segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SER NEGRO, TER CONSCIÊNCIA NEGRA... SER APN NO BRASIL

*Helcias Pereira

Para poder refletir e entender a atuação do movimento negro na conjuntura atual, tanto no Brasil quanto fora dele, faz-se necessário recordar o mais longínquo possível, um passado/presente que se perpetua permanentemente nas lutas e resistências dos povos afro-ameríndios.

Ao lembrar Roselis Von Sass em seu livro “Revelações inéditas da história do Brasil” (1973), nos reportamos para a transformação geográfica deste país/continente, obviamente considerando desde os primórdios a realidade de seus habitantes, os “tupanos” também chamados “filhos de Tupã” ou “filhos do sol e da terra”, os quais viviam na floresta em perfeita harmonia, fato que não davam um grito sequer na selva para “não agredir nem desrespeitar” os outros seres, por isso, era natural a comunicação “imitando os animais”, eram homens e mulheres que falavam cantando como parte que o eram da mãe natureza, até então harmônica e indestrutível. Leia-se: Os filhos de Tupã haveriam de chegar neste paraíso advindos de terras distantes atravessando oceanos com suas pequenas embarcações, encontrando ilhas quase sempre submersas, explorando grandes geadas e, sobretudo, como nômades que o eram, realizando grandes aventuras, povoando e transformando o mundo até então desconhecido.

Então surpreendentemente nos anos contemporâneos descobriu-se “LUZIA”, um fóssil encontrado no Nordeste brasileiro por entre as cavernas do Piauí, comprovando que há milhares de anos os seres humanos advindos da África conseguiram chegar ao Continente Sul Americano. O fóssil encontrado seria naturalmente bem mais antigo que as esculturas feitas no México datadas 1000 anos antes de Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral. Indubitavelmente, tratava-se de inteligência humana extremamente avançada à época, caso que nos faz refletir criticamente o quanto foram no mínimo tendenciosos os argumentos dos colonizadores portugueses ao dizerem que o povo africano não tinha cultura, civilização e nem mesmo ALMA. Torna-se então mais que necessário refletir sobre a Mãe África enquanto berço da humanidade!

Na verdade, o que devemos aprofundar é algo muito lógico: Como poderíamos acreditar que não havia civilização na África, se milhares de anos antes mesmo da Europa existir, os africanos já dominavam agriculturas e tecelagens, Técnicas medicinais, conhecimentos matemáticos e geométricos, várias escritas, metalurgias e fundições, embarcações com navegações marítimas e comércio por todo continente? Como então chegaram à Mongólia, Austrália, nas Américas e sobretudo, América do Sul? E ainda: como explicar tamanha engenharia e arquitetura em cidades urbanizadas, nas muralhas do Zimbábue, nos obeliscos da Etiópia, nas pirâmides do Egito, nos grandes palácios no Império de Mali e em outros grandes reinos e impérios? Como negar então nossa descendência diante de uma série de obviedades no sentido de que o povo negro povoou o mundo, naturalmente adequando-se geneticamente às climatizações locais, ora reduzindo, ora aumentando o teor da melanina causando necessária resistência epidérmica. Essa é a verdadeira defesa de que ser NEGRO é ser universal, e ser descendente da Mãe África.

O que seria então TER CONSCIÊNCIA DE SER NEGRO (A)?

Considerando que a ÁFRICA é o berço da humanidade, defendo que SER NEGRO é ser antes de tudo, filho da África, homens e mulheres descendentes geneticamente de diferenciados grupos étnicos e culturas como os Yorubás, Gêges, Bantos e tantos outros, cuja ancestralidade está presente no nosso jeito de falar, andar, dançar, vestir, cozinhar, etc. Está na força da nossa oralidade, intrínseco na nossa epiderme, nos traços faciais, no encarapinhado de nossos cabelos, na consciência sócio-histórico-cultural e religiosa, sobretudo, correlacionados às raízes de matizes africanas. Mas também, está na consciência cidadã de dizer não ao racismo e combatê-lo junto a outras formas de preconceito, independente da quantidade de melanina.

Ser negro é ter CONSCIÊNCIA NEGRA = consciência ÉTNICORRACIAL, que por sua vez implica em alto-identificação, sentimento de pertencimento, de ser afro-brasileiro e sentir na grande contextualidade a importância de se assumir afro-ameríndio.

