segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O Shopping, a Polícia e a Juventude! – Nota de repúdio da JAE-MS à operação policial de domingo (13)

  1. Na tarde do dia 13 de dezembro de 2015, o governo do estado de Mato Grosso do Sul desencadeou uma megaoperação com todas as delegacias de Polícia Civil de Campo Grande-MS nos altos da avenida Afonso Pena e arredores do Shopping Campo Grande.
  2. Segundo divulgado pela imprensa, o objetivo da operação foi realizar uma ação de proteção à criança e ao adolescente contra o tráfico de drogas. Também conforme divulgado pela imprensa, a estrutura de tal operação contou com vários/as delegados/as e 250 policiais armados que abordaram com revista pessoal cerca de 2 mil adolescentes e jovens, sendo que desses, cerca de 30 foram encontrados sem documentos pessoais e/ou portando drogas lícitas e/ou ilícitas.
  3. Basta dar atenção aos detalhes apresentados, ou mesmo analisar as fotos divulgadas, para identificar que tal operação foi ilegal, preconceituosa, classista e racista.
  4. Ilegal porque viola claramente não só a Constituição Federal, mas também a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Estatuto da Criança e do Adolescente. O direito de ir e vir não pode ser vilipendiado apenas pela suposição de que algum crime possa vir a ser cometido. Ninguém pode ser abordado com revista pessoal sem suspeita cabível. Ninguém pode ser apreendido com o motivo de não portar seu documento pessoal.
  5. Preconceituosa porque a ação policial, da forma como foi dirigida, pressupõe que, apenas por ser adolescente ou jovem, o/a sujeito/a é um/a potencial criminoso cabendo a ele/a ser rapidamente abordado e constrangido publicamente com uma revista pessoal. Essa postura policial, de repressão e criminalização da juventude, expressa uma taxação injusta aos adolescentes e jovens de baderneiros e criminosos, explicitando o preconceito geracional presente na ação policial. Os/as adolescente e jovens são sujeitos/as de direitos e também merecem curtir seus momentos de lazer e tempo livre em todo ou qualquer espaço seja público e/ou privado.
  6. Classista e até racista porque os altos da avenida Afonso Pena, o Shopping Campo Grande e seus arredores, aos domingos é mais frequentado pelas populações de periferia, em sua grande maioria negros/as. Em nota, o Shopping Campo Grande declarou que “a ação realizada em parceria com órgãos de segurança (…) teve o objetivo de manter o conforto e segurança de seus visitantes, lojistas e colaboradores”. Ora, os visitantes, lojistas e colaboradores do Shopping Campo Grande precisam ser protegidos por antecipação dos/as jovens pobres e negros/as de possíveis crimes que hipoteticamente aconteceriam? Todos/as não deveriam ter o mesmo direito de ir ao shopping ou os/as que não darão lucros (pobres e negros/as) estão tendo os seus direitos violados?
  7. Um detalhe importante de toda essa contextualização é que a operação policial aconteceu quase que no mesmo dia e horário da manifestação pró impeachment, coincidentemente ou não, também na avenida Afonso Pena. Logo se vê um símbolo do capital e da burguesia, o Shopping, sendo protegido pelo aparato do Estado em pleno protesto coxinha.
  8. Logo, torna-se visível que este célebre símbolo do capital e de lazer burguês, o Shopping Center, fora protegido pelo aparato do Estado em plena manifestação da classe média alienada, explicitando cada vez mais a quem o Estado atende, mantendo o status quo da burguesia brasileira em seu estábulo glorificado.
  9. Apesar de todos os fatos que comprovariam as violações de direitos realizadas com essa megaoperação policial, o governo tucano insiste em tapar o sol com peneira no que tange a políticas públicas protetivas da infância e adolescência ou mesmo emancipatórias da juventude. E para nos lembrar sempre que estamos vivendo tempos de guerra, o Conselho Tutelar e a Ordem dos Advogados do Brasil apoiaram a ação, dois órgãos que deveriam ser radicalmente defensores de direitos.
  10. Como se não bastasse, no dia posterior, a página do Facebook ‘Ser Policial, Por Amor’, de forma anônima e agressiva começou a atacar gratuitamente a jornalista Izabela Sanchez, pela cobertura da ação no jornal eletrônico TopMídiaNews, ataques que foram nada mais que uma reação ao compromisso com a verdade da profissional Izabela Sanchez.
  11. Nós da Juventude da Articulação de Esquerda, tendência petista, repudiamos com veemência a ação das polícias civis, desencadeada pelo governo do estado. Declaramos toda a nossa solidariedade aos/às adolescentes e seus familiares que foram constrangidos e violados com essa operação vergonhosa, e também à jornalista Izabela Sanchez.
  12. Diante disso, conclamamos a toda a juventude petista, os movimentos populares, centrais sindicais, entidades estudantis e organizações de juventude que não se calem em denunciar as violações cometidas pelo (des)governo tucano por intermédio de qualquer órgão público.
  13. De forma alguma podemos permitir que os interesses econômicos da classe dominante atropelem os direitos dos mais pobres usurpando sua dignidade em nome de uma ‘ordem’ que serve somente para a manutenção capitalismo e legitimação dos interesses burgueses. Enquanto existir segregação de classe e racial deverá existir resistência e luta.

“Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? qual é negão?”
(O Rappa – Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro)



Coordenação Estadual da Juventude da Articulação de Esquerda de Mato Grosso do Sul

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

10ª Roda de Rima de Barra Mansa

NOTA

10ª Roda de Rima de Barra Mansa acontece na terça-feira, dia 08

Na próxima terça-feira, dia 08, acontece a 10ª edição da Roda de Rima de Barra Mansa. O evento cultural será realizado de 19h às 23h, na Praça da Liberdade, no Centro. Durante a 10ª edição, denominada especial Tomada Urbana ato VII, haverá apresentações de Reggae, Dub, Ragga, Hard Core, Hip Hop e batalhas de MC's. A programação conta ainda com microfone aberto, batalha da rataria e shows do Projeto Consonância – MG, Ju Dorotea, Buero Rep, com discotecagem com o Emerick Beats e a apresentação do mestre de cerimônia, Thomaz Weed. O evento é gratuito e os interessados em participar das batalhas podem se inscrever na hora. 


Coordenadoria de Comunicação Social
Prefeitura de Barra Mansa
(24) 2106-3425 | 2106-3521

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