terça-feira, 29 de maio de 2012

Porque me Filiei ao PT

O mundo capitalista é abissalmente injusto. Dei-me conta disso tarde até, mesmo tendo sentido na pele suas garras. Minha mãe faleceu sendo explorada por uma multinacional, a Wall Mart, que além de pagar um salário inferior ao mínimo, faz com que as pessoas trabalhem mais do que 40 horas e proíbe a organização em sindicato. E desde cedo, eu, minha irmã e minha mãe vagamos pelo mundo, vivendo de aluguel, sem nunca ter casa própia, estudando em mais de 10 escolas, morando em mais de 20 casas, e inclusive no olho da rua.

Mesmo que na minha família praticamente não houvesse influência católica, comecei a participar de um grupo de jovens aos 12 anos, por ser a única alternativa inteligente que se apresentava no lugar em que eu morava. E a Pastoral da juventude estudantil transformou minha vida pra sempre, bem como a vida de tantos. Não nos catequiza, mas nos apresenta a urgência de nos organizarmos pra enfrentar esse sistema atroz que mata um jovem pobre por hora, pra que os mesmos poucos de sempre gozem criminosamente de previlégios e sejam invejados e adorados pelas massas. A PJE forma jovens sensíveis, críticos, curiosos, criativos, conscientes. E fazer parte dessa história me alegra muito.

Decidi participar do PT ainda em 2006, porque vi que reclamar sozinha da realidade era um esforço vão. Porque compreendi, num dado momento, que sem organização nada pode ser transformado. E que, quando nós não participamos das disputas, tenham certeza, alguém o faz e o faz com os objetivos mais variados. Decidi me filiar ao PT porque hoje tenho 22 anos e me lembro que quando tinha 10, 11 anos a situação do país, da minha família e das pessoas da minha volta, da minha classe social, era muito pior. E, especialmente porque, na pastoral adquiri consciência de classe. E, sendo da classe trabalhadora, me identifico profundamente com a esquerda e com um projeto radicalmente democrático e justo, onde a propriedade dos grandes meios de produção seja coletiva, onde não haja mais classes, nem exploração, nem opressão. Um projeto possível, na verdade uma necessidade histórica, que chamamos de Socialismo.

Não sou romântica nem cega a ponto de afirmar que o PT fará a revolução estando no governo. Contudo, tenho segurança que o nosso partido cumpre um papel decisivo no caminho da justiça social, encarando frontalmente a burguesia nacional organizada nos seus partidos reacionários, erradicando a fome(coisa que só quem a sentiu de verdade sabe o que significa), ampliando o acesso à universidade, inclusive incluindo negros, negras, indígenas, pobres, melhorando, enfim, a vida da classe trabalhadora que num futuro próximo terá condições de se organizar de fato e forjar um outro tempo.

Eu quero fazer parte também dessa história. Não quero ser apenas peso no mundo, espectadora, omissa, tampouco quero contribuir com os burgueses, os donos da mídia golpista e sanguinária, engrossando o coro do antipetismo, do antipartidarismo, da não organização, da ação individual, que lhes serve porque não faz nem cócegas ao sistema.

Por isso, por causa da minha história de vida e do meu processo de conciência, tenho lado nas disputas. Por isso me filiei ao PT. E milito na Articulação de Esquerda justamente por ser crítica ao governo e, ao mesmo tempo reconhecer a sua importância no curso da história e na vida das pessoas e por, especialmente, ser intransigente na defesa do socialismo possível.

E lá vamos nós, na contramão da ideologia que decretou o fim da história, que diz que é obsceno filiar-se a um partido, se posicionar politicamente, acreditar num amanhã justo, ser solidário hoje. Nós vamos na contramão do machismo que nos humilha diariamente, nos impõe preço e padrão, nos faz crer que somos menos capazes de encarar a vida de frente, com autonomia pra decidir. Ousamos aliar o discruso à prática e, apesar de fazermos pouca propaganda e pouco discurso, estamos organizando Estágios de Vivências de estudantes em assentamentos e acampamentos sem-terra por vários cantos do país, lutando por democracia em muitas universidades, quebrando a cabeça pra achar um jeito coerente de fazer política estudantil, sem enganar as pessoas; forjando uma organização de mulheres que não nos isole dos grandes debates, mas nos empodere pra os protagonizarmos. Uma política de alianças que force o PT e o governo pra esquerda; pela integração latinoamericana e caribenha numa estratégia anticapitalista e socialista.

