossa cidade.

Artigo publicado em: http://ofantasticomundodejuly.blogspot.com

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Teorias em subversão

Escrito por Wladimir Pomar
07-Jul-2009


Atravessamos, realmente, um momento sui generis. A nova crise capitalista, assim como as ambigüidades e os paradoxos dos países emergentes, embaralham tanto o raciocínio da esquerda quanto o da direita. Eles não se encaixam nas teorias liberais clássicas, nem nas teorias marxistas mecânicas. Os que leram Marx sob a ótica da lógica formal, e não da lógica dialética, não conseguem ver, em ambos os fenômenos, o processo combinado, mas contraditório, de desenvolvimento do capitalismo.



Apesar do terremoto econômico nos Estados Unidos e na Europa, os teóricos do capital se esmeram em reassegurar a eternidade da contínua revolução de seu modo de produção. Para eles, o capitalismo estaria "aplainando" o mundo sob sua égide, e o mercado ainda seria o santo milagroso capaz de sanar todos os problemas. Continuam achando que o estouro de mais uma crise de reprodução do capital, com seu epicentro localizado no coração do capitalismo mais desenvolvido, e sua salvação residindo no socorro do Estado e na maior regulamentação do sistema, não fará suas teorias rolarem ladeira abaixo.



Os grandes bancos norte-americanos e europeus, e as autoridades de seus países, acostumados a fazer críticas ácidas à fragilidade do sistema financeiro dos países em desenvolvimento, continuam tentando determinar os rumos do mundo. Sequer reconhecem que suas avaliações, em especial prevendo que o sistema financeiro chinês desabaria a qualquer momento, em virtude dos "créditos podres" que teria em carteira, demonstraram ser de uma inconsistência total.



Também não se acham responsáveis por terem tentado impor aos países emergentes, com base nesse diagnóstico furado, a privatização dos sistemas financeiros nacionais e a abertura total à ação dos bancos estrangeiros. Hoje, os governos que capitularam a essas pressões sofrem dificuldades maiores do que aqueles que, embora admitindo a existência de fragilidades em seus sistemas financeiros, procuraram superá-las tendo por base suas próprias instituições estatais.



De qualquer modo, não deixa de ser irônico que esses países em desenvolvimento tenham fortalecido seus sistemas financeiros, em parte aplicando algumas das medidas preconizadas pelos bancos e governos do capitalismo central, enquanto este sequer aplicou o que exigia dos demais. Com isso, tornaram ainda mais evidente o desenvolvimento desigual do capital e as dificuldades do capitalismo desenvolvido em contraste com o capitalismo dos países em desenvolvimento. Com a desvantagem de que o capitalismo dos emergentes cresceu como concorrente, e não como tributário, do capitalismo central.



Na tentativa de manter um mercado interno pujante, com um sistema de empréstimos sem sustentação num poder aquisitivo real, o setor financeiro norte-americano afundou, abalado por créditos podres de trilhões de dólares. O que empurra o capitalismo central para um ponto em que precisa discutir a contingência de sustentar aqueles que deveriam ser a base de sua reprodução.



Enquanto podia explorar livremente a periferia, o sistema do dinheiro fictício ainda funcionava sem grandes traumas. Porém, à medida que a periferia do capitalismo se tornou competidora, os problemas se agravaram. A solução momentânea de intervenção direta do Estado, mesmo subvertendo as teorias do liberalismo e do neoliberalismo, serão sempre um paliativo.



Afinal, o problema consiste em resolver a contradição entre a ampliação dos segmentos populacionais que não têm poder aquisitivo e a necessidade de realização da produção dessas corporações. Enquanto tal contradição estiver presente, a crise do capitalismo central continuará gerando surpresas, em especial para os que não leram Marx com atenção dialética.



Wladimir Pomar é escritor e analista político. 

CONNEB - RS

As Coordenações Executivas Estaduais do CONNEB.

Comunicamos aos estados que os mesmos têm até o dia 19 de julho de 2009 para realizarem as plenárias estaduais para retirada de delegados (as) a Assembleia Nacional do CONNEB/RS, que será realizada de 23 a 26 de julho de 2009, em Porto Alegre.

Faz-se necessário:

- Respeitar os critérios do regimento para realização de plenária;

- Ata da plenária;

- Lista de presenças;

- Nome completo e RG dos Delegados titulares e suplentes;

- passagem das informações até dia 20 de julho para o email: comunicacao. conneb.rs@ hotmail.com

- Taxa de inscrição de R$30,00 para delegados e R$15,00 para observadores.

