segunda-feira, 30 de abril de 2012

“Na literatura brasileira, nossas mulheres negras não são mães".

Conceição Evaristo, uma das colaboradoras de Cadernos Negros, participou da recente Bienal de Brasília. Seguem trechos de artigo da Agência Brasil sobre essa participação: 

Brasília – A escritora mineira Conceição Evaristo defendeu, durante debate na 1a Bienal do Livro e da Leitura, a escrita como um direito de todos. "Tanto como com a saúde e a educação, as populações pobres e as mulheres têm direito de se apropriar de um instrumento que, por vezes, é encarado como propriedade de certos estratos sociais", disse.

Para ela, esses grupos precisam garantir o acesso à linguagem, à leitura e à escrita ou estarão sendo lesados em sua cidadania. "Essas populações precisam se apropriar desse direito para uma cidadania plena. O domínio da leitura e escrita é essencial, principalmente, em uma sociedade em que vale o que está escrito", defendeu a autora de
 Ponciá Vicêncio.

Em um debate sobre o papel do negro na literatura brasileira, Conceição lembrou da construção ficcional de personagens negras, principalmente a de mulheres a quem, em geral, é negado o direito à maternidade. "Na literatura brasileira, nossas mulheres negras não são mães. No máximo, a mãe preta, que cuida da prole alheia", disse a escritora mineira.

Para ela, da mesma forma que o discurso histórico tenta esconder os feitos e as contribuições de negros africanos para a construção do Brasil, a literatura pode estar caminhando nessa mesma direção ao silenciar personagens negras. Ela citou romances como
São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Agosto, de Rubem Fonseca, como exemplos de textos em que os negros existem como personagens, mas não têm direito à fala. "O que uma ficção que cria personagens sem fala está construindo? A literatura brasileira nega a presença negra na constituição da nacionalidade brasileira?".

Perguntada sobre estratégias para quebrar esse silenciamento – tanto na literatura como na vida das mulheres –, ela citou a educação como ponto prioritário. "É a questão de furar brechas, de se apropriar de determinados conhecimentos. Volto à questão da escrita, da alfabetização. [É preciso] furar esses espaços e se apropriar dessas ferramentas que, se não propiciam um lugar melhor economicamente, propiciam possibilidade de crítica e enfrentamento."

No mesmo debate, o sambista e escritor Nei Lopes defendeu a existência de uma literatura afro-brasileira. "A literatura negra existe. Ela [a literatura] é um conjunto de criações que se referem a determinado contexto geográfico, linguístico ou temporal. No caso da literatura afro-brasileira, o elo é a questão identitária [que cria identidade]", defendeu o autor da
 Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana.

Artigo original de Lílian Beraldo e Juliana Cézar Nunes
Repórteres da EBC
___________________________________________________________________________

Ainda em Brasília, duas autoras do CN34, de contos, vão lançar o livro dia 08 de maio na capital federal, como segue:

As autoras Cristiane Sobral e Denise Lima convidam para o lançamento e noite de autógrafos do livro Cadernos Negros volume 34.

Dia 08 de maio
às 19h30
Restaurante Carpe Diem

End.: SCLS 104 bloco D, loja 01 - 104 Sul - Brasília/DF

 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nota de Repúdio: O Movimento Negro e demais entidades do estado do Tocantins

 

O Movimento Negro e demais entidades do estado...

Vinicius Albernaz

20 de Abril de 2012 22:49

O Movimento Negro e demais entidades do estado do Tocantins repudiam, veementemente, a utilização do nome do herói negro Zumbi , pela Polícia Civil do Tocantins na "Operação Zumbi" deflagrada nesta sexta-feira, 20, com objetivo de intensificar o combate ao uso e ao tráfico de substâncias entorpecentes na Capital.

O ato em si revela o despreparo das instituições do estado brasileiro para se lidar com as questões étnico raciais. Na maioria das vezes é atribuída a população negra os atos de delitos que ocorrem no país, isso talvez seja explicado porque 70% dos pobres são negros e negras.

O povo brasileiro, em toda a sua diversificação, é um povo uno, uma raça só oriunda de diversas outras etnias, mas o mito da Democracia Racial não pode esconder uma outra realidade nacional: o racismo.

Ao denominar de "Operação Zumbi" uma ação que visa o combate ao uso e ao tráfico de substâncias entorpecentes na Capital, a Policia Civil do Estado do Tocantins passa uma mensagem subliminar de os infratores da lei, ou traficantes de drogas supostamente estariam entre a população negra de Palmas, além de ofender a memória de um herói nacional.

Zumbi dos Palmares nasceu no ano de 1655 em Alagoas. Reconhecido como um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial se tornou líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. Esse quilombo estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares em Alagoas. Na época em que foi líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Ali, os negros viviam livres produzindo tudo o que precisavam para a própria sobrevivência. Zumbi é um símbolo da resistência e luta contra a escravidão, Zumbi lutou pela liberdade de culto e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

Um exemplo típico de racismo institucional se comprovam com os dados de pesquisas de renomados institutos do Brasil, que revelam que os negros são abordados com mais freqüência em batidas policiais, recebendo mais insultos e agressões físicas do que os indivíduos brancos. Por questão desta abordagem, são igualmente mais revistados que pessoas de outra etnia. A escolaridade e a condição financeira têm pouca influência sobre a freqüência e incidência destas batidas policiais e da violência que ora se comete. Esta violência é praticada quase sempre contra indivíduos negros, seja na forma de ofensa verbal ou agressão física. Conclui-se que os métodos de abordagem da polícia junto ao indivíduo levam em consideração sua aparência física (vestimentas), a etnia (fatos principal) e um estereótipo completamente fora de sentido: a expressão facial da pessoal.

Não se pode ignorar o racismo, o preconceito, a discriminação, aceitando os estereótipos que marginalizam, oprimem, humilham e matam o povo negro. A Constituição de 1988 soube repudiar a marginalização do negro, tipificando o racismo como crime em seu artigo 5° , inciso XLII. Mesmo assim, ainda imperam no país diferentes formas de discriminação racial, velada ou ostensiva, que afetam mais da metade da população brasileira, constituída de negros ou descendentes de negros privados do pleno exercício da cidadania. Os casos de discriminação racial que vêm acontecendo durante anos neste país merecem uma apreciação mais cuidadosa por parte das autoridades, correndo o risco de se transformar (se é que já não se transformou) num ato de omissão diante do dever do direito em realizar a justiça.