Gosto de lembrar daquela frase do Galeano que justifica a luta teimosa dos povos humilhados do nosso continente, com a qual justifico também a nossa luta: "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos pra transformar o que somos".

Um abraço em quem acreditar.

 

Tábata Silveira

Porto Alegre, RS, Brasil

Militante de esquerda, feminista, petista, estudante, assentada na comunidade urbana Utopia e Luta e pandeirista, ansiosa por um mundo novo.

 

 

Nomeado Novo Coordenador de Igualdade Racial em Contagem

Os Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) recebe, com alegria, a nomeação do novo coordenador da Igualdade Racial da Prefeitura de Contagem (MG), o professor João Carlos Pio de Souza.

Nascido em Contagem formou-se pela PUC Minas em pedagogia. Foi coordenador nacional dos APNs por duas gestões 2006-2008 e reeleito para 2008-2010. Foi conselheiro da SEPPIR entre 2005-2006. Também acompanhou por muitos anos, diversos anos o grupo de Congada. Foi eleito em abril passado Coordenador da Comissão de Educação dos APNs e

Expressamos os nossos votos de que o novo coordenador da igualdade racial exerça uma gestão frutuosa e nos unimos na kizomba  que hoje realiza todos os APNs de Minas Gerais em especial o Mocambo de Contagem. Cumprimentamos o João Carlos Pio de Souza  e desejamos que ele seja feliz na nova missão que a vida lhe confia.

São Paulo, 29 de maio de 2012.

Nuno Coelho

Coordenador Geral

Márcia Rangel

Secretária Geral

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ato de lançamento da chapa 2: Por um SEPE de Vitórias

Apresentação1

Não percam!

Sua presença é muito importante.

Fuzileiros navais invadem Quilombo do Rio dos Macacos (Bahia) para expulsar moradores

Salve comunidade: URGENTE!!!
Nesse momento a Marinha do Brasil está invadindo o Quilombo Rio dos Macacos, para derrubar a casa de um morador.
Os moradores estão resistindo dentro da casa, mas os fuzileiros, fortemente armados, montaram acampamento na frente da mesma, e dizem que vão derrubar a casa com os moradores dentro.
Os fuzileiros acabaram de derrubar uma das paredes da casa, que caiu em cima de uma criança, ferindo a mesma.
Dois advogados da AATR e um da CPT jà estão a caminho do Quilombo.
Precisamos de uma mobilização urgente para mobilizar pessoas para o quilombo. Mobilização urgente para que essa notícia seja massificada nas redes sociais. (quem entende de tuíter pode criar um perfil).
quem tem contato facilitado com os órgãos de imprensa, deve entrar em contato e enviar essas notícias.
Quem tem possibilidade de dar carona, deve contactar outras pessoas disponíveis para locomover-se ao Quilombo.

 

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Atenciosamente,

 

Helbson de Avila

www.havilarepresentacoes.com.br

(24) 8818-9278   ***  (24) 9257-2896

 

 

 

curso de formação política da AE

A Articulação de Esquerda, tendência interna do PT, promoverá em julho próximo a sua 9ª jornada nacional de formação política.

O curso é aberto a não militantes da tendência e possui prazos para inscrição. Mais detalhes podem ser encontrados no sitio:  www.pagina13.org.br

 

A 9ª Jornada Nacional de Formação Politica da Articulação de Esquerda será realizada na cidade de Natal/RN, no periodo de 7 a 15 de julho de 2012.

São oferecidos 2 cursos:

Curso 1: Estudo das Resoluções da AE

Socialismo - Estratégia -Bloco Histórico - Juventude - Mulheres - História da Luta pelo Socialismo: periodo 1848/1917, Revolução Russa, Revolução Chinesa, Revolução Cubana, Unidade Popular no Chile, periodo atual -História do Brasil, História do PT, História da AE, Governos Lula e Dilma.

Curso 2: Lutas de Massas e Estratégia Socialista:

Socialismo - Estratégia - Bloco Histórico - Juventude - Mulheres - aulas setoriais especificas (conforme as opções descritas abaixo) - História do Brasil, História do PT, História da AE, Governos Lula e Dilma.

As opções setoriais serão as seguintes, condicionadas à inscrição de no mínimo 15 companheiras e companheiros para a sua viabilização:

a) Mulheres

b) Juventude

c) Sindical

d) Combate ao rascismo

e) LGBT

f) Questão Agrária

g) Questão Ambiental

h) Questão Urbana

i) Saude

 

Importante: para efeito de organização da jornada, as inscrições para as opções setoriais do curso 2 deverão ser efetivadas até o dia 30 de maio, pois caso não sejam efetuadas 15 inscrições até esta data, a opção não será oferecida.

