domingo, 10 de dezembro de 2017

Declaração Política da II Conferência Nacional da Frente Brasil Popular

Na II Conferência Nacional da Frente Brasil Popular militantes de diversos espaços organizativos debateram a crise brasileira e atualizaram as tarefas políticas das forças democráticas e populares

Reunidos em São Paulo dias 9 e 10 de 6dezembro na II Conferência Nacional da Frente Brasil Popular, 350 militantes oriundos de diversos espaços organizativos debateram a crise brasileira e atualizaram as tarefas políticas das forças democráticas e populares.

No plano internacional, a grave crise do sistema capitalista, a decadência da globalização neoliberal e o reposicionamento da China e da Rússia na geopolítica global lançaram as bases para a formação de um quadro de multipolaridade do sistema de nações. O imperialismo estadunidense reage a esta situação através de sua política de exploração sobre as nações subdesenvolvidas, intervindo na soberania e democracia destes países, como nos exemplos atuais da Venezuela e de Honduras.

É neste contexto que se insere a crise brasileira. O golpe patrocinado pelas forças reacionárias quebrou a ordem democrática, favorecendo a aplicação de um programa de restauração do neoliberalismo. O quadro agrava-se com o a profundamento do desemprego e das desigualdades sociais. A escalada da violência, vitimando principalmente a juventude, a população negra, LGBTs e mulheres lança desesperança no povo brasieleiro. O ataque à autonomia das universidades públicas pela via da intervenção policial é mais um capítulo desta nova situação política que vive nosso país.

Os golpistas objetivam realinhar o Brasil com os interesses geopolíticos dos Estados Unidos, recompor as taxas de lucros dos capitalistas acabando com direitos históricos da classe trabalhadora e apropriar-se de recursos naturais como é o caso do petróleo da camada pré-sal.

Não por acaso, essa conjunção de forças antinacionais já impuseram a aprovação da PEC dos gastos que corta drasticamente o orçamento de áreas essenciais para o povo como saúde e educação. A aprovação da reforma trabalhista, as políticas de privatização da Petrobrás e da Eletrobrás, assim como a destruição do parque industrial, demonstram que o objetivo é desmontar o Estado brasileiro e ferir de morte a soberania nacional.

Para alcançar seus objetivos o movimento golpista patrocina a quebra do pacto constitucional de 1988, jogando na lata do lixo direitos sociais, políticos e civis. Conquistas civilizatórias como o direito à presunção de inocência, o amplo direito de defesa e o devido processo legal estão sendo brutalmente atacadas. Lança-se, dessa forma, as bases de um regime de exceção. Para reverter esta situação, as forças patrióticas, amparadas num amplo movimento de massas e num governo democrático e popular, terão que travar uma persistente luta política capaz de criar uma correlação de forças favorável a oportuna convocação de uma assembleia Nacional Constituinte que construa  uma nova institucionalidade para o Estado brasileiro que restabeleça a democracia e favoreça o avanço do Projeto nacional, democrático e popular.

A Frente Brasil Popular compreende que diante do avanço da restauração neoliberal a construção da unidade das forças democráticas, nacionais e populares é uma necessidade histórica. O que está em jogo é a soberania nacional e o restabelecimento da democracia. Não mediremos esforços para conter e derrotar o avanço do programa neoliberal e reacionária pela via da luta de massas.

O Brasil passa por uma crise de destino que só será resolvida quando avançarmos na construção de uma estratégia de poder em torno de um Projeto de Nação. Trata-se de recolocar o desenvolvimento nacional e as reformas estruturais no centro da luta política. Isto exige uma força social de massas que garanta a hegemonia das forças populares. Portanto, é fundamental Frente Brasil Popular seguir acumulando no debate programático.

Um Projeto Nacional não se constrói com hegemonismos. A Frente Brasil Popular deve ser um espaço aberto às diversas contribuições do campo democrático e popular. A iniciativa de construção do Projeto Brasil Popular demonstra que o primeiro passo é fazer um esforço de sintese do acúmulo existente no interior das forças populares. Retomar o debate de projeto de nação não é mero exercício acadêmico, mas uma necessidade histórica que exige o conhecimento das especificidades da realidade brasileira, a retomada da luta de massas e o debate com o povo brasileiro.

