segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desigualdade social e escolaridade média em perspectiva histórica

por Valério Arcary

Não há razões para duvidar que a educação pode ser um poderoso instrumento de mobilidade social. A educação pode ser, unida a outras políticas públicas, um fator de redução da desigualdade social. Mas, este campo de investigação econômico-social é ainda recente, e é necessário não exagerar o seu significado. A educação, por si só, não pode mudar a sociedade. A educação não garante, por si só, mais justiça social. Uma nação pode ser, em média, mais instruída que outra, e ter níveis de desigualdade social, também, mais elevados. Os EUA são mais desenvolvidos, por exemplo, que a Espanha, mas a Espanha é menos injusta. A educação tampouco garante crescimento econômico mais dinâmico. O capitalismo restaurado na China favoreceu crescimento em ritmos acelerados, justamente, porque as condições de super-exploração atraíram mais investimentos que na França, embora não tenha sequer sentido comparar os níveis de instrução da população francesa com a chinesa. A idéia de que a educação poderia construir uma sociedade menos desigual e conflitiva é, portanto, uma ilusão política. Sociedades muito desiguais, como o próprio Brasil entre os anos 30 e os anos 80 do século XX, podem ter uma taxa de mobilidade social maior, por um período, que sociedades menos desiguais, como a Argentina na mesma etapa histórica, embora nossos vizinhos tivessem níveis educacionais superiores. A mobilidade social brasileira era maior que a argentina, embora a escolaridade média fosse menor, porque o crescimento, favorecido pelos investimentos externos, sobretudo norte-americanos, era muito maior. Ou seja, a educação ajuda a mobilidade social, e esta favorece a redução da desigualdade, mas não são os mesmos fenômenos.

AFRO-BLOG'S