 

 

Atenciosamente,

 

Helbson de Avila

www.havilarepresentacoes.com.br

(24) 8818-9278   ***  (24) 9257-2896

 

 

 

sábado, 19 de maio de 2012

Juventude, verdade e justiça

A instalação da Comissão da Verdade abre uma nova frente de luta para a juventude brasileira. Ao afirmar que "o Brasil e as novas gerações merecem a verdade", a presidenta Dilma reforça uma dimensão fundamental desta luta, que é a importante participação dos jovens na efetivação do direito à memória, à verdade e à justiça no país.

 

O êxito dos trabalhos da comissão dependerá fundamentalmente da mobilização popular. A ampliação das lutas sociais pelo direito à verdade deve estimular a criação de comitês pela verdade e justiça nos estados, municípios e outras instâncias envolvidas com o tema. Deve apontar, ademais, para a retomada da luta pela punição dos agentes estatais e comandantes dos atos de tortura, assassinatos e desaparecimentos cometidos durante o período ditatorial.

 

Além disso, a juventude deve denunciar as tentativas de setores militares e veículos de comunicação que buscam descaracterizar o papel da Comissão, sugerindo a investigação dos "dois lados" e dos "crimes da esquerda". Os trabalhos da comissão devem ser dotados de recursos e estrutura adequada para seu pleno funcionamento e focados sobre a violência praticada por agentes do Estado contra os que lutaram contra a ditadura civil-militar implantada no Brasil.

 

Enfrentar este tema é também denunciar a cultura de impunidade e violência herdada do período ditatorial e entranhada nas corporações policiais e militares ainda vigente no país, não raro vitimando os jovens com as armas do Estado. No Brasil, mais da metade da população carcerária é composta de jovens de 18 a 29 anos e de acordo com dados do Ministério da Saúde, do total de homicídios no país em 2010, 26.854 das vítimas eram jovens de 15 a 29 anos, ou seja, 53,5% do total. Destes, 74,6% eram negros.

 

A Comissão da Verdade chega com o atraso de anos de impunidade e como resultado da mobilização dos movimentos sociais, ativistas de direitos humanos, familiares de mortos e desaparecidos e também pela pressão e exigência de vários fóruns internacionais. Sua instalação – uma decisão acertada dos governos de Lula e Dilma - ocorre num contexto de mobilizações em vários estados do país, desde os "esculachos" contra os agentes da ditadura até manifestações em escolas, ruas e espaços públicos que envergonham a democracia homenageando ditadores e cúmplices do regime.

 

Uma das marcas dessas recentes mobilizações é a presença expressiva de jovens, sinalizando que para as novas gerações, o direito à memória e à verdade não se trata apenas de um olhar sobre o nosso passado, mas de uma condição necessária para que não esqueçamos o que aconteceu e que não se repitam as violências praticadas contra a liberdade e a democracia no presente e no futuro.

 

Afinal, são sobre os jovens as maiores tentativas de impor o esquecimento deste período histórico. Nascidos nos idos dos anos 1980, quando da transição pelo alto do regime ditatorial para a "nova república", a atual geração de militantes sociais reconhece que lutar pelos direitos negados aos jovens que tombaram e foram vítimas da violência estatal de ontem, é garantir os direitos e a liberdade dos jovens de hoje.

 

Bruno Elias, coordenador de movimentos sociais da Juventude do PT

MST Informa: Veta tudo Dilma



VETA TUDO DILMA: EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL

Por Luiz Zarref
Dirigente da Via Campesina Brasil


O projeto que altera o Código Florestal brasileiro, votado nesta semana na Câmara dos Deputados, representa a pauta máxima ruralista. A bancada apoiadora do agronegócio e defensora daqueles que cometeram crimes ambientais mostrou sua coesão e conseguiu aprovar um texto de forma entrelaçada, comprometendo todo o projeto.

O texto está de tal forma que se a presidenta Dilma Rousseff vetar partes dele, continua a mesma coisa. Exemplo: se vetar a distância mínima de floresta recuperada na beira de rios que ficou em 15 metros – atualmente é de 30m -  o texto ainda fica sem nenhuma menção de recuperação nestas áreas. O turismo predatório em mangues também fica permitido, segundo o projeto.

Os ruralistas também aproveitaram para dificultar o processo de Reforma Agrária, com a restrição de dados governamentais para a população e até mesmo com a tentativa de anular as áreas improdutivas por desrespeito ao meio ambiente, tal como manda a constituição.

