quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Diplomacia teme golpe na Guatemala

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL, TEGUCIGALPA


EUA, Brasil e OEA creem que setores guatemaltecos podem seguir o mesmo caminho que em Honduras

EUA, Brasil e a Organização dos Estados Americanos (OEA) temem que o golpe que derrubou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, motive setores da Guatemala a seguir pelo mesmo caminho. O risco não parece ser iminente, mas deverá aumentar à medida que se aproxime a corrida eleitoral para a sucessão do presidente Álvaro Colom, em 2011. Sobretudo, se a primeira-dama, Sandra Torres, vier a se candidatar.

Na semana passada, um observador dos EUA comentou a preocupação do Departamento de Estado com o possível colapso institucional na Guatemala. A mesma ponderação foi ouvida de representantes da OEA. Embora não houvesse mencionado a Guatemala, o chanceler Celso Amorim várias vezes ressaltou que o golpe de Estado em Honduras poderia abrir um precedente perigoso na América Latina.

O caso da Guatemala preocupa desde maio, quando foi descoberto um vídeo gravado pelo advogado Rodrigo Rosenberg, dias antes de ser assassinado, no qual acusava o presidente Colom, os principais assessores dele e a primeira-dama por sua morte. Colom negou a acusação. A denúncia está sendo investigada pela Comissão da ONU contra a Impunidade na Guatemala - órgão que tentar corrigir o nível de 98% de crimes sem punição no país.

"Na época, falou-se em golpe de Estado. Mas, dada a divisão da sociedade guatemalteca, seria mais provável uma guerra civil", afirmou o embaixador do Brasil na Cidade da Guatemala, Luís Antonio Fachini Gomes. "Não vejo essa possibilidade hoje. Mas não excluo o risco de golpe de Estado no futuro."

Conforme explicou, as políticas de redução da pobreza e de renda mínima adotadas pelo governo Colom provocam duras reações de setores sociais tradicionalmente mais favorecidos. Colom tem 45% de aprovação, segundo recentes pesquisas. Em especial, mantém-se apoiado na população do interior do país, nas camadas mais pobres e nos sindicatos.

Nos últimos dois meses, a preocupação com a contaminação da crise hondurenha na Guatemala motivou uma espécie de romaria de políticos e de empresários de lado a lado da fronteira.
"EVITA GUATEMALTECA"

Eleito pela União Nacional para a Esperança (UNE), partido criado pouco antes das eleições de 2007, Colom conta com maioria no Congresso, graças à aliança com outro partido novo, o Grande Aliança Nacional (Gana). Assim como em Honduras, a Constituição não lhe permitirá nunca mais sentar-se na cadeira do presidente. Mas há possibilidade de uma leitura menos rigorosa da Constituição - que não permite a candidatura de parentes de ex-presidentes - para a indicação da mulher de Colom, Sandra. Essa opção, entretanto, deve acentuar a divisão e armar espíritos mais favoráveis a uma solução não institucional.
A primeira-dama é a coordenadora dos programas sociais do governo e converteu-se em uma espécie de "Evita guatemalteca". Ao contrário de Colom, originário de famílias tradicionais, ela vem de camadas menos privilegiadas e foi criada em Belize. "A primeira-dama tem um imenso carisma, é conhecida como a mãe dos pobres e acumula grande aversão das elites guatemaltecas", explicou Gomes.



Bruno Elias
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