quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pesquisa: Perfil dos participantes do Fórum Social Mundial de Belém (Pará, janeiro de 2009)

Amostra: 2.262 entrevistas com participantes do encontro do Fórum Social Mundial (FSM) em Belém (PA), realizadas entre os dias 27 e 30 de janeiro de 2009. Foi aplicado um questionário com 25 perguntas. O objetivo foi obter um perfil dos participantes. O estudo faz parte de uma série de pesquisas realizadas nos encontros centrais do FSM desde 2003.

Realização: Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)

RESUMO DOS RESULTADOS (Para íntegra: imprensa@ibase.br)

I - Dados gerais sobre o Fórum Social Mundial (FSM) de Belém

Número de participantes: 150 mil, sendo 49% mulheres e 51% homens;

Participação por países: 80% dos participantes eram brasileiros (ou 120 mil pessoas);

13% vieram da América Latina e Caribe (20 mil pessoas) e 7% (ou 10 mil pessoas) do “resto do mundo”. No total, estavam representados 142 países.

Observação: a alta concentração de pessoas do próprio país que sedia o Fórum é uma tendência que verificou-se em todas as reuniões centrais do FSM.

Renovação: dos participantes do encontro de Belém, 76% participavam de uma reunião central do Fórum Social Mundial pela primeira vez; 12% pela segunda vez e 5% pela
terceira.

O número de “estreantes” indica, segundo o Ibase, um bom potencial de renovação do Fórum, experiência que em 2010 completa uma década de existência. A próxima reunião central do FSM acontece apenas em 2011, em Dacar.

II -- FAIXA ETÁRIA/Participantes do encontro do FSM em Belém (PA)

14 a 17 anos – 3%
18 a 24 anos – 34%
25 a 34 anos – 27%
35 a 44 anos – 18%
Mais de 45 anos – 18%

Observação: 64% dos participantes em Belém tinham até 34 anos de idade; o perfil jovem é uma marca do Fórum Social Mundial, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Ibase em diversos encontros centrais do FSM ao longo dos últimos anos.

III -- GRAU DE ESCOLARIDADE

Mestrado ou doutorado – 8%
Superior Completo – 34%
Superior Incompleto – 39%
9 a 12 anos de estudo – 15%
Sem educação formal ou até 8 anos de estudo – 4%

Observação: 81% dos participantes em Belém possuíam o grau superior completo ou em curso, o que indica um elevado grau de escolaridade. Esta é uma tendência que verifica-se em todas as pesquisas realizadas pelo Ibase em edições passadas do FSM.

IV -– IDENTIFICAÇÃO COM MOVIMENTOS OU “LUTAS”

Foi perguntado: você pertence ou tem maior identificação com algum tipo de movimento ou luta?

As principais alternativas assinaladas foram:

Luta Ambientalista – 21% dos participantes disseram identificar-se com ela;

Movimento por Direitos Humanos -- 16% dos participantes identificam-se com este;

Movimento Cultural e artístico – 11% dos participantes identificam-se com este;

Movimento Estudantil – 10% dos participantes identificam-se com este;

NENHUM – 20% dos participantes não se identificam com nenhum movimento específico.

Observação: os pesquisadores do Ibase concluíram que “as lutas com caráter mais universalista têm maior destaque”, o que sugere que os participantes do Fórum Social Mundial têm uma “visão com foco amplo sobre os problemas e desafios” do mundo atual – embora seja preciso destacar que um quinto dos entrevistados afirme não se identificar com nenhum movimento específico (tendência que acentua-se entre os mais jovens),

Foi perguntado: De que tipo de organização ou entidade você participa? (o entrevistado podia escolher mais de uma opção).

As mais citadas foram:

Movimento social – 27%
ONG – 17%
Grupo Religioso – 12%
Associação – 11%
Grupo Cultural – 10%
Sindicato – 8%
Partido político – 8%
Economia solidária – 3%
NENHUMA – 30% (quase um terço dos participantes não participa de nenhuma organização ou entidade).

CONFIABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES

Foi perguntado: diante dos desafios impostos pelas crises econômica, ambiental e climática, qual a confiança que você deposita nas instituições? (ao entrevistado foram apresentadas 9 instituições).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é a instituição que mais mereceu a desconfiança dos participantes do Fórum Social Mundial de Belém: 85% disseram não confiar no FMI.
“Empresas transnacionais” aparecem em segundo lugar: 83% afirmaram não confiar nelas. Outros 79% não confiam nos parlamentos; 77% não confiam no Banco Mundial. Sistema Jurídico (77%), blocos regionais (60%) e governos nacionais (62%) também obtiveram índices elevados de “não” confiança.

Das instituições, a Organização das Nações Unidas (ONU) é a que mais dividiu opiniões, ainda assim com alto grau de desconfiança: 49% não confiam e 44% confiam (7% não sabiam/não responderam).

GLOBALIZAÇÃO

Foi perguntado: o que você pensa sobre a globalização? (foram apresentadas 3 alternativas)

A maioria dos entrevistados (54%) respondeu que “deve haver mudança radical”; outros 34% acreditam que “deve-se criar formas de melhorar” e apenas 7% acham que a globalização deve seguir o seu curso “da forma como se dá hoje”. 5% não sabiam ou não tinham opinião.

Também foram apresentadas ao entrevistado medidas para o enfrentamento à situação de crise financeira mundial. Parcela expressiva (53% dos entrevistados) defendeu que haja um aumento “do controle estatal sobre o sistema financeiro”. Por outro lado, a imensa maioria rejeita a redução de direitos trabalhistas (83%) e a flexibilização de leis ambientais (90% são contrários) como medidas para evitar demissões.

A IMPORTÂNCIA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Foi perguntado: o que o Fórum Social Mundial tem de mais importante?

19% dos entrevistados responderam “oferecer espaço para trocas culturais”
19% responderam “propor políticas públicas”
16% “construir articulação internacional”
Foram citadas ainda “pressionar governos”, “protestar”, entre outras.
Para a maioria dos participantes (89%) o principal “ponto forte” do Fórum é a “diversidade”; já o principal “ponto fraco” do FSM (para 60% dos entrevistados) é sua organização.

ACESSO A INFORMAÇÃO

Foi perguntado sobre qual o principal meio utilizado para obter informação. Os principais meios citados foram a Internet (60% dos entrevistados), seguida de Televisão (19%) e jornal diário impresso (13%).

O principal uso da Internet é para e-mails (56%), sendo que entre os mais jovens, os sites de relacionamento aparecem como primeira opção (entre os jovens de 14 a 17 anos, 46%
usam a Internet com esta finalidade).

Quando perguntados, porém, sobre “qual forma de comunicação e informação mais influencia as suas opiniões”, 22% responderam “revistas e jornais impressos comerciais”, opção seguida por “debates com amigos e parentes” (19%), estudos (16%) e publicações impressas de “organizações e entidades de movimentos sociais” (13%).

TEMAS DA AGENDA PÚBLICA

O que mais dividiu opiniões entre os participantes do Fórum em Belém foi a legalização do aborto: 45% foram a favor e 44% contra (o restante não tinha opinião).

Sobre a discriminalização das drogas, 49% foram contra e 40% a favor (o restante, sem opinião).

Já a união civil entre pessoas do mesmo sexo é aceita por ampla maioria: 65% foram favoráveis e 27% contrários (o restante não tem opinião formada).

Observação: a polarização de opiniões (particularmente em temas como a legalização do aborto e discriminalização das drogas) aponta, segundo os pesquisadores do Ibase, o caráter de diversidade do Fórum Social Mundial.

(FIM)

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