O pousio, ou seja, o descanso que se dá a terra cultivada, ficou sem qualquer restrição de tempo e de técnica. Isso acaba com o conceito de área improdutiva. O texto viabiliza as áreas que estavam paradas desde a década de 1990 com regeneração de florestas. São 40 milhões de hectares nesta situação.

Além disso, os ruralistas fragilizaram o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade.

A presidenta Dilma tem até a semana que vem para anunciar seus vetos, mas movimentos sociais e organizações ambientalistas já estão mobilizados para que a presidente derrube integralmente o projeto que saiu do Congresso Nacional.

A presidenta tem nas mãos ainda vasto apoio de parlamentares, organizações camponesas, sindicatos, sociedades científicas, entidades da igreja pelo veto global.

O papel dos setores progressistas é fazer pressão, enfrentar ideologicamente os ruralistas e criar um clima para que a presidenta Dilma faça o veto completo desse projeto. O meio ambiente e a Reforma Agrária estão seriamente comprometidos com esse texto que sai do Congresso Nacional.

 

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MST Informa: Veta tudo Dilma



VETA TUDO DILMA: EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL

Por Luiz Zarref
Dirigente da Via Campesina Brasil


O projeto que altera o Código Florestal brasileiro, votado nesta semana na Câmara dos Deputados, representa a pauta máxima ruralista. A bancada apoiadora do agronegócio e defensora daqueles que cometeram crimes ambientais mostrou sua coesão e conseguiu aprovar um texto de forma entrelaçada, comprometendo todo o projeto.

O texto está de tal forma que se a presidenta Dilma Rousseff vetar partes dele, continua a mesma coisa. Exemplo: se vetar a distância mínima de floresta recuperada na beira de rios que ficou em 15 metros – atualmente é de 30m -  o texto ainda fica sem nenhuma menção de recuperação nestas áreas. O turismo predatório em mangues também fica permitido, segundo o projeto.

Os ruralistas também aproveitaram para dificultar o processo de Reforma Agrária, com a restrição de dados governamentais para a população e até mesmo com a tentativa de anular as áreas improdutivas por desrespeito ao meio ambiente, tal como manda a constituição.

O pousio, ou seja, o descanso que se dá a terra cultivada, ficou sem qualquer restrição de tempo e de técnica. Isso acaba com o conceito de área improdutiva. O texto viabiliza as áreas que estavam paradas desde a década de 1990 com regeneração de florestas. São 40 milhões de hectares nesta situação.

Além disso, os ruralistas fragilizaram o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade.

A presidenta Dilma tem até a semana que vem para anunciar seus vetos, mas movimentos sociais e organizações ambientalistas já estão mobilizados para que a presidente derrube integralmente o projeto que saiu do Congresso Nacional.

A presidenta tem nas mãos ainda vasto apoio de parlamentares, organizações camponesas, sindicatos, sociedades científicas, entidades da igreja pelo veto global.

O papel dos setores progressistas é fazer pressão, enfrentar ideologicamente os ruralistas e criar um clima para que a presidenta Dilma faça o veto completo desse projeto. O meio ambiente e a Reforma Agrária estão seriamente comprometidos com esse texto que sai do Congresso Nacional.

 

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sexta-feira, 18 de maio de 2012

ainda sobre a vitória do PS francês

publicado em 16/05/2012

 

Por Carla Orlandina Sanfelici*

 

Dia 6 de maio os franceses escolheram o novo presidente da República que governara até 2017, e que assume em um contexto de crise europeia.

 

O PS venceu com 52% dos votos, contra os 48% que obteve o candidato da direita, do UMP. Esse último esteve durante 10 anos no poder, cinco como Chefe da Casa Civil e cinco anos como presidente da República. E apesar das pesquisas que mostravam uma rejeição massiva à pessoa de Nicolas Sarkozy, este não obteve resultados tão fracos como se predizia. Sem contar que 6% da população exprimiram-se através de votos brancos ou nulos.

 

A volta do PS ao poder não suscita mais a efervescência quando da época de Mitterrand. Efervescência esta que alcançou o nosso Brasil em finalzinho de ditadura, em 1981, e que tanto nos deu esperanças. Muita água passou embaixo da ponte, estamos em um terceiro mandato petista, muitos avanços sociais foram postos em prática, bem ao contrario da França que muito regrediu neste campo, após tantos anos da direita no poder.

