quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sindicato das Trabalhadoras Domésticas filia-se a CUT


Escrito por CUT/SE
26/01/2010

Na tarde desta segunda-feira, 25, a Central Única dos Trabalhadores do estado de Sergipe recebeu um grande reforço em suas fileiras de luta. A direção do Sindicato das Empregadas Domésticas de Sergipe- SEDS protocolou oficialmente a sua filiação à CUT, no ânimo dos lutadores que se encontram nas trincheiras do dia-dia.
A solenidade contou com a presença do presidente da Central, Ruben Marques, que fez questão de protocolar pessoalmente a ficha de filiação e dar as boas vindas à direção do SEDS. Na conversa de apresentação da CUT, o comandante Dudu, como Ruben é mais conhecido entre os sindicalistas, falou sobre a concepção sindical defendida pela entidade, explicou o seu funcionamento organizativo e colocou todo o aparato da Central à disposição das trabalhadoras domésticas. "Estamos muito felizes com a chegada das companheiras e queremos fortalecer os laços de companheirismo, mas toda filiação deve vir antes de um entendimento sobre o modelo de luta sindical que defendemos. Não queremos filiar sindicato só por filiar" afirmou Dudu.
De acordo com a presidente do SEDS, Suely Maria de Fátima Santos, a aproximação com a central já vinha sendo modelada há certo tempo, mas as trabalhadoras domésticas tinham receio da filiação, tendo em vista que o sindicato não está estruturado financeiramente. "Nós não recebemos imposto sindical e nossa categoria é muito pauperizada, nem jornalzinho a gente conseguiu rodar, nunca. Não sabíamos se e gente poderia se filiar ou não, já que não tínhamos finanças", confessa Suely. Em resposta, o presidente da CUT garantiu que não há problema algum no plano burocrático, reforçando a concepção de luta sindical defendida pela central. "A gente está aqui é pra fazer luta. Não queremos saber qual a quantia de contribuição do sindicato, isso aqui não é empresa. Quem puder dar mais ótimo, quem não puder recebe ajuda dos outros companheiros", afirmou Dudu.
Domésticas: Exploração dentro de casa
A situação das trabalhadoras domésticas está estampada na cara de todos os brasileiros, mas pouco se fala na defesa e na organização desta categoria de trabalhadores. Dos 33 direitos trabalhistas previstos na Constituição federal, as trabalhadoras domésticas só podem gozar de oito. A categoria não tem jornada de trabalho, seguro desemprego, o FGTS é opcional por parte do contratante e não pode adquirir hora-extra, dentre uma série de privações.
Os casos de assédio moral e abuso sexual são constantes no serviço doméstico, mas muitas trabalhadoras têm receio de denunciar sob a iminência de perder o emprego. A grande maioria não possui nível médio completo e o quadro de analfabetismo é gritante. Como se não fosse o bastante, muitas vezes estas mulheres não são vistas como trabalhadoras. "Muitas vezes as domésticas são tratadas como alguém da família ou como parte da mobilha, não como trabalhadoras. Como é que você vai reivindicar alguma coisa para alguém que você considera da sua família? Muitas companheiras entram neste conflito", denuncia Suely.
Outro ponto que aflige a relação de trabalho no serviço doméstico é o isolamento, o que dificulta a articulação e a troca de experiências. "A doméstica está ali sozinha, de cara com o patrão, aí o medo de reclamar e protestar é maior. Quando a gente sente que está sozinho tudo fica mais difícil" desabafou.
Diante das dificuldades estruturais e financeiras, o SEDS funciona na Casa da Doméstica, um prédio que presta assistência às trabalhadoras construído na época de Dom José Vicente Távora, quando este estava à frente da Diocese Metropolitana de Aracaju. "Mesmo com todas as dificuldades a nossa luta deve continuar. Esperamos que a nossa entrada na CUT-SE contribua para o fortalecimento do sindicato, que possamos colaborar para um olhar mais aprofundado sobre o nosso trabalho", afirmou a sindicalista.

AFRO-BLOG'S