Informamos que hospedagem e alimentação estão sendo providenciadas pela Comissão de Organização do evento e para isto necessitamos das informações exatas quanto ao número de delegados que estarão participando.

Sem mais,

Comissão de Comunicação CONNEB/RS

www.conneb.org.br

segunda-feira, 6 de julho de 2009

VERSÃO EM PORTUGUÊS DO TEXTO DA INDICAÇÃO DO PROFESSOR CLÓVIS BRIGAGÃO

Oslo, 2 de junho de 2009.


INDICAÇÃO DE ABDIAS NASCIMENTO AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ


De acordo com estatísticas oficiais recentes, os afrodescendentes constituem mais da metade da população brasileira de 180 milhões. Assim, o país hospeda a segunda maior população negra do mundo depois da Nigéria. Entretanto, no Brasil os negros não desfrutam de forma substantiva da vida real do país; antes ao contrário. As estatísticas oficiais demonstram que os negros ocupam os mais baixos escalões na educação e no emprego e têm acesso e oportunidades extremamente limitados à melhoria de suas condições de vida. Também sofrem de desigualdades severas nas áreas de saúde, habitação, ambiente, remuneração e reconhecimento cultural. Essas desigualdades persistem ao lado da recusa persistente da sociedade brasileira a reconhecer que as desigualdades são causadas em grande parte por discriminação racial. A elite brasileira alega que tais desigualdades são exclusivamente “sociais” (econômicas) e não raciais. Os membros dessa elite têm orgulho em promover a noção de que o Brasil tenha conseguido atingir uma “democracia racial” única que é uma lição ao mundo e um exemplo da não discriminação. Eles consideram a hierarquia de cor que valoriza e privilegia a brancura como apenas uma preferência estética sem nenhuma conotação racial. Essa distorção ideológica da realidade social já foi descrita como uma espécie de Sortilégio da Cor.


Os negros têm contestado essa versão, demonstrando que as políticas raciais brasileiras vêm conduzindo à exclusão dos negros dos benefícios da sociedade brasileira e à negação, na prática, de seus direitos civis e humanos. Abdias Nascimento é um dos primeiros lideres do movimento social contra essa exclusão. Ele lutou pelos direitos dos descendentes africanos no Brasil. Participou da Frente Negra Brasileira na década dos 1930 e em 1944 ele criou o Teatro Experimental do Negro, que organizou eventos seminais de direitos civis como a Convenção Nacional do Negro (1945-46) e o Congresso Nacional do Negro Brasileiro (1950). Ele foi um dos mais importantes advogados da Negritude e dos movimentos pan-africanos; foi em grande parte graças aos seus esforços que o mundo africano, e o mundo em geral, passou a considerar de forma critica os contornos da discriminação racial no Brasil.


Como parlamentar, Abdias Nascimento apresentou os primeiros projetos de lei que definiam a discriminação racial como crime e criavam mecanismos de ação afirmativa para mitigar o seu legado no Brasil. Ele trabalhou para desenvolver uma política de relações estrangeiras baseada na oposição ao regime do Apartheid, promovendo a descolonização dos países africanos e desenvolvendo relações positivas do Brasil com as nações africanas. Sua contribuição para o desenvolvimento de um currículo escolar que inclua a história e a herança cultural africanas tem sido consistente e inovadora desde a década dos 1940, quando ele organizava cursos de alfabetização e de cultura geral para os integrantes do Teatro Experimental do Negro, muitos dos quais inicialmente não sabiam ler e escrever. Esses cursos, e as outras iniciativas do TEN, exploravam a tradição africana na cultura brasileira e inovavam no seu desenvolvimento, trazendo ao plano principal , como protagonistas, a pessoa negra e sua personalidade.


Abdias Nascimento foi um pioneiro principal na resistência contra a intolerância, incluindo especificamente a intolerância religiosa. Ele lutou de forma consistente para promover o direito de praticar as religiões de origem africana, enfrentando a repressão policial e também a redução ideológica da dimensão espiritual dessas religiões, o desprezo por elas e sua consideração, na melhor das hipóteses, como folclore.


A rica obra de Abdias Nascimento abrange poesia, artes plásticas, produções dramaticas, pesquisas e publicações, constituindo um legado de enorme importância para os afrodescendentes e para toda a população brasileira. Os jovens encontram nas suas obras uma fonte de inspiração e de informação que alimenta o seu desenvolvimento como indivíduos e também o seu senso coletivo de identidade. Seu exemplo de ação cívica e de luta pela dignidade humana inspiram os brasileiros em geral. Assim, há todas as razões para que o Comitê do Prêmio Nobel da Paz possa considerar o seu nome como merecedor do Prêmio, assim homenageando os povos e as comunidades brasileiros, africanos e afrodescendentes e suas ancestralidades.


