segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Empresas privadas teriam usado equipamentos de verba pública




Barra Mansa


A possível transferência do uso de equipamentos comprados com verba pública federal, para tratamento de câncer, a empresas particulares na Santa Casa de Barra Mansa não é um caso isolado. O DIÁRIO DO VALE apurou que equipamentos para outras especialidades também foram doados pelo governo e terminaram nas mãos de particulares.É o caso da UTI neonatal, cujos aparelhos foram cedidos pelo Ministério da Saúde, mas que por anos teriam sido explorados pelo Pro-Baby - uma empresa privada. O tomógrafo da Santa Casa, que também foi doado pelo governo federal, igualmente teria sido explorado por uma empresa privada, que atenderia a convênios particulares e ainda receberia um "plus" (valor a mais) da prefeitura de Barra Mansa quando utilizada por pacientes do SUS (Sistema único de Saúde).


Só agora o tomógrafo doado pelo governo à Santa Casa há mais de três anos está sendo encaminhado para hospitais públicos, depois de utilizados com fins lucrativos por empresas privadas. O mesmo ocorreu com as UTIs infantis que foram usadas pelo Pro-Baby. Isto torna ainda mais estranho o processo. Não se sabe por que a Santa Casa reivindicou equipamentos do Governo Federal para, depois de longo uso por empresas privadas, se desfazer dos mesmos.


O Hospital São João Batista, do município de Volta Redonda, recebeu também do Governo Federal a doação de um tomógrafo. Mas, ao contrário da Santa Casa de Barra Mansa, não terceirizou o serviço e nem o disponibilizou a convênios e particulares: contratou um médico para atender diretamente e apenas a pacientes do SUS.Em tese a Santa Casa de Barra Mansa recebe doações de equipamentos, com verba pública, por ser uma entidade sem fins lucrativos. Mas as denúncias dão conta de que estes equipamentos acabariam tendo seu uso terceirizado a empresas privadas, escolhidas sem licitação e que entram no negócio por lucro.

No caso do tratamento de câncer, a Santa Casa tem R$ 9,5 milhões em verbas federais destinados ao Cacon (Centro de Alta Complexidade em Oncologia), mas já teria fechado com várias empresas para operar o sistema. Pelo menos uma delas foi identificada: a Oncomed, de Niterói (RJ), cuidaria de toda a quimioterapia e radioterapia.Além disso, para participar do sistema, médicos estariam tendo que pagar até R$ 300 mil. A inclusão da Santa Casa no Cacon foi anunciada por um representante da entidade em um encontro onde estavam vários secretários de Saúde de municípios da região, na sede da UniFoa, no Tangerinal. O inusitado foi o fato do representante da Santa Casa ser um empresário do setor de saúde de Resende, que nada tem a ver com a entidade sem fins lucrativos de Barra Mansa. A direção da Santa Casa, procurada pelo jornal, tem evitado comentar o assunto.

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