sábado, 24 de outubro de 2009

Candidatos à presidência do PT divergem sobre política de alianças para 2010

REGIANE SOARES
da Folha Online

Os seis candidatos que disputam a presidência nacional do PT têm opiniões diferentes sobre a política de alianças do partido para as eleições de 2010. O único tema comum nos discursos é a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Mas alguns questionam a possibilidade de o partido ter que sacrificar candidaturas nos Estados em nome da coalizão para um futuro governo.

As alianças para 2010 foi um dos temas do debate promovido nesta sexta-feira, em São Paulo, entre os seis candidatos: José Eduardo Dutra; José Eduardo Cardozo, Serge Goulart, Markus Sokol, Geraldo Magela e Iriny Lopes. Eles concorrem no PED (Processo de Eleição Direta), cuja eleição será realizada em 22 de novembro.

Os candidatos não entraram em consenso, por exemplo, sobre o pré-acordo firmado entre o PT e o PMDB, que ficará com a vaga de vice na chapa de Dilma.

Dutra, da corrente Construindo um Novo Brasil, defendeu a aliança com o PMDB mas não acredita que a união seja reproduzida nos Estados. Segundo ele, em algumas regiões do país não será possível de os dois partidos estarem juntos. "Não tenho a ilusão que vamos conseguir repetir essa aliança nos Estados, o que também não é um impeditivo para a aliança nacional", afirmou.

Na opinião de Cardozo, da corrente Mensagem ao Partido, o pré-acordo foi "extremamente" positivo para a candidatura de Dilma. "Quanto mais forças, melhor para o PT", afirmou. Cardozo também disse que o PT deve avaliar a possível candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo como uma alternativa. "Temos que refletir sobre isso", disse.

O candidato Magela, da corrente Movimento Partido para Todos, também avaliou como positiva o interesse do PT em manter a coalizão com o PMDB. Porém, afirmou que a união entre as legendas não pode anular o PT nos Estados. Magela disse que não vê problema na possibilidade de Dilma ter mais de um palanque em alguns Estados. "Isso não traz prejuízo à candidatura de Dilma. Vamos trabalhar com essa situação", afirmou.

Sokol, da corrente O Trabalho, foi mais duro e criticou o pré-acordo com o PMDB, principalmente porque, segundo ele, a base do partido não foi consultada. "O PT não pode, em nome da candidatura de Dilma, rifar os candidatos nos Estados", disse.

Iriny, da corrente Esquerda Socialista, disse que trabalha para que o partido faça um esforço para retomar seu "campo tradicional" de esquerda. "Não podemos ficar dependentes de nenhum estrutura político-partidária", afirmou a candidata, ao ressaltar que a aliança com o PMDB é uma necessidade que preferiria que não existisse. "Não vejo problema nenhum em ter mais de dois palanques para Dilma", disse.

Goulart, da corrente Esquerda Marxista. disse acreditar que o PT está rasgando sua carta de princípios ao se aliar com um partido "inimigo da classe trabalhadora". Segundo ele, o resultado dessa política de alianças é que o partido está sendo "liquidado" nos Estados e "ajudando a liquidar" em nível nacional.

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