 

Então, desta vez, a vitória do PS não esta mais carregada de tantas aspirações, mas reflete a necessidade de uma mudança por via racional, sem exigir milagres do eleito, pois Hollande esta herdando uma realidade caótica.

 

Isto fica visível ao constatar que o PS não obteve uma vitória confortável e a maneira que poderá governar depende de como os eleitores se exprimirão nas eleições legislativas dos dias 10 e 17 de junho.

 

Mesmo que a população francesa estivesse descontente com a maneira de governar de Sarkozy – centralizando poderes e decisões e concedendo privilégios descaradamente - os franceses hesitaram em eleger um candidato de esquerda. Ao considerar o espaço que as ideias da extrema-direita, o Front National, ganharam durante esta campanha presidencial e que foram amplamente difundidas pelo próprio Nicolas Sarkozy e seu círculo mais próximo.

 

O 2° turno das eleições foi marcado por um endurecimento do discurso do presidente candidato a reeleição, onde este, de maneira quase obscena decidiu seduzir o eleitorado do FN. A extrema direita obteve 18% dos votos que passaram a ser decisivos para a obtenção da vitória.

 

Desta maneira, a questão da política migratória passou a pesar na balança, ocupando um espaço maior que o necessário no debate. Ressuscitou-se a questão das fronteiras e mesmo surgiu o argumento de rever os acordos do espaço Schengen, que preveem a livre circulação entre membros da Comunidade Europeia. Pesquisas de opinião apontam que 37% da população francesa está de acordo, mesmo que algumas vezes parcialmente, com as ideias do FN, ideias que são incontestavelmente xenófobas e racistas. A crise foi um terreno fértil à expansão das ideias deste partido que encontrou eco dentro do governo Sarkozy, obtendo declarações como as do Ministro da Defesa, que entre os dois turnos da campanha disse que a líder do FN, Marine Le Pen, passou a ser uma parceira fiável e necessária à direita.

 

A facilidade em evitar a discussão das políticas neoliberais como reais responsáveis da crise, destacou o estrangeiro como o principal vilão, que foi acusado como o culpado de grande parte das dificuldades da sociedade. Este tipo de retórica fez com que a proposta do PS de instituir o direito de voto aos estrangeiros às eleições municipais fosse vilipendiada.

 

A estratégia de dividir a sociedade atingiu o seu ápice quando o trabalhador foi estigmatizado, a ponto do tradicional desfile do 1° de maio ter sido colocado como uma manifestação desprovida de caráter histórico social.

 

Onde se reduzia, segundo o presidente em exercício, a seguir as bandeiras vermelhas em detrimento a nacional e, sobretudo respondendo as manipulações dos sindicatos que não representam o "verdadeiro" trabalhador.

 

É incontestável que este discurso simplista criou um abismo na sociedade. Sociedade conhecida por incessantes lutas, greves que obrigaram o Estado a outorgar tantos avanços sociais. E este abismo é evidente na análise geográfica do resultado eleitoral. O PS ganhou nos grandes centros urbanos, com exceção de Nice, e na região rural ganhou à direita. E de maneira mais surpreendente, nas regiões onde não existem estrangeiros instalados, a adesão às ideias do FN foi grande, com uma votação expressiva. Isso demonstra o quanto existe de infundado na escolha deste eleitorado e que exprime o rechaço do outro, do diferente, do estrangeiro.

 

Neste contexto de fragilidade política, o líder político do partido do centro, o Modem, na figura de François Bayrou, declarou que as ideias difundidas durante  a campanha do segundo turno, são incompatíveis com uma República democrática e que, como o Sarkozy encampou as posições do FN, lhe restava votar, a título pessoal, para François Hollande.

 

No primeiro discurso de Hollande, proferido após a vitória, ele reafirmou que a austeridade não deve ser uma fatalidade; em que as suas críticas à crise europeia são semelhantes às proferidas pela Dilma Roussef. Além disso, tudo indica que Hollande é sensível à política praticada no Brasil, tendo em vista que participou ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre e teve a oportunidade de encontrar com Lula.

 

Dentro das primeiras ações previstas pelo candidato vitorioso está a viagem a Alemanha, para iniciar discussões sobre o "pacto de estabilidade financeira" da Comunidade Europeia que tem asfixiado vários membros da zona euro.