Diante da necessidade de dar continuidade ao acúmulo programático e de nos prepararmos para a batalha eleitoral de 2018, a Frente Brasil Popular precisa ter mais enraizamento social. Por isso, faremos um grande mutirão de trabalho de base utilizando uma metodologia de educação popular em todo o território nacional que culminará no Congresso do Povo. Politizar o processo eleitoral em torno da necessidade de um projeto de nação e avançar no enraizamento da Frente Brasil Popular constituem as metas sínteses do Congresso do Povo. Certamente será um rico processo de participação popular que envolverá partidos, movimentos populares, intelectuais, artistas, dentre outros.

A Frente Brasil Popular avalia que todo este processo de participação popular será potencializado se conseguirmos garantir o direito de Lula ser candidato a presidência da república. Defender o direito de Lula ser candidato é defender a democracia e dar um importante passo para a derrota do golpe. Os inimigos do povo não toleram a liderança de Lula e são capazes de tudo para evitar seu retorno a presidência da república. Por isso, não descartamos a farsa do golpe dentro do golpe pela via dos setores reacionários do poder judiciário, pelo parlamentarismo ou pelo semipresidencialismo.

O êxito dessa construção passa, portanto, por derrotar os golpistas nas urnas e nas ruas. A Frente Brasil Popular, de forma unitária, dialogará com as candidaturas do campo democrático comprometidas com esses objetivos.

Sem  garantir a soberania nacional e sem restabelecer a democracia não será possível uma saída popular para a crise brasileira. A II Conferência Nacional da Frente Brasil sabe o que está em jogo neste momento e traz uma mensagem de luta e esperança ao povo brasileiro. Apesar da gravidade da crise, temos a certeza de que o Brasil pode reencontrar seu rumo. Nosso povo tem capacidade de luta e merece viver em um país digno, soberano e democrático.

Resistiremos e venceremos!

São Paulo, 10 de dezembro de 2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

TIA CIATA - O Dia Nacional do Samba

O Dia Nacional do Samba é comemorado sempre em 2 de dezembro. O que muita gente pelo país não sabe, é que o samba, assim como grande parte dos símbolos da nossa cultura, deve muito à cultura dos povos de terreiro.

TIA CIATA

Hilária Batista de Almeida nasceu na Bahia em 1854. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, no êxodo que ficou conhecido como diáspora baiana. No Rio, formou nova família ao se casar com João Baptista da Silva, funcionário público com quem teve 14 filhos.

Como todas as baianas da época, era grande quituteira. Começou a trabalhar colocando o seu tabuleiro na Rua Sete de Setembro, sempre vestida de baiana. Com tino comercial, também alugava roupas típicas para o teatro e para o carnaval.

Mãe-de-santo respeitada, Hilária foi confirmada no santo como Ciata de Oxum, no terreiro de João Alabá, na Rua Barão de São Felix, onde também ficava a casa de Dom Obá II e o famoso cortiço Cabeça de Porco. Em sua casa, as festas eram famosas. Sempre celebrava seus orixás, sendo as festas de Cosme e Damião e de Nossa Senhora da Conceição as mais prestigiadas. Mas também promovia festas profanas, nas quais se destacavam as rodas de partido-alto. Era nessas rodas que se dançava o miudinho, uma forma de sambar de pés juntos, na qual Ciata era mestra.

A Praça Onze ganhou o apelido de Pequena África, porque era o ponto de encontro dos negros baianos e dos ex-escravos radicados nos morros próximos ao centro da cidade. Lá se reuniam músicos amadores e compositores anônimos.

A casa de Tia Ciata, na rua Visconde de Itaúna 117, era a capital da Pequena África. Dos seus freqüentadores habituais, que incluíam Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Sinhô e Mauro de Almeida, nasceu o samba. A música Pelo telefone foi o primeiro samba registrado, no final de 1916, e virou sucesso no carnaval de 1917.

As chamadas “tias” baianas tiveram um papel preponderante no cenário de surgimento do samba no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do XX. Além de transmissoras da cultura popular trazida da Bahia e sacerdotisas de cultos e ritos de tradição africana, eram grandes quituteiras e festeiras, reunindo em torno de si a comunidade que inundava de música e dança suas celebrações – as festas chegavam a durar dias seguidos. Nessa época, viviam Tia Amélia (mãe de Donga), Tia Prisciliana (mãe de João de Baiana), Tia Veridiana (mãe de Chico da Baiana) e Tia Mônica (mãe de Pendengo e Carmen do Xibuca). Mas a mais famosa de todas foi Tia Ciata, em cuja casa nasceu o samba.

