sábado, 23 de agosto de 2014

Uma herança mal dita...

O arcabouço estrutural desenvolvido no Brasil nestes últimos 502 anos deixou uma carga negativa entre as relações interpessoais. Opressão, violência, trabalho escravo, autoritarismo são alguns dos instrumentos que lograram um estigma negativo em nossa sociedade. Pensar uma outra sociedade é extremamente urgente. Convém porém cautela, pois o ranço da citada enraizada no subconsciente das pessoas provoca em cada pessoa certa aversão as situações de democracia participativa e em condição de igualdade e plenitude. O que subtrai a real possibilidade de vivenciarmos a máxima “de cada um segundo sua capacidade e para cada um de acordo com sua necessidade.

Sabendo ainda de toda essa engenhosidade que visava a manutenção do status quo dessa sociedade e que esta situação sempre foi muito confortável para uma parcela da sociedade, leva-nos ao entendimento de que o desfrute desta condição sempre nutriu e motivou uma ideia abastarda no contexto internacional. Uma elite que buscou sua independência pela via colonialista, ou seja, a busca da independência política mas não econômica, não por acaso mas sim temendo a perda de suas regalias.


As elites que presente no Brasil desde seu achado (palavras de Boris Fausto) até hoje protagoniza um cenário decadente e atrasada. Ajuda de forma significativamente o retardo na construção e implantação da democracia plena. Está presente nos diversos órgãos constituídos, e mantêm uma ideologia no atual contexto que promove uma relação de prevaricação, clientelismo, corrupção e outra dependência que se autoalimentam. Quebrar está corrente é condição sine qua non e para romper até mesmo com o subdesenvolvimento cultura que se submete esta classe.

Este cenário e conjuntura do Estado Herdado embora apresentando grandes contradições se apresenta dotado de uma enorme maestria de articulação em suas entranhas. Situação que persiste até os dias atuais, conforme demonstra a situação discriminatória. Passado o 1888, ano da assinatura da Lei Áurea permaneceu no bojo da sociedade com grande força na estrutura do Estado a abominável intenção de extinguir os negros e negras do Brasil, o que foi chamado entre seus idealizadores de Teoria do Embranquecimento.


Dentro do aparelho do Estado é possível perceber o quanto ainda é presente está ideia e de fato somente com uma restruturação total poder-se-á vislumbrar uma nova concepção de Estado. Este, o Necessário com capacidade e habilidade para absorver e sanar todas as demandas sociais e políticas, econômicas e estruturais, etc…. Um Estado que garanta acima de tudo a plena participação popular nas decisões e condução da Política de Estado da Sociedade, por fim que habilite as relações sociais com base no respeito mútuo e na primazia da dignidade humana.

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