 

A Europa em crise espera muito da vitória do PS na França. Europa que tem como motor econômico a França e a Alemanha, onde a segunda é inflexível ao que se refere às medidas de austeridade. E bem que a crise seja financeira, ela despertou ideologias xenófobas racistas, não somente na França, mas recentemente na Grécia, onde apareceu com muita força nas eleições. Então, a questão econômica esta intimamente ligada à maneira que será organizada a política de imigração. A crise criou um terreno fértil para que a extrema direita avançasse, com o estrangeiro apontado como o responsável de todas as mazelas que as políticas neoliberais conduziram à beira do caos a França e a Europa.

 

Por isto tudo a comunidade brasileira instalada na França acompanha com muito interesse o que será posto em prática pelo governo socialista. Existem entre 80 e 90 mil brasileiros na França, grande parte indocumentada formando família, com filhos - muitos nascidos em solo francês. Muitos desses brasileiros atuam em trabalhos penosos, mal pagos e têm dificuldades para receber por não disporem de documentos que possibilitem a abertura de uma conta bancária. Verdade que a realidade brasileira fez com que os brasileiros diminuíssem o fluxo migratório; o que não impede aqueles que já se encontravam na Europa, devido à crise, tenham decidido viver na França, uma vez que essa foi menos afetada pelo contexto econômico, tendo em vista a forte presença do Estado.

 

Robert Badinter, ministro da Justiça de Mitterrand e responsável pela lei que aboliu a pena de morte, quando consultado qual seria a medida de impacto semelhante a ser aplicada por Hollande, do mesmo peso que a que ele instaurou, respondeu sem hesitar que será o de dar o direito de voto aos estrangeiros nas eleições municipais.

 

Talvez, visto do Brasil, o voto dos estrangeiros possa parecer infundado, onde o argumento de destinar tal direito deveria ser somente aos que decidem obter a nacionalidade francesa. No entanto, é importante informar que cada vez mais se tornou complexo o processo de aquisição da nacionalidade. Nos últimos cinco anos o governo intensificou as dificuldades e instaurou medidas financeiras coercitivas. Entre outras tantas exigências, cada candidato a aquisição da nacionalidade, abaixo de um certo nível de estudo deve submeter-se a um exame de proficiência do idioma, devendo pagar 110 euros pelo mesmo, sem contar os 55 euros para simples estudo do pedido de naturalização. E tais exigências existem mesmo para os que vivem há muitos anos sobre o solo francês, trabalhando, pagando impostos e mesmo tendo filhos nascidos no território.

 

Hollande foi questionado pela Rede Educação Sem fronteiras, que auxilia os imigrantes sobre as condições de regularização e tratamento que recebem, e a resposta dada leva a pensar que a discussão está aberta e que existirá transparência na política que será instaurada. Provavelmente, será deixada de lado a meta por volume de expulsões a obter por ano.

 

E mesmo se existe prudência e limites no discurso de Hollande se nota que existe a vontade de romper com a xenofobia ambiente, buscando, sobretudo, respeitar os direitos humanos.

 

Muitos dos brasileiros que são pegos em situação irregular têm o passaporte confiscado pelas autoridades francesas, documento este que nem pertence ao cidadão brasileiro, mas ao governo brasileiro. Tal ato é demonstrativo de práticas desrespeitosas entre países amigos. E se a política de imigração deve ser determinada pelo governo francês, onde nenhum brasileiro põe em questão os critérios que serão estabelecidos, isto não impede que se espere o respeito aos direitos humanos, sem espaço para o aleatório.

 

Ainda sobre o tema da imigração, outro item que demanda um olhar bem atento são os centros de retenção que podem abrigar por até 45 dias, estrangeiros em situação irregular antes de serem expulsos. Estes centros receberam inúmeras vezes menores, situação que foi condenada pelo Conselho Europeu de Direitos Humanos e o Conselho de Direitos das Crianças. Informações apontam para a ocorrência de inúmeros abortos dentro destes centros.

 

Enfim, o PS elegeu-se com o slogan "A mudança é agora" e os brasileiros instalados na França esperam que os textos de lei respectivos à imigração herdados da era Sarkozy sejam revistos e que agora aja mudança. Mudança necessária para que os brasileiros que aqui se encontram se integrem, construam, vislumbrem um futuro melhor e que os laços de amizade entre a França e o Brasil se fortifiquem.

 

*Carla Orlandina Sanfelici, integrante do núcleo do PT em Paris, militante da Rede Educação Sem fronteiras e de um dos Coletivos anti-FN.

