sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A nova conjuntura que será tocada nas politicas racial

Brasília - Trinta dias após tomar posse, a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros (foto), tomou a iniciativa de nomear a sua própria equipe e exonerou os principais dirigentes da gestão anterior, entre os quais o Secretário Executivo, João Carlos Nogueira, o Secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas, e o de Comunidades Tradicionais, Alexandro Reis. Também foram exonerados Sandra Cabral, chefe de gabinete dos ex-ministros Edson Santos e Elói Ferreira de Araújo.



Embora já fossem esperadas, só nesta segunda-feira as mudanças se tornaram públicas e deverão ser oficializadas com a publicação no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 02 de fevereiro.



Com a saída de Nogueira, Martvs e Sandra Cabral, a nova ministra sinaliza com uma ruptura com a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e com a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), correntes integradas por negros militantes, respectivamente, do PT e do PC do B, que ocupavam os principais cargos na SEPPIR desde que foi criada, em 2003.



Segundo analistas, saem dirigentes políticos e gestores experientes como Martvs Chagas, substituídos por nomes desconhecidos, como advogada baiana, Iamona Brito, que assume o seu lugar na Secretaria de Ações Afirmativas - o mais importante cargo, depois da Secretaria Executiva.



Com as mudanças, a Secretaria - que é ligada à Presidência da República e tem status de ministério - passa a ter uma direção afinada com lideranças negras ligadas às Organizações Não-Governamentais, que se apóiam em fundações e instituições norte-americanas, como a Fundação Ford, e passa a ter maior distância das lideranças negras ligadas aos Partidos da base de apoio ao Governo.



A UNEGRO, a corrente do PC do B, por exemplo, perdeu dois dos seus quadros – Alexandro Reis, e Benedito Cintra, ex-deputado estadual por S. Paulo, responsável pela Assessoria Parlamentar, que também saiu.



Mesmo assim, em reunião na semana passada, em Salvador, a UNEGRO decidiu manter-se na SEPPIR em um cargo oferecido pela nova ministra. Inicialmente Bairros teria oferecido a Ouvidoria, porém, a oferta teria sido rejeitada.



Nomes novos



Para os lugares de Nogueira na Secretaria Executiva, assumirão o economista Mario Theodoro Lisboa, diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 53 anos, conforme Afropress revelou, com exclusividade, na semana passada.



O lugar de Reis será ocupado por Ivonete Carvalho, que era Diretora de Programa. Carvalho é ligada ao senador Paulo Paim (PT/RS) e teria tido o apoio de setores da CONEN gaúcha. Ela será substituída pela professora Silvany Euclênio, de Ribeirão Preto.



Euclênio foi uma das líderes do movimento contrário a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, liderado pelo grupo político da qual a ministra faz parte e que tem como representante parlamentar o deputado federal Luiz Alberto, do PT da Bahia.



Para a Secretaria de Ações Afirmativas, a nova ministra escolheu Iamona Brito, advogada negra da Bahia. A nova ministra também já teria escolhido a historiadora Wânia Santana, do Rio, cotada para assumir a Secretaria de Planejamento.



Experiência descartada



O titular da Secretaria de Ações Afirmativas, o sociólogo Martvs Chagas, 43 anos, era a liderança negra de maior experiência nos quadros da SEPPIR, tendo participado do processo que resultou na sua criação, em 2003, no primeiro mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Mineiro, Martvs é dirigente do PT e chegou a ocupar o cargo de ministro interino, no espaço entre a saída da ex-ministra Matilde Ribeiro - exonerada por envolvimento do caso dos cartões corporativos - e a posse do deputado federal Edson Santos.



Na ocasião, foi o próprio Lula quem, publicamente, ao dar posse a Santos, recomendou sua permanência. Com a sua saída, a SEPPIR perde um articulador político com trânsito em amplos setores do Movimento Negro e partidário.



Nesta terça-feira (1º/02) Martvs confirmou a saída e disse à Afropress que deixa o Governo, mas não deixa a política. “A política agente não deixa”, afirmou. Ele teria recebido convites para permanecer na Esplanada em outros Ministérios, porém, não quis falar a respeito.



Outra que sai é Sandra Almada, assessora de Comunicação da SEPPIR, cujo trabalho vinha sendo criticado, desde a gestão de Elói Ferreira. Para o seu lugar, um dos nomes cotados é o do jornalista Edson Cardoso, do Jornal Irohin, atualmente fora de circulação.



Não se sabe ainda qual será o destino do Ouvidor, advogado Humberto Adami, funcionário licenciado do Banco do Brasil.



A SEPPIR tem 42 cargos de confiança (de livre nomeação) da ministra – os DAS – Direção de Assessoramento Superior, com salários que variam de R$ 2.115 a R$ 11.179.



Fonte: afropress

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