Em 1935, o então prefeito do Rio, Pedro Ernesto, legalizou as escolas de samba e oficializou os desfiles de rua. Antes disso, sem horário nem percurso fixo, o indispensável era que os grupos passassem pela Praça Onze, pelas casas das “tias” baianas. Elas eram consideradas mães do samba e do carnaval dos pobres. A casa de Tia Ciata era parada obrigatória, pois era a mais famosa e muito respeitada pela comunidade. Até hoje, as tias são representadas e homenageadas nos desfiles, pela ala das baianas das escolas de samba.

fonte: http://www.acordacultura.org.br

sábado, 25 de novembro de 2017

As Fronteiras Raciais do Genocídio: Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD)


Não vai ter volta! - Ou a Reforma pela Política de Drogas no Brasil tem em seu centro o combate ao racismo, ou repetirá os equívocos da abolição inconclusa.


A Conferência Internacional "As Fronteiras Raciais do Genocídio" não se iniciou no dia 16 de Novembro. O acúmulo sobre “guerra às drogas”, “política sobre drogas”, sistema penal e racismo não pode ser expresso apenas pelos dois anos de Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD).

A INNPD é a estratégia negra de articulação em rede que assumiu o desafio de conectar, de maneira destacada, as experiências e pessoas pretas ao redor do mundo para reatualizar nossa formulação, apresentando novas lentes negras que vivenciam e formulam a rearticulação do racismo a partir da Guerra as Drogas.

A conferência não se iniciou 16 de Novembro de 2017, porque o projeto genocida do Estado traz o extermínio físico e cultural da população negra para além do encarceramento. Ele (o extermínio) é mais uma das formas de estruturar a vida em sociedade à serviço de uma supremacia branca.

Da mesma forma, a resistência feita pelas comunidades negras não começou a partir daqui. Somos herdeiras e herdeiros dos povos que foram sequestradas em África, que resistiram a escravização de negras e negros, aos assassinatos de africanas e africanos, na memória de quilombos, lutas, suicídios e rebeliões de recusa à dominação branca.

Durante os dias de afeto, troca, potência e articulação, observamos melhor as diferentes justificativas políticas utilizadas ao longo da história para permitir e naturalizar o genocídio negro no continente africano e em todo território da diáspora.

No Brasil, temos visto ainda hoje a demonização e a perseguição das expressões culturais da comunidade negra, como as religiões de matriz africana, o samba, Hip Hop, o funk, entre outros. Percebemos que as desculpas vão se modificando ao longo do tempo, e materializam-se na falaciosa política de “guerra às drogas”. Apesar das mudanças ao longos dos anos, algo mantem um ponto em comum entre esses diferentes momentos da história: o racismo e o projeto de genocídio contra o povo negro.

Nos encontramos n’As Fronteiras Raciais do Genocídio: Brasil, 130 anos da abolição inconclusa reatualizada na Guerra ás Drogas como a possibilidade de construir uma agência de experiências e produção de sínteses sobre nossas tecnologias de sobrevivência, nossas estratégias de manutenção em vida, com bem viver, combatendo o nosso sangrento extermínio histórico imposto pela branquitude.

Marcamos a partir deste momento de que não há uma possibilidade de se discutir a falaciosa guerra às drogas, assim como qualquer outro tema na sociedade brasileira, sem entender a questão racial (e suas necessárias interseccionalidades) como central e estruturante do debate.

Da mesma maneira, compreendemos que há uma inviabilidade de se discutir o genocídio negro sem melhor compreender os mecanismos utilizados pelo Estado para disseminar o discurso da política de guerra às drogas.

Por esses motivos, o nosso evento não termina hoje, no dia 18 de Novembro de 2017. Pelo contrário, ele reforça laços de reconhecimento e nos fortalece a seguir em um bloco fechado criando e recriando a infinitude de conexões que nos permitem seguir vivas e potentes no século XXI, mais um século de antinegritude no mundo.

Os laços e as discussões que aqui fizemos continuam e seguem como potências indispensáveis para a construção de novas narrativas e de um mundo sem mortes, cárcere e sofrimento. Nós, negras e negros, por sermos vítimas diretas da violência, ousamos sonhar e guiar nossas existências na construção de uma sociedade livre de opressões por não desejar a ninguém a dor histórica que marca a existência de nosso povo.

