segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ideb revela melhoria da educação brasileira em todos os níveis

Levantamento aponta que o Rio de Janeiro deve ampliar investimentos no ensino médio. Persiste a desigualdade entre negros e brancos no acesso à Educação.

A educação brasileira melhorou em todos os níveis. É o que comprovam os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Mas, se os dados refletem um avanço importante, fruto de políticas voltadas para a melhoria da qualidade da educação, simultaneamente revelam grandes desafios para que o Brasil cresça com justiça social.

No Estado do Rio de Janeiro as metas foram atingidas para as séries iniciais e finais, mas no ensino médio houve queda no índice e a meta não foi alcançada. Verifica-se, aprofundando um pouco mais a análise, que escolas situadas em bairros privilegiados, com infra-estrutura adequada, destacam-se com médias positivas, enquanto comunidades com carências essenciais alcançam os piores resultados.

Os números deste desequilíbrio podem ser justificados pela falta de identidade entre a educação oferecida e a realidade dos jovens moradores de comunidades. A necessidade de ingressar mais cedo no mercado de trabalho, os altos índices de gravidez na adolescência e a exposição à violência são também responsáveis, em grande parte, pelos casos de evasão escolar desses alunos, negros em sua maioria.

Mais do que discutir a simples melhoria da qualidade do ensino médio no Brasil, cabe uma discussão mais profunda sobre qual deve ser o papel deste momento da vida escolar. O ensino médio não pode continuar sendo apenas um grande pré-vestibular, pois é nesta etapa que os adolescentes se preparam para desafios, consolidam valores e atitudes, elaboram projetos de vida, e encerram um ciclo de transformações no qual se preparam para assumir as responsabilidades da vida adulta.

Desigualdade racial – É preciso considerar, ainda, que os avanços na educação em nosso país tem gerado impactos distintos nos diferentes grupos sociais existentes, em especial quando é feito o recorte racial. Persiste a distância entre os níveis de escolaridade de brancos e negros ao longo das décadas.

Embora o acesso ao ensino médio tem aumentado para todos os grupos, existe uma diferença de dois anos na média de escolaridade entre brancos e negros que não tem mudado com o passar do tempo. Em 2007, 5,6% dos jovens brancos frequentavam o ensino superior, enquanto apenas 2,8% dos jovens negros com 16 anos ou mais estavam nesta condição. Esses dados reforçam a necessidade de implementação de políticas focadas na superação do racismo e na valorização da diversidade cultural em nossas escolas.

Algumas ações destacam-se para a conquista de uma educação com qualidade e equidade:

• Valorização profissional dos educadores;

• Continuidade das políticas de distribuição de renda;

• Articulação entre escolas, secretarias de educação e instituições de formação de professores;

• Planejamento para enfrentar a carência de educadores em algumas áreas;

• Projetos de Gestão que permitam a realização de diagnósticos e planejamentos para enfrentar as dificuldades;

• Efetiva implementação da Lei 10.639, que insere no currículo escolar a educação para as relações étnico raciais.

Sobre o Ideb – O Ideb foi criado em 2007 para redirecionar as políticas de melhoria da educação. O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos por meio do Censo Escolar, e pelas médias de desempenho nas avaliações do Inep e da Prova Brasil. Podemos dizer que o IDEB é a “nota” do ensino básico em nosso país. Numa escala que vai de zero a dez, o Ministério da Educação fixou a média seis como objetivo para o país, a ser alcançado até 2021. Chegou-se a essa meta com base na média das notas de proficiência dos países desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

Fonte:  Blog do Deputado Federal Edson Santos

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