domingo, 17 de janeiro de 2010

Manifestações de 14 de janeiro em São Paulo unificam a esquerda em defesa do PNDH 3

Camaradas,

O Grupo Tortura Nunca Mais de SP e outras outras entidades ligadas aos direitos humanos, sindicatos, PT, PSOL, PCdoB, entidades estudantis e associações realizaram ontem em São Paulo duas importantes manifestações em defesa do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) e em repúdio ao ministro da Defesa, à mídia hegemônica e às outras forças de direita interessadas em acobertar os crimes da Ditadura Militar e manter o apartheid social em nosso país.

Na primeira atividade, realizada na Avenida Paulista no início da tarde, com carro de som, foi protocolada, na representação da Presidência da República, uma carta endereçada ao Presidente Lula, em defesa do PNDH 3 e do ministro Paulo Vannucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Cerca de 50 militantes participaram, distribuindo milhares de panfletos. Foram exibidas faixas e banners com fotos de militantes assassinados pela Ditadura Militar. Entre os vários oradores, os deputados federais Paulo Teixeira (PT) e Ivan Valente (PSOL). A palavra de ordem mais marcante foi “Fora, Jobim!”.

À noite, no auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas, um ato político em defesa do PNDH 3 reuniu mais de 150 militantes e diversas entidades e grupos. Estiveram presentes dezenas de ex-presos políticos, representantes do movimento negro (Igrejas de Matriz Africana, Conae), do movimento das mulheres (Marcha Mundial e outras), das Mães de Maio (de 2006, referência à chacina de centenas de populares, praticada por policiais militares em São Paulo em retaliação aos ataques do PCC), da Defensoria Pública, do Intervozes, coletivo Sindicato é Pra Lutar!, Pastoral Operária, Comissão Justiça e Paz etc.

Compareceram, entre outros, o ouvidor geral da Polícia de São Paulo, Gonzaga Dantas, o ex-deputado estadual e secretário nacional de Movimentos Populares do PT, Renato Simões, o deputado estadual Adriano Diogo (PT), o deputado Ivan Valente, o vereador Jamil Murad (PCdoB), o sindicalista Jorge Martins (Intersindical), Débora Silva, representante das Mães de Maio, que impressionou a todos por sua firme defesa do PNDH 3.

Ao final do ato, prevaleceu a avaliação de que a jornada de luta foi positiva, porque, apesar da mobilização precária e feita em cima da hora, e do período de férias, conseguiu-se agregar um número razoável de entidades representativas. Foi aprovada a idéia de se criar um fórum permanente de direitos humanos em SP, vinculado ao Movimento Nacional de Direitos Humanos.

Houve também um incidente, uma provocação policial: dois PMs invadiram, por assim dizer, o auditório Vladimir Herzog, procurando alguém no banheiro. Suspendemos o ato e perguntamos do que se tratava. Eles não forneceram uma explicação razoável para a incursão. Depois de muito questionados por alguns militantes, disseram ter recebido “ordem do comando” para subir ao Sindicato (que fica na sobreloja de um prédio próximo à Praça Roosevelt, no centro de São Paulo). A explicação mais plausível é de que tentavam intimidar as Mães de Maio.

Pedro Pomar
Jornalista

AFRO-BLOG'S