 

 

 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nota da CUT sobre a Comissão Nacional da Verdade

11/05/2012

Central reitera seu apoio a Comissão, mas lamenta composição que exclui familiares das vítimas da ditadura, representantes dos trabalhadores e de grupos e movimentos sociais

Escrito por: CUT Nacional

A CUT manifesta seu apoio à constituição da Comissão Nacional da Verdade, instrumento que deverá aprofundar a investigação das atrocidades cometidas durante a Ditadura Militar (1964-1985). A CUT defende a punição dos torturadores e assassinos que agiram a serviço do regime militar e que continuam impunes até os dias de hoje.

 

Sem punição, continuaremos convivendo com casos de abusos policiais, torturas e criminalização da pobreza: sem Democracia, portanto. Os brasileiros que lutaram contra a Ditadura Militar e entregaram a vida em defesa da Democracia e de um país mais justo merecem memória, verdade e justiça! A CUT continuará a pressão para que a Comissão Nacional da Verdade, além de investigar esse triste período de nossa história, apresente elementos para a punição dos culpados das violações de direitos humanos e para que a justiça seja feita por meio do devido processo legal.

 

Contudo, não podemos comemorar a composição dessa Comissão, finalmente decidida e anunciada pelo governo sem a inclusão de familiares das vítimas da Ditadura Militar  de representantes dos Trabalhadores e de grupos e movimentos sociais que lutaram pela redemocratização do país. Ainda que respeitável, o perfil exclusivamente jurídico da maioria dos membros, bem como a interpretação que alguns fazem da Lei da Anistia, que mantém impunes os torturadores, são preocupantes.

 

A CUT espera e trabalhará para que a Comissão supere estas e outras limitações e que venha a contribuir com o definitivo -- e cada vez mais urgente e inadiável -- acerto de contas entre o Brasil e a Ditadura Militar.

 

Executiva Nacional da CUT

9ª jornada de formação da AE

9ª Jornada Nacional de Formação Política da AE

Natal - 7 a 15 de julho de 2012

Programação

Curso 1: Estudo das Resoluções da AE

07/7/2012 (sab)

manhã

Recepção, abertura e apresentação dos cursos 

tarde

Resoluções da AE - Socialismo

noite

Livre

08/7/2012 (dom)

manhã

Resoluções da AE - Estratégia

tarde

Resoluções da AE - Bloco Histórico

noite

Livre

09/7/2012 (seg)

manhã

As mulheres e a luta pelo socialismo

tarde

A juventude a e a luta pelo socialismo

noite

Luta LGBT e socialismo

10/7/2012 (ter)

manhã

História do Brasil - 1500/1888

tarde

História do Brasil - 1889/1930

noite

História do Brasil - 1930/1964

11/7/2012 (qua)

manhã

História do Brasil - 1964/1980

tarde

História do PT - História da AE

noite

Livre

12/7/2012 (qui)

manhã

História da Luta pelo Socialismo, o periodo de 1848 a 1917

tarde

História da Luta pelo Socialismo, a Revolução Russa

noite

História da Luta pelo Socialismo, a Revolução Chinesa

13/7/2012 (sex)

manhã

História da Luta pelo Socialismo, a Revolução Cubana e as guerrilhas na América Latina

tarde

História da Luta pelo Socialismo, a Unidade Popular no Chile

noite

LIVRE

14/7/2012 (sab)

manhã

História da Luta pelo Socialismo, o momento atual, neoliberalismo e imperialismo.

tarde

História dos governos Lula - Dilma

noite

Festa - confraternização

15/7/2012 (dom)

manhã

Avaliação e encerramento

tarde

Saida para os estados

 

Curso 2: Lutas de Massas e Socialismo

07/7/2012 (sab)

manhã

Recepção, abertura e apresentação dos cursos 

tarde

Resoluções da AE - Socialismo

noite

Livre

08/7/2012 (dom)

manhã

Resoluções da AE - Estratégia

tarde

Resoluções da AE - Bloco Histórico

noite

Livre

09/7/2012 (seg)

manhã

As mulheres e a luta pelo socialismo

tarde

A juventude a e a luta pelo socialismo

noite

Luta LGBT e socialismo

10/7/2012 (ter)

manhã

História do Brasil - 1500/1888

tarde

História do Brasil - 1889/1930

noite

História do Brasil - 1930/1964

11/7/2012 (qua)

manhã

História do Brasil - 1964/1980

tarde

História do PT - História da AE

noite

VER ABAIXO AS GRADES ESPECIFICAS DAS OPÇÕES SETORIAIS: A) MULHERES, B)JUVENTUDE, C) SINDICAL, D) COMBATE AO RASCISMO, E) LGBT, F) QUESTÃO AGRÁRIA, G) QUESTÃO AMBIENTAL,                                   H) QUESTÃO URBANA, I) SAUDE