Ter consciência negra é não aceitar comportamentos e ações racistas, discriminatórias e muito menos segregacionistas, é não acirrar e ainda se opor a qualquer tipo de sentimento de superioridade diante do outro por causa das diversidades, é dizer não ao ETNOCENTRISMO que oprime e segrega da mesma forma.

Ter consciência negra é não aceitar a intolerância religiosa que humilha e agride individual e institucionalmente as comunidades de fé de matriz africana; É não aceitar discriminações correlatas a exemplo dos diversos casos de homofobias e xenofobias, principalmente no tocante a prática do eurocentrismo.

Ter consciência negra é defender permanentemente a causa do povo negro, cuja comunidade ainda vivencia os infortúnios do colonialismo e da exploração de mão-de-obra barata e semi-escrava.

Ter consciência negra é lutar por políticas de promoção da igualdade racial. Defender as mulheres e crianças negras dos estereótipos e abusos etnocêntricos, capazes de esmorecer sua alto-estima, fruto de todas as inoportunidades causadoras de extremas desigualdades sócio-culturais e econômicas.

Ter consciência negra é lutar igual e simultaneamente por direito à terra, educação com qualidade, segurança alimentar permanente, cultura, esporte e lazer, inclusive resgatando e avivando os cantos e as brincadeiras circulares ancestrais, garantia de direitos a moradia com dignidade e ainda um olhar com ações direcionadas as comunidades tradicionais remanescentes de quilombos e de matriz africana. Enfim, garantir políticas públicas reais de ações afirmativas que promovam a igualdade racial e, sobretudo, estabeleça o compromisso de combater as injustiças sociais causadas pelo RACISMO AMBIENTAL que promove sistematicamente a excludência, a vulnerabilidade e a negação de direitos daqueles que se condicionam em formar favelas e sobreviver nas lamúrias das serras, vales, grotões e ao lado dos lixões das grandes cidades. A LUTA E A RESISTÊNCIA DO POVO NEGRO

Era preciso acreditar na luta, dinamizar e revitalizar a história. Era preciso resgatar fatos e experiências para continuar o legado de transformação e libertação do povo oprimido, antes pela exploração colonial e depois pela ideologia do branqueamento, as quais conseguiram a duras penas segregar e marginalizar o povo negro por séculos seguidos no Brasil.

É preciso identificar e resgatar a luta vitoriosa dos guerreiros do Quilombo dos Palmares, sendo este o de maior envergadura e independência de todos os tempos. Memorizar seus grandes comandantes Ganga-Zumba e Zumbi, que juntos reinaram por um século resistindo às ofensivas do opressor é algo imprescindível. Palmares resistiu organizando seu próprio Estado, sobrepondo-se as investidas inimigas com guerrilha avançada, com serviços de inteligência, organizando conselhos sócio-administrativo, judicial e militar; criando forjas e arando as férteis terras de forma que se mantiveram permanentemente ampliando a agricultura; comercializando produtos, libertando escravos e fazendo seu povo viver o apogeu da liberdade. Gamba-Zumba e Zumbi foram tratados com pompas de Rei e hoje temos Zumbi (último comandante-em-chefe do Quilombo dos Palmares) tornado herói nacional brasileiro desde 21 de março de 1998. Entretanto, não poderemos esquecer as poucas e valiosíssimas mulheres palmarinas reverenciadas pelo Movimento Negro contemporâneo, a exemplo das comandantes Acotirene, Aqualtune e Dandara.

O movimento negro lutou em todos os momentos de sua existência por liberdade e dignidade, desde o final do século XVI, quando resistiu contra a escravidão nos engenhos, senzalas, minas e canaviais, quando constituiu “mukambus” erguendo cafuas em terras inóspitas e de igual estratégia de segurança; quando atuou coletivamente na revolta do povo Malê, na revolta das chibatas, da balaiada, em Canudos e outros mais.

O movimento negro pós-abolição foi extremamente importante quando se organizou sócio-culturalmente junto às sesmarias e irmandades, lutando contra o não acesso aos clubes de lazer e outros espaços sociais, bem com, pela liderança no movimento operário até então monopolizado pelos imigrantes europeus e ainda por patentes militares visto que era negado ao negro o direito de se tornar oficial militar.

A luta não foi menor quando surgiram as primeiras tipografias nas grandes cidades e a forma de comunicação pela imprensa negra a exemplo dos jornais: “o alfinete”, “clarim da alvorada”, “a sentinela” e tantos outros entre as décadas de 1920 a 1950.