Reiteramos nosso apoio às ações que visem combater a violência e ao crime organizado, bem como defendemos políticas publicas de esporte, lazer, distribuição de renda e investimentos maciços em educação para que possamos não condenar nossos jovens futuro do nosso pais, a pobreza e a criminalidade. Contudo, solicitamos que a Policia Civil tenha outra zelo ao dar os nomes nas suas operações, sob pena de incorrer em situação reprovável, mesmo que involuntariamente e que possamos respeitar o legado de luta, de liberdade e respeito a pessoa humana que Zumbi dos Palmares nos deixou.

Assinam:

Coletivo Nacional Enegrecer/TO
Agentes de Pastoral Negra - APNs/TO
Diretoria de Combate ao Racismo da UNE
Grupo de Consciência Negra do Tocantins - GRUCONTO
Fórum Permanente de Educação e Cultura Afro Brasileira do Tocantins
Grupo de Estudos Feministas Dina Guerrilheira
Diretório Central dos Estudantes – UFT
Centro de Direitos Humanos de Palmas
Instituto Art Afro e Direitos Humanos de Miracema - TO

 

 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

TRABALHO DOMÉSTICO E CONVENÇÃO 189 CUT-RJ promove o Seminário sobre Direitos das Trabalhadoras Domésticas nesta sexta (27/4)

CARTAZ DOMÉSTICAS

A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ convoca todas as companheiras dirigentes sindicais e do movimento social para participarem do Seminário Estadual sobre Direitos das Trabalhadoras Domésticas - Ratificação da Convenção 189. O seminário vai debater a importância da ratificação da Convenção 189 da OIT.

Uma das bandeiras de luta da CUT para o ano de 2012 é a ratificação da Convenção 189 da OIT, por isso estamos em campanha para coletar 2 milhões de assinatura em abaixo assinado que será entregue à Presidenta Dilma. Existe no Brasil cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas, e a grande maioria trabalhando em condições inadequadas, precarizadas, assediadas moralmente e sexualmente, sem a garantia do direito mínimo que é a carteira assinada. Destas, muitas são meninas, em idade escolar que são exploradas, as vezes, por um prato de comida.

Esta não é uma luta apenas das trabalhadoras domésticas, é de todo o movimento sindical, é uma luta da classe trabalhadora.

É necessário que todas(os) os interessada(os) se inscrevam para o seminário pelo e-mail virginia@cutrj.org.br ou telefone 2196-6700, informando nome completo e entidade.

SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE DIREITOS DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS

Dia: 27 de abril, sexta-feira, Dia Nacional da Doméstica
Local: Auditório do CEDIM Conselho Estadual dos Direitos da Mulher - Rua Camerino, nº 51 - Centro
Hora: 9 às 18h
Informações e inscrições: Virginia Berriel - virginia@cutrj.org.br / 2196-6700

PROGRAMAÇÃO

9h – Credenciamento

9h30 – Abertura:
Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ
Presidente da CUT-RJ
Presidenta do SUDIM/Superintendente do CEDIM
Secretaria pela Igualdade Racial da CUT-RJ
Benedita da Silva – Deputada Federal
Gilberto Palmares – Deputado Estadual

10 às 13h – Mesa: A Importância da Ratificação da Convenção 189 da OIT
Benedita da Silva – Deputada Federal
Gilberto Palmares –Deputado Estadual
Angela Fontes – Presidente do SUDIM/Superintendente do CEDIM
Maria Noeli dos Santos – STD/FENATRAD
Mediadora: Virginia Berriel

13 às 14h – Intervalo – Almoço

14 às 16h – Mesa: Diretos das Trabalhadoras Domésticas   
Sandra Machado – Secretaria Pela Igualdade Racial da OAB
Representante da SPM – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Reimont – Vereador PT
Nair Jane – Sindomésticas – Nova Iguaçu
Mediadora: Virginia Berriel

16 às 18h – Deliberações, Propostas e Abaixo-Assinado 

Realização: Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ
Apoio: CEDIM, SINTTEL-RJ e STD/SINDOMESTICAS

Fonte: Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ

TRABALHO DOMÉSTICO E CONVENÇÃO 189 CUT-RJ promove o Seminário sobre Direitos das Trabalhadoras Domésticas nesta sexta (27/4)

CARTAZ DOMÉSTICAS

A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ convoca todas as companheiras dirigentes sindicais e do movimento social para participarem do Seminário Estadual sobre Direitos das Trabalhadoras Domésticas - Ratificação da Convenção 189. O seminário vai debater a importância da ratificação da Convenção 189 da OIT.

Uma das bandeiras de luta da CUT para o ano de 2012 é a ratificação da Convenção 189 da OIT, por isso estamos em campanha para coletar 2 milhões de assinatura em abaixo assinado que será entregue à Presidenta Dilma. Existe no Brasil cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas, e a grande maioria trabalhando em condições inadequadas, precarizadas, assediadas moralmente e sexualmente, sem a garantia do direito mínimo que é a carteira assinada. Destas, muitas são meninas, em idade escolar que são exploradas, as vezes, por um prato de comida.

Esta não é uma luta apenas das trabalhadoras domésticas, é de todo o movimento sindical, é uma luta da classe trabalhadora.

É necessário que todas(os) os interessada(os) se inscrevam para o seminário pelo e-mail virginia@cutrj.org.br ou telefone 2196-6700, informando nome completo e entidade.

SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE DIREITOS DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS

Dia: 27 de abril, sexta-feira, Dia Nacional da Doméstica
Local: Auditório do CEDIM Conselho Estadual dos Direitos da Mulher - Rua Camerino, nº 51 - Centro
Hora: 9 às 18h
Informações e inscrições: Virginia Berriel - virginia@cutrj.org.br / 2196-6700

PROGRAMAÇÃO

9h – Credenciamento

9h30 – Abertura:
Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ
Presidente da CUT-RJ
Presidenta do SUDIM/Superintendente do CEDIM
Secretaria pela Igualdade Racial da CUT-RJ
Benedita da Silva – Deputada Federal
Gilberto Palmares – Deputado Estadual

10 às 13h – Mesa: A Importância da Ratificação da Convenção 189 da OIT
Benedita da Silva – Deputada Federal
Gilberto Palmares –Deputado Estadual
Angela Fontes – Presidente do SUDIM/Superintendente do CEDIM
Maria Noeli dos Santos – STD/FENATRAD
Mediadora: Virginia Berriel