Pactuamos neste evento um compromisso, sobretudo com o enfrentamento das violências sofridas pelas mulheres negras em um ambiente pautado por uma politica de drogas que alia o racismo ao sexismo, produzindo cenários de morte física e psíquica de nossas irmãs.

A violência colonial da Guerra às Drogas atinge violentamente as mulheres negras, que são historicamente massacradas na base da pirâmide, numa sociedade estruturada na opressão de raça e gênero. Inspiradas em Angela Davis afirmamos que quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade muda com ela.  Nosso compromisso é descolonizar a politica de drogas, em uma mirada feminista, antirracista, anticapitalista e de respeito a diversidade sexual e de gênero.

Convocamos, portanto e por fim, toda a nossa ancestralidade, nossa intelectualidade, nossa rua e caminhos, nossas histórias, nossas terras e águas, nosso fogo e ar, nossas plantas e nossos céus. Em diáspora e construindo nesse contexto, há séculos, a resistência do luto em luta, propomos para seguir com esse processo conferencial uma Campanha em Rede para 2018: “130 vozes negras ao redor do Brasil contra o genocídio”.

Somos nós as sínteses ambulantes e complementares, que tornam-se potência ao confluir numa mesma caminhada. Somos água e nada nos para, somos o sopro, o vento e o ar que aponta e empurra a humanidade rumo a um Brasil e um mundo mais justos para todas, compreendendo que ele só será possível se não levar em suas mãos nosso sangue.

A Iniciativa Negra Por Uma Nova Política sobre Drogas encerra essa Conferência renovada, fortalecida pelas nossas vivências compartilhadas e pela ampliação do nosso compromisso global contra o genocídio. Conectamos São Paulo, Sussuarana, Bahia, Estados Unidos, Complexo do Alemão, Maré, Colômbia, Uruguai, Grajaú, Recife, Alcaçuz, Carandiru, Cabula. Exigiremos a reparação histórica e arrancaremos a reintegração de nossas posses sequestradas.

No Brasil, o marco será os 130 anos da Abolição Inconclusa em 2018. Contudo, estamos conectadas com as outras experiências da diáspora, onde sempre o fim da escravidão formal nos demostrou no dia seguinte, a manutenção e a prolongação dos tentáculos historicamente produzidos para a nossa morte. Mas nós sempre estivemos atentas e estamos tomando tudo de volta. Nos caminhos e passos por onde, juntas e juntos, seguimos: não vai ter volta!

São Paulo, 18 de novembro de 2017.

Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas

segunda-feira, 24 de abril de 2017

62 anos da Conferência de Bandung

A Conferência de Bandung foi uma reunião de 29 países asiáticos e africanos em Bandung (Indonésia), entre 18 e 24 de Abril de 1955, com o objetivo de mapear o futuro de uma nova força política global (Terceiro Mundo), visando a promoção da cooperação econômica e cultural afro-asiática, como forma de oposição ao que era considerado colonialismo ou neocolonialismo, por parte dos Estados Unidos e da União Soviética.

O patrocínio da reunião coube à Indonésia, Índia, Birmânia e Ceilão (Sri Lanka), que haviam preparado a conferência em uma reunião anterior em Colombo, no Ceilão.

29 países participaram na Conferencia de Bandung: 15 da Ásia ( Afeganistão, Birmânia, Camboja, Ceilão, República Popular da China, Filipinas, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Nepal, Paquistão, República Democrática do Vietnã, Vietnã do Sul, e Tailândia ); 8 do Oriente Médio ( Arábia Saudita, Iêmen, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Síria, e Turquia ); e apenas 6 da África ( Costa do Ouro (atual Gana), Etiópia, Egito, Líbia, Libéria e Sudão ) - o que reflete o fato de que grande parte desse continente ainda era colônia da Europa, embora tenha havido a presença de uma delegação da FLN argelina, assim como do Destur tunisiano. No total, os países participantes representavam uma população de 1,350 bilhões de habitantes. O Japão foi o único país industrializado a participar da conferência. Apesar da condição econômica, os participantes tinham pouco em comum. Houve um debate acirrado sobre se a política soviética no Leste Europeu e na Ásia Central deveria ou não ser equiparada ao colonialismo ocidental.

