sexta-feira, 26 de março de 2010

Senado RJ: A ilusão das pesquisas antes da hora

Por Flávio Loureiro

Uma tática inteligente, mas que não é nova e nem original

“Lindberg Farias, no início do ano, quando ainda pleiteava a candidatura ao governo do estado, patinava para a disputa ao senado, no patamar de 4 ou 5 pontos percentuais e há mais de sete meses da eleição alcança a marca dos 16%. Os demais permanecem estaganados, ostentando percentuais dentro do grau de conhecimento que os eleitores fluminenses possuem deles, já que Crivella, Maia e Benedita são personagens antigos e contantes no cenário político e eleitoral fluminense, com muitas disputas majoritárias na bagagem”

O jornal o Dia publica hoje uma pesquisa do Instituto Vox Populi sobre a disputa eleitoral majoritária no Estado do Rio de Janeiro – governo e senado. No caso deste, que será tratado neste artigo, destaca a liderança do senador Marcelo Crivella (PRB), 37%, do ex-prefeito César Maia (DEM) e da secretária estadual Benedita da Silva (PT), ambos com 31%, e mais atrás vem o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT) com 14%. O percentual dos demais postulantes ao senado neste cenário de candidaturas não alcançam os dois dígitos.

Em outro cenário, sem a candidatura de Lindberg Farias. Benedita da Silva ultrapassa César Maia e sobe para 33%, com o ex-prefeito do Rio e Crivella mantendo os mesmos percentuais, e o deputado estadual Jorge Picciane (PMDB) alcançano os dois dígitos, 10%. Já com a retirada da candidatura da secretária estadual de Assitência Social, Farias cresce dois pontos percentuais, 16%, e Picciane passa a 11%.

Como o PT terá que escolher entre Benedita e Lindberg, digamos que os percentuais de cada um até o momento, segundo aferido pela pesquisa, são de respectivamente 33% e 16%. Para os incautos, ou aqueles que estão tomando os seus primeiros contatos com eleições e pesquisas a conclusão óbvia é que a única candidatura petista com chances de vencer a disputa para o senado é a primeira, malgrado a pesquisa registrar o percentual de 25% entre eleitores indecisos e votos nulos e brancos, não apresentar a rejeição de cada candidatura e ser realizada a mais de sete meses da eleição. Ledo engano.

Parece que esta pesquisa, realizada por um instituto de grande credibilidade se comparado a alguns dos seus congêneres, como o Ibope e Datafolha, publicada pelo Jornal O Dia, onde não há na matéria referência de quem a contratou, foi encomendada a tempo de ser divulgada às vésperas da prévia que o PT realizará para definir o seu nome para o senado, no próximo domingo, com claro intuito de influenciar no seu resultado. É uma tática inteligente, mas não é nova e peca no quesito originalidade

Um simples olhar no histórico recente das pesquisas realizadas para a disputa ao senado no Estado do Rio, constata-se que a única candidatura que tal qual a da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República – mas sem a mesma exposição pública e sem o mesmo cabo, ou melhor, general eleitoral, o presidente Lula -, que cresce segura e continuamente é a do prefeito Lindberg Farias.

Lindberg Farias, no início do ano, quando pleiteava ainda a candidatura ao governo do estado, patinava no patamar de 4 ou 5 pontos percentuais e há mais de sete meses da eleição alcança a marca dos 16% para a disputa ao senado. Os demais permanecem estaganados ostentando percentuais dentro do grau de conhecimento que os eleitores fluminenses possuem deles, já que Crivella, Maia e Benedita são personagens antigos e contantes no cenário político e eleitoral fluminense, com muitas disputas majoritárias na bagagem. Da mesma forma é o que explica o fato de José Serra liderar por tanto tempo as pesquisas para a disputa presidencial.

Ser mais conhecido, concede tal vantagem em sondagens iniciais. Por outro lado, quando a disputa começa prá valer – e poderíamos aquí enumerar infindáveis exemplos que legitimam tal assertiva – há mais exposição dos seus desgastes, já que mais vulneráveis estão ao fogo cruzado dos seus adversários. Foi assim, por exemplo, que Benedita da Silva (então vice-governadora do estado) não alcançou o segundo turno na eleição para a prefeitura do Rio, em 2000, e, já governadora, foi derrotado no primeiro turno por Rosinha Garotinho, em 2002.

Enfim, inúmeras candidaturas que ao longo de suas trajetórias revelam serem boas de arrancadas, o passado recente revela não serem boas de chegada.

 

Fonte: Blog Página 13

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