13 às 14h – Intervalo – Almoço

14 às 16h – Mesa: Diretos das Trabalhadoras Domésticas   
Sandra Machado – Secretaria Pela Igualdade Racial da OAB
Representante da SPM – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Reimont – Vereador PT
Nair Jane – Sindomésticas – Nova Iguaçu
Mediadora: Virginia Berriel

16 às 18h – Deliberações, Propostas e Abaixo-Assinado 

Realização: Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ
Apoio: CEDIM, SINTTEL-RJ e STD/SINDOMESTICAS

Fonte: Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ

FRANTZ FANON E OS CONDENADOS DA TERRA


Frantz Fanon (1925-1961) nasceu na ilha de Martinica, território francês situado na América Central. Ainda jovem, durante a Segunda Guerra, percorreu a África do Norte como soldado. Em 1946, inscreve-se na Faculdade de Medicina de Lyon na França e aproveita sua estadia também para adquirir uma formação sólida em filosofia e literatura, seguindo cursos de Jean Lacroix e de Merlau-Ponty, bem como, lendo obras de Sartre, Kierkegaard, Hegel, Marx, Lenin, Husserl e Heidegger, entre outras. Após terminar o curso de medicina em 1951, retorna a Martinica e mais tarde volta para a África, tornando-se médico-chefe na clínica psiquiátrica de Blida-Joinville. Torna-se argelino engajando-se com os argelinos na luta pela libertação do país que sofria o jugo colonial francês desde 1830. Por várias vezes participou de congressos pan-africanos como membro da delegação da Argélia, tornando-se um importante porta-voz do país. Contraindo leucemia em 1960, continua suas atividades intelectuais vindo a morrer em dezembro de 1961. A independência da Argélia ocorrerá no ano seguinte, em 1962.

Utilizando o conceito de alienação desenvolvido por Hegel e Marx, Fanon analisa os mecanismos de dominação na formação da consciência do povo colonizado, destacando os dois pólos antagônicos na situação colonial: o colonizador e o colonizado. Em “Os Condenados da Terra” escreve:
"é o colonizador quem tem feito e continua a fazer o colonizado. O colonizador tira sua verdade, isto é, seus bens, do sistema colonial.”
Este antagonismo é acentuado pelo racismo contra o colonizado, tido como preguiçoso, impulsivo e selvagem. O colonizado introjeta a dominação vivendo um complexo em que passa a negar-se como negro a fim de se pretender um "negro-branco". Escreve Fanon:

"Todo povo colonizado, isto é, todo povo no seio do qual nasce um complexo de inferioridade, de colocar no túmulo a originalidade cultural local - se situa frente-a-frente à linguagem da nação civilizadora, isto é, da cultura metropolitana. O colonizado se fará tanto mais evadido de sua terra quanto mais ele terá feito seus os valores culturais da metrópole. Ele será tanto mais branco quanto mais tiver rejeitado sua negrura...”
Em “Os condenados da Terra” encontramos um livro de impacto considerável para geração dos anos 60. Alimentou os ideais de transformação e construção de uma sociedade melhor na Argélia e por toda a África. Um livro revelador para a massa colonizada, pois mostrava quem lhes feria a pele e a alma e lhes negava o ser. Uma das pedras angulares na luta anticolonial, sobretudo porque apontava para a descolonização e a inevitabilidade da revolução na África, na Ásia e na América.
Segundo Fanon, o colonizado à medida que compreendia a força que lhes negava o ser explodia em fúria. Entendia que o trabalho do colono é tornar impossível até seus sonhos de liberdade. Ele descobre o real, que dá movimento a sua praxis, no seu projeto de libertação.
Para Sartre, Fanon mostrou o caminho, foi porta-voz dos combatentes, reclamou união, a unidade do continente africano contra todas as discórdias e todos os particularismos.
Fanon conduz a população colonizada na compreensão das artimanhas da colonização. Explica que entre os métodos empreendidos pelo colono é a alienação colonial que tinha o objetivo de convencer os indígenas de que o colonialismo devia arrancá-los das trevas. Para o colonizado o papel do colono era mantê-lo longe da barbárie e da animalização. Dizia:
“no plano do inconsciente, o colonialismo não pretendia ser visto pelo indígena como uma mãe doce e bondosa que protege o filho contra um ambiente hostil, mas sob a forma de uma mãe que a todo momento impede um filho fundamentalmente perverso de se suicidar, de dar livre curso a seus instintos maléficos. A mãe colonial defende o filho contra ele mesmo, contra seu ego, contra sua fisiologia, sua biologia, sua infelicidade ontológica”.
Numa situação como essa, o trabalho do intelectual colonizado será o de reivindicar o passado de sua cultura nacional, para que assim, haja uma cultura nacional futura. Valorizando o passado, tirando dele a cultura e exibindo todo o seu esplendor.
Segue expondo os detalhes da desagradável estrutura psicológica que atormenta o colonizado. Constata que no período de colonização quando a soma de excitações nocivas ultrapassa um certo limite, as posições defensivas dos colonizados desmoronam, e estes se vêem então em grande número nos hospitais psiquiátricos. Há, portanto, segundo Fanon, nesse período de colonização vitoriosa, uma regular e séria patologia produzida diretamente pela opressão.
Alguns meses antes de morrer Fanon escreve uma carta a Roger Tayeb, seu amigo, em que trata da questão da morte e o sentido da vida. Ele diz que a morte sempre nos acompanha e que "nós não somos nada sobre a terra, se não somos, desde logo, cativos de uma causa, a dos povos, da justiça e da liberdade."
Referência Bibliográfica:
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. 2º ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

SINDICATOS, ORGANIZAÇÃO DE CLASSE, IDEOLOGIA

Helder Molina

 

1 - O QUE É IDEOLOGIA?

 

O processo material geral de produção de idéias, crenças e valores na vida social. Essas idéias, crenças ou valores são produzidos na vida concreta, portanto, são produtos sociais. Não são neutras, tanto politicamente científicamente.

Os interesses estão em conflitos, e as lutas estão associadas à implementação, ou negação, dessas idéias,  associadas ao poder político. As idéias e crenças (verdadeiras ou falsas) que simbolizam as condições e experiências de um grupo ou classe específico, socialmente significativo.