O encontro propôs a criação de um "tribunal da descolonização" para julgar os responsáveis pela prática de políticas imperialistas, entendidas como crimes contra a humanidade, mas a ideia foi vetada pelos países centrais. Bandung deu origem a uma política de não-alinhamento - uma postura diplomática e geopolítica de equidistância das Grandes Potências -, através da qual dezenas de nações tentariam não ser transformadas em joguetes dos titãs da Guerra Fria. A reunião conferiu estatura internacional a alguns chefes de Estado: o presidente Sukarno, da Indonésia; Chu En-Lai, o primeiro ministro da China; e o presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser.

O "não alinhamento" não foi possivel no contexto da Guerra Fria, onde URSS e EUA competiam por áreas de influência. No lugar do conflito leste-oeste, Bandung criava o conceito de Conflito norte-sul, expressão de um mundo dividido entre países ricos e industrializados e países pobres exportadores de produtos primários

A única realização concreta dos delegados à conferência foi uma declaração de dez pontos sobre "a promoção da paz e cooperação mundiais", baseada na Carta das Nações Unidas e nos princípios morais do premiê indiano Jawaharlal Nehru, um dos estadistas mais antigos presentes ao encontro:

1. Respeito aos direitos fundamentais;

2. Respeito à soberania e integridade territorial de todas as nações;

3. Reconhecimento da igualdade de todas as raças e nações, grandes e pequenas;

4. Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país - (Autodeterminação dos povos);

5. Respeito pelo direito de cada nação defender-se, individual e coletivamente;

6. Recusa na participação dos preparativos da defesa coletiva destinada para servir aos interesses particulares das superpotências;

7. Abstenção de todo ato ou ameaça de agressão, ou do emprego da força, contra a integridade territorial ou a independência política de outro país;

8. Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos (negociações e conciliações, arbitradas por tribunais internacionais);

9. Estímulo aos interesses mútuos de cooperação;


10. Respeito pela justiça e obrigações internacionais.

Fonte:Wikipedia

quinta-feira, 16 de março de 2017

DIFUSÃO DO CONHECIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS

Você já fez sua inscrição no curso “Difusão do Conhecimento em Políticas Públicas” que acontecerá em Barra Mansa?

AINDA NÃO!

Então, o que está esperando? A aula inaugural é neste sábado, dia 18 das 08 às 14 horas na Câmara Municipal de Barra Mansa.

Quem pode se inscrever?

Curso é GRATUITO e aberto e não é necessário ter ensino superior completo ou ser filiado ao PT, basta ser militante de movimentos sociais ou sindicais (é necessário apenas acesso à banda larga de internet por pelo menos uma hora por dia* em qualquer canto do Brasil – e se PREPARAR para assistir a abertura do curso.

O Curso

o curso de Difusão do Conhecimento em Gestão e Políticas Públicas foca a formação militante e social, tem como objetivo congregar a militância de esquerda e estimulá-la ao debate político sobre o Estado brasileiro, a gestão e as políticas públicas. O foco dos estudos continua na relação entre o passado colonial, o atual estado brasileiro e os projetos para o futuro. Assim, pretendemos despertar o interesse da militância de esquerda para os estudos e ações que visam defender projetos baseados em justiça social e democracia participativa.
O curso é gratuito e aberto. Não exige formação universitária ou colégio completo. Mas, destacamos que a maior parte dos trabalhos será pela internet; através de plataforma de educação a distância (Moodle/FPA). Para tanto é preciso ter acesso à banda larga pelo menos duas ou três vezes por semana e ter conhecimentos básicos de navegação na internet.
Convidamos os movimentos sociais e sindicatos, as lideranças de esquerda, para participar na estruturação do debate e organização de novas turmas. O curso tem abrangência nacional e, assim que é agendada a aula presencial, forma-se uma turma local.

Como funciona o curso?

Curso realizado através da nova Plataforma de Ensino à Distância – MOODLE/FPA, com previsão de:
  1. abertura presencial;
  2. três meses de aulas virtuais (15 aulas) – com assistência de tutor local.
  3. Encerramento presencial com atividade e/ou oficina.
Ao parceiro local será oferecida escolha entre as 25 aulas preparadas para melhor adequar a realidade local aos temas discutidos pela Fundação Perseu Abramo. Estta seleção será definida com a instituição demandante, a modulação do curso, resultando em um pacote de até 15 aulas (1. sem extinção de módulos, mínimo de 2 aulas por módulo).

Como demandar o curso?

