segunda-feira, 18 de outubro de 2010

RESOLUÇÃO DA CUT-SE sobre o 2º turno: votar dilma 13 e assegurar que “A direita não passará”*

 

A CUT-SE empenhou-se na construção e defesa da Plataforma da Classe Trabalhadora para as eleições 2010 na perspectiva de um projeto democrático e popular para nosso país que assegure desenvolvimento sustentável, com valorização do trabalho, igualdade e distribuição de renda.

O resultado do 1º Turno evidenciou que a classe dominante continua com forte influência no aparato estatal e que urge uma reforma política para, principalmente, combater o poder econômico nas eleições.

A candidatura de José Serra (PSDB- DEM) foi a principal porta-voz dos interesses da elite brasileira. Serra possui as credenciais para tal papel, pois na condição de deputado constituinte votou: a)contra o monopólio nacional de distribuição do petróleo, b)contra as garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego; c)contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas; d)contra implantação de comissão de fábrica nas indústrias; d)negou seu voto pelo direito de greve; e)negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário; f)negou seu voto pelo aviso prévio proporcional; g)negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical; h)negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio; i)negou seu voto pela garantia do salário mínimo real (fonte: DIAP – “quem foi quem na constituinte”).

Soma-se a este currículo, ter sido ministro no Governo FHC de triste memória para o povo brasileiro por ser marcado: a)pela entrega das riquezas do país às empresas estrangeiras, através da privatizações; b) desemprego; c)arrocho salarial; d)degradação ambiental; e)repressão aos movimentos sociais; f)ataques aos direitos dos trabalhadores; g) precarização das políticas públicas.

Enquanto governador do Estado de São Paulo, aplicou fielmente a cartilha neoliberal de Estado mínimo para os pobres e máximo para os ricos : arrocho salarial, repressão aos movimentos sociais(vide os ataques policiais aos professores em greve e trabalhadores rurais), intensificou os pedágios nas rodovias, precarizou a saúde pública e outras políticas sociais

A campanha Serra aglutinou o que há de mais atrasado e reacionário na sociedade brasileira (grande mídia, fundamentalistas religiosos de direita, grandes empresários e latifundiários e seus principais partidos : PSDB – DEM (ex-PFL)), com um caráter fascista, marcado por mentiras e preconceitos que só encontra similar no período pré-golpe militar em 1964.

Chegado o 2º Turno, a CUT-SE reafirma seus princípios de central sindical marcada pela liberdade e autonomia sindical e pela defesa das bandeiras de luta da classe trabalhadora na construção de um país democrático, justo e igualitário, enfim, socialista.

Neste sentido, não há como vacilar. Apesar dos limites, contradições e equívocos do governo Lula/Dilma, é inegável que este foi superior ao governo FHC/SERRA, ao implementar políticas econômicas e sociais aumentando a participação dos trabalhadores assalariados na força de trabalho e elevando o padrão de vida dos mais pobres, a exemplo de: a)valorização permanente do salário mínimo; b)geração de empregos formais; c)aumento dos investimentos em educação, através da ampliação da criação do FUNDEB, piso salarial dos professores e ampliação das vagas nas universidades públicas; d)política externa em defesa da soberania nacional e da integração da América Latina; e)ampliação de políticas de transferência de renda (bolsa família, expansão do crédito rural); f)redução das desigualdades regionais; g)interrupção das privatizações.

Por esta razão, fazemos um chamado aos companheiros(as) que apoiaram as candidaturas do PSTU, PSOL, PCB, PV para cerrarmos fileiras contra a direita de nosso país, pois entendemos equivocada a caracterização de que o segundo turno é a disputa entre a direita x direita, o que, para alguns, fundamenta a defesa do voto nulo. Ora, a abstenção é antagônica à política como prática de enfrentamento das contradições reais da sociedade, tal como se manifestam efetivamente, revelando um idealismo que ignora a realidade material da luta objetiva que se trava, neste momento, em nosso país.

Outros chegam a dizer que é melhor a suposta direita desnudada (candidatura Serra) do que a suposta direita travestida (candidatura Dilma), insinuando que o retorno da direita desnudada (Serra) levaria a mobilização dos trabalhadores, ou seja, quanto pior melhor. Ledo engano. Para nós “o pior é o pior em todos os sentidos” e quanto mais enfraquecida e atacada a classe trabalhadora, através das políticas neoliberais de um eventual governo SERRA, mais difícil será suas condições de mobilização e luta. Lembremos o ocorrido na Alemanha, na década de 30, quando a posição “quanto pior, melhor” facilitou a ascensão nazista. E não há dúvida de que José Serra, por sua campanha fascista, pelo seu governo no Estado de São Paulo e pelos 08 anos do Governo FHC tornou-se inimigo das bandeiras de luta da classe trabalhadora.

Então, ao passo que reafirmamos nossa defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, bem como nossa autonomia frente ao governo eleito, conclamamos à militância sindical, a todos os movimentos sociais a cerrar fileiras para votar Dilma - 13 e assegurar que “a direita não passará”.

*No pasaran ! (não passarão!), foi o lema dos partidários da Segunda República Espanhola (1931-1939) na luta contra a direita comandada pelo general Franco. Este célebre slogan está associado a Dolores Ibarrurí Gómez (1985 -1989), La Passionaria, pronunciado por ela quando Madrid estava cercado pelas tropas fascistas de Franco.

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