Segundo Marx, a ideologia dominante em determinada sociedade, em determinado contexto histórico, é a ideologia da classe dominante

O positivismo diz que a ideologia é neutra. A política e a ciência não podem se contaminar pela ideologia, porque perderia sua validade, sua verdade.

A ideologia dominante produz uma falsa consciência ampla, gerada não dos interesses de um poder dominante, e sim de estruturas sociais amplas.

 

2 - IDEOLOGIAS QUE CONSTRUIRAM O MOVIMENTO OPERÁRIO E SINDICAL

 

As duas grandes ideologias que defendem a classe operária são o marxismo e o anarquismo.

A primeira baseia-se nas idéias e nos textos dos filósofos alemães Marx e Engels. Para os marxistas, o problema operário deveria ser resolvido pela via política, com a organização de trabalhadores  em sindicatos e partidos.

A solução seria a conquista do poder político, destruindo o Estado burguês. Como resultado dessa revolução, o capitalismo seria substituído pelo socialismo, baseado na propriedade coletiva e na hegemonia (domínio) dos trabalhadores, etapa que faria a transição para a sociedade  sem classes e sem Estado  a comunista.

A segunda grande ideologia operária, o anarquismo, criado pelo revolucionário russo Bakunin, afirma que a igualdade social e econômica seria alcançada quando o Estado e todas as formas de governo desaparecessem. A sociedade anarquista seria baseada na cooperação das pequenas comunidades.

No final do século XIX, o anarquismo associou-se ao sindicalismo (anarco-sindicalismo), defendendo os sindicatos como os principais agentes sociais de mudança.

socialismo cristão ou catolicismo social, preocupada com a miséria do proletariado, a Igreja Católica começou a pregar a necessidade de reformas no capitalismo para humanizar a sociedade e combater a exploração. O primeiro documento papal que destacou tais preocupações foi a encíclica Rerum Novarum (1891), de Leão XIII. Apesar das preocupações sociais, a Igreja condenava as ideologias revolucionárias.

 

3        - O MOVIMENTO SINDICAL:  ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DA IDEOLOGIA OPERÁRIA EM SINDICATOS E MOVIMENTO SINDICAL

 

O percurso do sindicalismo coincide com o próprio percurso dasociedade capitalista, ele surgiu como resposta a exploração de classe dos capitalistas, na violência que se impos aos trabalhadores após a revolução industrial.

O capitalismo se baseia na compra da força de trabalho do trabalhador, por meio do assalariamento, e lucro dos capitalistas é produzido pelo trabalho não pago (mais-valia) e pela apropriação direta e indireta do que ele produz.

Em uma sociedade sem a apropriação privada do trabalho e das mercadorias produzidas pelo trabalhador, os sindicatos teriam outras funções, em critérios de produção justos, em que cada um recebesse o valor justo do seu trabalho e que este simultaneamente beneficiasse o homem em termos de qualidade de vida e na medida em que as sociedades desenvolvidas são excedentárias em termos de bens de consumo disponíveis

origem do sindicato tal como o conhecemos hoje esta intimamente ligada a revolução industrial e a divisão do trabalho como foi conceptualizado pelos detentores dos meios de produção capitalista.

Ja no final da Idade Média, as corporações de ofícios reivindicavam direitos aos que trabalhavam

Foram as dificuldades dos operários em individualmente reivindicar e conseguirem melhores salários e condições de trabalho mais dignas face ao patrão todo-poderoso que emergiu a necessidade de perante uma luta desigual os operários se unirem e fazerem das suas vozes uma só, que originaram os sindicatos, isto é, de grupos de trabalhadores do mesmo ofício, representados pelos seus eleitos.

As primeiras experiâncias pré sindicais (de lutas dos trabalhadores, anteriores ao surgimento do sindicato) foram desenvolvidas pelosquebradores de máquinas, oou ludditas, e depois pelos cartistas que apresentaram uma carta de reivindicação, a carta do povo, tendo como centro a redução da jornada de trabalho. Ambos na Inglaterra, berço do industrialismo (por volta de 1780).

Os sindicatos e as suas formas de luta variam de sociedade para sociedade, embora pese que nas sociedades mais industrializadas a sua importância e o seu papel na dinâmica social seja de maior relevo. 

Os sindicatos não são estáticos evoluem com a evolução das sociedades, hoje o seu papel não tem o peso ideológico que teve no passado, mas a sua importância e incontornável para as sociedades democráticas, não há politica social e politica para o emprego que não tenha nas negociações governamentais o representante dos sindicatos. 

O trabalho continua a ter uma centralidade vital para as pessoas, ocupam os seres humanos num terço da sua vivência diária, e para grande parte da humanidade enquanto o sol aquece, bafeja e ilumina a Terra encontram-se enredados numa actividade que lhes remunera a sua existência, e que dá sentido à sua vida na esfera social como forma de efectivar, o seu contributo para com a sociedade. 
A precariedade devido ao que alguns autores já chamam da terceira revolução industrial acabou com
emprego para toda a vida bem como cimentou a angústia em que vivem os assalariados.

O esforço do homem em busca da sua valorização, da conquista de seus direitos e da defesa de seus interesses são elementos comuns no associativismo que possibilitaram a busca da humanização e do exercício da cidadania.

Os operários viam na máquina uma inimiga, por ser capaz de realizar o trabalho de vários operários e assim fazê-los perder o emprego. No início, quebraram máquinas ao identificá-las como responsáveis pela sua miséria: foi o movimento ludista. Depois, começaram a fazer greves exigindo melhoria nas condições de trabalho e o reconhecimento do direito de associação.

Os operários viviam nos subúrbios das grandes cidades. As moradias eram pequenas, sem as mínimas condições de habitação, higiene e salubridade. O salário não era suficiente para manter uma família. Para garantir a subsistência, mulheres e crianças de pouca idade também eram obrigadas a trabalhar Os trabalhadores uniram-se, formando as trade-unions para lutar por melhores condições de vida. Nasce, assim, a consciência de classe.

Entre os países pioneiros do sindicalismo, a Inglaterra foi a primeira nação a sistematizar este tipo de associativismo profissional, através da organização dos sindicatos de operários. Conquistaram o direito associativista em 1824. Continuam com as reivindicações da categoria, mas também com objectivos mais globais, com vistas a democratização política e à reformulação da sociedade económica.

A Comuna de Paris (1871), após dois meses de existência, foi violentamente reprimida pela burguesia, tendo efectivamente retrocedido e atrasado o processo de desenvolvimento do associativismo operário e sindical.

