terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Trote X Carnaval


Estamos em Fevereiro, mês do carnaval, mas também do início de aulas, tanto nas escolas em geral como nas Universidades particulares.


Enquanto muitos estão saindo para os blocos e pensando em quem vai ser o próximo ganhador da Fazenda 2 ou do BBB 10. Esquecemos daqueles que estão estudando, e não só isso, muitos cursos, começaram suas aulas em Janeiro, no caso de Medicina, e com isso seus TROTES também. Minha denuncia é sobre isso. Vivemos no mundo “democrático”, de livre arbítrio, escolhas, etc. Mas somente no papel, quando falamos da Academia, vemos um certo conservadorismo que apóia tais atrocidades que entra em total contradição aos nosso princípios. E que princípios são esses, e valores? A cada ano que passa jovens são obrigados a passar por humilhações publicas em prol, de praticamente uma matricula na Universidade. Que formação é essa? Praticamente são os formadores os futuros profissionais da nação. Em São Paulo, enquanto esta prática é esquecido no Senado, crimes sucedem sem punições, jovens são brigados a se denegrirem publicamente por uma tradição idiota, por ssim dizer. Não vamos esquecer do aluno Edson Hsuen, que morreu fogado na piscina da universidade e ate hoje nenhum culpado foi a julgamento, aluno foi esfaqueado pois não queria cortar o cabelo.


Casos como estes estão arquivados à quinze anos, e ano passado ainda foi aprovado um projeto, do Deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que não criminaliza trotes violentos, mas impõe sanções. Como isso fosse adiantar. É essa academia que queremos freqüentar? Queremos realmente esse tradicionalismos? Não vivemos, não mais, em uma sociedade tradicionalista, religiosa, conservadora, capitalista. Sociedade que entra em conflitos internos em sua maior parte. Como disse o pesquisador do ESALQ – USP – Antônio Ribeira de Almeida Jr.: “ A lei é equivocada. Ela diz: ‘Vamos coibir o trote violento e promover o solidário’. A palavra trote deveria ser banida do vocabulário acadêmico. Trote é violência. Há violência solidária? Essa modalidade de trote solidário é uma maneira de esconder o problema.” e diz mais, “É uma máfia profissional, que envolve pessoas, que em algumas faculdades, exercem posições de poder. (...)”. Essas práticas são passadas de geração em geração com orgulho. Sei que agora será difícil agirmos, mas é algo a se pensar. O mundo se move a cada dia, quebrando essa sociedade. Como no caso de casamento gays, ou até mesmo a aceitação da maconha. Coisas antes vistas à margem da sociedade, hoje está mais presente que nunca, e espero que continue assim. Quebrar essa vivencia foi o que fizemos no decorrer dos anos e fazemos tanto em nossas Academias e ruas, por quê essa tradição infame não pode ser quebrada?


(p.s.: sei que as comparações tanto em relações a sociedade LGBTTT e aos Growroom, mas são comparações validas, levando em comparação a realidade e a movimentação e mudança de valores e moral) Trechos retirada da Reportagem – Trote Violento é rotina na universidades do Jornal OGLOBO 07/02/10
N.M

contribuição: morales.nana@gmail.com

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