segunda-feira, 30 de abril de 2012

“Na literatura brasileira, nossas mulheres negras não são mães".

Conceição Evaristo, uma das colaboradoras de Cadernos Negros, participou da recente Bienal de Brasília. Seguem trechos de artigo da Agência Brasil sobre essa participação: 

Brasília – A escritora mineira Conceição Evaristo defendeu, durante debate na 1a Bienal do Livro e da Leitura, a escrita como um direito de todos. "Tanto como com a saúde e a educação, as populações pobres e as mulheres têm direito de se apropriar de um instrumento que, por vezes, é encarado como propriedade de certos estratos sociais", disse.

Para ela, esses grupos precisam garantir o acesso à linguagem, à leitura e à escrita ou estarão sendo lesados em sua cidadania. "Essas populações precisam se apropriar desse direito para uma cidadania plena. O domínio da leitura e escrita é essencial, principalmente, em uma sociedade em que vale o que está escrito", defendeu a autora de
 Ponciá Vicêncio.

Em um debate sobre o papel do negro na literatura brasileira, Conceição lembrou da construção ficcional de personagens negras, principalmente a de mulheres a quem, em geral, é negado o direito à maternidade. "Na literatura brasileira, nossas mulheres negras não são mães. No máximo, a mãe preta, que cuida da prole alheia", disse a escritora mineira.

Para ela, da mesma forma que o discurso histórico tenta esconder os feitos e as contribuições de negros africanos para a construção do Brasil, a literatura pode estar caminhando nessa mesma direção ao silenciar personagens negras. Ela citou romances como
São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Agosto, de Rubem Fonseca, como exemplos de textos em que os negros existem como personagens, mas não têm direito à fala. "O que uma ficção que cria personagens sem fala está construindo? A literatura brasileira nega a presença negra na constituição da nacionalidade brasileira?".

Perguntada sobre estratégias para quebrar esse silenciamento – tanto na literatura como na vida das mulheres –, ela citou a educação como ponto prioritário. "É a questão de furar brechas, de se apropriar de determinados conhecimentos. Volto à questão da escrita, da alfabetização. [É preciso] furar esses espaços e se apropriar dessas ferramentas que, se não propiciam um lugar melhor economicamente, propiciam possibilidade de crítica e enfrentamento."

No mesmo debate, o sambista e escritor Nei Lopes defendeu a existência de uma literatura afro-brasileira. "A literatura negra existe. Ela [a literatura] é um conjunto de criações que se referem a determinado contexto geográfico, linguístico ou temporal. No caso da literatura afro-brasileira, o elo é a questão identitária [que cria identidade]", defendeu o autor da
 Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana.

Artigo original de Lílian Beraldo e Juliana Cézar Nunes
Repórteres da EBC
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Ainda em Brasília, duas autoras do CN34, de contos, vão lançar o livro dia 08 de maio na capital federal, como segue:

As autoras Cristiane Sobral e Denise Lima convidam para o lançamento e noite de autógrafos do livro Cadernos Negros volume 34.

Dia 08 de maio
às 19h30
Restaurante Carpe Diem

End.: SCLS 104 bloco D, loja 01 - 104 Sul - Brasília/DF

 

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