Da mesma forma o Teatro Experimental e a Frente Negra Brasileira foram organizações fundamentais para expressar e dimensionar a força da comunidade negra, visto que a Frente Negra conseguiu associar milhares de Negros, rompendo as fronteiras do Sudeste e estendendo-se até o Nordeste e Centro Oeste. Essa acabou sendo caçada politicamente durante o Estado novo de Getúlio Vargas.

A LUTA PÓS-DITADURA MILITAR

Inúmeros militantes intelectuais ou simples operários idealistas crentes na mudança da sociedade foram perseguidos, torturados e mortos pelos algozes do poder político-militar. Religiosos que apoiavam o movimento também foram perseguidos, centenas de mulheres nunca mais viram seus maridos; muitos filhos nunca entenderam direito o desaparecimento de seus pais.

Então veio a luta por liberdade política com o advento da campanha por anistia geral na década de 1970 - 1980, o militarismo já era enfrentado por políticos dos partidos considerados de esquerda, alguns deles absorvendo ou sendo absorvidos pela comunidade negra. Surgiram vários partidos com denominações comunistas e socialistas, além dos trabalhistas. Algumas lideranças políticas se destacaram durante vários anos. Aqui exemplifico o Deputado Caó que protagonizou a Lei contra o racismo e o primeiro Senador Negro do Brasil Abdias Nascimento baluarte na luta por igualdade racial no Brasil, dentre outros valiosos ativistas. Naturalmente como fruto dessa jornada de luta de tantos companheiros, inclusive de forma anônima, ascendeu-se então o nome de Luiz Inácio Lula da Silva que posteriormente superou todas as expectativas tornando-se o primeiro operário presidente do Brasil por dois mandatos consecutivos.

Não diferente, mostraram-se também destemidos os segmentos sócio-religiosos a exemplo dos grupos que seguiam a Teologia da Libertação que após conferências em Medelin e Puebla no México suscitou uma série de transformações na forma de refletir a realidade do povo, cujos pilares foram: cristianismo e socialismo; a prática libertadora de Jesus Cristo, Cristologia libertadora, Fé e Luta como instrumentos de libertação; Fé e ação; a bíblia e a negritude; além dos documentos valiosos pós-conferências.

A exemplo do vanguardista Movimento: JAC, JEC, JOC, JUC que reunia jovens intelectuais do movimento estudantil universitário além dos operários e agricultores, foi importante também a articulação da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e ainda as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), dentre outros como o Movimento de Educação de Base (MEB), bem como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT). No entanto já ameaçados por um “tal projeto LUMEN 2000” que apostou e investiu na organização e no fortalecimento de setores, digamos assim, mais conservadores da Igreja.

O SURGIMENTO DOS APNs

Com o advento da Campanha da Fraternidade em todo Brasil “Ouvir o clamor do povo” ou ainda de forma divergente no Rio de Janeiro que defendeu o tema “negro um clamor de justiça” acontecendo em pleno centenário da abolição da escravatura em 1988, houve articulações de teólogos e demais intelectuais negros e não-negros ao perceberem o momento como de suma importância para chamar a atenção da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) no sentido de refletir e tomar atitudes frente à realidade gritante de miserabilidade da comunidade negra, inclusive nas instâncias da Igreja.

Era preciso enegrecer as paróquias, suas celebrações e liturgias. Era preciso chamar a atenção de toda Igreja para refletir a realidade do povo negro, segregado por séculos, esquecido pelo Estado e pela própria instituição religiosa, que assumira compromissos importantes durante as conferências de Medelim e Puebla. O compromisso de luta pela transformação da sociedade favorecendo prioritariamente os pobres e oprimidos passou a ser um desafio para segmentos progressistas da Igreja e nesse contexto, após várias articulações de teólogos, homens e mulheres negras inseridas nessas comunidades de fé, foram feitas intervenções diretas na forma de enxergar a cultura e a religiosidade dos afro-brasileiros como algo que merece respeito, dado a sua diversidade e dimensão ancestral. Bem como, a realidade gritante em que passava a comunidade negra nas favelas e tantos bairros de periferia, chamando a atenção para uma ação mais direcionada, a ser assumida na campanha da fraternidade de 1988 pela CNBB.