Atenciosamente,


Clóvis Brigagão

Diretor, Centro de Estudos das Américas (CEAs),

Instituto das Humanidades, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, Brasil

Fellow de Pesquisa, Instituto Nobel, Oslo, NO (April-June 2009)


ABDIAS NASCIMENTO, UMA BIOGRAFIA RESUMIDA


Abdias Nascimento é Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo, EUA, onde fundou a cátedra de Culturas Africanas no Novo Mundo do Centro de Estudos Portorriquenhos, Departamento de Estudos Americanos. Foi professor visitante na Escola de Artes Dramáticas da Universidade Yale (1969-70); Visiting Fellow no Centro para as Humanidades, Universidade Wesleyan (1970-71); professor visitante do Departamento de Estudos Afro-Americanos da Universidade Temple, Filadélfia (1990-91) e professor visitante no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade Obafemi Awolowo, Ilé-Ifé, Nigéria (1976-77).


Nasceu em março de 1914 em Franca, Estado de São Paulo, neto de africanos escravizados. Seu pai era sapateiro e músico; sua mãe doceira. Sua família era tão pobre que, mesmo sendo filho de sapateiro, passou a infância descalço. Trabalhou desde os sete anos de idade. Completou o segundo grau, com diploma em contabilidade, em 1928. Formou-se como economista pela Universidade do Rio de Janeiro em 1938. Fez pós-graduação no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), em 1957, e em Estudos do Mar (Instituto de Oceanografia, 1961).


Abdias Nascimento é Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade de Brasília, da Universidade do Estado da Bahia, e da Universidade Obafemi Awolowo em Ilé-Ifé, Nigéria.


Alistando-se no Exército, Abdias Nascimento saiu de Franca em 1929 e foi para a capital paulista, onde participou da Frente Negra Brasileira da década dos 1930. Foi organizador do Congresso Afro-Campineiro, que protestou contra a discriminação racial e discutiu as relações raciais na cidade de Campinas, interior do Estado de São Paulo, em 1938. Participou dos movimentos de protesto contra o regime do Estado Novo, o que lhe valeu uma prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional. Por resistir à discriminação racial na capital de São Paulo, foi preso na Penitenciária de Carandiru por dois anos. Em 1943, fundou naquela instituição o Teatro do Sentenciado, cujos integrantes, todos prisioneiros, criavam, ensaiavam e apresentavam seus próprios espetáculos teatrais; também ajudou a fundar o jornal dos prisioneiros.


Fundou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro, entidade que rompeu a barreira racial no teatro brasileiro. Foi a primeira entidade afro-brasileira a ligar a luta pelos direitos civis e humanos dos negros à recuperação e valorização da herança cultural africana. Denunciando a segregação no teatro brasileiro, sobretudo a prática de pintar atores brancos de negro para desempenharem papéis dramáticos, o TEN oferecia cursos de alfabetização e de cultura geral a seus integrantes: empregados domésticos, trabalhadores e operários, desempregados e funcionários públicos diversos. Formou a primeira geração de atores e atrizes negros e favoreceu a criação de uma dramaturgia que focalizasse a cultura e a experiência de vida dos afro-brasileiros.


Sob a liderança de Abdias, o TEN organizou a Convenção Nacional do Negro (Rio de Janeiro/ São Paulo, 1945-46), que propôs à Assembléia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-Pátria e uma série de medidas afirmativas anti-discriminatórias. O TEN realizou também a Conferência Nacional do Negro (Rio de Janeiro, 1949), e o 1o Congresso do Negro Brasileiro (Rio de Janeiro, 1950).


Abdias Nascimento foi um dos principais organizadores do Comitê Democrático Afro-Brasileiro, entidade que lutou pela libertação dos presos políticos do Estado Novo, e editou o jornal Quilombo: Vida, Problemas e Aspirações do Negro. À frente do TEN, ele organizou, ainda, exposições artísticas e concursos de beleza. O Concurso de Artes Plásticas sobre o tema do Cristo Negro, organizado pelo TEN, realizou-se na ocasião do 36o Congresso Eucarístico Mundial no Rio de Janeiro.


