quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Febraban finaliza mapeamento "pesquisa em recursos humanos, melhores práticas e censo da diversidade"MaxPress/BR

Quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Objetivo do estudo é gerar políticas que promovam a igualdade de oportunidades e a diversidade nas instituições financeiras

A FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos finalizou recentemente a "Pesquisa em Recursos Humanos, Melhores Práticas e Censo da Diversidade" no setor bancário, o mais detalhado mapeamento sobre diversidade já realizado num setor econômico no Brasil. O levantamento aborda aspectos como raça, escolaridade, idade e carreira. "O objetivo é utilizar os dados para sabermos qual o cenário real do setor e, a partir daí, implantar políticas que promovam a igualdade de oportunidades e a diversidade nas instituições financeiras", afirma Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN.

Os bancos envolvidos no projeto empregam 408,9 mil dos 435 mil bancários no país. Desses, 204,1 mil (49,9%) responderam às perguntas do censo, que foram elaboradas pela FEBRABAN com a cooperação de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), do Ministério Público do Trabalho e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT). A iniciativa contou com a assessoria do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e foi tema de várias Audiências Públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

"O censo permitirá aprimorar e acelerar um trabalho que já está em curso no setor, uma vez que a maioria dos bancos inclui critérios de diversidade no recrutamento e já registra impactos positivos no rendimento dos funcionários e na percepção dos clientes", completa Vasconcelos. Alguns bancos também começam a incluir cláusulas de valorização da diversidade em contratos com seus fornecedores e parceiros.

Os principais pontos do censo são: - No setor bancário, 48,4% dos funcionários são mulheres e 51,6% são homens, porcentuais próximos aos da PEA (População Economicamente Ativa), na qual as proporções são de 50,8% e 49,2%, respectivamente. No estoque de empregos formais (RAIS 2007) essa proporção é de 40,8% e 59,2% respectivamente.

- Dentre os funcionários, 65,5% dividem-se em duas faixas etárias: de 25 a 34 anos (34,8%) e de 35 a 44 anos (30,7%), sendo que até 34 anos a predominância é de mulheres, atestando o forte ingresso delas nos bancos.

- 19% dos funcionários são negros, enquanto na PEA somam 35,7% e no mercado formal (RAIS), 31,9%.

- O censo apontou um alto nível de escolaridade, com 66,5% dos bancários com superior completo, pós-graduação ou MBA. No mercado formal, esse percentual é de apenas 15,5% - Há uma notável mobilidade educacional dos bancários. Daqueles que tinham apenas o ensino fundamental quando foram admitidos, 51,94% atingiram o ensino superior e 8,46% fizeram alguma pós-graduação. Daqueles que tinham até o ensino médio, 64% chegaram ao ensino superior e 9% à pós-graduação.

- Nos últimos anos, aumentou o porcentual de funcionários negros com até 3 anos de trabalho no setor, atingindo 66,5%. Isso reflete as políticas de diversidade já em curso nos bancos.

- O crescimento da presença de negros nos bancos é relevante ao se constatar a baixa rotatividade dos empregados do setor: 9,1% têm até um ano de emprego. No mercado de trabalho formal esse percentual de rotatividade é de 33%, o que demonstra o elevado tempo de permanência da maioria dos bancários no setor.

- 38,2% dos funcionários brancos tiveram três ou mais promoções. Entre os pardos o percentual é de 35,8% e entre os negros, de 28,8%.

Em razão do significativo número de bancários no País, que representam cerca de 1,5% da força de trabalho formal, e da capilaridade do setor bancário, as ações de diversidade dos bancos têm grande capacidade de influenciar a adoção de iniciativas similares nos demais setores da sociedade.

A "Pesquisa em Recursos Humanos, Melhores Práticas e Censo da Diversidade" faz parte de um grupo de ações da FEBRABAN para promover a educação e a renda de pessoas oriundas de grupos sociais vulneráveis. Diversas ações afirmativas em curso estão voltadas à aceleração do ingresso dessas pessoas nos quadros dos bancos. Essas ações incluem também o "Programa FEBRABAN de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência do Setor Bancário" e o programa nacional "Jovem Aprendiz no Setor Bancário".

O programa voltado a pessoas com deficiência iniciado em 2009 é um piloto e atende a 497 alunos bancários. Esses alunos foram contratados por oito bancos - BIC, Bradesco, Citi, Indusval, Itaú Unibanco, Safra, Grupo Santander Brasil e Votorantim -, com direito a salário proporcional ao piso da categoria e aos benefícios dados por essas instituições a seus funcionários. Todos passarão por um aprimoramento educacional e depois assumirão suas funções. Do total, 349 alunos terminam a fase de qualificação profissional e começaram a trabalhar nos bancos no dia 1º de setembro.

O programa "Jovem Aprendiz no Setor Bancário" é voltado a jovens de 14 a 24 anos de idade, que estejam cursando ou já concluíram o ensino fundamental e estejam matriculados em curso de aprendizagem. O programa é regido pela Lei da Aprendizagem, dura 2 anos e inclui aprendizagem teórica e prática. Depois disso, o aprendiz pode se tornar funcionário efetivo dos bancos. Um total de 6 mil jovens participou dos dois programas já implantados pelos bancos privados, nos períodos 2004/2006 e 2007/2009. Os bancos públicos desenvolveram programas específicos até 2008, também com milhares de jovens capacitados profissionalmente.

O Programa de Valorização da Diversidade transforma a cultura e o comportamento das organizações e das pessoas. Por isso, é um processo de médio e longo prazos, cujos resultados deverão consolidar-se em até cinco anos.

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