Já o sindicalismo nos EUA, devidas às condições económicas e políticas apresentava maior dificuldade em se desenvolver. Alguns movimentos grevistas foram realizados pelos operários americanos, antes mesmo de 1750, sendo mais marcante, porém, o facto da criação, em 1805, de um fundo destinado à greve criado pelos sapateiros de Nova Iorque, em 1809.

Com esta iniciativa cresce a oposição dos patrões, que se organizam para resistir à pressão dos operários. Depois de enfrentar algumas crises, o sindicalismo norte-americano entrou numa fase de participação na política, recuperando e centrando a sua força na formação de Centrais Municipais e Sindicatos Nacionais.Com a criação da Federação Americana do Trabalho, inicia o grande momento do sindicalismo norte-americano, não só quanto as questões organizacionais, mas sobretudo pela movimentação frequente de operários em busca de melhorias salariais e outras.

O conhecido episódio de Chicago, foi o centro principal da campanha pelas oito horas de trabalho, levando o Congresso Americano a aprovar a lei de regulamentação da jornada de oito horas de trabalho, em primeiro de Maio de 1890. 

O século XX foi dominado, em todo o seu transcorrer, pelas ideologias políticas. Aqueles que imaginavam que o vazio deixado pelo declínio da religião faria por diminuir ou desaparecer o fervor dos homens e das sociedades em torno das crenças viram-se surpreendidos pelos acontecimentos. Houve apenas uma troca de símbolos. 
Não se lutou mais tanto pela Igreja ou pelo rei, como se fizera nas épocas anteriores, mas por uma causa, uma grande ideia nacional, patriótica ou internacionalista, capaz de mobilizar milhões de homens e mulheres, nações inteiras, levando o mundo a travar duas guerras mundiais e várias revoluções sociais de enorme repercussão.

Os socialistas utópicos tinham consciência dos males gerados pela industrialização, mas não conseguiram elaborar meios concretos para alcançar a igualdade. Afastados da realidade, pretendiam implantar reformas sem a participação efectiva dos trabalhadores.

 

4 - IDEOLOGIA E ORGANIZAÇÃO SINDICAL: PRAGAS E ANTÍDOTOS

 

4 pragas estão adoecendo IDEOLOGICAMENTE os sindicatos, hoje:

> O PRAGMATISMO DESPOLITIZADO;

> O CORPORATIVISMO ECONOMICISTA;

> O NEOLIBERALISMO;

> SINDICALISMO DE RESULTADOS.

 

a terciarização da economia, a concentração urbana e o desaparecimento ou fragmentação crescente da comunidade local têm contribuído para o aumento do individualismo, solidão, egoísmo e artificialidade das relações sociais. Vivemos em sociedades de risco, a nível local e a nível global. Por outro lado, problemas como o desemprego, a precariedade, a pobreza e a exclusão social, reflexo da crise e desintegração de alguns dos mecanismos que asseguraram o contrato social, contribuem cada vez mais para aumentar a imprevisibilidade, a sensação de insegurança e a desconfiança nas instituições.

A era de individualismo e de «pós-contratualismo» que hoje atravessamos está a produzir novas gerações de indivíduos frágeis, despojados e inseguros, que encenam quotidianamente um jogo de máscaras para esconder dos outros essas mesmas fragilidades e sentimentos de isolamento. Passamos por uma fase de pessimismo que se reverte em evasão individual, alienação deliberada, além das patologias do foro pessoal e familiar.

Foi tarefa e função do sindicalismo, unificar as lutas, fazer sair os trabalhadores da sua miséria e angustia e permitir-lhes conquistar e fazer reconhecer a sua condição de cidadãos e direitos a ela inerentes na sociedade capitalista. Defender os operários contra a exploração cada vez maior do grande Capital.

 

 

5 TAREFAS URGENTES:

 

RESGATAR A IDEOLOGIA OPERÁRIA E O SINDICALISMO COMO INSTRUMENTO POLÍTICO DE TRANSFORMAÇÃO ANTICAPITALISTA

Resgatar o ESTUDO de ECONOMIA, POLÍTICA E IDEOLOGIA nos sindicatos. Lendo os clássicos da economia-filosofia-política, que foram instrumentos fundamentais para a construção do movimento operária.

Resgatar, urgentemente, a formação política e ideológica, combatendo o pragmatismo do sindicato como instrumento, tão somente, de negociações salariais, acordo sobre o preço da força de trabalho do trabalhador, e benefícios monetários e RESULTADOS CONCRETOS, dentro dos marcos do assalariamento capitalista.

Formação POLÍTICA significa se debruçar sobre QUAL O PAPEL DOS SINDICATOS, HOJE? QUAL PAPEL DAS CENTRAIS SINDICAIS, HOJE? A RELAÇÃO ENTRE OS SINDICATOS-PARTIDOS POLÍTICOS-ESTADO.

Perguntar diariamente: O capitalismo é o final da história? Que projeto de sociedade buscamos?

Fortalecer a IDENTIDADE DE CLASSE, nas lutas concretas, são se deixar dominar pelo FETICHE DAS CONQUISTAS IMEDIATAS.

Combater duramente os PRECONCEITOS, INDIVIDUALISMO, EGOISMO, CONSUMO, IMEDIATISMO, PRESENTISMO (só existimos para o presente, o passado e o futuro não existem, um está morto, outro é apenas uma abstração...)

 

 

  • Helder Molina é historiador, professor da Faculdade de Educação da UERJ, mestre em Educação, doutorando em Políticas Públicas e Formação Humana, pesquisador, educador e assessor sindical.

 

Helder Molina

Assessoria – Formação Política

Planejamento Institucional - Projetos Sindicais

http//:heldermolina.blogspot.com

professorheldermolina@gmail.com

21 2509 6333    21 97694933

 

 

Convite para o Encontro de definição de tática eleitoral - PT Japeri

 

--

Atenciosamente,

Soluções Políticas

terça-feira, 17 de abril de 2012

MNU Em defesa do Decreto 4.887 e da Luta Quilombola

CARTA PÚBLICA AO STF

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

 

Manifesto do Movimento Negro Unificado - MNU

 Em defesa do Decreto 4.887 e da Luta Quilombola

 

 

 

O MNU - Movimento Negro Unificado, organização política com 33 anos de fundação e de luta de combate ao racismo, vem através deste denunciar a grave situação de ataque aos direitos das comunidades quilombolas.

