terça-feira, 4 de maio de 2010

Congresso é encerrado com "Carta de Goiânia"

 

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“Terra Querida
Fruto da vida,
Recanto da Paz.
Cantemos aos céus,
Regência de Deus,
Louvor, louvor a Goiás!”

(fragmento do Hino à Goiás)

Carta de Goiânia

A capital de Goiás, tão bela e receptiva, acolheu os Agentes de Pastoral Negros – APN’s com braços e corações abertos, sediando com orgulho o I Congresso Nacional da entidade, um evento que representou para todos nós uma página escrita na História que faremos questão de contar às futuras gerações.

Somos negras e negras de fé, somos um povo que, independente da religião professada, abrimos um sorriso negro para construir um país menos desigual, mais fraterno e mais justo.

Todos nós, sabedores de que, se não somos da África, nossos pais, nossos avós, nossos ancestrais são de lá, não vamos deixar que neguem nossos direitos e nossa cidadania. Pensando assim, construímos o I Congresso Nacional dos APN’s, motivados pela fé que nos trouxe esperança e não nos deixou desanimar.

Enfrentando desafios, perpassando obstáculos, vencemos o bom combate com um propósito em mente que era o de avaliar e revisar os objetivos da entidade, sua missão e visão, de forma a analisar os 27 anos dos APN’s e construir o projeto político para o período 2010-2020, grande responsabilidade para todos nós.

Por tanto durante quatro dias, com um olhar atento para a história, pudemos refletir, reavivar a consciência de pertencimento e vivenciar a troca de experiências entre todos os agentes de pastoral negros (e que não são poucas), a fim de construir novas frentes de atuação e intervenção para a entidade, fortalecendo a organização e a articulação interna por acreditarmos que um futuro mais negro e brilhante é possível para a nossa pátria tão amada Brasil!

Com organização, fé, luta e resistência a coordenação nacional e equipe efetivou o sonho do I Congresso Nacional dos APN’s. Com inicio no dia 21 de abril, a solenidade de abertura do Congresso contou com a presença de autoridades governamentais da cidade de Goiânia, do governo federal, da coordenação dos APN’s e dos membros da entidade, representando os vários Estados do Brasil.

O deputado federal Edson Santos realizou a conferência de abertura sob o tema: “Sociedade e Estado Brasileiro”, apresentando as relações raciais na sociedade brasileira pós-reforma do Estado nos anos 90.

O segundo dia – 22 de abril - foi dedicado aos ancestrais. Eles se fizeram presente em nosso meio nos fortalecendo para que pudéssemos falar de dois temas muito valorosos para nós APN’s: “Racismo e Democracia” e “Diálogo inter-religioso”. Contudo os congressistas puderam refletir profundamente sob as características do racismo, seus enfrentamento e ações governamentais, como também sobre a mística e o profetismo de nossa caminhada APN.

Os palestrantes dos seminários, os que vieram de tão longe ou mesmo aqueles que estão em nosso meio, iluminaram as nossas mentes e nos capacitaram a dar mais um passo na caminhada.

No penúltimo dia do Congresso – 23 de abril, “Um quilombo chamado Brasil” foi um dos temas debatido nos Seminários com uma “ponte” direta que ligou este tema a um não menos polêmico que foi: “Racismo: Machismo e Sociedade”.

Neste dia, a reflexão nos remeteu a percepção de que há uma grande necessidade de construir paradigmas de um novo Brasil, mesmo que seja necessário derrubar os que já existem, mas que emperram o avanço da luta.

Ao final da tarde deste dia, a cidade de Goiânia entrou na roda com a gente e marchou pacificamente em favor da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial que se encontra no Senado aguardando aprovação e em repúdio a atitude do Senador de Goiás Demóstenes Torres (Dem-GO). Fiquemos atentos para que este mesmo Senador enquanto relator, não desqualifique o que foi aprovado na Câmara Federal.

Sábado – 24 de abril, dia de despedida... mas não falamos adeus, apenas deixamos um abraço negro para cidade de Goiânia, para todos os irmãos APN’s e levamos no peito um grito ainda mais ecoante por justiça, por dignidade, por igualdade na diversidade, não esquecendo jamais que “o negro é a raiz da liberdade”.Um sorriso negro a todas e todos!

Goiânia/GO, 24 de abril de 2010.

Fonte: Site dos APN's

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