quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pós-enchentes: Quilombolas tentam recomeçar a vida

Em Alagoas, cinco comunidades quilombolas sofrem com as consequências das enchentes

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Suana Nobre

Já são mais de oito dias que as enchentes atingiram Alagoas. Em meio ao cenário de destruição, comunidades quilombolas tentam sobreviver e vivem o drama do recomeço: escassez de alimentos, difícil acesso, casas destruídas e proliferação de doenças transmitidas por meio da água contaminada.

De acordo com o levantamento realizado pela gerência de núcleo quilombolas do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), ao todo são cinco comunidades atingidas - direta ou indiretamente - pelas fortes chuvas ocorridas no Estado: Gurgumba em Viçosa, Muquém em União dos Palmares e Filús, Jussarinha e Mariana, localizadas em Santana do Mundaú.

“A situação dos remanescentes quilombolas atingidos é grave. Desde o início estamos mobilizados para dar assistência aos desabrigados. Junto com o Corpo de Bombeiros, o Iteral esteve presente na comunidade de Gurgumba, em Viçosa, para doar cestas básicas e água”, afirmou o presidente do Iteral, Geraldo de Majella.

Em Gurgumba, cerca de 30 famílias estão alojadas no entorno da linha do trem, aproximadamente 50 metros do rio Paraíba. Algumas pessoas já apresentam sintomas de doenças causadas pelo uso de água contaminada.

“São 80 crianças em Gurgumba. Elas já apresentam problemas na pele, com manchas e feridas. Também há índice de esquistossomose no local”, disse Berenita Melo, gerente do núcleo quilombolas.

Na comunidade de Muquém, em União dos Palmares, mais de 80 famílias ficaram desabrigadas e estão alojadas na escola da comunidade e no posto de saúde. O Iteral, junto com outros órgãos do Estado, e a Fundação Cultural Palmares estão prestando solidariedade ao local.

"O que a gente mais precisa agora é reconstruir nossas casas", relata a líder da comunidade de Muquém, Albertina Nunes, uma das desabrigadas. Segundo ela, agora que água já baixou, algumas pessoas já estão saindo dos abrigos para tentar reconstruir suas casas e suas vidas.

Santana do Mundaú - As comunidades quilombolas localizadas em Santana do Mundaú - Filús, Jussarinha e Mariana – não foram atingidas diretamente pelas enchentes. No entanto, sofrem consequências causadas pelas cheias do rio. Como o centro comercial do município foi todo destruído, os quilombolas enfrentam dificuldades para conseguir alimento.

Além da falta de mantimentos, os quilombolas de Santana do Mundaú também são contaminados pelas doenças transmitidas pela água suja que corre no local.

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Suana Nobre
Assessora de Comunicação
Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral)
http://www.iteral.al.gov.br
Fone: (82) 8867-6421

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