domingo, 1 de maio de 2011

Polícia tenta impedir protesto nas Lojas Americanas, em SP


S. Paulo - A tentativa de ocupação da Lojas Americanas no Shopping Light, centro de S. Paulo, na manhã deste domingo, 1º de maio, por ativistas da Educafro, terminou com a intervenção da Polícia Militar, que jogou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.
Policiais tentaram prender a irmã Telma, religiosa e líder da Educafro, porém, a detenção foi frustrada pela ação dos manifestantes.
Segundo o diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos, a ação da Polícia começou quando os ativistas se aproximavam da loja. “A Polícia chegou com 20 viaturas, para impedir à todo o custo a nossa manifestação”, contou.
A ocupação da loja foi marcada como forma de protesto à violência sofrida pelo vigilante Márcio Antonio de Souza, torturado por um segurança das Americanas, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na semana passada - quando foi tomado por suspeito do furto de ovos de Páscoa, pelos quais garante ter pago.
O ato também foi convocado para denunciar os freqüentes casos de constrangimentos e violência contra negros nas lojas e supermercados, como os ocorridos no Carrrefour, em 2009, e, mais recentemente, na loja da rede Walmart, em Osasco, e no Extra da Marginal do Tietê, na Penha, Zona Leste de S. Paulo.
Os manifestantes saíram da Rua Riachuelo, sede da Educafro, em direção à loja que fica no shopping em frente à Praça Ramos, e do Teatro Municipal, depois de ouvirem por telefone, de Campo Grande, a saudação do vigilante que falou de sua casa em Campo Grande para agradecer a manifestação de solidariedade.
Márcio disse que “estava muito emocionado”. “Nunca esperei que um povo de tão longe da minha casa fizesse uma demonstração desas”, afirmou, aproveitando para pedir que os protestos aconteçam em outras cidades do Brasil.
Loja fechou
Diante da ameaça de ocupação, segundo Frei David, os gerentes e os funcionários se trancaram na loja, e só houve tempo para os manifestantes fazerem a leitura da Carta "Basta de Racismo" à direção das Americanas, exigindo, indenização à família da vítima, ações afirmativas e punição exemplar para o segurança acusado pela tortura.
“Foi muito acima da nossa expectativa”, disse o Frei, afirmando que o protesto chegou a reunir cerca de 600 pessoas e teve a solidariedade das pessoas que condenaram a violência policila.
Segundo o ativista e coordenador da Educafro, Lyndon Jonhson Barros de Araújo, a manifestação serviu para mostrar a população negra brasileira não aceitará mais a condição de vítima passiva das violências que se repetem com freqüência em lojas e supermercados, onde é tomada por suspeita-padrão.
“Foi muito importante protestar contra a violência dos seguranças das Americanas, mas também da Polícia. Repudiamos a violência como a política nos tratou”, afirmou.
Clara Santos, também ativista da Rede Educafro, disse que a repressão policial atrapalhou, mas não impediu o protesto. “Eles se trancaram para não falarem com nós, e a Polícia chegou jogando bomba”, relatou.
Frei David destacou a ação dos manifestantes que impediram que a Polícia detivesse a irmã Telma. Ninguém ficou ferido durante o protesto. “Nós voltaremos a ocupar, assim que seja possível. E estamos exigindo uma resposta das Lojas Americanas, como também vamos exigir respostas da Walmart e do Extra”, afirmou Frei David.

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Frei David Santos OFM

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www.educafro.org.br

Por: Redação - Fonte: Afropress: Foto: Felipe Rau/AE - 1/5/2011

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