Atividades obrigatórias e certificação:
A cada aula será feita uma atividade de fixação, havendo uma atividade de avaliação no encerramento. A certificação acontece quando participação atinge:
50% de realização mínima de cada módulo;
Nota geral maior ou igual a 6 (seis) – não podendo zerar nenhum núcleo temático, e

*Grade do curso

Núcleo Temático 1: Introdução ao Estado e sociedade brasileira.
  • Aula 01: História do Estado Brasileiro
  • Aula 02: Partidos Políticos
  • Aula 03: Sindicatos e movimentos sociais pós 64
Núcleo Temático 2: O pensamento clássico sobre o Estado e a sociedade brasileira
  • 04 – Celso Furtado, a teoria econômica e o subdesenvolvimento
  • 05 – Sérgio Buarque e a formação social do Brasil
  • 06 – Florestan Fernandes e a revolução burguesa no Brasil
  • 07 – Milton Santos e a geopolítica urbana
  • 08 – Nísia Floresta e a questão das mulheres
Núcleo Temático 3: Poder, Estado, democracia e participação
  • Aula 09 – Poder, Estado e Participação, uma introdução
  • Aula 10 – Federalismo e democracia (representativa e participativa)
  • Aula 11 – Armadilhas da Comunicação
  • Aula 12 – Brasil em contexto internacional
  • Aula 13 – Nova estrutura de classe no Brasil
Núcleo Temático 4: Políticas públicas
  • Aula 14 – Ciclo de políticas públicas: uma introdução prática
  • Aula 15– Políticas Sociais
  • Aula 16 – Políticas transversais 
*Grade sujeito a alterações

VOCÊ VAI FICAR DE FORA?


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Jean Wyllys para Marisa

Jean Wyllys, hoje no fb:

Se, por acaso, e ainda exercendo algum cargo eletivo, eu morrer depois de dias numa UTI do Sírio-Libanês ou de qualquer outro hospital em que médicos vazaram dados de meus prontuário para fins de deboche em grupos de WhatsApp e sugeriram formas de matarem na mesa de cirurgia, enquanto fascistas de merda, leitores da Veja, audiência da Globonews, ignorantes motivados e outras bestas insensíveis e egoístas me insultam nas redes sociais; se, por acaso, isso acontecer, POR FAVOR TRANSFORMEM MEU VELÓRIO NUM GRANDE COMÍCIO:

Dêem fala a todas as pessoas que queiram e possam dizer que minha morte foi também fruto da violência política estimulada e disseminada por golpistas e pelos meios de comunicação que servem aos interesses das grandes corporações comerciais, banqueiros e especuladores financeiros que não conseguem conviver com a democracia, principalmente quando esta começa a se estender aos mais pobres; não sejam "discretos", por favor, nem "compungidos" como exigem as "pessoas de bem" que odeiam homossexuais e acham que preto pobre e favelado é bandido; não cedam ao falso-moralismo burguês de quem cobra "recato" em velório enquanto insulta e deseja a minha morte apenas porque, em vida, divergi politicamente dele e de seu pensamento torto, de quem acha que velório não é lugar de política, mas faz "comício" em cada postagem sobre meu estado de saúde e sobre a minha família;

sabendo que os meios de comunicação nunca me deram espaço honesto para que eu me explicasse sobre minhas ações políticas e sobre as mentiras que inventaram contra mim, e sabendo que, antes, eles usaram todo o seu arsenal (inclusive seus sabujos que se apresentam como "jornalistas") para me difamar e destruir minha honra e minha reputação, sabendo disso, façam, do meu velório, um enorme ato público, aproveitando as mídias sociais e as novas tecnologias da comunicação para apresentar, às pessoas, uma contra-narrativa que possa levar a verdade a elas; e se, porventura, os canalhas fascistas, as bestas motivadas, os sabujos da Veja e da Globonews e boa parte de suas audiências chegarem com o mimimi "pior que desejar a morte dele e insultá-lo é usar o velório dele como comício", mandem-os à casa do caralho e digam a eles que só em sua (deles) moral torta - típica de hipócritas que não querem assumir seu ódio e preconceitos -  um ato político pode ser pior que o ódio e a maldade deles;

se, por acaso, isso tudo acontecer comigo, como aconteceu à dona Marisa Letícia e sua família, façam como o fez Lula: façam do meu velório um ato político, pois, não são só os sabujos da imprensa e os golpistas falsamente sentidos que poderão explorar politicamente minha morte; antes deles, quem conviveu comigo e sabe que a política foi parte da minha vida (logo, será da minha morte) tem muito mais direito de fazer de meu velório um ato político contra os canalhas que me destruíram e destruíram o país; e avisem aos que vierem reclamar disso que estamos cagando para o mimimi deles e que eles não passarão!

