sexta-feira, 3 de julho de 2009

Embora meu desejo de ser livre fosse individual, eu não estava sozinha. Havia muitos outros que sentiam a mesma coisa.”

Rosa Parks



Manifesto

Este documento atrairá a atenção de todos os interessados na luta dos negros brasileiros para reafirmar as origens dos afro-descendentes que não renegam as experiências positivas ou dolorosas que os moldaram. A intenção é que este texto venha se transformar em um veio onde a parcela negra e discriminada do nosso povo rememore suas condições desfavoráveis de existência,denuncie as arbitrariedades e violências cotidianas e que também lembre-se de seus sonhos, revele sua mais nobre sensibilidade que é expressada sob as formas de beleza, paixão, alegria e luta.
“E esta luta é minha vida !”.
Por isso, o dia 20 de junho de 2009 ficará marcado para mim e para os companheiros de luta, como um dia em que a cidade de Barra Mansa experimentou paradoxalmente o doce sabor do avanço da história da educação e o amargo gosto da discriminação e do preconceito advindos de pessoas que se intitulam professoras comprometidas com a educação do município.

As questões que envolvem a justiça, a inclusão, a diversidade e a igualdade foram discutidas na COMUE pelo grupo que fora atacado por uma acusação leviana, típica de quem torce para que tudo fique como está, ou pior do que isso, retrocedem em todas as questões que já avançaram, como se estivessem na contra mão do processo. Neste momento, a referência se volta a duas professoras da rede, que por questões de ética não declaro seus nomes mais não deixo impune suas ações que ao meu ver, transgridem violentamente o avanço da humanidade. Com suas almas pequenas, com suas mentes racistas e preconceituosas, acusaram a mim e a mais dois cidadãos participantes e atuantes na transformação da nossa sociedade. As pessoas as quais me refiro, levantaram uma hipótese não provável a respeito de um suposto furto de um aparelho de notebook que fora utilizado na COMUE. Na concepção destas, o Notebook poderia estar em meu poder, já que ela me vira na companhia de dois rapazes e uma mala onde poderia estar "escondido" o mencionado aparelho.

Caro leitor, eu estava coordenando justamente o eixo relativo ao grande desafio de transformar as desigualdades sociais, de classe e étnico-raciais.

Os dois rapazes que me acompanhavam e que foram citados na suspeita da acusadora são : Helbson de Avila – economista, ativista político e coordenador estadual de formação dos Agentes da Pastoral Negra (APN's) e um Professor graduado em História e Metalúrgico há 27 anos numa Empresa da região.

Percebemos assim, que no Brasil, a questão racial muitas vezes transpõe a social. Isto é um fato. Existem pessoas que perseguem a possibilidade de haver um Brasil plural, marcado pelas diferenças sim, porém, passivo de ser igualitário.

Pessoas como estas precisam aprender a palavra Respeito, precisam venerar e honrar a nossa história, costume e
cultura. A evolução é inevitável. Elas tentam mentir para nos humilhar, mais isso só terá continuidade se nós permitirmos. Este é o momento de nos tornarmos mais fortes e conscientes, porque nós somos filhos do Grande EU SOU - JESUS! Somos a alma e o ritmo do planeta, e sem esta força e determinação é impossível celebrar a vida.

A nossa pergunta é: - Pessoas como estas acusadoras têm condições de formar opinião em algum cidadão ? Nosso medo é que estas crianças que “passam pelas mãos” destas pessoas transformem-se em mais um deles. Mas nossa luta é para que consigamos furar totalmente o bloqueio deste grupo de pessoas obstinadas que insistem em deixar de ser dignas, essenciais e humanas.

Do dia 20 de junho até a presente data, tenho escutado pessoas ao meu redor tentando ter mais cuidado com suas falas quer denotam racismo e discriminação mas, para elas eu digo que o cuidado maior deve ser com seus pensamentos, pois a “boca fala aquilo que o coração está cheio” . (Provérbio Bíblico)


Renovemos a esperança.
O tempo de mudar é hoje. (Hebreus 13,15)

Axé!
Profª Clarice de F. Silva

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