À frente do TEN, Abdias mantinha contato com os movimentos de libertação africanos e com o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Ele e os artistas e intelectuais associados ao TEN eram os principais, talvez os únicos, partidários no Brasil do movimento da Negritude liderado por Léopold Senghor, Aimé Cesaire e Léon Damas. Entretanto, eles foram excluídos da delegação oficial brasileira ao 1o Festival Mundial das Artes Negras (FESMAN), realizado no Senegal como afirmação internacional do Presidente Senhor do valor da cultura africana e da Negritude. A Carta Aberta a Dacar, escrita por Abdias Nascimento, denunciava o processo que levou a essa exclusão e foi publicada na prestigiosa revista Présence Africaine. Trata-se do primeiro protesto de um intelectual afro-brasileiro a ser ouvido por um público africano mundial contra a discriminação racial no Brasil.


Entre 1950 e 1968, Abdias Nascimento era o curador fundador do projeto de Museu de Arte Negra, iniciativa do Teatro Experimental do Negro em cumprimento de uma resolução do Congresso do Negro Brasileiro de 1950. A exposição inaugural se realizou no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, no ano de 1968.


Nesse período, Abdias atuava no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), principal força política de oposição ao regime autoritário instituído pelo golpe militar de 1964.


Pouco depois de inaugurar a exposição do Museu de Arte Negra, Abdias Nascimento viajou aos Estados Unidos, com apoio da Fundação Fairfield, com o objetivo de realizar intercâmbio entre os movimentos norteamericano e brasileiro de promoção dos direitos civis e direitos humanos da população negra. Alvo da repressão policial do regime militar, ele não pôde retornar ao país em razão das medidas autoritárias do Ato Institucional n. 5, promulgado em dezembro daquele ano. Durante 13 anos, viveu no exílio nos Estados Unidos e na Nigéria.


Durante esse período, Abdias Nascimento participou de inúmeros eventos do mundo africano e em outros organizados por entidades afro-americanos dos Estados Unidos. Assim, ele introduziu a população negra do Brasil ao palco da história africana mundial. Até então, os eventos internacionais africanos não incluíam quase nenhuma representação da América Central ou do Sul. Abdias Nascimento participou da reunião preparatória (Jamaica, 1973) e do 6o Congresso Pan-Africano (Dar-es-Salaam, 1974). Participou do Encontro sobre Alternativas do Mundo Africano e 1o Congresso da União de Escritores Africanos (Dacar, 1976), bem como do 1o e do 2o Congressos de Cultura Negra das Américas (Cali, Colômbia, 1977; Panamá, 1980). Neste último, foi eleito vice-presidente e coordenador do 3o Congresso de Cultura Negra das Américas.


Durante esse período de exílio, desenvolveu sua extensa obra de artista plástico, na maior parte pintura, que trabalha temas da cultura religiosa da diáspora africana e da resistência à escravidão e ao racismo. Suas telas foram largamente exibidas nos Estados Unidos em galerias, museus, universidades e centros culturais como o Studio Museum in Harlem, Universidades Yale e Howard, o Museu da Associação dos Artistas Afro-Americanos, o Museu Ilê-Ifé de Filadélfia, o Centro Cultural do Inner City de Los Angeles, e muitos outros (ver lista de exposições em anexo).


Em 1978, voltou ao Brasil e participou dos protestos e atos públicos e das reuniões de fundação do Movimento Negro Unificado contra o Racismo e a Discriminação Racial, hoje MNU. Também ajudou a criar o Memorial Zumbi, organização nacional que reunia entidades de promoção dos direitos civis e humanos da população negra de todo o pais; ele serviu como o seu presidente de 1989 até 1998.


Retornando definitivamente ao Brasil em 1981, fundou o Ipeafro – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, que organizou o 3o Congresso de Cultura Negra nas Américas (São Paulo, 1982) e o Seminário Nacional sobre 100 Anos da Luta de Namíbia pela Independência (Rio de Janeiro, 1984). Estes eventos foram as primeiras oportunidades em que o Brasil recebeu uma representação do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul e da Organização do Povo do Sudoeste da África (SWAPO) da Namíbia. O Ipeafro criou um dos primeiros cursos de preparação de professores para a introdução da história e da cultura africanas e afro-brasileiras no currículo escolar, o curso Sankofa que se realizou na Pontifícia Universidade Católica e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro no período de 1984 a 1995.


Durante o exílio, Abdias Nascimento trabalhou com Leonel de Moura Brizola para criar a organização que viria o Partido Democrático Trabalhista (PDT) do Brasil. Como resultado dos esforços pioneiros de Abdias, o partido incluiu a questão do racismo e da discriminação racial como prioridade no seu programa político nacional. Abdias Nascimento também liderou a organização do movimento negro dentro do partido. Entretanto, ele trabalhou de forma consistente para fazer da luta pelos direitos civis e humanos dos descendentes africanos uma causa supra-partidária e uma questão política nacional.


