terça-feira, 29 de maio de 2012

Porque me Filiei ao PT

O mundo capitalista é abissalmente injusto. Dei-me conta disso tarde até, mesmo tendo sentido na pele suas garras. Minha mãe faleceu sendo explorada por uma multinacional, a Wall Mart, que além de pagar um salário inferior ao mínimo, faz com que as pessoas trabalhem mais do que 40 horas e proíbe a organização em sindicato. E desde cedo, eu, minha irmã e minha mãe vagamos pelo mundo, vivendo de aluguel, sem nunca ter casa própia, estudando em mais de 10 escolas, morando em mais de 20 casas, e inclusive no olho da rua.

Mesmo que na minha família praticamente não houvesse influência católica, comecei a participar de um grupo de jovens aos 12 anos, por ser a única alternativa inteligente que se apresentava no lugar em que eu morava. E a Pastoral da juventude estudantil transformou minha vida pra sempre, bem como a vida de tantos. Não nos catequiza, mas nos apresenta a urgência de nos organizarmos pra enfrentar esse sistema atroz que mata um jovem pobre por hora, pra que os mesmos poucos de sempre gozem criminosamente de previlégios e sejam invejados e adorados pelas massas. A PJE forma jovens sensíveis, críticos, curiosos, criativos, conscientes. E fazer parte dessa história me alegra muito.

Decidi participar do PT ainda em 2006, porque vi que reclamar sozinha da realidade era um esforço vão. Porque compreendi, num dado momento, que sem organização nada pode ser transformado. E que, quando nós não participamos das disputas, tenham certeza, alguém o faz e o faz com os objetivos mais variados. Decidi me filiar ao PT porque hoje tenho 22 anos e me lembro que quando tinha 10, 11 anos a situação do país, da minha família e das pessoas da minha volta, da minha classe social, era muito pior. E, especialmente porque, na pastoral adquiri consciência de classe. E, sendo da classe trabalhadora, me identifico profundamente com a esquerda e com um projeto radicalmente democrático e justo, onde a propriedade dos grandes meios de produção seja coletiva, onde não haja mais classes, nem exploração, nem opressão. Um projeto possível, na verdade uma necessidade histórica, que chamamos de Socialismo.

Não sou romântica nem cega a ponto de afirmar que o PT fará a revolução estando no governo. Contudo, tenho segurança que o nosso partido cumpre um papel decisivo no caminho da justiça social, encarando frontalmente a burguesia nacional organizada nos seus partidos reacionários, erradicando a fome(coisa que só quem a sentiu de verdade sabe o que significa), ampliando o acesso à universidade, inclusive incluindo negros, negras, indígenas, pobres, melhorando, enfim, a vida da classe trabalhadora que num futuro próximo terá condições de se organizar de fato e forjar um outro tempo.

Eu quero fazer parte também dessa história. Não quero ser apenas peso no mundo, espectadora, omissa, tampouco quero contribuir com os burgueses, os donos da mídia golpista e sanguinária, engrossando o coro do antipetismo, do antipartidarismo, da não organização, da ação individual, que lhes serve porque não faz nem cócegas ao sistema.

Por isso, por causa da minha história de vida e do meu processo de conciência, tenho lado nas disputas. Por isso me filiei ao PT. E milito na Articulação de Esquerda justamente por ser crítica ao governo e, ao mesmo tempo reconhecer a sua importância no curso da história e na vida das pessoas e por, especialmente, ser intransigente na defesa do socialismo possível.

E lá vamos nós, na contramão da ideologia que decretou o fim da história, que diz que é obsceno filiar-se a um partido, se posicionar politicamente, acreditar num amanhã justo, ser solidário hoje. Nós vamos na contramão do machismo que nos humilha diariamente, nos impõe preço e padrão, nos faz crer que somos menos capazes de encarar a vida de frente, com autonomia pra decidir. Ousamos aliar o discruso à prática e, apesar de fazermos pouca propaganda e pouco discurso, estamos organizando Estágios de Vivências de estudantes em assentamentos e acampamentos sem-terra por vários cantos do país, lutando por democracia em muitas universidades, quebrando a cabeça pra achar um jeito coerente de fazer política estudantil, sem enganar as pessoas; forjando uma organização de mulheres que não nos isole dos grandes debates, mas nos empodere pra os protagonizarmos. Uma política de alianças que force o PT e o governo pra esquerda; pela integração latinoamericana e caribenha numa estratégia anticapitalista e socialista.

Gosto de lembrar daquela frase do Galeano que justifica a luta teimosa dos povos humilhados do nosso continente, com a qual justifico também a nossa luta: "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos pra transformar o que somos".

Um abraço em quem acreditar.

 

Tábata Silveira

Porto Alegre, RS, Brasil

Militante de esquerda, feminista, petista, estudante, assentada na comunidade urbana Utopia e Luta e pandeirista, ansiosa por um mundo novo.

 

 

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