segunda-feira, 7 de maio de 2012

Carta de Iriny Lopes

Prezado companheiro Rui Falcão,

C/C Integrantes do Diretório Nacional do PT,

 

Como já é de seu conhecimento, desde o final de abril, alguns dirigentes do PT do Espírito Santo têm defendido publicamente o apoio do Partido àcandidatura do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) a prefeito da Capital.

Por isso, solicitamos ao presidente do Diretório Municipal de Vitória que reunisse a direção partidária para marcar a data para a segunda etapa do nosso Encontro Municipal. Nele, os 185 delegados e delegadas da chapa única, fruto de acordo entre todas as forças do PT para garantir a unidade partidária, eleitos no dia 28 de abril,decidirão a tática, a política de alianças e a candidatura do Partido para as eleições na capital do Estado.

Desde 2005, o PT realiza em Vitória um governo social e administrativamente exitoso, embora asúltimas pesquisas de opinião divulgadasdemonstrem um desgaste do prefeito João Coser.Não resta dúvida que a campanha difamatórialançada por Paulo Hartung e seus aliados contra o PT e contra a nossa administração provocou esse desgaste.

Nos últimos meses, o ex-governador usou os espaços que lhe foram abertos na imprensa capixaba para disseminar as falsas ideias de que a administração de Vitória perdeu o rumo; que a presidenta Dilma é a responsável direta pelas perdas que o Estado sofrerá com a unificação do ICMS; e que o PT trabalha contra os interesses capixabas.

Mesmo assim, os defensores petistas do apoio a Paulo Hartung dizem que nosso Partido está isolado e que o PT precisa voltar à mesa. Falam que é preciso respeitar a geopolítica estadual.

O fato é que conquistamos cidades importantes no Espírito Santo e teremos candidaturas petistas de continuidade e avanço administrativo em Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Castelo. Em nenhuma destas cidades o Partido cogita apoiar candidatura majoritária de outro partido. Além disso, lançaremos candidaturas em dezenas de outras cidades do Estado e é claro para todos que acampanha petista na Capital ajudará politicamenteo esforço eleitoral no restante do Estado.

O caso de Cariacica é exemplar, ondedisputaremos com candidatura própria, dando continuidade a oito anos de administração do PT. Nesse município, um de nossos principais oponentes é o candidato do PMDB, que seriadiretamente beneficiado pelo horário eleitoral gratuito de Vitória, se esse apoio aos peemedebistas, desejado por alguns, se confirmasse.

O fato inegável é que, depois de oito anos de governo em Vitória, será um erro histórico, com danosas consequências para o PT do Espírito Santo, não lançar uma candidatura do Partido dos Trabalhadores para a sucessão municipal.

A pergunta que a maioria da militância e dos dirigentes estaduais estão se fazendo é: por quemotivo o PT deve entregar a disputa eleitoral para Paulo Hartung? Ele não fez campanha para Lula em 2006, apesar de o governo federal ter sido essencial para estabilizar sua administração. Não fez campanha para Dilma em 2010. É um inimigodeclarado das posições do PT e, além de tudo, é a encarnação local de uma política que temos combatido em todo o Brasil.

Renunciar ao nosso projeto para apoiar PauloHartung em Vitória, dizem os defensores dessa estranha aliança, fará com que aliados do ex-governador apoiem nossas candidaturas em outras cidades. Mas esta é uma afirmação sem consistência. Afastado do poder estadual, Paulo Hartung já não tem instrumentos para sufocar as disputas municipais e impor sua vontade aos partidos e candidatos, como tantas vezes fez no passado.

Por tudo isto, ao contrário do que dizem os defensores da tese de que devemos nos dobrar à vontade e às necessidades de Paulo Hartung, considero que minha candidatura na Capital reforça, tanto estratégica quanto taticamente, as chanceseleitorais do PT em todas as demais cidades doEstado.

Concluo lembrando que Vitória é a única capital administrada pelo Partido nos sete estados que integram as regiões sul-sudeste do país. Nesses Estados temos candidaturas petistas em trêscapitais: Porto Alegre, São Paulo e Vitória. Em duas deles, São Paulo e Vitória, os pré-candidatos sãodois integrantes da primeira equipe ministerial da presidenta Dilma, sendo que Vitória tem a única mulher como pré-candidata.

Estas são as razões que movem minha decisão de ir ao Encontro Municipal do Partido para disputar o apoio de cada um dos delegados e delegadas. Porque o PT merece ser mais do que simples coadjuvante de um projeto pessoal e de contornos mais que suspeitos. E porque Vitória merece a continuidade e aprofundamento de um trabalho que fez da cidade referência nacional em desenvolvimento urbano, qualidade de vida e inclusão social.

Saudações petistas

Iriny Lopes

 

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