domingo, 14 de agosto de 2011

Mulher Negra pode ocupar vaga no Supremo

Apesar do apoio de petistas a Maria Elizabeth Rocha, ministra do Superior Tribunal Militar, torná-la uma das favoritas para posto, Dilma será conseqüente com sua decisão de fortalecer as mulheres se perceber que entre elas existem as negras.

Por Edson França

Foto de UBIRAJARA MACHADO

Desembargadora Neuza Maria Alves da Silva

 

A sucessão da ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Ellen Gracie pode ter surpresa se Dilma Rousself manter firme sua determinação de promover mulheres aos espaços de poder. Segundo a Folha de São Paulo há sete mulheres na disputa desse importante cargo: Maria Elizabeth Rocha, Ministra do Superior Tribunal Militar, indicada por Lula, atualmente conta com apoio de José Dirceu e do ministro Toffili.
Sylvia Steiner, juíza do Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia - Holanda, o mandato encerra em 2012, é público a intenção da ministra Ellen Gracie ocupar esse cargo após sua aposentadoria. Sylvia Steiner conta com apoio dos ministros Cezar Peluso, presidente do STF, e Ricardo Lewandowski.
Flávia Piovesan, da Procuradoria do Estado e da PUC-SP, com forte atuação na área de direitos humanos, conta com o apoio do ministro da justiça José Eduardo Cardoso e de setores do movimento de direitos humanos e movimentos sociais. Trata-se de uma jurista com profundo compromisso com as ações afirmativas para mulheres, negras e negros.
Duas potenciais candidatas vêm do STJ (Superior Tribunal de Justiça), caminho natural para o STF, Fátima Nancy Andrighi e Maria Thereza Rocha Moura, a segunda conta com a simpatia do ex-ministro da justiça no governo Lula, Marcio Tomaz Bastos. Outra candidata é Eunice Carvalhido, muito conhecida entre os juristas em Brasília, esposa do ministro aposentado do STJ, Hamilton Carvalhido, está no páreo, pode vir a ser a ocupante da vaga deixada do Ellen Gracie.
A grande surpresa será a escolha da desembargadora Neuza Maria Alves da Silva. Primeira desembargadora negra do Brasil, baiana, tem o apoio do governador Jaques Wagner (PT) e certamente de todo o movimento negro brasileiro. Apesar do apoio de petistas a Maria Elizabeth Rocha, ministra do Superior Tribunal Militar, torná-la uma das favoritas para posto, no universo de nomes colocados, Dilma será conseqüente com sua decisão de fortalecer as mulheres se perceber que entre elas existem as negras, ou seja, imitar Lula é fácil, o desafio atual é de avançar.
O Brasil conseguirá fincar firmes estacas contra o racismo na medida em que compreende que as mulheres negras acumulam graves desvantagens econômicas e sociais, fato que incide negativamente na qualidade de vida, auto-estima, perspectiva de futuro de mais de 25% da população brasileira.
A presença de uma negra na mais alta corte da nação enseja um gesto importante, de alto valor simbólico para a população negra brasileira, especialmente, às meninas e jovens negras ávidas de exemplos de conquistas de mulheres com os mesmo traços fenotípicos de suas, avós, mães e tias. Está na hora do movimento negro manifestar-se.

Fonte:  Site da UNEGRO

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