quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A grande imprensa e a intolerância de classe

29 de Novembro de 2010

Temos assistido nos últimos dias nos canais de televisão e nas mídias em geral, que o "terror" está instalado no Rio de Janeiro. Bem, em se tratando de Grande Imprensa, não tem nada de novo no ar, até porque já assistimos por diversas vezes esses mesmos tipos reportagens. Ela vive do sensacionalismo burguês e com isso consegue de fato relatar e realizar o terror e pânico que se não existia, passa a existir, pois tudo que um político, "bandido" e polícia querem é aparecer nos jornais e televisão como manchete, obviamente isto se torna lucrativo e atrativo para as redes de comunicação de massa.

O que a Grande Imprensa ganha com isso?

1º Vender a idéia do caos, criar pânico e colar o olho de todo mundo na telinha, como se o Brasil estivesse desabando;

2º Fazer a disputa política, ou seja, impor sua posição sobre o acontecido;

3º Orientar o que ela considera ser certo em detrimento da posição do estado e opinião da população;

4º Estimular o ódio de classe: Guerra entre Ricos x Pobres. Pois assim se vende mais jornais, revistas e tem mais audiência nos telejornais.

Você já parou para analisar, quantas pessoas ficaram grudadas na televisão, somente ontem durante os telejornais, só para assistir as cenas dos policiais contra bandidos, entrevistas dos “especialistas em segurança”, opinião do editorial do jornal, anônimos chorando, crianças correndo agarradas com os pais, etc?

Pois então, passe a fazer uma leitura mais crítica da Grande Imprensa, e observe que ela tem um papel extremamente negativo nesse processo. Chegando até ser criticada pelo próprio comando operacional da polícia, por divulgar imagens estratégicas da operação.

Existe uma parcela da população, principalmente da classe média alta e elite, que influenciada pela grande imprensa, possui uma intolerância e ódio que chega a dar nojo. Acham que é só chamar o Capitão Nascimento e os problemas da criminalidade no RJ e do Brasil estão resolvidos.

Ledo engano, se exterminar resolvesse alguma coisa a “lei da pena de morte” já teria solucionado todos esses problemas nos EUA, o que não é o caso, e olha que lá(EUA) a pena de morte é oficializada, aqui não. Ou seja, aqui mata-se sem direito algum. Como diria o compositor Marcelo Yuka: "...Era só mais uma dura, resquício de ditadura, mostrando a mentalidade, De quem se sente autoridade, nesse Tribunal de Rua...".

É muito fácil chamar a polícia e meter tiro em todo mundo e depois fechar os olhos as mazelas das zonas periféricas, como se tudo tivesse sido resolvido com a matança generalizada. Daí, vamos todos para nossas casas, uns para os condomínios de luxo e outros para os morros, vivendo felizes para sempre, como se não fossem vizinhos e jamais se encontrassem no dia-a-dia.

Não defendo a criminalidade em hipótese alguma, muito pelo contrário, defendo penas duras para quem mata. Mas há de convir que o estado tem um papel muito maior do que entrar em favela atirando. Até mesmo a própria sociedade tem um papel fundamental nisso tudo, ela é a principal articuladora de movimentos para que este cenário se acabe.

Pergunto:

Quem financia o tráfico, armas inclusive?!

Quem fabrica estas armas?!

Quem compra e vende droga?!

Como um jovem “marginal” morador da favela, com perdão da palavra, FUDIDO(sem dinheiro), pode comprar toneladas de drogas e armas?!

Que oportunidades o estado e a sociedade proporcionaram a esses jovens, que são tidos como marginais?!

Que qualidade de vida a família desses “jovens marginais” possuem?!

Que tipo de tratamento e recuperação esses “jovens marginais” terão nas cadeias e presídios?!

Será que alguem em sã consciência, acha que morar em favela sendo alvo de conflito, sob ameaça de desabamento das casas pelas chuvas, ausência ampla do estado, sob extorsão de miliciano,etc, pode viver tranqüilo como se nada estivesse acontecendo?!

Gente, essas pessoas não tiveram outra solução, o sistema não lhes dá oportunidade. Elas não vivem lá porque querem, vivem lá porque é a única opção.

O mais lógico é que as classes mais ricas se articulem com as mais pobres, estas sim vivem o problema da violência na pele, pois moram nas áreas de conflito, ao contrário dos ricos que moram em seus apartamentos em condomínios de luxo, para daí sentar, discutir e encontrar as soluções dos problemas. Prender e matar bandido pura e simplesmente não resolve, tem que se ter articulação permanente entre as classes e tirar posição, sem a influência maléfica dos grandes meios de comunicação, que querem o “terror” para vender mais. Só teremos “paz” se houver articulação entre classes, e isso tem que ser um Movimento, e como tal não pode parar.

André Barbosa

Membro do Diretório Municipal do PT de Macaé-RJ

Membro da Direção Estadual da Articulação de Esquerda-RJ

Membro do Conselho Municipal de Educação de Macaé-RJ

Funcionário da Emater-RIO

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