Neste contexto, é necessário dizer que desde os meados de 1970 essa articulação era algo real e irreversível. Aconteceram encontros significativos com a presença de bispos, padres, religiosos (as), diversos teólogos leigos e intelectuais, além de vários jovens inseridos nas organizações paroquianas. A PJMP e as CEB´s foram extremamente importantes no diálogo interreligioso e macro-ecumênico, fazer movimento negro nessas instâncias era avivar a história africana e principalmente fomentar e conscientizar para uma identidade étnica, de pertencimento e da busca por justiça e dignidade, iniciando assim um envolvimento considerável junto aos segmentos do Movimento Negro Brasileiro. Foi então que surgiu em São Paulo, no dia 14 de março de 1983 o nascimento dos AGENTES DE PASTORAL NEGROS que a principio se limitou no sudeste, porém expandindo-se na mesma década para o Sul, Norte-Nordeste e Centro Oeste do Brasil.

Como num prelúdio, os APNS perceberam que aquele subsídio preparado em 1979 apontou uma situação periclitante em relação ao povo negro brasileiro, era preciso uma nova estratégia de participação e ação, fomentar nas comunidades de fé uma maior reflexão e debates sobre a realidade do povo negro, era extremamente necessário, precisava-se tomar um novo rumo para a transformação da história. Criar os APNs foi uma forma real e vital para fortalecer a luta do Movimento Negro desde aquela época, no sentido de incluir, respeitar e conviver com responsabilidade junto às comunidades de fé de matrizes africanas e outras tradicionais, valorizando suas ancestralidades e oralidades contemporâneas. Obviamente, cantar toadas e cânticos temáticos em relação à negritude e sua africanidade dentro dos espaços litúrgicos passou a ser um grande e real desafio. Não obstante, tocar atabaque, chacoalhar ganzás, repenicar pandeiro era uma atitude revolucionária capaz de provocar antagonismos e aflorar posturas preconceituosas, arraigada de etnocêntrismo e racismo nos âmbitos individual, institucional e ambiental.

O dado da fé era algo de suma importância para manter firme a luta dos novos agentes, sendo necessário no decorrer da caminhada aprofundar e rever de forma natural algumas “situações dogmáticas” cujo cristianismo ocidental limitava importantes passos no sentido de ampliar o diálogo interreligioso. Neste tocante, aprofundar a importância da união e respeitar a diversidade tornou-se uma questão de testemunho de fé libertadora.

OS APNs E SUAS FACES

Como fogueirinhas os APNs se organizavam em inúmeros mocambos espalhados pelo Brasil, antes, sua maioria católica fazia ecoar ao som de tambores nos inúmeros encontros de formação, celebrações afros e mushakás, os cânticos:: “dança aí negro nagô”, “eu sou negro sim”, “ei meu pai quilombo” e outros. Ouvimos bispos como Dom Helder Câmara e Dom José Maria Pires (Dom Zumbi) clamando por “Mariama” para olhar e cuidar do seu povo, além de dizerem que não bastava a Igreja pedir perdão pelos males causados aos negros escravizados. Vimos padres e várias lideranças de congregações religiosas portando “filás” e “abadas” brancos e/ou coloridos; cantando e dançando circularmente ao som de tambores; abraçando com alegria e respeito o seu semelhante ao som do refrão “um abraço negro, um sorriso negro, trás felicidade...”. Posteriormente, era possível ver negros e não negros envolvidos nesse novo jeito de celebrar a vida, sobretudo, pessoas das Igrejas Batista, Metodista, Anglicana e principalmente das religiões de matriz africana.

Ser APN era vivenciar essa experiência macro-ecumênica que nos animava a assumir nossa negritude e a respeitar as diferenças étnicas, sociais e religiosas do povo negro. Mas, o mais interessante e de igual importância foi termos em nosso meio a presença de Ialorixás participando dos mocambos, coordenando quilombos estaduais e marcando presença nas programações mais importantes de nossa entidade, a exemplo do 1º Congresso Nacional tanto na cerimônia inicial quanto na abertura para a marcha dos APNs pelo Centro de Goiânia (GO). No entanto, cantar, dançar, abraçar, celebrar, era e continua sendo o nosso jeito de fazer movimento negro tendo como elemento vital o dado da fé e a busca constante por conscientização e organização.

Entretanto, os APNs se organizaram para marcar presença em diversos espaços possíveis, ao ponto de interagir com projetos internacionais, articular políticas juntos aos gestores, apoiar candidaturas populares comprometidas com a nossa causa, assessorar parlamentares alem de pleitear mandatos nas esferas: municipal, estadual e federal, dialogar e compor com segmentos do Movimento Negro dentro de uma linha de parceria, bem como, ocupar vagas em conselhos municipais, estaduais e federais a exemplo do CONE no governo de São Paulo, CONSEA e CNPIR no governo federal sem esquecer a “cadeira” que antes ocupava na CNBB.