A luta quilombola é secular, como é secular a luta do povo negro, por território, dignidade e desenvolvimento, assim como também estas são bandeiras de luta que fazem parte dos manifestos do povo negro desde o período escravista.

Desde a década de 90, as comunidades quilombolas vêm tornando públicas suas lutas e reivindicações, somando-se em 1995, Brasília-DF, com a Marcha pelos 300 anos da morte de Zumbí dos Palmares, "Contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida".

Hoje, informalmente, são mais de cinco mil comunidades nos mais variados graus de organização, mobilização e defesa de seus direitos e seus territórios em vários estados da federação.

Por outro lado, também as reações contra esse processo de luta e organização do nosso povo vêm mostrando sua face racista e conservadora, a opção de "desenvolvimento" oficial e desenfreado, que excluiu a maior parte do povo brasileiro e especificamente povo negro e os povos indígenas.

O ataque às comunidades quilombolas, aos  seus direitos vem das mais variadas esferas do estado, como a ADIN, Ação Direta de Inconstitucionalidade, ajuizada pelo atual Partido Democratas (DEM), então ex-PFL, assim como o Projeto de Decreto Legislativo, 3654/  , de autoria do Deputado do Valdir Colatto/PMDB-SC, somados  a pressão sistemática dos ruralistas, dos empresários do agronegócio, das empresas de papel e celulose, dos donos de madeireiras, multinacionais, entre outros ramos conflitantes com os territórios quilombolas, sem deixar de lados empresas nacionais e instituições do Estado, como Marinha e Exército Brasileiro, e o IBAMA. A ação destas instituições tem servido para fragilização dos processos de titulação dos territórios quilombolas, como foi o caso da alteração da Instrução Normativa, IN/20 em 2008 e recentemente o seminário para revisão da implementação da convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).  

Estes ataques visam retirar a efetividade Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988 (que garante a titulação das terras de quilombo), bem como as conquistas expressas no decreto 4887/2003 (que regulamenta procedimentos para demarcação e titulação).

Para tais ataques contam com cumplicidade das grandes redes de empresas de comunicação, escrita, falada e televisionada. Mesmo sem apoio da mídia ou institucional em todos estes momentos as Comunidades Quilombolas a nível nacional vêm fazendo mobilizações pontuais e nos estados apresentando sua indignação com as alterações propostas e suas reivindicações. 

Alertamos que o momento é de unidade e vimos a público denunciar todos aqueles que procuram tratar conjunto das lutas do povo negro de forma isolada, não dimensionando a repercussão histórica para inúmeras gerações.

Denunciaremos aos que colocarem favoráveis a esta atrocidade, pois a derrota do Decreto 4.887/2003 significará um retrocesso no conjunto nas lutas e conquistas do povo negro, impulsionando o acirramento das relações raciais no Brasil e no mundo. Acirramento este que já é visível através da violência imposta aos quilombolas das mais diversas formas, assassinatos de lideranças, perseguições aos quilombolas nos caminhos e  estradas, queima de residências de lideranças entre outras situações.

Neste sentido conclamamos a todos(as) para se somarem  a luta contra retirada de direitos  quilombolas, manutenção e implementação do Decreto 4887/2003, pelo  cumprimento da Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário e pela titulação imediata e sustentabilidade dos territórios quilombolas, por dignidade e liberdade para a luta quilombola.

Diante da situação solicitamos a este Supremo Tribunal Federal, que se manifeste pelo indeferimento da ADIN 3239  apresentada pelo DEM, pela constitucionalidade do Decreto 4887,e sua manutenção na íntegra, e reafirmamos o pedido de audiência publica já solicitada.

Reaja a Violência Racial!

 

Reparação Já!

 

Movimento Negro Unificado - MNU

Florianópolis, 12 de Abril de 2012

Vanda Gomes Pinedo- P/Coordenação nacional do

MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO

 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Nota da Articulação de Esquerda do PT do DF em apoio ao Ato Público pelo Dia do Direito à Justiça

Crédito : Latuff

DIA 12 DE ABRIL, ÀS 14 HORAS, EM FRENTE AO STF

 

Está na pauta do Supremo Tribunal Federal no próximo dia 12 de abril a ação da OAB sobre o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Araguaia. Na mesma ação decidirão se os crimes de desaparecimentos políticos estão abrigados pela lei de anistia e ficarão impunes.

 

Este julgamento tem caráter definitivo e, caso indeferido, nunca mais nenhuma ação judicial poderá ser aberta no Brasil sobre os crimes da ditadura!

 

O Levante Popular da Juventude convocou um ato para o dia 12 de abril em frente ao STF e realizou uma convocatória para diversos grupos de esquerda, chamado este que a Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores atende e reforça.

 

É necessário que os diversos movimentos sociais e a militância dos partidos de esquerda, em especial o Partido dos Trabalhadores, se manifestem e participem desta importante mobilização.

 

É preciso que o Brasil discuta e se encontre com seu passado, passando  a limpo sua História e terminando com o sentimento de impunidade que hoje sufoca a nossa sociedade. Não se trata apenas de discutir o passado em si mesmo, mas de encerrarmos devidamente o período da ditadura. Precisamos acabar também com seus resquícios que vemos ainda hoje quando a população da periferia é alvo de todo tipo de violência nas ruas e nas delegacias, e também quando movimentos sociais são reprimidos em suas mobilizações.

 

O Congresso Nacional aprovou a lei da Comissão da Verdade. O Poder Executivo tem promovido reparação e as políticas de memória.

 

É a hora do Judiciário ouvir o povo e respeitar o direito à verdade e à justiça!

 

Não à impunidade aos torturadores e assassinos da ditadura militar!

 

Pela punição dos crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis!

 

 

Articulação de Esquerda, tendência interna do PT

sábado, 7 de abril de 2012

Carta aberta ao Senador Lindberg Farias : Fora homofobia!

Caro senador lamentos profundamente as declarações em debate no senado federal em 3 de abril de 2012, onde em discurso o Senador Magno Malta PR ES denuncia um "suposto império Gay no Brasil", é mais um factóide da campanha homofóbica. Ele tem sido dos mais atuantes contra os direitos para LGBT. Em um a parte a as absurdas declarações de Malta, o Sr defendeu as declarações do Sr. Malafaia de que "sentar o pau" eram mal compreendido, e que ele não queria agredir. Mas suas palavras promovem o ódio contra Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis.

