domingo, 22 de maio de 2011

TESE AO III ENCONTRO DE ESTUDANTES NEGROS E NEGRAS E COTISTAS DA UNE

Contribuição do Coletivo Francisca Trindade

O III Encontro de Estudantes Negros e Negras e Cotistas da UNE nos coloca a tarefa de posicionar no centro do debate sobre as recentes mudanças ocorridas no ensino superior, a mudança de paradigmas do Estado brasileiro, historicamente racista, a partir da educação.

As políticas afirmativas servem como mecanismos para a concretização de uma igualdade substancial, que objetivam conferir um tratamento favorável àqueles que historicamente foram marginalizados/as, de modo a inseri-los em condição similar ao daqueles e daquelas que historicamente beneficiaram-se da sua exclusão

Na UNE, pela juventude negra!

A estudantada negra que constrói a UNE deve se empoderar para também dirigir os rumos da entidade, ocupando os espaços de direção e exigindo a composição equitativa para gênero e raça na diretoria. RECONQUISTAR A UNE também para negras e negros cotistas.

Avançar nas políticas afirmativas é avançar nas mudanças do Brasil.

Na última década, uma série de instituições de ensino superior no Brasil incorporou medidas afirmativas. Essas políticas representaram em grande medida, a adesão dessas instituições a reivindicações dos movimentos sociais, que desde pelo menos três décadas buscavam intervir no acesso ao ensino superior, como forma de equilibrar as gritantes desigualdades sócio-raciais no país.

Ações afirmativas por inteiro.

(...) Devemos ainda investir no avanço de políticas afirmativas na pós-graduação, que permita a democratização do acesso a bolsas e permita cada vez mais o retorno a carreira docente e a participação nas atividades de pesquisa.

Descolonizando o conhecimento.

(...) não podemos esquecer que as propostas recentes de ampliação do acesso ao ensino superior erram quando não discutem à fundo o principal meio de diálogo entre a universidade e a sociedade: a produção de conhecimento.

Mais políticas para as mulheres negras! Mais mulheres negras na política!

É fundamental que a UNE inaugure, junto aos movimentos feministas, uma ofensiva no debate sobre a autonomia das mulheres e a legalização do aborto. Milhares de mulheres brasileiras, da qual uma grande parte são jovens negras morrem todos os anos vítimadas pelo aborto inseguro.

 

Uma nova postura para a política de drogas no Brasil.

A UNE deve defender uma nova postura do Estado brasileiro a respeito da política de drogas hoje, que leve em conta a redução de danos sociais e à saúde de indivíduos, diminua radicalmente a violência associada ao tráfico e altere o quadro de encarceramento em massa de nossa juventude negra. 

A(fro)BRAÇOS!

Eduardo Ribeiro "Dudu"
1º Vice-Presidente da União dos Estudantes da Bahia
CEJAE-BA

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