Candidato nas primeiras eleições do processo de abertura democrática (para governos estaduais e municipais e para o Congresso nacional), Abdias Nascimento assumiu em 1983 como primeiro deputado negro a defender a causa coletiva da população de origem africana no parlamento brasileiro. Na Câmara dos Deputados, ele introduziu projetos pioneiros de legislação anti-discriminatória e apresentou as primeiras propostas de ação afirmativa. Como integrante da Comissão das Relações Exteriores, ele propôs e articulou medidas contra o Apartheid, de apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul e ao movimento pela independência da Namíbia liderado por SWAPO, advogando o rompimento de relações com o regime sul-africano do Apartheid.


Como parlamentar brasileiro, Abdias Nascimento participou dos simpósios regionais e internacionais das Nações Unidas em apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência (San José, Costa Rica, 1983; Nova Iorque, 1984). Também foi um dos principais atores no processo de criação da Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura para assuntos afro-brasileiros, bem como na instituição do Dia Nacional da Consciência Negra, dia 20 de novembro, aniversário da morte de Zumbi dos Palmares. Com o tempo, esta data tornou-se feriado oficial em diversos municípios e Estados da Federação e hoje é reconhecido e comemorado em escolas e centros culturais em todo o país.


Em 1988, Abdias Nascimento proferiu a conferência inaugural da série W. E. B. Du Bois de palestras internacionais, organizado e patrocinado pelo Centro Cultural Pan-Africanos de Acra, Gana. No próximo ano, serviu como consultor da UNESCO para o desenvolvimento das artes dramáticas e do teatro angolano em Luanda. Participou da diretoria internacional do Festival Pan-Africano de Cultura (FESPAC) e do Memorial Gorée, ambos sediados em Dacar, Senegal. Ele também participou da diretoria internacional fundadora do Instituto dos Povos Negros, criado em 1987, pelo Governo de Burkina Faso com apoio da UNESCO.


Em 1991, Abdias Nascimento se tornou o primeiro senador afrodescendente a dedicar o seu mandato à promoção dos direitos civis e humanos do povo negro do Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Leonel de Moura Brizola, o nomeou titular da nova Secretaria de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Governo daquele Estado, posição que desempenhou até 1994.


Terminado o seu mandato no Senado Federal, em 1999, Abdias assumiu como primeiro titular da nova Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em 1995, foi eleito Patrono do Congresso Continental dos Povos Negros das Américas, realizado no Parlamento Latino-Americano em São Paulo, na ocasião do 3o Centenário da Imortalidade de Zumbi dos Palmares.


Com um comentário ao Artigo 4o da Declaração de Direitos Humanos, participou do volume organizado e publicado pelo Conselho Federal da OAB por ocasião dos cinqüenta anos desse documento da ONU em 1998. Entre os outros comentaristas estavam personalidades como o rabino Henry Sobel, o prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel, Evandro Lins e Silva, Dalmo de Abreu Dallari, João Luiz Duboc Pinaud.


Abdias Nascimento participou da Iniciativa Comparativa sobre Relações Humanas no Brasil, na África do Sul e nos Estados Unidos, organizado pela Fundação Sulista de Educação de Atlanta, EUA, envolvendo pesquisadores e intelectuais destacados, em parceria com a sociedade civil organizada desses três países em uma série de reuniões, enquetes e eventos que produziu uma série de publicações sob o título Além do Racismo (www.beyondracism.org). O projeto desempenhou um papel importante na construção de pontes e intercâmbios, preparando o caminho para a participação desses países na 3a Conferência Mundial da ONU contra o Racismo, a Xenofobia, e Outras Formas Correlatas de Intolerância realizado em Durban, África do Sul, em 2001.


No processo nacional de organização da participação brasileira na Conferência de Durban, Abdias Nascimento atuou com destaque, e no Fórum das ONGs dessa Conferência ele foi um dos conferencistas principais (Keynote Speaker).


No ano de 2001, o Centro Schomburg de Pesquisa das Culturas Negras, do sistema de Bibliotecas Públicas do Município de Nova Iorque em Harlem, homenageou Abdias Nascimento com o Prémio da Herança Africana Mundial. Realizado na sede da ONU no 75o aniversário do Centro Schomburg, o prêmio foi criado para reconhecer, naquela ocasião, seis personalidades destacadas do mundo africano, incluindo também Katherine Dunham, Dorothy Height, Amadou Mahtar M’Bow, Billy Taylor e Gordon Parks.