O Sr. Silas Malafaia tem dirigido uma campanha de difamação contra LGBT, em suas falas chega a se descontrolar e ataca a promoção de direitos, se opondo a criminalização da homofobia no Brasil. Pode ser que o sr. não conheça esta verve e  da atuação deste “pastor” que  na cruzada pela homofobia no Brasil.

 

Alertamos ao senador que estamos vivendo hoje uma nova inquisição, uma conjuntura conservadora, tempos de trevas que é comandada por pastores evangélicos reacionários, que através da mídia de TV,  Rádio e web tem atentado contra os direitos e a cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis. É grave que o Sr. Malafaia usa um canal de TV e rádio que são concessão pública, para defender o ódio e o preconceito. Somos hoje vítimas de uma perseguição brutal e cruel, que faz paralelo a ditadura militar e aos tempos da escravidão. Estes ataques têm levado a um aumento das perseguições e assassinatos contra LGBT no Brasil. E o resultado é um aumento da homofobia em todo o país; em locais de trabalho, nas ruas de grandes cidades como São Paulo (com atuação de grupos fascistas) do Rio de Janeiro ou de outras. É esta violência também chegou as escolas, o que tem ocasionado casos de suicídios de jovens e crianças atacados pelo Bullying-homofóbico. São milhares de jovens com traumas, e a dor das famílias que tem perdido seus filhos. Os grupos fundamentalistas têm atuado na aprovação de projetos do ensino religioso nas cidades, em uma pressão das Igrejas no Congresso Nacional, eles impedem avanços  desafiando o estado laico em uma afronta a constituição. Suas ações de chantagem política contra gestores, parlamentares ameaçam programas sociais, uma tentativa ruptura golpista. Os programas nacionais; Brasil Sem Homofobia, Escola sem Homofobia entre outros tem sido bloqueados e ou constantemente atacados por estes grupos, que com articulação política impedem a efetivação de políticas publicas em direitos humanos. Não podemos mais aceitar esta pressão reacionária contra a democracia.

 

Nesta semana (2 a 7 de abril) chegamos há mais de 110 assassinatos de LGBT no Brasil em 2012, e temos milhares de feridas psicológicas e físicas das vítimas dos ataques homófobicos. O Brasil é o país que mais assassina LGBT no Mundo. E por isso é urgente ações em todas as esferas de poder no combate a Homofobia.

 

Lembramos ao senador Lindbergh, que o Sr. Malafaia é um dos mentores da campanha reacionária contra LGBT, tenta intimidar nossas ações em defesa dos direitos humanos, com processos e falsas acusações e seguidas provocações, e não  mede palavras para ofender lideranças e grupos como a ABGLT e o processo contra o companheiro Toni Reis entre outros defensores e militantes LGBT. Ao falar “em dar um pau” ele estimula milhares de covardes atacarem, perseguir e até assassinar LGBT! Tenta confundir a opinião pública evangélica e nacional com suas inverdades. Senador, nós LGBT queremos viver em  paz, com cidadania e respeito, acesso aos serviços de saúde, trabalho, cultura, previdência e assistência social. E o Congresso Nacional é hoje a vanguarda  em negar estes direitos.  

Nós defendemos a democracia, e denunciamos contra o golpe reacionário  também ataca as religiões de matriz africana, com criminalização racista e perseguição aos povos de terreiro, por parte dos mesmos grupos fundamentalistas. Somos solidários a estas estes povos!

 

Senador Lindbergh Sr. que sempre esteve nas maiores mobilizações populares pela democracia e por transformações no Brasil, que tem uma formação de esquerda e progressista, que já foi vítima de campanhas de preconceito por parte de extrema direita contra os nordestinos, sabe o que é a dor que a difamação causa. Pedimos que faça um gesto de boa vontade e venha apoiar nossa campanha pela cidadania e por direitos humanos para LGBT. Junte-se a Frente Parlamentar LGBT, a III Marcha Nacional por direitos e Contra a Homofobia em 16 de Maio de 2012 em Brasília. E esteja conosco na defesa dos programas e políticas como o Escola sem Homofobia, no apoio pela aprovação da criminalização da Homofobia no Brasil, que é o  PL 122/2006, que tem sido bloqueado pelos  grupos fascistas no Senado.

 

O Rio de Janeiro, estado que elegeu o Sr. o senador mais votado em 2010, é o estado com os maiores avanços institucionais no marco das políticas públicas pela cidadania e de promoção de direitos para a população LGBT. Por isso o Sr. Não pode se aliar e perfilar ao lado do que a de mais reacionário no Rio de Janeiro e no Brasil. Por  sua história o Sr. não pode se confundir e se aliar com as forças do passado e do atraso, as mesmas que promoveram a ditadura, as perseguições, a tortura e o fascismo.

Este mesmo ódio contra LGBT une racistas,  machistas,  latifundiários que assassinam sem terras, dos que atacam os sem tetos, assassinam índios.

 

 

Companheiro Lindbergh O Setorial LGBT PT RJ e sua militância  desde o   PED e em todos os momentos defendemos seu nome, e apoiamos sua indicação como senador pelo PT RJ, e estivemos em sua campanha vitoriosa em 2010.  O Setorial LGBT PT RJ, presente nos principais momentos da campanha,  nos comícios, nas atividades de rua, levando a bandeira do PT e do 131 de seu nome para o Senado para  a comunidade LGBT do Rio de Janeiro! Companheiro reflita; e se posicione ao lado da paz, do progresso e da justiça


Venha conosco na luta universal pelos direitos humanos de LGBT, da Juventude, das mulheres, dos Negros, dos povos da floresta, Portadores de deficiência, dos quilombolas, dos povos de terreiro,  em fim dos oprimidos em geral da história que formam a grande maioria dominados por uma elite perversa e cruel.  

 

Estes são as posições históricas do Partido dos Trabalhadores, repudiar todos os preconceitos.

 

PT 32 anos de Lutas contra a Homofobia e o Preconceito!

 

Um grande abraço!

 

Setorial LGBT PT RJ

 

Fora a Homofobia!

Em defesa da Vida! PL 122 Já!___

Carta aberta ao Senador Lindberg Farias : Fora homofobia!

