sábado, 23 de junho de 2012

A nova soma que subtrai (favor divulgar)

Nota da Direção Municipal da Articulação de Esquerda de São Paulo à militância do PT

 

O anúncio da aliança do PT com o PP de Paulo Maluf para concorrer à prefeitura de São Paulo teve grande repercussão. Não é para menos: além de resultar na saída de Luíza Erundina, recém indicada para compor a chapa com Haddad, provocou a insatisfação de grande parte da militância petista em todo o Brasil, de um lado, e abriu um flanco habilmente explorado pela mídia conservadora de outro.

Repetimos hoje o que dissemos ontem sobre as tentativas de aliança com Kassab: os defensores dessas alianças desconsideram programa, desconsideram o impacto sobre a unidade partidária, desconsideram a luta político-ideológica. A aliança com Maluf é uma reedição daquele episódio: uma nova soma que subtrai.

Contudo, há uma diferença importante: a aliança com o PSD não se consolidou. Dois fatores contribuíram para isso. A reação da militância petista e a opção de Kassab em favor de Serra, ao menos aparentemente, teriam impedido que petistas defensores deste tipo de alianças continuassem insistindo no erro. Mas insistiram e o resultado é lastimável.

Em nome de ganhar a qualquer custo, muito estrago já foi feito. Mesmo assim, os defensores e articuladores da aliança com Maluf pensam que saímos ganhando, que ela coloca mais do que tira.

Além de equivocada eleitoralmente, a aliança revela uma opção conservadora na disputa ideológica, colocando o PT ao lado de privatistas neoliberais, violentos contra os setores populares, ideologicamente reacionários. Ela diminui o espaço para marcar diferenças programáticas e políticas.

Ao se concentrarem apenas na necessidade de vitória eleitoral em São Paulo, os aliancistas comprometem a imprescindível vitória política que deve acompanhá-la, sem o que não serão construídas as condições para mudar profundamente os rumos da cidade.

Ao superestimarem o marketing proporcionado pelo aumento do tempo de televisão, subestimam as mais poderosas armas do PT: a política, o programa e a força da militância petista, que agora sente-se menos estimulada a sair nas ruas e fazer campanha.

Derrotar os tucanos em seu ninho é central. Para isso, valem todos os meios que fortaleçam nossa ligação com os trabalhadores e as camadas médias, meios que devem ser capazes de expressar nossas opções programáticas e políticas. Isto inclui uma política de alianças justa, que amplie nossa potência eleitoral e nos ajude a vencer, o que de finitivamente não é o caso da aliança com o PP de Maluf.

Os setores populares que no passado constituiram a base de massas do malufismo há muito deixaram de tê-lo como referência, principalmente pela memória positiva dos governos petistas nos niveis municipal e federal que priorizaram várias ações que contemplaram os interesses dos setores populares. Quanto às camadas médias de extração conservadora que constituiram a outra vertente do malufismo no passado, a experiência já tem demonstrado que dificilmente vão mudar no seu atávico anti-petismo, pois passaram a constituir, há tempos, o núcleo duro da hegemonia tucana no estado de São Paulo, em especial na capital.

Ademais, a aliança formal não impede que esses mesmos setores da direita que supostamente nos apoiam apelem para um voto ideologicamente coerente com uma política conservadora para São Paulo, que tem em José Serra seu principal expoente.

Dizemos em alto e bom som: Maluf e o malufismo nunca foram, não são e jamais serão aliados nas lutas do PT. Seu fisiologismo parasitário permite que continuem trabalhando para derrotar nossa política, independentemente do palanque e do cargo em que estiverem.

Portanto, convocamos a militância petista para, mais uma vez, impedir que os erros de algumas lideranças do partido não comprometam nosso projeto coletivo. Reivindicamos a convocação imediata de uma reunião do Diretório Municipal para debater o quadro eleitoral, tomar uma decisão sobre esta aliança e trabalhar para reverter o impacto negativo que já causou.

São Paulo, 20 de junho de 2012

Direção Municipal da Articulação de Esquerda de São Paulo

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