Os APNs apoiaram efetivamente a articulação de grandes eventos a exemplo da Marcha Zumbi dos Palmares – 300 anos (1995) que reuniu cerca de trinta mil militantes das mais diversas entidades negras, contribuindo inclusive com a criação da Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN. Neste mesmo ano durante o mês de julho cerca de 350 malungos (as) de todo Brasil participaram com alegria do XIV Encontro Nacional em Alagoas, cujo marco principal foi uma grande vigília na Serra da Barriga durante a madrugada.

Na atual conjuntura, realizamos em 2010 nosso primeiro Congresso Nacional com cerca de quatrocentos APNs advindos de onze delegações estaduais, contamos com presenças da maior importância em temos de personalidades, a exemplo de deputados federais, ex-ministros, gestores do Estado de Goiás e do Município de Goiânia, vereadores APNs inscritos do Congresso e para nossa alegria, mensagens filmadas e escritas, respectivamente pelo presidente de honra do Congresso dos APNs – Senador Paulo Paim (RS) e do então Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Na nova Coordenação Nacional biênio (2010-2012), assumimos efetivamente a condição de organização do Movimento Negro do Brasil, que tem como tema: Organização, Fé e Luta, e que continuaremos atentos e comprometidos no combate a toda forma de preconceito e discriminação. No manteremos macro-organizados e em constante diálogo com as comunidades de fé, com a sociedade e com os governos. Continuamos representados no Conselho Nacional de Segurança Alimentar – CONSEA e no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR, temos vereadores, deputados e senadores com mandatos apoiados por nós. Assumimos com veemência a aprovação do Estatuto do Negro sem duvidas de que este será um instrumento fundamental de formação do nosso povo.

O ano de 2011 está sendo dedicado para a formação geral em busca de uma melhor articulação política junto aos núcleos de base; foi instituído como o ANO DA JUVENTUDE APN que deverá se organizar e descobrir alavancas de participação e de contribuição na caminhada de nossa entidade, além é claro de nos empenhamos em relação às questões de gênero e o diálogo com as Comunidades de Fé de Matriz Africana, ou seja: Indubitavelmente, haveremos de reunir nosso povo cada vez mais para juntos celebrar importantes vitórias com o mesmo axé que tínhamos nos primórdios.

Esta é a maior razão de nos orgulharmos de pertencer aos AGENTES DE PASTORAL NEGROS DO BRASIL!

Concluo então re-afirmando que:

“Ser APNs é ser ativista do Movimento Negro Brasileiro, é ser cidadão consciente, cristão ou não-cristão, negro ou branco, índio ou cigano, rico ou pobre, do Norte ou do Sul, não importa! Mas que esteja disposto (a) a lutar contra o racismo e toda forma de discriminação, sobretudo o intolerantismo religioso; que esteja comprometido com a luta de superação da marginalização sócio-cultural da população afro-descendente; Que incentive as atividades e ações em favor da conscientização e o avivamento da identidade do povo negro e a preservação dos seus valores e sua memória histórica; que entenda a importância da organização do povo e se comprometa em acompanhar e contribuir com a luta das Comunidades Remanescentes de Quilombo, enfim, que tenha uma consciência macro-social capaz de transcender meras ideologias, afirmando e ampliando seu comprometimento em favor do povo afro-brasileiro”.Ser APN é lutar e contribuir por um Brasil justo e mais igual.

Estamos rumo aos 30 Anos de ORGANIZAÇÃO, FÉ E LUTA. Fato que se consolidará em março de 2013, subiremos juntos no solo sagrado da Serra da Barriga, berço do Quilombo dos Palmares no Estado de Alagoas e beberemos da coragem e sabedoria dos nossos ancestrais quilombolas palmarinos, hoje homenageados com a construção do Parque Memorial Quilombo dos Palmares no platô da Serra, que homenageia simultaneamente todos os homens e mulheres que contribuíram e contribuem com a luta do povo negro no passado e na contemporaneidade.

Olorùm Kolofé Axé (Deus, Senhor do Firmamento nos abençoe e nos dê força)

Kò mà berujá = Que seja cada vez mais prazeroso.



Helcias Roberto Paulino Pereira

Membro-Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos – ANAJÔ / APNs-AL

Coordenador Nacional de Formação dos APNs do Brasil

Conselheiro Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR/SEPPIR representando os APNs

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