Abdias Nascimento também recebeu o prêmio UNESCO na categoria “Direitos Humanos e Cultura” (2001), bem como o Prêmio Comemorativo da ONU por Serviços Relevantes em Direitos Humanos (2003).


Bicentenário da Revolução do Haiti, o ano 2004 foi definido pela comunidade internacional como Ano Internacional de Celebração da Luta contra a Escravidão e de sua Abolição. Nessa ocasião, a UNESCO criou um prêmio para reconhecer dois intelectuais ativistas que dedicaram as suas vidas a essa luta e à luta contra o racismo e a discriminação racial. As duas personalidades homenageadas com esse prêmio em dezembro de 2004, na sede da UNESCO em Paris, foram Abdias Nascimento e Aimé Cesaire.


O ano de 2004, por ocasião dos seus 90 anos, o Ipeafro realizou uma exposição retrospectiva e um colóquio internacional sobre a vida e obra de Abdias Nascimento no Arquivo Nacional no Rio de Janeiro. A exposição circulou em Brasília e em Salvador, Bahia, onde foi realizada como parte da 2a Conferência Mundial de Intelectuais Africanos e da Diáspora (2006), iniciativa da União Africana e do Governo Brasileiro. Nessa ocasião, Abdias Nascimento recebeu do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mais alta honraria outorgada pelo Governo do Brasil, a Ordem do Rio Branco no Grau de Comendador.


A Câmara dos Vereadores do Município de Salvador outorgou-lhe a cidadania soteropolitana e a Medalha Zumbi dos Palmares (2007). Ele recebeu homenagem do 4o Festival Internacional de Cinema Negro (São Paulo), bem como o Prêmio Ori da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro pelo conjunto de sua obra literária.


No ano de 2007, o Ministério da Cultura outorgou-lhe a Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural, e em 2009 ele recebeu do Ministério do Trabalho a Grã Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho. Ambos são as mais altas honrarias do Governo Federal do Brasil em suas respectivas áreas.


A Universidade Obafemi Awolowo, de Ilé-Ifé, Nigéria, outorgou-lhe, em 2007, o título de Doutor em Letras, Honoris Causa.


O Conselho Nacional de Prevenção da Discriminação, do Governo Federal do México, outorgou a Abdias Nascimento o seu prêmio em reconhecimento à contribuição destacada à prevenção da discriminação racial na América Latina (2008).


Abdias Nascimento é autor de dezenas de livros publicados, em inglês e em português, e além do já mencionado jornal Quilombo editou duas revistas, Afrodiáspora (1983-87) e Thoth (1997-99). Sua peça teatral Sortilégio (Mistério Negro) (1959) constitui um marco nas obras de arte que tratam os temas das relações raciais e da identidade e cultura afro-brasileiras. Após sete anos de censura policial, estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1957 e foi produzido em inglês, nos Estados Unidos, em duas ocasiões (Universidade do Estado de Nova Iorque, 1971; Inner City Cultural Center, Los Angeles, 1975). Sua antologia Dramas para Negros e Prólogo para Brancos (1961) é a primeira coleção de obras teatrais sobre o mesmo tema e seu livro de poesia Axés do Sangue e da Esperança: Orikis (1983) constitui um marco na literatura afro-brasileira. Em anexo segue uma lista de suas obras publicadas.


Depois de seu retorno ao Brasil em 1981, continuou a exibir suas obras artísticas no Brasil e no exterior (ver lista de exposições).


Abdias Nascimento já foi descrito como o mais completo intelectual e homem de cultura do mundo africano do século XX.


ABDIAS NASCIMENTO

EXPOSIÇÕES REALIZADAS


Individuais


01. The Harlem Art Gallery, Nova York, 1969.

02. Crypt Gallery, Columbia University, Nova York, 1969.

03. Yale University School of Art and Architecture, New Haven, 1969.

04. Malcolm X House, Wesleyan University, Middletown, CN, 1969.

05. Gallery of African Art, Washington DC, 1970.

06. Gallery Without Walls, Buffalo, NY, 1970.

07. Centro de Estudos e Pesquisas Porto-riquenhos, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo, 1970.

08. Departamento de Estudos Afro-Americanos, Harvard, Cambridge, MA, 1972.

09. Museu da Associação Nacional de Artistas Afro-Americanos, Boston, 1971.

10. Studio Museum in Harlem, Nova York, 1973.

11. Langston Hughes Center, Buffalo, NY, 1973.

12. Fine Arts Museum, Syracuse, NY, 1974.

13. Galeria da Universidade Howard, Washington DC, 1975.

14. Inner City Cultural Center, Los Angeles, 1975.

15. Ile-Ife Museum of Afro-American Culture, Philadelphia, 1975.

16. Galeria do Banco Nacional, São Paulo, Brasil, 1975.

17. Galeria Morada, Rio de Janeiro, Brasil, 1975.

18. Museu de Artes e Antiguidades Africanas e Afro-Americanas, Center for Positive Thought, Buffalo, NY, 1977.

19. El Taller Boricua e Caribbean Cultural Center, Nova York, 1980.

20. Galeria Sérgio Milliet, Fundação Nacional das Artes - FUNARTE, Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Brasil, 1982.

