quarta-feira, 23 de junho de 2010

Tempo na TV coloca em risco aliança no Rio

Pela segunda vez em menos de um ano, o ex-prefeito Lindberg Farias ameaça a aliança do PMDB com PT no Estado do Rio. Unido ao atual governo e à campanha para reeleição do governador Sérgio Cabral, o PT regional ameaça sair da coligação porque Lindberg, agora candidato ao Senado, não teria o mesmo tempo de televisão de seu companheiro de chapa, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB). Com isso, o PT adiou para o dia 29 a convenção estadual do partido, prevista para acontecer no sábado.



No fim do ano passado, Lindberg brigou porque queria ser o candidato do PT ao governo do Estado. Dessa vez a confusão começou com os aliados. Pelo menos três dos 12 partidos que fazem parte da coligação que sustentam a candidatura de Cabral não querem dar seu espaço de televisão ao ex-prefeito. O primeiro a pular fora oficialmente foi o PSB. O presidente do partido, o deputado federal, Alexandre Cardoso, anunciou que não apoiaria Lindberg. Agora é o PTB de Roberto Jefferson e o PSC do deputado federal Hugo Leal que se negam a ceder seu espaço no programa eleitoral gratuito ao candidato. Explicação oficial não há, mas nos bastidores políticos contam que problemas anteriores enfrentados por Lindberg com estes partidos estariam provocando a debandada.



Enquanto isto, Lindberg joga com o interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ter o senador Marcelo Crivella como candidato forte no Rio e ameaça largar a coligação e sair para o Senado numa chapa independente que o uniria ao candidato do PRB. Crivella ainda quer mais, montar uma chapa completa com o deputado estadual Wagner Montes, do PDT, que por enquanto faz parte da coligação que apoia Cabral.



Jorge Picciani, principal articulador de Cabral na coligação, tenta acalmar os ânimos. “No dia 27, não há dúvida que vamos fazer a convenção que lançará Sérgio Cabral a governador, Picciani e Lindberg ao Senado. Não há hipótese de ser diferente”, afirma.



No entanto, setores do PMDB já sonham com a oportunidade de agregar à coligação os militantes do PR do ex-governador Anthony Garotinho, trazendo para chapa o candidato ao Senado do partido, o deputado federal Manoel Ferreira. Isto porque as chances de o ex-governador se candidatar diminuem a cada dia. Depois de o Tribunal Regional Eleitoral tê-lo tornado inelegível até 2011 por abuso de poder econômico, agora ele também estaria impedido de concorrer porque o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei Ficha Limpa vale para os candidatos que tenham condenação colegiada, caso de Garotinho.

Fonte: Página 13

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