terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O papel das mulheres em 2010

 

10 fevereiro 2010

Renata Rossi e Luciana Mandelli

No ano de 2010, o movimento de mulheres tem uma grande responsabilidade na disputa de idéias em nossa sociedade. É o 90º aniversário do “8 de março”, afirmado como data  símbolo das lutas das mulheres em todo o mundo; e o 100º aniversário de morte das operárias têxteis nova-iorquinas que tombaram lutando por melhores condições de trabalho e melhores salários.

De lá para cá, o movimento feminista já teve muitas pautas comuns em todo o mundo, como a luta pelo direito ao voto, por salários equivalentes aos dos homens, pelo direito ao corpo, pelo fim da violência, contra o machismo…

Há onze anos, iniciava-se no Brasil a campanha “2000 motivos para marchar contra a pobreza e a violência sexista”, impulsionada pelos comitês da Marcha Mundial de Mulheres. Em todo o país, entre os dias 8 de março e 17 de outubro, uma jornada de lutas indicou por onde o movimento de mulheres construiria sua crítica à sociedade de mercado e pelo direito de autonomia econômica.

Neste ano de 2010, de 8 a 18 de março, entre as cidades de Campinas e São Paulo, “marcharemos até que todas sejam livres”.

Em 2011, as companheiras do MST-BA realizam também a 10ª Edição do Acampamento das Mulheres do Campo, atividade que demonstra a força política das mulheres campesinas, em luta contra a feminilização da pobreza. Na Bahia, duas mil mulheres estarão unidas e no debate sobre ações públicas pelo fim da violência contra mulher e por segurança e soberania alimentar para o mundo.

Foi só nesta década que as mulheres brasileiras conquistaram o direito de criminalizar a violência sexista, através da Lei Maria da Penha, sancionada no governo do Presidente Lula.

Também nesta década, as mulheres do PT obtiveram uma importante vitória: legitimar no seio do partido a luta incondicional das mulheres pelo direito ao seu corpo, dizendo sim à descriminalização do aborto e inclusive punindo parlamentares que desrespeitaram publicamente a decisão partidária.

Todas essas conquistas foram fundamentais na luta pela emancipação das mulheres brasileiras, mas ainda assim há muito por fazer.

Em cada 15 segundos, uma mulher é vitima de violência no Brasil. Ainda são faltosos os aparelhos públicos que deveriam auxiliar a aplicabilidade da Lei Maria da Penha. Todos os dias morrem mulheres em decorrência de um aborto mal sucedido. O tráfico e a comercialização de mulheres ainda são práticas diárias. As carreiras e salários não são compatíveis aos dos homens. Ainda nos falta o reconhecimento de uma série de direitos e condições dignas. Milhares de mães sofrem violências cometidas contra seus filhos, muitas ainda vivem numa condição de extrema pauperização, sem direitos sociais básicos.

É nesta conjuntura que o Partido dos Trabalhadores apresenta, pela primeira vez, uma mulher para representar seu programa no pleito presidencial de outubro vindouro.

Dilma terá a oportunidade ímpar de avançar em alguns pontos programáticos, em especial os específicos sobre as mulheres. Ainda que não seja a única candidata mulher, será a única capaz de tratar do assunto com vocação laica e com um balanço de políticas aplicadas. Não se trata somente das ações promovidas pela SPM, mas de um balanço do que mudou, ou não, na vida de milhares de mulheres beneficiadas por programas como o “Bolsa Família” e “Minha Casa Minha Vida”.

Este desafio não está posto única e exclusivamente para a nossa candidata. As mulheres do PT poderão ter um papel protagonista no processo eleitoral, se compreenderem e tomarem para si a responsabilidade de organizar o programa de governo relativo às mulheres e se conseguirem pautar, no conjunto do partido, a importância do recorte feminino na política eleitoral.

Será preciso uma grande jornada de mobilização das mulheres do PT, que pinte esse ano de lilás. Nosso março deve carregar muitas bandeiras históricas, mas não deve abrir mão de carregar a bandeira de uma mulher feminista no mais alto posto de poder da nação.

As mulheres do PT devem dar visibilidade a essa política em todas as ações históricas das feministas e devem se propor a dialogar com todos os movimentos de mulheres organizados no país.

Será necessário ousar e apresentar para o conjunto de mulheres brasileiras uma pauta programática, que convença a sociedade a combater o machismo e a feminilização da pobreza. E seremos nós, com nossas bandeiras e nossa candidata, as com melhores condições de alçar vôo e vencer mais uma batalha na política.

Pintemos, pois este ano de lilás para que nossa vitória seja vermelha e cheia de esperanças para as mulheres brasileiras.

Renata Rossi é membro do DN e secretária de Formação Política do PT-BA. Luciana Mandelli é membro do DR da Bahia e do Coletivo Estadual de Mulheres do PT

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