21. Palácio da Cultura (Prédio Gustavo Capanema), Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Brasil, 1988.

22. Salão Negro, Congresso Nacional, Brasília, DF, 1997.

23. Galeria Debret, Paris, 1998.

24. Arquivo Nacional (antiga Casa da Moeda), Rio de Janeiro, 2004-2005.

25. Galeria Athos Bulcão, anexo ao Teatro Nacional, Brasília, DF, 2006.

26. Caixa Cultural Salvador/ II Conferência Mundial dos Intelectuais Africanos e da Diáspora, 11 de julho a 29 de agosto de 2006.

27. IV Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), Rio de Janeiro, janeiro de 2007.


Coletivas e Coleções Permanentes



01. Museu Everson de Artes, Syracuse, NY, 1972.

02. Galeria Salomé, Nova Orleans, LA, 1973.

03. Rainbow Sign Gallery, Berkeley, CA, 1975.

04. Artists ’79, Sede das Nações Unidas, Nova York, 1979.

05. Coleção permanente, Museu de Artes e Antiguidades Africanas e Afro-Americanas, Center for Positive Thought, Buffalo, NY (duas telas).

Coleção Permanente, Instituto de Estudos Latino-Americanos, Universidade Columbia, Nova York.


ABDIAS NASCIMENTO

Obras publicadas selecionadas



Livros


O Griot e as Muralhas, com Éle Semog. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2003.

O quilombismo, 2a ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor Editor, 2002 (362 pags).

O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002 (342 pags).

Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/Temple University Press, 1995.

A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991 (35 pags).

Nova Etapa de uma Antiga Luta. Rio de Janeiro: Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras – SEDEPRON, 1991 (32 pags).

Africans in Brazil: a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa World Press, 1991 (218 pags).

Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989 (224 pags).

Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86. (Discursos e projetos de lei.) (Aproximadamente120 pags em cada volume.)

Povo Negro: A Sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985 (68 pags).

Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984 (29 pags).

A Abolição em Questão, co-autoria com José Genoíno e Ari Kffuri. Sessão Comemorativa do 96o Aniversário da Lei Áurea (9 de maio de 1984). Brasília: Câmara dos Deputados, 1984 (40 pags).

Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia, 109 pags.)

Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981 (111 pags).

O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980 (281 págs).

Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro, 141 pags.)

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.

Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979 (224 pags).

O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978 (184 pags).

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2a ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977 (178 pags).

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1a ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976 (83 pags).

Sortilégio (mistério negro). Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça de teatro.)


Organização de antologias, revistas, e obras coletivas


Thoth:Pensamento dos Povos Africanos e Afrodescendentes, nos. 1-6. Brasília: Senado Federal, 1997-98.

Afrodiaspora: Revista do Mundo Africano, nos. 1-7. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1983-86.

O Negro Revoltado, 2a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982 (403 pags).

Journal of Black Studies, ano 11, no. 2 (dezembro de 1980) (número especial sobre o Brasil).

Memórias do Exílio, org. em colaboração com Paulo Freire e Nelson Werneck Sodré. Lisboa: Arcádia, 1976.

Oitenta Anos de Abolição. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1968.

Teatro Experimental do Negro: Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966 (170 pags).

Dramas para Negros e Prólogo para Brancos. Rio de Janeiro: TEN, 1961 (419 pags).

Relações de Raça no Brasil. Rio de Janeiro: Quilombo, 1950 (75 pags).


Participação em antologias e obras coletivas


“Quilombismo, um conceito emergente do processo histórico-cultural da população afro-brasileira”. In: Elisa Larkin Nascimento (org.), Afrocentricidade, Uma abordagem epistemológica inovadora, Coleção Sankofa v. 4. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2004.

“O negro e o parlamento brasileiro”, co-autoria com Elisa Larkin Nascimento. In Munanga, Kabengele, org., O negro na história do Brasil. Brasília: UnB/ Fundação Cultural Palmares, 2004, pags. 105-151.