#ForçaLula
#RIPMarisaLetícia

sábado, 4 de fevereiro de 2017

MUITO INTERESSANTE! 225 livros importantes sobre temáticas raciais no Brasil e no mundo

Link para download: https://onedrive.live.com/?authkey=%21AGrnHP74fd3IOCg&id=EB48622F585FE35A%21105&cid=EB48622F585FE35A

Lista d@s autor@s:

Abdias do Nascimento
Achille Mbembe
Aimé Cesaire
Alberto da Costa e Silva
Alex Haley
Alex Ratts
Alice Walker
Ama Mizani
Amilcar Cabral
Ana Célia da Silva
Ana Cláudia Lemos Pacheco
Ana Katia Alves dos Santos
Ana Luiza Pinheiro Flauzina
Ana Maria Gonçalves
Andreas Hofbauer
Andréia Lisboa de Souza
Andrey Oliveira
Angela Davis
Ashanti Alston
Assata Shakur
Audre Lorde
Bell Hooks
Boris Fausto
C. L. R. James
Caribé
Carl Hart
Carlos Hasenbalg
Carlos Lopes
Carlos Machado
Carlos Moore
Carlos Pimenta
Carolina Maria de Jesus
Celia Maria Azevedo
Cheikh Anta Diop
Chimamanda Adichie
Chimamanda Ngozi Adichie
Chinua Achebe
Cleonora Hudson
Clovis Moura
Cornel West
Dilton Oliveira de Araújo
Dirceu Lindoso
Djibril Tamsir Niane
Domício Proença Filho
Dr.ª Frances Cress Weksing
Eduardo Silva
Eliane Brum
Elikia M’Bokolo
Elisa Larkin do Nascimento
Eric Williams
Florentina Souza & Maria Nazaré Lima
Florestan Fernandes
Frantz Fanon
George G. M. James
Gilza Marques
Grada Kilomba
Guerreiro Ramos
Henrique Antunes Cunha Jr.
Henry Louis Gates Jr.
Ildásio Tavares
Iolanda de Oliveira
Izabel Nascimento
Jacob Gorender
James Baldwin
Jean Marc Éla
João Elias
João José Reis
José do Patrocínio
Joseph Ki-Zerbo
Júlio César Medeiros
Kabengele Munanga
Kátia de Queiroz Mattoso
Kwame Anthony Appiah
Lélia Gonzales
Lilia Moritz Schwarcz
Lima Barreto
Livio Sansone
Lorenzo Kom Boa Ervin
Lourenço Cardo
Luiz Gama
Luiz Gustavo Freitas Rossi
Malcolm X
Manning Marable
Manuel Querino
Manuela Carneiro da Cunha
Márcio Paim
Marco Aurelio Luz
Maria Aparecida Silva Bento
Mário Augusto Medeiros da Silva
Mário Magalhaes
Meste Didi
Molefi Kete Asante
Nah Dove
Neusa Santos Souza
Nilma Lino Gomes
Octavio Lanni
Olaudah Equiano
Osmundo Araújo Pinho
Oswaldo de Camargo
Ottobah Cugoano
Oyèrónké Oyêwùmí
Paul Gilroy
Paulina Chiziane
Petronio Domingues
Pierre Fatumbi Verger
Renato Santos de Souza
Richard Miskolci
Roberto Moura
Roger Bastide
Ronilda Iyakemi Ribeiro
Roquinaldo Ferreira
Rosa Amelia Plummele-Uribe
Sidney Chalhoub
Silvia Hunold Lara
Sistah Luísa Benjamim
Sobonfu Somé
Steve Biko
Stuart Hall
Tânia Lima
Théophile Obenga
Toyn Falola
V. Y Mudimbe
Vladimir Miguel Rodrigues
W. E. B. Du Bois
Waldeloir Rego
Walter Rodney
Wlamyra R. de Albuquerque

*PROGRAMA DOS 10 PONTOS DOS PANTERAS NEGRAS.*

1. Queremos liberdade. Queremos o poder para determinar o destino de nossa Comunidade
Negra.
Nós acreditamos que o povo preto não será livre até que nós sejamos capazes de determinar nosso
destino.