12/7/2012 (qui)

manhã

tarde

noite

13/7/2012 (sex)

manhã

tarde

noite

14/7/2012 (sab)

manhã

Livre

tarde

História dos governos Lula - Dilma

noite

Festa - confraternização

15/7/2012 (dom)

manhã

Avaliação e encerramento

tarde

Saida para os estados

Opções setoriais do curso 2

2A: Mulheres

11/7/2012 (qua)

noite

A teoria feminista e os feminismos

12/7/2012 (qui)

manhã

Políticas públicas para as mulheres - limites e desafios, histórico e implementação

tarde

Espaços público e privado - O papel da família na reprodução social da vida e no processo de produção capitalismo – Trabalho doméstico.

noite

LIVRE

13/7/2012 (sex)

manhã

O papel das mulheres nos diferentes modos de produção (com ênfase no capitalismo), o tipo de estado e o lugar das mulheres;

tarde

LIVRE

noite

LIVRE

2B: Juventude

11/7/2012 (qua)

noite

Juventude: a construção social de um sujeito

12/7/2012 (qui)

manhã

A juventude e a realidade brasileira

tarde

Politicas públicas de juventude: trajetória, desafios e perspectivas

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

História da Juventude do PT

tarde

Educação e movimento estudantil: desafios e perspectivas

noite

Abertura da Conferência da Juventude da Articulação de Esquerda

2C: Sindical

11/7/2012 (qua)

noite

História do movimento sindical brasileiro I - dos primódios à fundação da CUT

12/7/2012 (qui)

manhã

História do movimento sindical brasileiro II - de 1983 aos dias de hoje a definir

tarde

Convenção 87 da OIT, proporcionalidade nos sindicatos, federações e confederações, convenções cutistas

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

Desemprego, Precarização do Trabalho e a Luta Sindical

tarde

Livre

noite

Livre

2D: Combate ao Rascismo

11/7/2012 (qua)

noite

História das lutas anti-escravistas no Brasil

12/7/2012 (qui)

manhã

Movimento Negro e desafios atuais

tarde

Politicas públicas de combate ao rascismo - limites e desafios, histórico e implementação

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

Marxismo e questão racial

tarde

Livre

noite

Livre

2E: LGBT

11/7/2012 (qua)

noite

Gênero e sexualidade

12/7/2012 (qui)

manhã

História do Movimento LGBT  

tarde

Políticas Públicas LGBT - limites e desafios, histórico e implementação  

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

Homofobia e heteronormatividade  

tarde

Livre

noite

Livre

2F: Questão Agrária

11/7/2012 (qua)

noite

História das lutas agrárias no Brasil

12/7/2012 (qui)

manhã

Movimentos sociais no campo hoje

tarde

Classes sociais no campo

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

A atualidade da reforma agrária - desafios dos governos do PT

tarde

Livre

noite

Livre

2G: Questão Ambiental

11/7/2012 (qua)

noite

Conceitos fundamentais de Ecologia

12/7/2012 (qui)

manhã

Crise ambiental e transição sustentável

tarde

Fundamentos do Ecomarxismo

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

Biodiversidade, serviços ambientais e planejamento das cidades

tarde

Livre

noite

Livre

2H: Questão Urbana

11/7/2012 (qua)

noite

Fundamentos teóricos: a cidade capitalista e a luta de classes

12/7/2012 (qui)

manhã

História das lutas urbanas no Brasil

tarde

Movimentos socias urbanos hoje

noite

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13/7/2012 (sex)

manhã

A atualidade da reforma urbana - desafios dos governos do PT

tarde

Livre

noite

Livre

2I: Saude

11/7/2012 (qua)

noite

História de constituição do SUS

12/7/2012 (qui)

manhã

Sistemas nacionais de saúde comparados

tarde

Modelos de atenção em saúde

noite

Livre

13/7/2012 (sex)

manhã

Financiamento, gestão e gestão do trabalho em saude

tarde

Debate geral: setorial Saude do PT, núcleo saude da AE, encaminhamentos

noite

Livre



O local em que será realizada a 9ª jornada de formação da AE é o Centro Marista de Formação, localizado em Extremoz, cidade da região metropolitana de Natal, a 37KM do Aeroporto Augusto Severo.

Endereço: Rua Raimundo Barros Cavalcante, 522 – CEP 59.575-000, extremoz-RN.


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