“Comentário ao Artigo 4o”, in Direitos Humanos: Conquistas e Desafios. Brasília: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil/ Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism,” in Asante, Molefi K. e Abarry, Abu S., orgs., African Intellectual Heritage: a Book of Sources. Philadelphia: Temple University Press, 1996.

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Callaloo, A Journal of African-American and African Arts and Letters, v. 18, n. 4 (1995). Special Issue, African Brazilian Literature. Johns Hopkins University Press.

Sortilege II: Zumbi Returns (peça dramática) in Crosswinds: an Anthology of African Diaspora Drama, ed. de William B. Branch. Bloomington: Indiana University Press, 1991.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism,” in African Culture: the Rhythms of Unity, ed. Molefi K. Asante e Kariamu W. Asante. Trenton: Africa World Press, 1990. (Primeira edição publicada em 1987 pela Greenwood Press.)

“Teatro Negro del Brasil: una Experiencia Socio-Racial,” in Popular Theater for Social Change in Latin America, a Bilingual Anthology, ed. by Gerardo Luzuriaga. Los Angeles: UCLA Latin American Studies Center, 1978.

“African Presence in Brazilian Art,” Journal of African Civilizations 3:2 (novembro de 1981).

“Reflections of an Afro-Brazilian,” Journal of Negro History LXIV:3 (verão 1979).

“Afro-Brazilian Theater, a Conspicuous Absence,” Afriscope VII:1 (Lagos, janeiro de 1977).

“Afro-Brazilian Art: a Liberating Spirit,” Black Art: an International Quarterly I:1 (outono de 1976).

“Open Letter to the First World Festival of Negro Arts,” Presence Africaine XXX:58 (verão de 1968).

“Carta Aberta ao Festival Mundial das Artes Negras,” Tempo Brasileiro, ano IV, número 9/10 (abril-junho de 1966).

“The Negro Theater in Brazil,” African Forum II:4 (primavera de 1967).

“Mission of the Brazilian Negro Experimental Theater,” The Crisis 56:9 (outubro de 1949).





A indicação de Abdias Nascimento



A atual conjuntura internacional favorece a candidatura
brasileira e o nome de Abdias Nascimento tem peso singular na área dos
direitos humanos e da diversidade.



A iniciativa, junto ao Comitê Nobel



O Professor Clóvis Brigagão, cientista político e
estudioso dos processos de paz e das relações internacionais, é
diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Candido
Mendes. No mês de junho, passado, quando se encontrava em Oslo, como
Fellow do Instituto Nobel da Paz, entregou pessoalmente sua indicação
do professor Abdias Nascimento para o Prêmio Nobel da Paz de 2010.





Contamos com seu apoio nesta indicação



Aquele/a que apóia a indicação,deve fazer um endosso
formal, junto ao Comitê do Prêmio Nobel da Paz, para fortalecer a
candidatura de Abdias Nascimento.



Quem pode apoiar, de acordo com as regras do Comitê




De acordo com as regras do Comitê do Prêmio Nobel da
Paz http://nobelpeaceprize.org, são válidas as indicações e os
endossos podem ser feitos pelas seguintes pessoas:


- Membros de parlamentos nacionais e de governos
nacionais, e membros da União Inter-Parlamentar;


- Reitores de universidades e professores
universitários de História, Ciências Sociais, Política, Filosofia,
Direito e de Teologia, bem como Diretores de Institutos de Pesquisa da
Paz e de Institutos de Relações Internacionais;




Como apoiar:



o Escrevendo uma carta de endosso e enviando por
Correio.



Ainda deve ser enviado, junto com a carta de endosso:
o Cópia da carta do Professor Clóvis Brigagão, com
a referida indicação;


o Cópia do curriculum vitae e da produção do
Professor Abdias Nascimento, que justifique ser agraciado com o Nobel.



Todo esse material deve seguir em inglês e já está
colocado no arquivo anexado Carta Endosso em inglês para Envio PT



O envelope deve estar endereçado para:



Geir Lundestad
Director, Nobel Institute
Secretary General, Nobel Peace Prize Committee
The Norwegian Nobel Institute
Henrik Ibsens gate 51
0255 OSLO

Para adiantar os trabalhos, você pode enviar toda a
documentação também por e-mail. Nesse caso você deve escanear, com
a assinatura, e enviar para



Geir Lundestad
Director, Nobel Institute and
Secretary General, Nobel Peace Prize Committee



no endereço eletrônico - gl@nobel.no



referências de telefone e site:
Tel: (+47) 22 12 93 00 / Fax: (+47) 22 12 93 10
http://nobelpeaceprize.org



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