2. Queremos emprego para nosso povo. Nós acreditamos que o governo federal é responsável e obrigado a dar a cada homem emprego e renda garantida. Nós acreditamos que se o homem de negócios americano branco não nos dá emprego, então os meios de produção devem ser tomados dos homens de negócios e ser colocados na comunidade de modo que o povo da comunidade possa organizar e empregar todas as pessoas e dar-lhes um padrão elevado de vida.

3. Precisamos acabar com a exploração do homem branco na Comunidade Negra. Nós acreditamos que este governo racista tem nos explorado e agora nós estamos demandando a
quitação do débito de quarenta acres de terra e duas mulas. Quarenta acres e duas mulas foram
prometidos 100 anos atrás em restituição pelo trabalho escravo e assassinato em massa do povo preto. Nós aceitaremos o pagamento em moeda corrente, que será distribuída às nossas muitas comunidades. Os Alemães estão agora reparando os Judeus em Israel pelo genocídio do povo Judeu. Os Alemães assassinaram seis milhões de Judeus. O Racista Americano tomou parte no
massacre de mais de vinte milhões de pessoas pretas; consequentemente, nós sentimos que esta é
uma demanda modesta que nós fazemos.

4. Nós queremos moradia, queremos um teto que seja adequado para abrigar seres humanos. Nós acreditamos que se os senhores de terra brancos não dão moradia descente para a nossa
comunidade negra, então a moradia e a terra devem ser transformadas em cooperativas de maneira
que nossa comunidade, com auxílio governamental, possa construir e fazer casas descentes para as
pessoas.

5. Nós queremos uma educação para nosso povo que exponha a verdadeira natureza da decadente sociedade Americana. Queremos uma educação que nos mostre a verdadeira história e a nossa importância e papel na atual sociedade americana. Nós acreditamos em um sistema educacional que dê a nossos povos um conhecimento de si mesmo. Se um homem não tiver o conhecimento de si mesmo e de sua posição na sociedade e no mundo,
então tem pouca possibilidade relacionar-se com qualquer outra coisa.

6. Nós queremos que todos os homens negros sejam isentos do serviço militar.
Nós acreditamos que o povo preto não deve ser forçado a lutar no serviço militar para defender um
governo racista que não nos protege. Nós não lutaremos e mataremos os povos de cor no mundo que, como o povo preto, estão sendo vitimados pelo governo racista branco da América. Nós nosprotegeremos da força e da violência da polícia racista e das forças armadas racista, por todos os meios necessários.

7. Nós queremos o fim imediato da brutalidade policial e assassinato do povo preto. Nós acreditamos que nós podemos terminar a brutalidade da polícia em nossa comunidade preta
organizando grupos pretos de autodefesa que são dedicados a defender nossa comunidade preta da
opressão e da brutalidade racista da polícia. A segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos dá o direito de portar armas. Nós acreditamos consequentemente que todo o povo preto deve se
armar para a autodefesa.

8. Nós queremos a liberdade para todos os homens pretos mantidos em prisões e cadeias federais, estaduais e municipais.
Nós acreditamos que todas as pessoas pretas devem ser liberadas das muitas cadeias e prisões porque não receberam um julgamento justo e imparcial.

9. Nós queremos que todas as pessoas pretas quando trazidos a julgamento sejam julgadas na corte por um júri de pares do seu grupo ou por pessoas de suas comunidades pretas, como
definido pela Constituição dos Estados Unidos. Nós acreditamos que as cortes devem seguir a Constituição dos Estados Unidos de modo que as pessoas pretas recebam julgamentos justos. A 14ª emenda da Constituição dos ESTADOS UNIDOS
dá a um homem o direito de ser julgado por pares de seu grupo. Um par é uma pessoa com um
acumulo econômico, social, religioso, geográfico, ambiental, histórico e racial similar. Para fazer isto
a corte será forçada a selecionar um júri da comunidade preta de que o réu preto veio. Nós fomos, e estamos sendo julgados por júris todo-brancos que não têm nenhuma compreensão "do raciocínio do homem médio" da comunidade preta.

10. Nós queremos terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz. E como nosso objetivo
político principal, um plebiscito supervisionado pelas Nações-Unidas a ser realizado em toda a colônia preta no qual só serão permitidos aos pretos, vítimas do projeto colonial, participar, com a finalidade de determinar a vontade do povo preto a respeito de seu destino nacional.

*Programa de 10 pontos escrito em 15 de outubro de 1966, quando da fundação do Partido dos Panteras Negras de Auto-defesa por Huey Newton e Bobby Seale.*

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