terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MST comenta os 30 anos do PT

 

8 de fevereiro de 2010

No último domingo (7/2), o jornal Folha de S. Paulo publicou trechos da entrevista com João Paulo Rodrigues, integrante da coordenação nacional do MST, sobre o Partido dos Trabalhadores (PT).
Leia abaixo a íntegra da entrevista.


O MST considera o PT um partido representativo das causas sociais no Brasil?
Sim. O PT surgiu no contexto das lutas pela democratização do país e por transformações na sociedade brasileira, aglutinando sindicalistas, movimentos sociais e setores de intelectuais com compromisso com os interesses do povo brasileiro. Até hoje, o partido tem uma inserção importante nesses segmentos sociais.


Para os sem-terra, a trajetória do PT ao longo dos 30 anos de história aproximou ou afastou o partido das massas? Por que?


Desde o seu surgimento o PT reuniu setores sociais progressistas na luta pela democratização do país, empunhou as bandeiras de organização dos trabalhadores e abriu as portas para que a classe trabalhadora ocupasse um lugar de protagonista nas lutas eleitorais. As duas últimas décadas de políticas neoliberais provocaram uma fragmentação organizativa e divisões políticas na classe trabalhadora, o que teve impacto na vida organizativa do partido. No entanto, o PT continua sendo um instrumento político importante da classe trabalhadora.


A direção do MST considera o PT um partido de esquerda?


O PT é um partido de esquerda, anti-neoliberal e anti-latifundiário. Mas, nos últimos anos, priorizou a luta eleitoral, conquistando espaços nos parlamentos, prefeituras e governos estaduais e federal. No entanto, sempre mantiveram o apoio às lutas dos trabalhadores. Na nossa avaliação, a vitória de partidos de esquerda em eleições representa um avanço importante, mas não é suficiente para garantir as mudanças estruturais da sociedade brasileira.


Seria o PT hoje um partido ainda comprometido com a causa da reforma agrária no país? Se sim, quais seriam os indicativos disso? Se não, por que?


O PT continua defendendo a realização da reforma agrária e as lutas dos movimentos sociais. O indicativo central é seu compromisso de lutar contra o latifúndio, em defesa da organização dos Sem Terra e na solidariedade e apoio contra a ofensiva das forças conservadoras contra a luta pela Reforma Agrária.

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