Caro senador lamentos profundamente as declarações em debate no senado federal em 3 de abril de 2012, onde em discurso o Senador Magno Malta PR ES denuncia um "suposto império Gay no Brasil", é mais um factóide da campanha homofóbica. Ele tem sido dos mais atuantes contra os direitos para LGBT. Em um a parte a as absurdas declarações de Malta, o Sr defendeu as declarações do Sr. Malafaia de que "sentar o pau" eram mal compreendido, e que ele não queria agredir. Mas suas palavras promovem o ódio contra Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis.

O Sr. Silas Malafaia tem dirigido uma campanha de difamação contra LGBT, em suas falas chega a se descontrolar e ataca a promoção de direitos, se opondo a criminalização da homofobia no Brasil. Pode ser que o sr. não conheça esta verve e  da atuação deste “pastor” que  na cruzada pela homofobia no Brasil.

 

Alertamos ao senador que estamos vivendo hoje uma nova inquisição, uma conjuntura conservadora, tempos de trevas que é comandada por pastores evangélicos reacionários, que através da mídia de TV,  Rádio e web tem atentado contra os direitos e a cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis. É grave que o Sr. Malafaia usa um canal de TV e rádio que são concessão pública, para defender o ódio e o preconceito. Somos hoje vítimas de uma perseguição brutal e cruel, que faz paralelo a ditadura militar e aos tempos da escravidão. Estes ataques têm levado a um aumento das perseguições e assassinatos contra LGBT no Brasil. E o resultado é um aumento da homofobia em todo o país; em locais de trabalho, nas ruas de grandes cidades como São Paulo (com atuação de grupos fascistas) do Rio de Janeiro ou de outras. É esta violência também chegou as escolas, o que tem ocasionado casos de suicídios de jovens e crianças atacados pelo Bullying-homofóbico. São milhares de jovens com traumas, e a dor das famílias que tem perdido seus filhos. Os grupos fundamentalistas têm atuado na aprovação de projetos do ensino religioso nas cidades, em uma pressão das Igrejas no Congresso Nacional, eles impedem avanços  desafiando o estado laico em uma afronta a constituição. Suas ações de chantagem política contra gestores, parlamentares ameaçam programas sociais, uma tentativa ruptura golpista. Os programas nacionais; Brasil Sem Homofobia, Escola sem Homofobia entre outros tem sido bloqueados e ou constantemente atacados por estes grupos, que com articulação política impedem a efetivação de políticas publicas em direitos humanos. Não podemos mais aceitar esta pressão reacionária contra a democracia.

 

Nesta semana (2 a 7 de abril) chegamos há mais de 110 assassinatos de LGBT no Brasil em 2012, e temos milhares de feridas psicológicas e físicas das vítimas dos ataques homófobicos. O Brasil é o país que mais assassina LGBT no Mundo. E por isso é urgente ações em todas as esferas de poder no combate a Homofobia.

 

Lembramos ao senador Lindbergh, que o Sr. Malafaia é um dos mentores da campanha reacionária contra LGBT, tenta intimidar nossas ações em defesa dos direitos humanos, com processos e falsas acusações e seguidas provocações, e não  mede palavras para ofender lideranças e grupos como a ABGLT e o processo contra o companheiro Toni Reis entre outros defensores e militantes LGBT. Ao falar “em dar um pau” ele estimula milhares de covardes atacarem, perseguir e até assassinar LGBT! Tenta confundir a opinião pública evangélica e nacional com suas inverdades. Senador, nós LGBT queremos viver em  paz, com cidadania e respeito, acesso aos serviços de saúde, trabalho, cultura, previdência e assistência social. E o Congresso Nacional é hoje a vanguarda  em negar estes direitos.  

Nós defendemos a democracia, e denunciamos contra o golpe reacionário  também ataca as religiões de matriz africana, com criminalização racista e perseguição aos povos de terreiro, por parte dos mesmos grupos fundamentalistas. Somos solidários a estas estes povos!

 

Senador Lindbergh Sr. que sempre esteve nas maiores mobilizações populares pela democracia e por transformações no Brasil, que tem uma formação de esquerda e progressista, que já foi vítima de campanhas de preconceito por parte de extrema direita contra os nordestinos, sabe o que é a dor que a difamação causa. Pedimos que faça um gesto de boa vontade e venha apoiar nossa campanha pela cidadania e por direitos humanos para LGBT. Junte-se a Frente Parlamentar LGBT, a III Marcha Nacional por direitos e Contra a Homofobia em 16 de Maio de 2012 em Brasília. E esteja conosco na defesa dos programas e políticas como o Escola sem Homofobia, no apoio pela aprovação da criminalização da Homofobia no Brasil, que é o  PL 122/2006, que tem sido bloqueado pelos  grupos fascistas no Senado.

 

O Rio de Janeiro, estado que elegeu o Sr. o senador mais votado em 2010, é o estado com os maiores avanços institucionais no marco das políticas públicas pela cidadania e de promoção de direitos para a população LGBT. Por isso o Sr. Não pode se aliar e perfilar ao lado do que a de mais reacionário no Rio de Janeiro e no Brasil. Por  sua história o Sr. não pode se confundir e se aliar com as forças do passado e do atraso, as mesmas que promoveram a ditadura, as perseguições, a tortura e o fascismo.

Este mesmo ódio contra LGBT une racistas,  machistas,  latifundiários que assassinam sem terras, dos que atacam os sem tetos, assassinam índios.

 

 

Companheiro Lindbergh O Setorial LGBT PT RJ e sua militância  desde o   PED e em todos os momentos defendemos seu nome, e apoiamos sua indicação como senador pelo PT RJ, e estivemos em sua campanha vitoriosa em 2010.  O Setorial LGBT PT RJ, presente nos principais momentos da campanha,  nos comícios, nas atividades de rua, levando a bandeira do PT e do 131 de seu nome para o Senado para  a comunidade LGBT do Rio de Janeiro! Companheiro reflita; e se posicione ao lado da paz, do progresso e da justiça


Venha conosco na luta universal pelos direitos humanos de LGBT, da Juventude, das mulheres, dos Negros, dos povos da floresta, Portadores de deficiência, dos quilombolas, dos povos de terreiro,  em fim dos oprimidos em geral da história que formam a grande maioria dominados por uma elite perversa e cruel.  

 

Estes são as posições históricas do Partido dos Trabalhadores, repudiar todos os preconceitos.

 

PT 32 anos de Lutas contra a Homofobia e o Preconceito!

 

Um grande abraço!

 

Setorial LGBT PT RJ

 

Fora a Homofobia!

Em defesa da Vida! PL 122 Já!___

AFRO-BLOG'S