segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os desafios do ENNPT

Helbson de Avila* e Cristiano Lima**

Realizado entre os dias 16 e 18 de maio de 2010, o Encontro Nacional de Negras e Negros do Partido dos Trabalhadores – ENNPT representou um marco para os negros/as do maior partido de esquerda das Américas. Embora não tenha sido o pioneiro a tratar a questão racial em sua instância, o PT tem um acumulo político que é referencia para o conjunto do MN brasileiro. Nada, que o isente de equívocos e decisões pragmática.

Desse, fica para o PT a necessidade de uma reflexão onde deverá ser avaliado e repensado as formas de condução dos processos de construção para uma estratégia socialista a partir do MN. Constatou-se uma atuação antidemocrática nessa condução, tal como a falta de articulação com alguns secretários estaduais e até mesmo membros do coletivo, resultando na má distribuição das vagas das delegações estaduais e na realização mal estruturada das respectivas etapas.

Do objetivo central, mais equívoco: o gastos excessivos, que para muitos foi para impressionar a candidata Dilma e sua equipe além de marcar a presença da SNCR e o CNCR, juntamente com os militantes do MN filiados ao PT, garantindo a presença na comissão de elaboração do programa de governo, o que já era certo por ser esta, uma instancia importante no partido.

Muito mais do que apresentar uma proposta para o programa é garantir a consolidação da mesma frente ao conjunto da sociedade. O que não esta sendo muito fácil. O exemplo mais recente foi a votação do estatuto da igualdade racial no ultimo dia 16 de junho, quando o governo sofrerá mais uma derrota diante de sua base aliada.

O PT que nascera para liderar a massa se viu refém das elites burguesa e não conseguiu capitaneado e conduzir um bom debate junto à militância do movimento negro. Se por um lado existiu o pragmatismo das lideranças parlamentares, do outro houve a desmotivação contundente do conjunto da sociedade resultando no acordo com o “dem” evidenciando a fragilidade do PT frente à ampla coligação dos partidos aliados. Burguesia é burguesia em qualquer lugar.

Caberá a comissão e ao CNCR elaborar as propostas que venham de encontro aos anseios da população e polarizar com a elite reacionária os pontos descartados do Estatuto a fim de retomá-lo o quanto antes. Para 2011, realizar o encontro do setorial com caráter formativo e mobilizar a militância e assim, o conjunto da sociedade em particular a juventude.

*/** Membros do Coletivo Estadual Combate ao Racismo – *(RJ) e **(BA)

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